Como eu posso afirmar que nós, jovens, adolescentes e crianças somos a esperança do mundo, se essa é uma geração adoecida? Eu cansei. Cansei de ouvir a palavra Esperança como prêmio de consolação, ou como uma muleta gasta, ou ainda como falsa desculpa proferida ao léu. Fiquei tão cansada, que passei a ignorá-la, e com o tempo, a perdi de vista. São Paulo disse que a Esperança não engana, mas os falsos virtuosos fizeram dela um conto de fadas.
Será possível então,
recuperar a espera paciente de um futuro sem dor, em meio a essa geração
ludibriada pelo vício nas telas manipuladoras? Quem pode devolver a virtude que
sustenta a confiança? A Igreja? A paróquia? O Padre?
Não. “Na verdade, é o
Espírito Santo, com sua presença perene no caminho da Igreja, que irradia nos
crentes a luz da esperança: mantém-na acesa como uma tocha que nunca se apaga,
para dar apoio e vigor à nossa vida,” disse o Papa Francisco.
Alívio. Que alívio foi ler
as palavras do falecido papa, na Bula do Jubileu da Esperança 2025. A virtude
infusa pelo Espírito nas almas, não depende da vontade humana, mas espera ser
alimentada pela nossa correspondência.
Mas se a maioria dos
jardins estão secos, de que forma cultivar a esperança? Pela Fé. Santo
Agostinho disse que não se pode passar a vida sem três propensões da alma:
crer, esperar e amar. É como uma conta matemática em que o resultado é sempre o
mesmo: Amor + Esperança = Fé; Fé + Esperança = Amor; Fé + Amor = Esperança.
Devo então pedir ao
Espírito Santo que multiplique em nossos corações, a começar pelo meu, as três
virtudes teologais, para que o futuro volte a fazer os olhos brilharem, para
que o jardim de nossa vida volte a florescer virtudes, até que voltemos a ser a
alegria, o bom aroma, a Esperança da Igreja e do Mundo.
Será que teremos tempo
suficiente para fazer esse jardim florescer antes que o Jardineiro volte para a
colheita? Não sei, mas acredito ser uma questão de investimento a curto, médio
e longo prazo. Se Ele voltar hoje, terei plantado a semente; se ele voltar
amanhã a terei regado; se ele voltar daqui a semanas, verá brotinhos; se voltar
em meses haverá flores e, se voltar depois de anos, seremos Jardim.
De semente a jardim, a
Esperança já vive em mim.
De semente a jardim, a Esperança já ama em mim.
De semente a jardim, a Esperança crê em mim.
Que o Espírito Santo tenha
espaço para adubar meu coração, para que nós, jovens, sejamos a Esperança do
mundo que há de vir, para que quem lutou viva de certezas; a justiça e a
libertação sejam colhidas e a Esperança passe de semente a Jardim.
Sarah Sabará - jornalista, missionária da Comunidade
Canção Nova, cantora e autora de livros infantojuvenis.
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