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sexta-feira, 3 de julho de 2026

O avanço e o abismo

  

O progresso social de uma nação raramente se revela de forma evidente no dia a dia; ele se deixa apreender no acúmulo silencioso das transformações estruturais. Em maio de 2026, a divulgação do relatório Radar IDHM pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) ofereceu um desses momentos de síntese histórica. 

Ao registrar o índice de 0,805 em 2024, o Brasil cruzou pela primeira vez o limiar que o posiciona no patamar de desenvolvimento humano muito alto. Para um país que há três décadas se encontrava na faixa de desenvolvimento baixo, com marcas inferiores a 0,555, o resultado representa o amadurecimento de políticas de Estado –em escolas, hospitais, programas sociais, valorização do salário mínimo, expansão do acesso à renda– que resistiram a crises políticas e ao impacto severo da pandemia de Covid-19. 

Celebrar esse teto reluzente é um dever de justiça com a nossa própria caminhada. No entanto, a solidez de um edifício não se mede pela beleza de sua cobertura, mas pela resistência de suas fundações. E as fundações do desenvolvimento brasileiro ainda expõem as fraturas de um atraso secular, onde a desigualdade crônica e o abismo entre brancos e negros insistem em desafiar o otimismo das médias. 

Para situar esse avanço sem distorções, é preciso delimitar a fronteira metodológica entre o IDHM e o IDH Global. São índices irmãos, mas não gêmeos. Enquanto o IDH Global é um indicador de comparação internacional entre Estados soberanos, estruturado a partir de bases de dados mundiais, o IDHM é uma ferramenta de corte territorial, adaptada para capturar as especificidades dos municípios e regiões metropolitanas brasileiras. Alimentado pelo Censo Demográfico e pela Pnad Contínua do IBGE, o índice ajusta as variáveis de fluxo escolar e rendimento para refletir as vulnerabilidades internas do território. As duas métricas são ferramentas distintas para perguntas distintas. 

Dos três pilares que compõem o índice –educação, longevidade e renda– o primeiro foi o motor do ciclo recente, subindo de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024. O relatório identifica com clareza o mecanismo por trás desse salto: o Bolsa Família. Criado em 2003, o programa começou a produzir seus efeitos mais visíveis nos índices de escolaridade a partir de 2012, quando a primeira geração de beneficiários completava o ciclo básico de estudos. Ao vincular o benefício à frequência escolar, retirou crianças do trabalho infantil e as manteve nas salas de aula. Os dados mostram que esse efeito foi especialmente pronunciado entre famílias negras de baixa renda. 

Já o pilar da longevidade, que mede a expectativa de vida ao nascer, é o mais maduro. Em 2012, o subíndice já estava em 0,829, classificado como "muito alto" –um resultado de décadas de consolidação do Sistema Único de Saúde. Em 2024, chegou a 0,860. O avanço é consistente, mas lento, porque o SUS tornou o Brasil longevo antes que o país se tornasse rico e educado. 

A renda, por sua vez, é o indicador mais frágil. Ele evoluiu de 0,732 em 2012 para 0,760 em 2024, o menor avanço entre os três eixos, e permanece na faixa de "alto" –um degrau abaixo dos outros dois. Os números brutos revelam a dimensão do problema: a renda domiciliar per capita da população branca alcançou R$ 1.208,58 em 2024, enquanto a da população negra ficou em R$ 673,65. Uma diferença de 79%. A renda é o número mais desigual do índice e o que mais pesa quando o IDHM é ajustado pela realidade vivida por cada brasileiro. 

É nesse ponto que o recorte racial se torna incontornável. O IDHM da população branca chegou a 0,851 em 2024, na faixa "muito alto". O da população negra ficou em 0,774, na faixa "alto". A diferença relativa caiu de 14% para 9% entre 2012 e 2024, o que é progresso genuíno. Se a direção é a certa, a velocidade ainda condena: uma geração inteira separa os dois grupos. "Quem sustentará o Brasil do futuro é um jovem negro, não é um jovem branco", afirmou a economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil. A frase não é retórica; é demográfica. Sem incluir a população negra na equação central do desenvolvimento, o Brasil não se viabilizará como projeto de país no século XXI. 

O índice de 0,805 é, em última análise, o resultado empírico sobre o que o Estado brasileiro é capaz de fazer. O SUS prolongou vidas. O Bolsa Família encheu salas de aula. A valorização do salário mínimo colocou renda nas mãos de quem menos tinha. O Nordeste oferece a prova mais animadora desse ciclo: Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte lideraram os avanços proporcionais no IDHM entre 2012 e 2024, e sete das nove regiões metropolitanas nordestinas já ostentam índice "muito alto". Trata-se do efeito acumulado de políticas sustentadas no tempo, aplicadas onde o ponto de partida era mais baixo e, portanto, onde cada real bem gasto produz mais resultado. 

Mas a pergunta sobre a qualidade desse gasto não some com a comemoração. O Brasil aplica, em proporção do PIB, valores comparáveis aos de países com resultados muito superiores nos mesmos indicadores. O próximo ciclo exige respostas diferentes das que funcionaram no anterior: não mais só ampliar o acesso, mas elevar a qualidade; não mais só distribuir renda, mas criar as condições para que ela seja gerada. Como o próprio Pnud registra, o Brasil modernizou sua economia sem democratizar plenamente o acesso à riqueza. A base institucional está bem erigida. O que se constrói sobre ela –e para quem– é a questão que importa a partir de agora. 

 

Dimas Ramalho - vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo


4 de Julho: saiba tudo sobre a Independência dos EUA, que completa 250 anos em 2026

 

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Conquista da “liberdade” da maior potência global da atualidade foi marcada por disputas políticas, ideais revolucionários e personagens que ajudaram a mudar os rumos da História


O feriado de 4 de Julho marca a independência dos Estados Unidos da América, que completa 250 anos em 2026 . A data leva às ruas do país milhares de cidadãos em desfiles, munidos de fogos de artifício, bandeiras e um forte sentimento de patriotismo. Mas por trás das comemorações existe uma história muito mais complexa do que a imagem frequentemente associada ao nascimento do país. 

