Pesquisar no Blog

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Hematologista defende doação de sangue como gesto de cidadania e não de barganha


Lei do Senado que aprova desconto de meia-entrada para doadores de sangue não pode ser transformada em moeda de troca


O projeto de lei aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado sobre concessão de meia-entrada em eventos culturais e esportivos para doadores de sangue no país não deve ser transformado em moeda de troca e sim apenas um incentivo a quem doa sangue de forma altruísta.

Opinião é do hematologista Adelson Alves, presidente do Hemocentro São Lucas e do Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia, com expertise de 47 anos no setor de hemoterapia.

Ele lembra os horrores da época dos anos de 1980 quando o doador de sangue vendia seu sangue e recebia valor em dinheiro. “A camada social da população de baixa renda é a que doava sangue com maior frequência para receber o dinheiro. Este fato foi uma nódoa na imagem da medicina transfusional brasileira”, alerta.

Para o hematologista, a doação de sangue não pode ser motivo de qualquer tipo de barganha. “O sangue deve ser doado de forma altruísta. Trata-se de um ato de amor, um ato de cidadania dos mais nobres e legítimos que possa existir”, destaca.

Adelson Alves considera válido o ato do Senado, mas ressalta que o benefício da meia-entrada precisa ser colocado dentro de um limite e obedecendo as normas técnicas da doação. “Deve funcionar como um mimo apenas, e que não se estimule o pagamento novamente ou a doação através de uma vantagem somente”.

No inverno, o hematologista alerta que as doações caem. “Fica bem difícil manter os estoques dos hospitais e clínicas que precisam do sangue para seus pacientes nessa época do ano. O próprio tempo, gelado e com chuva, acaba retraindo os doadores. Mas os hemocentros precisam de doadores. E o apelo à doação consciente e altruísta começa nas escolas“, observa.


Portaria proibiu doação paga 

Objetivando resguardar a dignidade da medicina transfusional e dos próprios doadores, Alves lembra que a Associação Paulista de Medicina, da qual era diretor, lançou na época uma campanha para proibir a doação paga e incentivar a doação espontânea em todo país. “Eu e o professor de hematologia, Celso Campos Guerra, percorremos o Brasil defendendo a proibição da doação paga e o governador André Franco Montoro baixou uma portaria proibindo, finalmente, a doação mediante dinheiro. Foi uma vitória da dignidade”, conta


Doação no Brasil ainda é baixa  

O brasileiro ainda doa muito pouco sangue. Hoje 1,5 % da população doam sangue no país enquanto em países desenvolvidos esse índice alcança 4,5% da população, portanto, três vezes mais.

Toda iniciativa para incentivar a doação de sangue é válida. “ Mas precisamos deixar claro que não se faça desse benefício da meia-entrada condição sine qua non para a doação. E, mais que incentivos, precisamos conscientizar a população a partir das escolas e por meio de campanhas educativas”, conclui o hematologista.





Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados