2020 foi um ano
difícil para o comércio e turismo, mas as campanhas de vacinação podem aquecer
o mercado, dizem especialistas FGV
Em pesquisa publicada pelo IBGE (Instituo
Brasileiro de Geografia e Estatística) em dezembro de 2020, o volume de vendas
do comércio varejista caiu 6,1% frente a novembro, já considerando um ajuste
sazonal, após ter variado -0,1% em novembro. “A chegada da vacina é um sinal e
gera a expectativa para o consumidor do retorno às compras presenciais com
segurança. Principalmente no segmento de restaurantes, bares, entretenimento e
turismo (passeios e viagens) deverá trazer esperança ao mercado”, diz a
professora de MBA da IBE Conveniada FGV, Maria Luísa de Barros Correia.
O professor Victor Corazza Modena, também da IBE
Conveniada FGV, complementa: “com a chegada da vacina, nosso cérebro começa a
pensar que não estamos tão em crise assim - ainda que o perigo seja o mesmo.
O consumidor tende a achar que o perigo já passou e volta a consumir
alguns serviços e produtos que estava evitando, o que pode ocasionar um
aquecimento do mercado”.
Os professores concordam que o crescimento do
e-commerce é um fator positivo e que se fará cada vez mais presente no
cotidiano dos brasileiros. Em projeções da consultoria Ebit|Nielsen, as vendas
do e-commerce no Brasil em 2021 devem crescer 26%, chegando a um faturamento de
R$ 110 bilhões.
“O e-commerce é, na minha opinião, uma tendência.
Se antes a maioria dos consumidores preferia as vendas presenciais e agora
muitos consumidores aderiram ao e-commerce, quando tudo voltar à normalidade -
isto é, quando todos estivermos imunes - a tendência é que exista um equilíbrio
no mercado entre essas forças”, avalia Victor.
“O varejo online ganhou seu lugar definitivamente
após a pandemia. Como se esperava, as empresas que já possuíam um sistema de
venda à distância de qualidade, saíram na frente na disputa por este segmento.
O qual não deixará de crescer pelos levantamentos feitos junto aos
consumidores, entretanto, a venda presencial terá o seu público,
principalmente, nos períodos de festividades – dia das mães, namorados, dia dos
pais – e nas grandes promoções e liquidações”, ressalta a professora Maria
Luísa.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
aprovou em janeiro o uso emergencial das vacinas CoronaVac e
Oxford/AstraZeneca. E as campanhas de imunização no país começaram logo em
seguida, primeiramente para os trabalhadores da área da saúde e pessoas acima
de 90 anos.
A professora Maria Luísa explica que a campanha
enfrentará dificuldades logísticas, principalmente na região Norte e Nordeste
do país. “A campanha nacional de vacinação e as dificuldades noticiadas na
mídia traduzem dificuldades antigas e crônicas vivenciadas pelos profissionais
de saúde do SUS há muito tempo, que agora alcançaram seu potencial máximo de
impossibilidade de atendimento digno à população”, ressalta.
Outra dificuldade é abordada pelo professor Victor.
“Além de questões logísticas, também enfrentamos o problema das mutações do
vírus. Reportagens indicam cerca de 4 mil cepas diferentes no mundo, o que
dificulta a testagem e comprovação das vacinas. A África do Sul, por exemplo,
encontrou dificuldades de imunização com a Oxford/AstraZeneca. Precisamos de
tempo. O consumidor deve continuar tomando cuidado, para podermos entender os
efeitos da vacina e continuar guardando a vida de todos”.
Como uma dica, para o público que está começando a
utilizar serviços de compras digitais, a professora Maria Luísa alerta, “o
consumidor, no período de pandemia, teve sua vulnerabilidade potencializada,
seja pela obrigatoriedade de precisar buscar produtos e serviços oferecidos
pela internet, seja por encontrar obstáculos para um atendimento de qualidade e
eficiência. Por este motivo, deve buscar compras seguras, em sites certificados,
informações claras, precisas e suficientes sobre a empresa vendedora e utilizar
a plataforma www.consumidor.gov.br,
caso possua alguma dificuldade quanto ao negócio feito”.
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