Antes de se tornar uma potência econômica, militar e cultural com influência global, os EUA eram um conjunto de colônias subordinadas à Inglaterra. A trajetória que levou à independência envolveu disputas por impostos, debates sobre representação política, ideias iluministas e uma guerra que mudaria não apenas o destino da América do Norte, mas também o de diversos países ao redor do mundo.
 

Como era o território americano antes da Independência? 

Diferentemente do Brasil, que costuma associar sua origem histórica ao desembarque dos portugueses em 22 de abril de 1500, data que marcou o início da colonização europeia do nosso território, os EUA não possuem um equivalente direto à chamada "descoberta". Muito antes da independência, o território que hoje forma os EUA era habitado por centenas de povos indígenas. Os primeiros europeus a chegar à região foram exploradores espanhóis, franceses, holandeses e ingleses entre os séculos XVI e XVII. 

Em 1607, foi fundada Jamestown, na Virgínia, considerada a primeira colônia inglesa permanente na região. Poucos anos depois, em 1620, um grupo de puritanos ingleses conhecidos como Pilgrims - protestantes que defendiam uma reforma mais profunda da Igreja Anglicana e enfrentavam perseguições religiosas na Inglaterra - atravessou o Oceano Atlântico a bordo do navio Mayflower e estabeleceu a colônia de Plymouth, na atual região da Nova Inglaterra. 

“Em busca de maior liberdade para praticar sua fé, esses imigrantes atravessaram o Atlântico no início do século XVII, estabelecendo comunidades na região da Nova Inglaterra. De certa forma, eles buscavam uma nova vida, com mais liberdade, no Novo Mundo. Sua chegada à região do atual EUA ajudou a moldar valores, instituições e tradições que teriam influência duradoura na formação das futuras colônias americanas”, explica Adriana Schimidt, professora de história do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP). 

Ao longo das décadas seguintes, novas levas de colonos chegaram ao continente, dando origem às Treze Colônias, localizadas na costa leste: Carolina do Norte, Carolina do Sul, Connecticut, Delaware, Geórgia, Maryland, Massachusetts, New Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Pensilvânia, Rhode Island e Virgínia. Cada uma das "Colônias Britânicas da América do Norte", como eram chamadas, contava com características econômicas, sociais e culturais próprias. 

Ao longo das décadas, essas colônias prosperaram economicamente por meio do comércio e da agricultura, e desenvolveram um grau considerável de autonomia administrativa. “Ainda que estivessem subordinadas à Coroa britânica, os colonos passaram a tomar decisões locais e criar uma identidade própria, diferente daquela da metrópole. E nesse cenário, surgiu uma elite local cada vez mais rica e influente, formada por comerciantes, grandes proprietários rurais, advogados, intelectuais e empresários ligados ao comércio atlântico, que seriam responsáveis pelo movimento de independência”, acrescenta Adriana.
 

O que levou os colonos a se rebelarem contra a Inglaterra? 

A independência não começou com uma batalha, mas com um crescente sentimento de insatisfação. Um dos principais antecedentes foi a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), conflito que opôs a Inglaterra e a França pela disputa de territórios e influência global à época. Apesar da vitória britânica, a guerra deixou os cofres da Coroa esvaziados. Para compensar os gastos, o governo inglês aumentou impostos e endureceu o controle sobre as Treze Colônias. Entre as novas cobranças para custear as despesas do Império, estavam uma série de tributos aos colonos sobre produtos e atividades do cotidiano, incluindo açúcar, melaço, chá, papel, vidro, tinta e chumbo. 

Além disso, Londres também ampliou sua presença militar na América do Norte, enviando soldados para proteger os territórios recém-conquistados e evitar conflitos com populações indígenas e potências rivais. A medida, porém, gerou nova insatisfação: por meio da chamada Lei do Aquartelamento, os colonos passaram a ser obrigados a fornecer alojamento, alimentação e suprimentos para as tropas britânicas. “Para muitos americanos, essas decisões representavam uma interferência crescente da Coroa em sua vida cotidiana e um ataque à autonomia que as colônias haviam desfrutado durante décadas”, explica Gerson Grivol, professor de história do colégio Progresso Bilíngue de Campinas (SP). 

Surgiu então um dos lemas mais famosos da história americana: “No taxation without representation” (“Nenhum imposto sem representação”). A tensão aumentou ainda mais em 1773, quando colonos protestaram contra os tributos sobre o chá jogando carregamentos inteiros da mercadoria nas águas do porto de Boston. O episódio ficou conhecido como Festa do Chá de Boston e tornou-se um dos símbolos da resistência à autoridade britânica. 

“Os impostos foram importantes, mas o conflito era maior do que uma questão econômica. Essas medidas desagradaram profundamente os colonos, que se viram obrigados a financiar decisões tomadas por um governo no qual não tinham representação política. Eles passaram a questionar a legitimidade de um governo distante decidir sobre suas vidas sem ouvi-los. Esse debate sobre participação política ajudou a impulsionar o movimento de independência”, diz Grivol.
 

Como nasceu a nação americana? 

O que começou como uma disputa por impostos e representação política logo se transformou em guerra. Em 1775, confrontos entre colonos e tropas britânicas deram início à Guerra de Independência dos Estados Unidos. Enquanto os combates avançavam, os líderes das Treze Colônias concluíram que a reconciliação com a Inglaterra já não era possível. 

Em 4 de julho de 1776, reunidos no Segundo Congresso Continental, as lideranças aprovaram a Declaração de Independência, documento que oficializou o nascimento de uma nova nação, redigido principalmente por Thomas Jefferson, um advogado, intelectual e político da Virgínia. 

A declaração defendia princípios considerados revolucionários para a época, como a igualdade entre os homens, o direito à liberdade e a ideia de que governos existem para servir à população. “Curiosamente, muitos dos ideais defendidos na declaração conviviam com profundas contradições. Embora o documento falasse em liberdade e igualdade, milhões de pessoas permaneciam excluídas dos direitos políticos, e a escravidão continuou existindo nos EUA até a 1865”, pontua Juliana Gomes, educadora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP). 

Mas a assinatura do documento não encerrou o conflito: a guerra contra a Inglaterra continuou por sete anos e exigiu grandes esforços militares e diplomáticos, com os colonos enfrentando um dos exércitos mais poderosos do mundo em batalhas que se estenderam por diferentes regiões da América do Norte. 

“Os líderes da independência tiveram que buscar apoio internacional, conseguindo uma aliança decisiva com a França, rival histórica da Inglaterra, que forneceu soldados, recursos financeiros e apoio naval. Uma grande liderança para o reconhecimento da independência foi o comandante das forças coloniais, George Washington, que depois tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos, chamado até hoje de pai da nação”, lembra a docente da EIA. 

A independência dos Estados Unidos só foi oficialmente reconhecida em 1783, com a assinatura do Tratado de Paris. Pelo acordo, a Inglaterra aceitou a derrota na guerra e reconheceu as antigas Treze Colônias como uma nação soberana, definindo ainda as fronteiras do novo país.
 

Por que a Independência dos EUA mudou o mundo? 

O impacto da independência americana foi muito além das fronteiras da América do Norte. Pela primeira vez na Era Moderna, uma colônia conseguiu romper com uma potência europeia e criar um país baseado em princípios republicanos, sem a figura de um rei. 

“A experiência das antigas Treze Colônias demonstrou que era possível desafiar o poder das monarquias europeias e inspirou movimentos políticos em diferentes partes do mundo, incluindo a Revolução Francesa, iniciada em 1789, e diversos processos de independência na América Latina nas décadas seguintes”, afirma José Henrique Porto, professor de história da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP). 

Outro legado importante foi a Constituição dos Estados Unidos, promulgada em 1787 e em vigor até hoje – recebendo emendas constitucionais desde então, que acrescentaram novos direitos ou modificaram determinados aspectos do texto original. O documento é considerado um dos mais influentes da história, tendo inspirado as constituições de muitos outros países, incluindo o Brasil. 

“Ideias como liberdade individual, direitos dos cidadãos e governo baseado no consentimento dos governados passaram a influenciar constituições, sistemas políticos e debates públicos em diferentes continentes, mesmo que sua aplicação prática tenha enfrentado desafios e contradições ao longo da história”, diz Porto. 

A independência também abriu caminho para a construção de um projeto nacional que combinava expansão territorial, fortalecimento institucional e desenvolvimento econômico. Ao longo dos séculos XIX e XX, os Estados Unidos ampliaram suas fronteiras, consolidaram um mercado interno robusto e se tornaram uma referência em inovação, indústria e tecnologia. Além disso, após as duas guerras grandes mundiais, o país assumiu um papel central na política internacional, posição que ajuda a explicar sua influência global até os dias atuais. 

“Quando analisamos os 250 anos da independência americana, percebemos que seu legado vai muito além da criação de um novo país. Trata-se de um acontecimento que ajudou a moldar ideias políticas, instituições e debates. Conceitos que hoje parecem naturais no mundo contemporâneo, como eleições regulares, divisão entre Executivo, Legislativo e Judiciário e limites ao poder dos governantes, foram fortalecidos e difundidos globalmente a partir das experiências iniciadas pelos Estados Unidos após a independência", finaliza o professor da Aubrick.



International Schools Partnership – ISP
Para mais informações, acesse o site


Violência contra idosos cresce no Brasil e especialista alerta: "Medo de denunciar faz com que muitos crimes permaneçam dentro de casa"

Casos de agressão física, abandono e violência patrimonial aumentam no país; especialista em Direito de Família e Sucessões explica por que o silêncio ainda é um dos maiores obstáculos à proteção da pessoa idosa

 

O aumento dos casos de violência contra pessoas idosas no Brasil tem alertado autoridades no país. Embora as agressões físicas sejam as mais visíveis, a violência psicológica, financeira, patrimonial e a negligência continuam sendo as formas mais recorrentes de violação de direitos, muitas vezes praticadas dentro do próprio ambiente familiar. 

Um levantamento da Ouvidoria Nacional de Direitos humanos aponta que mais de 65 mil denúncias de casos de violência contra pessoas idosas foram registradas, apenas nos primeiros meses de 2025, no Brasil. Os números refletem um aumento de 38% se comparado ao ano anterior. 

Para a advogada Vanessa Bispo, especialista em Direito de Família e Sucessões, a legislação brasileira possui instrumentos importantes de proteção, mas ainda enfrenta desafios relacionados à fiscalização, à conscientização da sociedade e à dificuldade das vítimas em denunciar os próprios familiares. 

“As penas de violências praticadas contra um idoso podem variar de 2 a 5 anos, sendo que se o agressor for um familiar, a pena poderá até mesmo ser agravada com a perda de direitos, como pensão ou herança”, afirma a especialista, que aponta que um dos maiores desafios está justamente no fato de que a maior parte das ocorrências acontece dentro da própria família, tornando a identificação e a denúncia muito mais difíceis.

"O grande desafio na vida familiar é, sem dúvida, o medo da vítima em denunciar, a dependência financeira e emocional do idoso e até mesmo a dificuldade do idoso em reconhecer a própria violência."

Entre as modalidades de violência que mais crescem está a financeira e patrimonial. Em muitos casos, familiares passam a controlar aposentadorias, movimentar contas bancárias, utilizar procurações de forma abusiva ou até se apropriar de bens da vítima sem que isso seja percebido imediatamente.


Vanessa Bispo explica que existem sinais que merecem atenção.

"Os principais sinais de alerta no que tange à violência financeira são, dentre outros, mudanças inexplicáveis em contas; desaparecimento de bens/documentos; e pressão para alterações legais."

Familiares, amigos, vizinhos e até instituições financeiras desempenham papel fundamental na identificação dessas situações, já que muitas vítimas têm receio de relatar os abusos.

"No caso de suspeita de qualquer uma dessas violências é importante denunciar no Disque Idoso, procurar um advogado ou um promotor de justiça para que sejam tomadas as imediatas medidas necessárias, como por exemplo o afastamento do agressor e eventual curatela”, ressalta a advogada.

Além das medidas protetivas, o Poder Judiciário pode determinar providências urgentes para preservar a integridade física, psicológica e patrimonial da pessoa idosa. Mas apesar do Estatuto do Idoso representar um importante marco jurídico na proteção dessa população, o país ainda precisa evoluir na aplicação prática da lei.

"Embora haja legislação vigente de proteção ao idoso, entendo que a fiscalização poderia ser mais eficaz, não existem políticas públicas suficientes de apoio e há necessidade de uma maior conscientização, na sociedade, acerca dos direitos dos idosos”, enfatiza Vanessa Bispo.

