De acordo com
dados do Ministério Público do Trabalho, foram registradas no Brasil 29.179
denúncias de assédio moral nos últimos 5 anos. Além disso, o MPT ajuizou no
mesmo período mais de 800 ações e firmou aproximadamente três mil termos de
ajustamento de conduta. Estes foram os dados que colaboraram para a
argumentação do Projeto de Lei aprovado pela Câmara de Deputados, em março
deste ano, que qualifica como delito o assédio moral no ambiente de
trabalho.
Ainda de
acordo com os dados levantados pela pesquisa do vagas.com, entre os 52%
assediados, 47,3% foram morais, sendo que 48,1% dos assediados foram homens
contra 51,9% mulheres, enquanto que 9,7% assédios sexuais divididos em 20,1%
dos assediados eram homens e 79,9% mulheres. Contudo, o dado mais alarmante da
pesquisa aponta que apenas 12,5% denunciaram os abusos por medo de perder o
emprego, medo de sofrer alguma represália, por vergonha ou mesmo por medo de
ser responsabilizado.
De acordo com a Profa. Pricila Gunutzmann¹, docente do
curso de Psicologia da Universidade Anhembi Morumbi, embora as situações de
assédio tenham sido cada vez mais combatidas, infelizmente algumas empresas
ainda possuem estes aspectos em sua cultura organizacional: “Em situações de
assédio o profissional de psicologia, que atua em ambientes corporativos deve
acolher o assediado, além de garantir sigilo. Feito isso, ele deve instruir o
mesmo sobre como funciona o processo legal para a denúncia. Na empresa, o
psicólogo deve enfatizar à gestão que esses casos precisam ser esclarecidos e
punidos, para que qualquer ‘cultura de assédio’ seja eliminada”.
A especialista destaca também que parte importante do processo é
que o psicólogo organizacional sugira trabalhos de sensibilização ao tema como
rodas de conversa e workshops com o intuito de promover um ambiente mais
amistoso. “Para que os assediados denunciem estas situações é importante que
a área de gestão de pessoas da empresa seja vista como acolhedora e parceira”.
Ela destaca ainda que o investimento em um canal de denúncias anônimas assegura
maior confiança no colaborador na hora de buscar auxilio.
Contudo, infelizmente, a pesquisa do vagas.com aponta que cerca
de 74,6% dos profissionais que denunciaram abuso disseram que o assediador
permaneceu na empresa, um dado que valida o argumento de que a essa cultura é
uma verdade em algumas organizações. Ainda assim, esta realidade assegura a
importância do trabalho do profissional de psicologia dentro de uma corporação,
para promover ações essenciais para relações de trabalho sem assédio, além de
reforçar a importância da denúncia de casos de abuso como uma forma de inibir
novas incidências.
Profa.Dra. Pricila Gunutzmann – psicóloga,
especialista em gestão de pessoas, além de mestra e doutora em psicologia
social (PUC SP). Atualmente é docente da Universidade Anhembi Morumbi. Além de
pesquisadora em Psicologia Social na categoria identidade, tem vinte anos de
experiência na área de Psicologia Organizacional e do Trabalho. É co-fundadora
da Potência Carreira, Trabalho e Saúde Mental.
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