Equilíbrio
mental, harmonização dentro de casa e passeios sãos alguns conselhos listados
por Cleber Santos, especialistas em comportamento animal
Em meio ao avanço da pandemia pelo Brasil, os
brasileiros se viram obrigados a ficar em casa, na tentativa de amenizar o
contágio da doença. Somente no País, 139,3, milhões de animais de estimação
vivem com seus donos, entre gatos e cachorros.
Mas com a orientação dos órgãos governamentais para
que a população fique em casa, o que fazer com os peludos? Já é sabido que eles
não transmitem o vírus e também não podem ser contaminados por ele. Pensando
neste grupo de tutores que está de quarentena ou resguardo, Cleber Santos,
especialista em comportamento animal, lista cinco dicas do que fazer com seu
pet durante o período de recolhimento.
Equilíbrio Mental
Já ouviu falar que os animais são sensitivos? E o seu comportamento
varia de acordo com o ambiente da casa que mora, podendo ser bastante agitado,
agressivo, medroso ou calmo? Tudo isso é verdade. E em tempos de confinamento é
normal que a ansiedade tome conta dos tutores.
Sabendo o quanto é difícil controlar o nervosismo ou ansiedade, o
especialista aconselha que os donos de pets tentem manter o ambiente tranquilo.
"Eles sentem quando choramos, e eles querem nos confortar quando
presenciam tal situação. Entretanto, quando percebem que não conseguirão nos
ajudar, aplicam a “autopunição".
Além de manter a prática da meditação e exercícios físicos para
controlar a ansiedade, o especialista aconselha que tutores evitem chorar na
frente de seus melhores amigos, mas se isto acontecer, que faça o
agradecimento. “Agradeça por ele estar ao seu lado neste momento difícil. Ele
entenderá que a situação negativa se transformou na positiva, podendo até
oferecer um petisco”.
Harmonia no lar
Manter a harmonia dentro de casa também é uma dica do especialista.
“Brigas em família, devido ao excesso de convivência dentro do mesmo espaço,
têm sido um dos maiores problemas dessa quarentena. E isso pode refletir
diretamente na atitudes dos animais. Músicas relaxantes e diálogos mais brandos
ajudam a manter o ambiente mais tranquilo e o animal bem menos estressado”,
conclui.
Passeio sim, contato não
Uma pesquisa recente da Universidade de Helsinque, na Finlândia, revelou
que três em cada quatro cães podem sofrer de ansiedade. Dado ao momento, Santos
aconselha ficar atento a possíveis mudanças de comportamento dos animais
durante os dias de resguardo. “Durante esse período, eles podem desenvolver
ansiedade por separação e estresse por ficar muito tempo dentro de casa. Existe
os pets que já são ansiosos, e podem se machucar de forma grave, ao morderem o
próprio rabo e as patas”, comenta Santos.
De acordo com o especialista, é necessário seguir as recomendações dos
órgãos públicos de saúde, mas também não exagerar nas medidas. “Até o momento
pede-se que as pessoas fiquem em casa o máximo possível, porém, passeios curtos
com os pets são considerados tão essenciais quanto a ida ao supermercado”,
explica.
Tutores devem se atentar para com o contato dos pets com outros pets ou
pessoas. “Recomenda-se o distanciamento, sem interação. Com o uso destas
medidas e evitando que a guia tenha contato com outras guias, o passeio será
100% seguro”, pontua.
Novos comandos
Quem tem pet sempre lamenta não poder passar mais tempo perto do seu
bichano. Mas que tal usar esse momento de maior proximidade para estabelecer
uma melhor comunicação com ele? “Fazer treinamentos e ensinar novos comandos
são fundamentais para estimular a cognição do animal e melhorar a comunicação
entre tutor e o pet. Se você nunca ensinou comandos ao seu pequeno, talvez seja
o momento ideal”, afirma o especialista.
Brincadeiras
Quanto mais tempo o tutor ficar em casa, mais o pet vai querer brincar.
Assim como um familiar, às vezes, não entende quando é feito o home office,
respeitando o horário de trabalho, para um cachorro ou gato entender é quase
impossível.
Para isso, recomenda-se que o entretenimento seja dobrado.
“Ofereça brinquedos educativos (kong), de roer (chifres, casca de boi), e
outros. O ideal é que o cão tenha atividades lúdicas e físicas, para que ele
não tenha nenhum tipo de estresse”, ensina Santos.
Caso os brinquedos não sejam
suficientes para motivar o animal de maneira eficiente, o especialista dá
alternativas: “Podemos motivar o cão ao persegui-lo em qualquer lugar. Na
realidade, os pets adoram a companhia humana, especialmente daqueles que cuidam
deles e os protegem. Exatamente por isso, brincar diretamente com ele é uma
excelente opção”.
Cleber Santos
- Especialista em comportamento animal, atua como adestrador de cães há
14 anos, quando cuidava do canil de treinamento durante o serviço militar.
Trabalhou para grandes canis do interior de São Paulo, treinando cães de
policiais de todo o Brasil. Além da experiência profissional, fez diversos
cursos, estágios e especializações, inclusive em outros países - Canadá,
Estados Unidos, Argentina, Chile e Alemanha. Desde 2010, está também à frente
da ComportPet, centro que oferece consultoria comportamental, adestramento e
serviços de hotelaria e creche, além de atendimento veterinário, estética
animal e terapias alternativas para pets, como a musicoterapia. É um dos únicos
profissionais do Brasil que também adestra gatos, e vem sendo requisitado como
adestrador de pets de famosos, entre eles o DJ Alok.

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