 

Vanessa Bispo - especialista em Direito de Família e Sucessões, Planejamento Sucessório. Gestão de Conflitos em empresas familiares. Formada pela PUC-Campinas, possui especialização pela PUC-SP, FGV, EPD, IDP e Universidade de Coimbra.


Nem só de futebol vive o Mundial: evento pode render questões no vestibular

Especialista da Microlins reúne dicas de estudo e destaca como o maior evento esportivo do planeta pode ser abordado em diferentes disciplinas dos vestibulares

 

Com a proximidade dos principais vestibulares do país, muitos estudantes intensificam a rotina de estudos em busca de uma vaga no Ensino Superior. Além de dominar os conteúdos tradicionais, é fundamental estar atento aos acontecimentos atuais e aos temas que movimentam o cenário global, já que eventos de grande relevância costumam servir de base para questões interdisciplinares. Entre os assuntos que podem ganhar espaço nas provas está o campeonato de futebol que está em andamento entre junho e julho deste ano, nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio oferece inúmeras possibilidades de abordagem em diferentes áreas do conhecimento, desde História e Geografia até Matemática, Língua Portuguesa e Atualidades.

Segundo Rafael Cunha, diretor nacional da Microlins, rede de cursos profissionalizantes presente em todo o Brasil, o segredo para um bom desempenho é desenvolver uma visão ampla dos temas estudados, relacionando conteúdos escolares com acontecimentos contemporâneos. “A preparação para o vestibular vai além da memorização. Os exames valorizam cada vez mais a capacidade de interpretação, análise crítica e conexão entre diferentes áreas do conhecimento. Por isso, acompanhar notícias e compreender o contexto de grandes eventos internacionais pode fazer a diferença. Embora o futebol seja o tema central do evento, as questões costumam explorar aspectos sociais, econômicos, culturais e geográficos relacionados ao torneio”, explica.


Geografia

Esta será a primeira vez que o campeonato será realizado em três países. O tema pode ser utilizado para abordar integração regional, fronteiras, fluxos migratórios, urbanização, infraestrutura e características econômicas da América do Norte.


História

Questões podem relacionar o futebol a processos históricos, identidade nacional, globalização, diplomacia esportiva e transformações sociais observadas ao longo das diferentes edições do torneio.


Atualidades

Os impactos econômicos dos megaeventos esportivos, investimentos em infraestrutura, turismo, sustentabilidade e legado para as cidades-sede são assuntos frequentemente explorados pelos vestibulares.


Matemática

Estatísticas de jogos, tabelas de classificação, porcentagens de aproveitamento, probabilidades e análise de dados são temas que podem ser transformados em exercícios matemáticos.


Linguagens e Redação

O esporte pode servir como ponto de partida para debates sobre inclusão social, diversidade cultural, comportamento das torcidas, comunicação digital, saúde mental dos atletas e combate à discriminação.


Dicas para quem está se preparando

Rafael Cunha ainda destaca algumas estratégias que podem ajudar os estudantes nesta reta final de preparação. A primeira e mais importante é acompanhar notícias diariamente. Para isso, reserve alguns minutos do dia para ler portais de notícias e entender os principais assuntos nacionais e internacionais. Faça conexões entre disciplinas, ou seja, procure relacionar temas atuais com conteúdos de História, Geografia, Sociologia, Matemática e Redação. Resolva provas anteriores, pois ao analisar questões de vestibulares passados ajuda a identificar padrões e entender como os examinadores costumam abordar temas contemporâneos.

Treine a interpretação de textos, já que grande parte das questões exige leitura atenta e capacidade de analisar informações em diferentes formatos, como gráficos, tabelas e reportagens. E, por fim, mantenha uma rotina equilibrada. Fatores como sono adequado, alimentação balanceada e momentos de descanso contribuem para o aprendizado e a retenção do conteúdo.

“Muito mais do que decorar informações, o estudante deve desenvolver repertório e senso crítico. Digo isso, pois os vestibulares buscam candidatos capazes de compreender o mundo ao seu redor. Ou seja, buscar informações e se atualizar sobre as principais notícias do Brasil e do mundo é quase uma regra. Além disso, estar atento a temas como o torneio de e seus impactos sociais, culturais e econômicos pode ampliar a capacidade de argumentação e interpretação, competências cada vez mais valorizadas nas avaliações”, conclui o diretor da Microlins.

 

CNPJ passa a ter letras e números a partir de 31 de julho. Entenda como a mudança afeta seu pequeno negócio

Sebrae destaca que alteração é válida apenas para novos registros. A Receita Federal também anunciou o adiamento da criação de CNPJ para pessoas físicas, prevista na Reforma Tributária

 

O novo formato do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) passa a valer a partir do dia 31 de julho. De acordo com a Receita Federal, a alteração começa a ser implementada até o fim de julho e será de forma gradual. O registro continuará com 14 caracteres, mas com letras e números nas 12 primeiras posições. Para as mais de 25 milhões de empresas ativas em todo o país, incluindo os microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs), nenhuma ação é necessária para manter o registro atual, ressalta o Sebrae.

A mudança está sendo realizada porque o formato utilizado até o momento está chegando ao limite de combinações disponíveis. Com o crescimento acelerado no número de empresas abertas no Brasil – somente até maio deste ano foram mais de 2,5 milhões de pequenos negócios registrados -, a Receita Federal precisa expandir a capacidade de geração de novos cadastros.

A Receita Federal informou ainda que a emissão dos CNPJs alfanuméricos não será realizada para todos os tipos de empresas simultaneamente. O órgão terá um cronograma de implantação, definindo quais naturezas jurídicas e atividades econômicas passarão a receber o novo formato em cada etapa.

Mesmo sem a necessidade de atualizar o cadastro, as empresas ativas devem estar atentas aos sistemas internos de gestão (softwares) para verificar se já estão preparados para receber e processar letras no campo do CNPJ. Da mesma forma, planilhas e cadastros próprios deverão ser adaptados. Por fim, é importante ficar alerta em relação aos comunicados das instituições financeiras para atualização dos sistemas para não ter problemas na hora de realizar pagamentos.


Como será o novo formato?

