Para liberar o
sistema carcerário e evitar que inocentes permaneçam presos, universitários
revisam sentenças penais em Londrina
Segundo o último Levantamento Nacional de
Informações Penitenciárias (Infopen), divulgado pelo Departamento Penitenciário
Nacional (Depen), em junho de 2016, o total de pessoas encarceradas no Brasil
chegou a 726.712 - um aumento de 707% em relação ao total registrado no início
da década de 90. Em relação ao número de vagas do sistema carcerário, há um
déficit de cerca de 358 mil. De acordo com o diagnóstico sobre o Sistema
Prisional Brasileiro, a expectativa é que a população carcerária chegue a 1,47
milhão de presos em 2025. O Brasil tem a terceira maior população carcerária do
mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e China.
No Paraná, segundo dados do Depen-PR, são 22.289
presos, sendo que a capacidade é de aproximadamente 18 mil vagas. De 2018 para
2019, houve um crescimento de 9% no número de presos. Entretanto, algumas
iniciativas tentam mudar essa realidade - ou, pelo menos, contribuir de alguma
forma. O Libertare, projeto criado há cerca de dois anos pelo curso de Direito
da Faculdade Positivo Londrina, tem como objetivo promover ações de revisão
criminal para identificar possíveis erros nas sentenças.
De acordo o coordenador do Núcleo de Práticas
Jurídicas da Faculdade Positivo Londrina, professor Flávio Pierobon, a revisão
criminal só é possível em casos nos quais há erros judiciais que culminaram em
uma sentença que contraria normas jurídicas. “Por isso, o projeto atua apenas
em processos de natureza penal”, explica. Os processos avaliados pelos alunos e
professores chegam de forma espontânea. “Muitas vezes, o juiz da Vara de
Execução Penal envia casos em que alguém reclamou de injustiça na sentença, ou
reclamações por meio de familiares do preso”, conta.
Segundo o professor, o projeto já recebeu inclusive
cartas de presos que ficaram sabendo do projeto e pediram ajuda. “Casos nos
quais o réu já poderia estar em regime semiaberto ou aberto, mas ainda está no
fechado também são comunicados para nós, já que são essas situações que
contribuem para que o sistema carcerário brasileiro entre em colapso”, explica.
Hoje, além da revisão criminal, o projeto também atende casos nos quais o
acusado não tem advogado. Agora, estudantes e professores preparam, juntos, a
estratégia para um tribunal do Júri que aguarda agendamento. “Temos sete
audiências com júri popular que serão feitas pelo Libertare e estamos
ansiosos“, conta.
Quanto ao viés acadêmico, o professor é categórico
ao afirmar que o Libertare é de grande importância tanto na formação prática
dos alunos, quanto na formação humana, já que além dos conhecimentos de Direito
Penal e Processual Penal, permite ver o processo como a vida de uma pessoa – e
não apenas mais um caso. “Os alunos desenvolvem o aspecto social, que é
fundamental, já que, independentemente do crime praticado, a pessoa merece um
processo justo, com aplicação correta da lei”, completa.
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