O modo como nossos olhos
respondem ao estímulo visual da TV dá sinais de uma das principais causas de
cegueira no mundo todo, o glaucoma. Milhares de pessoas continuam sem
diagnóstico, apesar de ter a doença. Pesquisadores da City University,
em Londres, descobriram que poderiam identificar doenças oculares – como o
glaucoma – mapeando os movimentos dos olhos dos pacientes enquanto assistem
filmes. Como no Reino Unido há pelo menos 500 mil pessoas que nem se dão conta
de ter a doença, esse tipo de estudo pode ser útil para aumentar a quantidade
de diagnóstico precoce, a tempo de preservar a visão. No mundo todo, inclusive,
67 milhões de pessoas sofrem de glaucoma, embora metade delas nem desconfie que
esteja perdendo a visão aos poucos, de forma silenciosa.
Publicado no jornal Frontiers
in Aging Neuroscience, o estudo avaliou dois grupos. Um deles, formado por
32 pessoas mais velhas com boa visão. No outro, 44 pacientes com diagnóstico
clínico de glaucoma. Todos os participantes assistiram a três filmes em formato
de TV num computador, enquanto cada movimento de seus olhos era registrado –
principalmente a direção para onde estavam olhando –, gerando mapas que
possibilitaram uma nova forma de cruzar informações e diagnosticar o glaucoma.
Infelizmente, muitas daquelas pessoas com ‘visão boa’ não perceberam quando
começaram a perder visão periférica – o que é muito mais comum na terceira
idade.
De acordo com Renato Neves,
diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (São Paulo), o glaucoma está
relacionado com a pressão ocular. “Quanto maior a pressão do olho, maior também
é a chance de ocorrer lesão do nervo óptico e consequente perda do campo
visual. Essa doença faz com que as fibras do nervo óptico sejam danificadas
lenta e progressivamente, criando pontos cegos que não podem ser recuperados. O
que torna essa doença bastante perigosa é que, no início, ela é bastante sutil.
O paciente acredita firmemente que tem boa visão e não percebe que não enxerga
mais 100%”.
Neves alerta para a importância
dos exames regulares de visão. “Uma pessoa pode perder até 40% da sua visão
antes de realmente se dar conta de que há algo de errado e procurar um
oftalmologista. Quando isso acontece, geralmente a visão já está deteriorada de
tal forma que não tem volta. Por isso, exames regulares são a única forma de
detectar precocemente o glaucoma. Assim como quem sofre de hipertensão toma
remédios continuamente para preservar a saúde do coração, também quem tem
pressão ocular elevada deve encarar o fato como um risco sobre o qual podemos
atuar, preservando a visão por mais tempo”.
O especialista afirma que, além do fator hereditário,
determinados grupos são mais suscetíveis à perda de visão. “Pessoas com mais de
40 anos; afrodescendentes dos países latino-americanos; portadores de alta
miopia; diabéticos e pacientes que já sofreram traumas oculares e intraoculares
são mais suscetíveis a desenvolver glaucoma. Vale ressaltar que, enquanto o
glaucoma de ângulo aberto é mais comum e está muito relacionado com o processo de
envelhecimento, o glaucoma de ângulo fechado costuma ocorrer quando a pressão
do olho aumenta rapidamente, de uma hora para outra, causando visão embaçada ou
perda súbita de visão, dor forte no olho, dor de cabeça, halos ao redor de
luzes e incômodos como náuseas e vômitos. Como esses sintomas podem ser
facilmente confundidos com os de enxaqueca, é fundamental que o paciente
verifique se os olhos estão vermelhos. Em caso afirmativo, deve procurar um
oftalmologista com urgência”, alerta Renato Neves.
Prof. Dr. Renato Neves -
médico oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos,
em São Paulo – www.eyecare.com.br
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