Os oito primeiros caracteres identificarão a raiz do novo número, compostas por letras (A a Z) e números (0 a 9). Os quatro seguintes representarão a ordem do estabelecimento, também alfanuméricos. O Dígito Verificador (DV), formado pelos dois últimos caracteres, será apenas numérico.


CNPJ para pessoas físicas

A Receita Federal do Brasil (RFB) e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) adiaram para 1º de janeiro de 2027 a cobrança da obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para pessoas físicas que necessitem emitir notas fiscais, prevista na Reforma Tributária. Inicialmente, a medida estava prevista para entrar em vigor neste mês. A decisão tem o objetivo de dar mais um período de preparação para contribuintes e municípios para se acostumarem às novas regras.


Férias escolares: 5 dicas para preparar o carro antes de viajar com a família

Com a chegada das férias escolares, milhares de famílias aproveitam o período para viajar de carro e conhecer destinos no litoral, interior e outras regiões do país. O aumento no fluxo de veículos exige atenção redobrada dos motoristas antes de pegar a estrada. Para se ter uma ideia da movimentação nas rodovias paulistas, somente durante o feriado prolongado de Corpus Christi deste ano, mais de 22 milhões de veículos circularam pela malha concedida do Estado de São Paulo, o maior volume registrado em 2026, segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A expectativa é de que as férias de julho também mantenham o intenso movimento nas estradas. 

Para que essa viagem seja segura e tranquila, o CEO da Carflix, especialista no setor automotivo, Alan Ladeia, compartilha cinco recomendações essenciais e uma dica extra sobre postura no trânsito:

“Antes de pegar estrada, nada substitui uma revisão completa: isso inclui os pneus, freios, óleo, fluido de arrefecimento e sistema de iluminação. Uma manutenção bem-feita pode fazer toda a diferença entre um passeio tranquilo e um grande risco.” Confira:

 

1. Faça uma revisão completa do carro: verifique pneus, inclusive estepe: estado de desgaste, calibragem e se há bolhas ou cortes. Pneus em mau estado são causa comum de acidentes. Confira fluido de freio, fluido de arrefecimento, óleo do motor e filtros. A troca regular de óleo e a verificação dos fluidos ajudam a prevenir panes durante viagens longas. Verifique sistema de iluminação (faróis, setas, luz de freio) e limpadores de para-brisa: fundamentais para dirigir com segurança, especialmente à noite ou em trechos de serra.

 

2. Atenção aos pneus e suspensão: pneus bem calibrados e suspensão em bom estado garantem estabilidade e conforto, importantíssimo em viagens com muitas curvas. Isso evita prejuízos como desgaste irregular e risco de falha mecânica.

 

3. Cheque documentos, estepe e kit de emergência: tenha em mãos documentos do veículo e habilitação, além de itens de segurança como triângulo, macaco, chave de roda, lanterna, extintor (se obrigatório), água e um kit básico de primeiros socorros. Em trechos longos, isso pode ser fundamental.

 

Planeje a rota e evite horários de pico: procure sair em horários menos movimentados: geralmente, ao entardecer de véspera de feriado ou na manhã do dia de saída há menor fluxo. Isso ajuda a evitar congestionamentos, estresse e diminui o risco de acidentes.

 

5. Descanso: essencial antes de dirigir: nunca subestime o cansaço. Se for viajar por muitas horas, intercale paradas regulares para descanso. Dirigir cansado é perigoso, pois diminui os reflexos e prejudica a atenção no trânsito.

 

6. Dica extra: dirija com responsabilidade e consciência: além de preparar o carro, a forma como você dirige faz toda a diferença. Segundo Alan Ladeia: “Muitos acidentes poderiam ser evitados com atitudes simples: não beber antes de dirigir, respeitar os limites de velocidade e manter atenção redobrada em trechos com maior movimento.” Com o aumento do fluxo nas rodovias nas festas de fim de ano, é ainda mais importante manter a calma, respeitar a sinalização e zelar pela segurança de todos.


A epidemia silenciosa das bets e a responsabilidade diante da ludopatia

 

Durante muito tempo, perder dinheiro em jogos de azar foi tratado apenas como consequência de uma decisão individual equivocada. A imagem do jogador irresponsável, incapaz de controlar os próprios impulsos, ainda domina o imaginário popular. Com a explosão das apostas online no Brasil, essa percepção continua presente. Basta surgir a notícia de alguém que perdeu o patrimônio, comprometeu a renda da família ou acumulou dívidas em plataformas de apostas para que apareçam julgamentos rápidos: faltou força de vontade, sobrou ganância, a culpa é exclusivamente de quem apostou. 

A medicina, porém, oferece uma explicação muito mais complexa. A Organização Mundial da Saúde e a Associação Americana de Psiquiatria reconhecem oficialmente o transtorno do jogo, conhecido popularmente como ludopatia, como uma doença mental. Não se trata de um desvio moral nem de falta de caráter, mas de um transtorno aditivo que compromete os mesmos circuitos cerebrais de recompensa envolvidos na dependência de álcool e outras drogas. A diferença é que, nesse caso, o estímulo não é uma substância química, mas o próprio ato de apostar. 

Esse reconhecimento muda profundamente a forma como a sociedade deve enfrentar o problema. Se estamos diante de uma doença, a resposta não pode ser construída apenas com reprovação moral ou discursos sobre responsabilidade individual. É preciso compreender que existe uma parcela de pessoas que perde, progressivamente, a capacidade de interromper um comportamento que passa a ser compulsivo. 

Os critérios médicos são objetivos. O diagnóstico considera sinais como a necessidade de apostar valores cada vez maiores para experimentar a mesma sensação, a ansiedade quando a pessoa tenta interromper o jogo, as repetidas tentativas fracassadas de parar e um comportamento bastante conhecido entre especialistas: a perseguição das perdas. O apostador acredita que conseguirá recuperar rapidamente o dinheiro perdido e, justamente por isso, continua apostando. Em vez de reverter o prejuízo, normalmente amplia o endividamento. Mentiras à família, empréstimos para continuar jogando, abandono do trabalho, dos estudos ou do convívio social também fazem parte desse quadro. 

