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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Saiba o que é e quais são os sintomas da síndrome do túnel do carpo


Especialista explica possíveis causas e tratamento 

Formigamento ou dormência nos dedos, na palma da mão e até mesmo no antebraço. Esses são sintomas comuns na síndrome do túnel do carpo, problema causado pela compressão do nervo mediano. “O túnel do carpo é uma passagem por onde o nervo corre junto com tendões que vão para os dedos desde o antebraço até a palma da mão. O teto desse chamado túnel é uma banda fibrosa densa conhecida como retináculo dos flexores. O espessamento dessa estrutura vai apertando o nervo ao longo do tempo, até que os sintomas aparecem, indicando sofrimento e neuropatia”, explica o neurocirurgião da NeuroAnchieta, Dr. André Meireles Borba.
A pessoa pode sentir dificuldades na execução de movimentos simples como fechar um botão e passa a ter formigamento e perda de sensibilidade nas mãos, como uma dormência local, sensação de peso ou até dificuldade de distinguir entre quente ou frio. “O seu desenvolvimento está associado a esforço repetitivo, quando o indivíduo realiza movimentos recorrentes com as mãos, tais como costurar, lavar louça, cozinhar e, mais modernamente, digitação e uso de mouse de computador”, alerta o especialista.
Essas ações podem provocar microtraumas no nervo mediano, resultando em uma disfunção vascular do nervo e tendões envolvidos. Além disso, fraturas, distúrbios hormonais, diabetes e gravidez são outros fatores que aumentam o risco do aparecimento da síndrome. “As pessoas entre 40 e 60 anos estão mais sujeitas, especialmente mulheres uma vez que, no geral, estão mais expostas a essas condições”, diz o médico. Na gravidez, por exemplo, com o aumento da retenção de líquidos, as estruturas dentro do túnel ficam mais apertadas e os sintomas aparecem. A síndrome tende a sumir após o parto. 

Como prevenir?
Segundo o neurocirurgião, é difícil falar em prevenção da síndrome de túnel do carpo, pois não existe uma medida concreta. “Podemos, no entanto, recomendar que as pessoas se policiem para evitar tarefas repetitivas flexionando o punho e também sugerir cuidados ergonômicos que evitem pressão contínua nesse local”, indica. 

Tratamento
O tratamento inicial passa sempre por identificar a causa. Quando associado à inflamação dos tendões, por exemplo, a fisioterapia e a medicação podem ajudar. Já quando o retináculo está muito espessado, a intervenção cirúrgica e a descompressão do nervo são praticamente a regra. “É preciso fazer exames como eletroneuromiografia e ultrassonografia para identificar a causa e o grau do comprometimento. Casos leves geralmente respondem ao uso de anti-inflamatórios, imobilização com tala e eventualmente injeção local de medicamentos guiada por ultrassonografia. Já casos avançados não costumam responder a esse tratamento e apresentam risco de perda motora, ou seja, fraqueza da mão como sequela definitiva, além de dor crônica e de difícil controle”, esclarece Dr. André.
Assim, em casos graves e outros em que o tratamento conservador não surtiu efeito existe indicação de cirurgia. O tratamento cirúrgico é a descompressão efetiva do túnel do carpo realizada por meio da abertura do retináculo dos flexores, promovendo diminuição da resistência e da pressão, liberando o nervo mediano. “A experiência e o avanço da técnica permitem hoje realizar o procedimento de forma minimamente invasiva e até guiada por imagem. A cicatriz é menor e o tempo de recuperação mais rápido”, aponta o neurocirurgião. 

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