É importante destacar que as apostas online não criaram a ludopatia. O transtorno existe há décadas e sempre esteve associado a cassinos, bingos e outras modalidades de jogo. O ambiente digital, contudo, elevou significativamente o potencial de risco. Hoje, qualquer pessoa carrega um cassino permanente no bolso. As plataformas funcionam vinte e quatro horas por dia, aceitam depósitos instantâneos por Pix, oferecem bônus e promoções exatamente quando o usuário perde dinheiro, enviam notificações constantes e disponibilizam jogos extremamente rápidos, nos quais dezenas de apostas podem ser realizadas em poucos minutos. 

Toda essa arquitetura tecnológica foi desenvolvida para reduzir o tempo entre uma aposta e outra. A pausa para refletir, fundamental para qualquer decisão racional envolvendo dinheiro, praticamente desaparece. Para quem já apresenta predisposição ao transtorno, esse ambiente funciona como um poderoso acelerador da compulsão. 

Os impactos extrapolam, em muito, a esfera patrimonial. A ludopatia frequentemente provoca desestruturação financeira das famílias, rompimento de relacionamentos, afastamento do mercado de trabalho, ansiedade, depressão e, em situações extremas, ideação suicida. Trata-se, portanto, de um problema de saúde pública que gera consequências sociais, econômicas e jurídicas. 

Foi justamente essa mudança de percepção que levou diversos países a abandonar o antigo modelo baseado exclusivamente na liberdade individual para adotar políticas de jogo responsável. O Brasil seguiu esse caminho ao regulamentar o setor por meio da Lei nº 14.790/2023. Ao contrário do que muitos imaginam, essa legislação não trata apenas de arrecadação tributária. Ela também estabelece deveres específicos para as empresas que exploram apostas de quota fixa. 

As operadoras passaram a ter obrigação de disponibilizar mecanismos de autoexclusão, permitir que os usuários estabeleçam limites financeiros e temporais para utilização da plataforma e desenvolver políticas de prevenção ao transtorno do jogo. Mais do que isso, espera-se que utilizem a enorme quantidade de dados que coletam para identificar padrões compatíveis com comportamento compulsivo. 

Essa discussão leva inevitavelmente ao campo jurídico. A relação entre apostador e plataforma é uma típica relação de consumo. Assim como ocorre em qualquer outro serviço, quem oferece uma atividade potencialmente danosa assume deveres de segurança, informação e prevenção. Não basta disponibilizar ferramentas formais se, paralelamente, a própria empresa incentiva a continuidade das apostas por meio de bônus personalizados, cashback e campanhas direcionadas justamente aos usuários que apresentam comportamento de maior risco. 

É exatamente essa a discussão que começa a chegar aos tribunais brasileiros. As primeiras decisões judiciais revelam uma tendência relevante: quando existem provas robustas de que a plataforma tinha condições objetivas de perceber um padrão de comportamento compulsivo e, ainda assim, continuou estimulando a atividade, cresce a possibilidade de responsabilização civil. 

Não significa, evidentemente, que toda perda financeira será automaticamente ressarcida. O Direito não elimina a autonomia do indivíduo nem transforma as empresas em seguradoras universais das escolhas de seus consumidores. Cada caso exige análise cuidadosa das circunstâncias concretas, do diagnóstico médico, do histórico de apostas e das medidas efetivamente adotadas pela operadora. 

Por isso, as ações judiciais têm demonstrado que a prova é elemento decisivo. Laudos psiquiátricos, registros de tratamento, histórico de depósitos, comprovantes de Pix, mensagens promocionais enviadas pela plataforma, pedidos de autoexclusão e documentos que demonstrem o agravamento da situação financeira podem fazer diferença significativa na avaliação da responsabilidade de cada parte. 

Essa evolução jurídica reflete uma mudança mais ampla de paradigma. Durante muitos anos, a responsabilidade recaía exclusivamente sobre o jogador. Hoje se reconhece que empresas que utilizam algoritmos sofisticados para conhecer detalhadamente o comportamento de seus consumidores também possuem deveres proporcionais ao risco inerente à atividade econômica que exploram. 

O debate não é sobre proibir apostas. Milhões de brasileiros apostam eventualmente sem desenvolver qualquer transtorno. A regulamentação parte justamente desse pressuposto: o jogo pode existir como atividade lícita para quem exerce sua liberdade de forma consciente. O desafio surge quando essa liberdade é progressivamente comprometida por uma doença reconhecida pela medicina. 

Nesse ponto, o equilíbrio é indispensável. Não faz sentido tratar todo apostador como incapaz, da mesma forma que seria injusto considerar toda plataforma automaticamente responsável por qualquer prejuízo financeiro. A resposta jurídica deve ser construída a partir da análise concreta da capacidade de cada agente prevenir o dano. 

Também não cabe às famílias responderem com julgamentos morais. Reconhecer a ludopatia como doença não significa eliminar a responsabilidade pessoal, mas compreender que a recuperação exige tratamento especializado, apoio familiar e ambiente social menos estigmatizante. Da mesma forma, empresas que obtêm lucros bilionários explorando uma atividade reconhecidamente capaz de produzir dependência não podem ignorar os sinais evidentes de que determinado consumidor deixou de jogar por entretenimento e passou a agir sob compulsão.

 O Supremo Tribunal Federal ainda examina diversos aspectos da regulamentação das apostas no Brasil, inclusive questões relacionadas à publicidade e à proteção de grupos vulneráveis. Independentemente do resultado dessas discussões, um consenso já começa a se formar. O enfrentamento da ludopatia não pode ficar restrito ao campo da saúde nem ao campo do Direito. Trata-se de um fenômeno que exige atuação conjunta do Estado, das famílias, das empresas e do sistema de Justiça. 

O Brasil ainda está aprendendo a conviver com um mercado que cresce em velocidade extraordinária. Quanto mais cedo abandonarmos a falsa ideia de que toda compulsão por apostas decorre apenas de fraqueza moral, maiores serão as chances de construir uma regulação capaz de preservar a liberdade de quem joga por lazer e, ao mesmo tempo, proteger aqueles para quem apostar deixou de ser uma escolha e passou a ser uma doença. 

 

Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório Menegatto Advogados

 

Senac amplia plataforma de cursos gratuitos para atender às novas demandas do mercado de trabalho

  

Plataforma Orango completa um ano com mais de 130 cursos gratuitos em áreas como inteligência artificial, marketing digital, design, gastronomia e empreendedorismo

 

O Senac ampliou a oferta de cursos da plataforma Orango, que completa um ano de funcionamento consolidada como uma iniciativa voltada à experimentação profissional e ao desenvolvimento de novas competências. Com a chegada de 20 novos cursos gratuitos, a plataforma passa a oferecer mais de 130 experiências de aprendizagem em áreas alinhadas às transformações do mercado de trabalho, como inteligência artificial, marketing digital, design, moda, gastronomia, empreendedorismo, gestão de projetos e sustentabilidade. 

Gratuitos e totalmente on-line, os cursos podem ser acessados de qualquer lugar e a qualquer momento. Ao concluir as aulas, o participante recebe certificado emitido pelo Senac, instituição reconhecida nacionalmente pela excelência na educação profissional. 

Lançado há um ano, o Orango já conta com milhares de inscritos em todo o país e se consolida como uma porta de entrada para quem deseja conhecer novas profissões, desenvolver habilidades ou ampliar conhecimentos antes de investir em uma formação mais longa. 

Entre os novos conteúdos, a plataforma amplia sua oferta na área de marketing digital com os cursos "Crie campanhas no Google Ads", "Alta Performance em campanhas Ads", "Análise de dados no Google", "Crie campanhas que vendem", "Segmentação e palavras-chave que vendem no Google", "Escrevendo anúncios que vendem" e "Google Ads: primeiros passos", voltados a quem deseja dar os primeiros passos na área. 

Na área de design, os novos cursos incluem "Design de produtos: beleza e função", "Design criativo: tipos e formas" e "Design inteligente para espaços multifuncionais", que abordam conceitos relacionados à criação de produtos, tipologia e desenvolvimento de espaços funcionais. O curso "Moda em cena: estilo, marca e imagem" amplia as opções para quem tem interesse no universo da moda. 

Para quem deseja empreender, o Orango disponibiliza os cursos "Economia gig: construa sua carreira independente", "Empreenda com propósito: soluções sustentáveis na prática", "Transforme desafios socioambientais em negócios de impacto", "Negócios de impacto no digital", "E-commerce e dropshipping descomplicados" e "O futuro da IA: oportunidades para quem empreende", reunindo conteúdos voltados aos novos modelos de negócios e às transformações do mercado. 

A plataforma também oferece novos cursos em gastronomia e gestão, como "Refeições práticas e nutritivas", "Gestão de projetos na prática: eficiência e resultados" e "Produtividade no trabalho com eficiência e organização", voltados ao desenvolvimento de competências aplicáveis em diferentes segmentos profissionais.
 

A liberdade de começar

A expansão da plataforma marca o primeiro aniversário do Orango e acompanha a campanha "A liberdade de começar", que reforça a proposta de permitir que cada pessoa experimente diferentes áreas profissionais antes de decidir qual caminho seguir. Com as mais de 130 experiências de aprendizagem disponíveis, a plataforma possibilita descobrir novas vocações, desenvolver habilidades e fazer escolhas profissionais de forma mais consciente. 

Os cursos são gratuitos e podem ser acessados de forma remota, no ritmo de cada participante. As inscrições estão disponíveis em orango.senac.br



Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Senac
www.senac.br

 

O que separa uma nação verdadeiramente desenvolvida de um gigante econômico emergente?

A resposta não está no tamanho do seu Produto Interno Bruto (PIB), na extensão de suas fronteiras ou na exuberância de suas riquezas naturais. Está, fundamentalmente, na qualidade de vida que ela entrega ao seu povo. Quando nos deparamos com o dado de que o Brasil ocupa apenas a quarta posição entre os doze países da América do Sul no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU), a sensação não pode ser de mera surpresa; deve ser de profunda indignação e inconformismo. 

Ficar atrás de vizinhos como Chile, Argentina e Uruguai em um indicador que mensura pilares tão básicos e vitais — saúde, educação e renda per capita — é o reflexo de um paradoxo histórico que o Brasil carrega e que teimamos em não resolver. Somos, de longe, o maior país da região, uma potência agrícola e industrial, detentores de uma das maiores economias do planeta. No entanto, o gigantismo geográfico e financeiro do nosso país contrasta, de forma dolorosa, com a nossa pequenez na distribuição e na eficácia dos serviços essenciais que moldam a dignidade humana. 

O IDH não é uma métrica subjetiva ou um capricho estatístico. Ele traduz a realidade crua: a expectativa de vida ao nascer, o acesso e a permanência na escola, e o poder de compra real do cidadão comum. Longe de liderar em qualidade de vida, o Brasil se arrasta em uma média que esconde abismos regionais brutais. O que falha no modelo brasileiro não é a nossa capacidade de gerar riqueza, mas sim a nossa crônica ineficiência na gestão pública e na conversão dessa riqueza em bem-estar social. 

A saúde pública brasileira oscila entre o heroísmo de um sistema universal subfinanciado e o colapso estrutural que custa vidas em filas de espera. A educação, embora tenha expandido o acesso nas últimas décadas, patina tragicamente na qualidade, falhando em preparar as novas gerações para os desafios de uma economia global baseada no conhecimento e na tecnologia. E a nossa renda per capita patina em um cenário de baixa produtividade e de concentração de renda crônica, onde o crescimento econômico raramente se traduz em prosperidade palpável para a base da pirâmide. 

Nenhum brasileiro consciente e comprometido com o futuro desta nação pode se dar por satisfeito com essa quarta colocação. Aceitar esse diagnóstico de braços cruzados é chancelar a perpetuação de um Brasil de duas velocidades: o da elite econômica integrada ao mundo moderno e o da imensa maioria que luta para ver garantidos os seus direitos mais elementares. 

O caminho para reverter esse quadro não passa por discursos populistas ou medidas paliativas de curto prazo, mas por reformas estruturais profundas que coloquem o desenvolvimento humano no centro da estratégia de Estado. Precisamos de um choque de gestão na saúde, de uma revolução pedagógica que valorize o professor e a inovação na escola, e de políticas que estimulem a produtividade nacional e a geração de empregos qualificados. O Brasil tem dimensão, recursos e vocação para liderar a América do Sul e ser protagonista global não apenas em balança comercial, mas em dignidade e qualidade de vida. O conformismo é o nosso pior inimigo; o IDH é o nosso alerta de que o futuro tem pressa. 

 

Samuel Hanan - engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia,administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva”, “Caminhos para um país sem rumo” e “Amazônia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial”. Site: https://samuelhanan.com.br


Empresas brasileiras mantêm maior exposição ao risco de crédito na América Latina, aponta Coface

Brasil lidera América Latina em prazo médio de pagamento entre empresas, enquanto atrasos seguem elevados e insolvências corporativas avançam

 

Em um ambiente econômico ainda marcado por crescimento moderado, condições financeiras restritivas e pressão sobre fluxo de caixa, as empresas brasileiras seguem muito expostas ao risco de crédito do que a média da América Latina. É o que mostra a nova Pesquisa de Pagamentos da América Latina 2026, realizada pela Coface, que identifica no Brasil um dos mercados corporativos pressionados da região em um cenário de atrasos recorrentes nos pagamentos. 

O levantamento ouviu 272 empresas de seis países latino-americanos entre abril e maio deste ano. Os dados mostram que, enquanto as empresas da região vêm adotando uma postura mais cautelosa, reduzindo o prazo médio de crédito, as companhias brasileiras mantêm condições de pagamento estáveis frente a 2025, com prazos médios relativamente mais longos. 

Em 2026, 95% das empresas latino-americanas afirmaram vender a prazo para seus clientes, percentual acima dos 88% registrados em 2025. Ao mesmo tempo, o prazo médio de pagamento caiu de 59 para 56 dias na região, indicando maior aversão ao risco e/ou aumento das pressões de liquidez. 

No Brasil, porém, esse movimento não se repetiu. As empresas brasileiras mantiveram prazo médio de pagamento de 66 dias — o maior da América Latina, ao lado da Argentina — mesmo em um cenário econômico mais desafiador e de crescente preocupação com a capacidade de pagamento no ambiente corporativo.

 


Segundo Patricia Krause, economista da Coface para a América Latina, a redução dos prazos observada na região reflete uma mudança no comportamento das empresas diante de um ambiente macroeconômico ainda desafiador. 

“As empresas continuam oferecendo crédito comercial porque essa continua sendo uma ferramenta importante de competitividade, mas passam a fazer isso de forma mais seletiva. A redução dos prazos mostra uma postura mais cautelosa, diante da necessidade de preservar liquidez e de um ambiente de risco que segue pressionado”, afirma. 

A pesquisa também mostra que os atrasos de pagamento seguem disseminados no ambiente corporativo latino-americano. Neste ano, 79% das empresas relataram atrasos nos recebimentos, acima dos 77% registrados em 2025. O dado confirma que, mesmo com empresas reduzindo prazos de crédito, a pressão sobre o caixa corporativo permanece elevada. 

 

Apesar da maior frequência dos atrasos, o tempo médio caiu de 42 dias em 2025 para 33 dias em 2026, sinalizando que as empresas têm conseguido reagir mais rapidamente na recuperação de valores e na gestão da inadimplência. 

Quando questionadas sobre o principal motivo para atrasos nos pagamentos, a inadimplência dos clientes foi o fator mais frequentemente citado pelas empresas no estudo: 63% apontaram essa como a principal razão para os atrasos. Na sequência aparecem queda da demanda, citada por 29% dos entrevistados, aumento da competição, com 26%, e custos elevados de financiamento, mencionados por 19% das empresas — fator que, segundo a Coface, tem impacto particularmente relevante no mercado brasileiro. 

Para Patricia Krause, o cenário regional continua pressionado por uma combinação de fatores macroeconômicos que dificultam a recuperação financeira das empresas. 

“A combinação de crescimento econômico mais moderado, pressões inflacionárias persistentes e espaço cada vez mais limitado para flexibilização monetária continua lançando uma sombra sobre a capacidade de solvência das empresas em toda a região”, explica. 

No Brasil, esse cenário tem se refletido diretamente no aumento das recuperações judiciais, por exemplo. Em 2025, foram registrados 2.466 pedidos, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior e o maior nível da série histórica. 

Mesmo diante desse ambiente mais pressionado, as empresas seguem relativamente otimistas em relação ao desempenho dos próprios negócios. Quase 70% das companhias ouvidas afirmam esperar melhora em sua performance ao longo de 2026. Ainda assim, o cenário exige cautela crescente na gestão financeira. 

“Existe uma expectativa positiva em relação aos negócios, mas esse otimismo continua condicionado a um ambiente econômico ainda bastante desafiador. As empresas precisam lidar simultaneamente com crescimento mais fraco da economia, pressões inflacionárias e um cenário financeiro que continua bastante restritivo”, afirma Patricia Krause. 

Entre os principais riscos apontados pelas empresas latino-americanas para os próximos 12 meses, a desaceleração da atividade econômica lidera com 24% das respostas, seguida por alta competição, com 21%, tensões geopolíticas, com 13%, volatilidade cambial, com 8%, e custos financeiros elevados, com 7%. 

Para Ricardo Costa, diretor comercial da Coface Brasil, o ambiente atual reforça a necessidade de as empresas reverem a forma como administram concessão de crédito e exposição financeira. 

“Vender a prazo deixou de ser apenas uma condição comercial. Hoje, essa decisão precisa ser tratada como uma decisão de crédito. O prazo pode ajudar a impulsionar vendas e aumentar competitividade, mas também impacta diretamente capital de giro, fluxo de caixa e o nível de risco assumido pela empresa”, afirma.

A pesquisa mostra ainda que parte das empresas já vem reforçando mecanismos de proteção. O seguro de crédito aparece como ferramenta de gestão mais utilizada, adotado por 35% das companhias, seguido por serviços de cobrança de dívidas, com 32%, e relatórios especializados de análise de crédito, utilizados por 31% dos entrevistados. Ainda assim, 21% das empresas afirmam não utilizar nenhum mecanismo estruturado de proteção. 

“As empresas continuam sendo pressionadas a financiar sua própria cadeia comercial. Ao mesmo tempo em que precisam conceder prazo para manter competitividade, acabam ampliando sua exposição financeira e pressionando o próprio caixa. O desafio hoje é equilibrar crescimento com controle de risco”, diz Costa.

 

COFACE: FOR TRADE


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