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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Ecocardiograma: exame simples pode ajudar a prevenir complicações cardíacas e apoiar um diagnóstico precoce

Exame de Ecocardiograma.
Crédito Shutterstock
Com aumento de casos entre pessoas jovens, exame não invasivo se torna aliado na detecção precoce e na prevenção de doenças cardiovasculares


 
Cuidar da saúde do coração está cada vez mais acessível com o apoio de exames modernos e não invasivos, como o ecocardiograma. Conhecido como o “ultrassom do coração”, o exame é um importante aliado na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares, um cenário que também acende um alerta para a população mais jovem, mas que conta hoje com alternativas eficazes de cuidado e acompanhamento.

Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que houve aumento de 62% nas mortes por infarto em mulheres de 15 a 49 anos nas últimas décadas. Já o Ministério da Saúde aponta crescimento expressivo nas internações por infarto em pessoas com menos de 40 anos. O cenário reforça a importância da prevenção, especialmente diante de fatores como estresse, sedentarismo, má alimentação, obesidade, hipertensão e diabetes, que têm contribuído para o avanço precoce das doenças cardiovasculares, muitas vezes de forma silenciosa.
Nesse contexto, o ecocardiograma se destaca por permitir a identificação de alterações cardíacas antes mesmo do surgimento de sintomas, ampliando as chances de intervenção e tratamento eficaz.

“O ecocardiograma é um exame seguro, indolor e extremamente completo. Ele possibilita avaliar a estrutura e o funcionamento do coração em tempo real, identificando precocemente alterações que podem evoluir para quadros mais graves se não forem acompanhadas”, explica a médica cardiologista do Sabin Diagnóstico e Imagem, Dra. Flávia Bassi Peres. 

Por meio de ondas sonoras, o exame gera imagens detalhadas do coração, permitindo observar o funcionamento das válvulas, a força do músculo cardíaco e o fluxo sanguíneo. É indicado tanto para investigação de sintomas como falta de ar, dor no peito e palpitações, quanto para check-ups, especialmente em pessoas com fatores de risco ou histórico familiar.

Além disso, o exame pode auxiliar no diagnóstico de condições como insuficiência cardíaca, doenças valvares e cardiopatias congênitas, sendo uma ferramenta essencial também no acompanhamento de pacientes já diagnosticados.

A recomendação é que a avaliação da saúde cardiovascular faça parte da rotina, especialmente diante de mudanças no estilo de vida ou presença de fatores de risco. Com informação, acompanhamento médico e exames adequados, é possível agir de forma preventiva e cuidar do coração em todas as fases da vida.



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Menopausa precoce e hipertensão: a combinação que eleva o risco cardiovascular em mulheres

Estudo recente sugere que a menopausa precoce está associada a maior risco de doença coronariana, enquanto a hipertensão atua como fator agravante de relevância

 

A menopausa precoce – definida como aquela que ocorre antes dos 40 anos – tem sido consistentemente associada ao aumento do risco de doença coronariana ao longo da vida. Um estudo publicado na JAMA Cardiology¹ demonstrou que mulheres com menopausa precoce apresentam risco aproximadamente 40% maior de desenvolver doença arterial coronariana, reforçando a relação entre a saúde reprodutiva e o risco cardiovascular. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres são afetadas pela perda da função ovariana antes dos 40 anos, segundo o Ministério da Saúde². 

Os achados indicam ainda que essas mulheres tendem a desenvolver doenças cardiovasculares em idades mais precoces e a apresentar menor tempo de vida livre de comorbidades. No Brasil, esse cenário ganha relevância adicional, uma vez que a hipertensão arterial sistêmica representa um dos principais fatores de risco modificáveis para eventos cardiovasculares. 

Estimativas recentes do Ministério da Saúde indicam que entre 28 e 30 milhões de mulheres brasileiras são hipertensas. A prevalência aumenta de forma significativa após a menopausa, possivelmente em decorrência da redução dos níveis de estrogênio, que exerce efeitos vasoprotetores, contribuindo para alterações na função endotelial e maior rigidez arterial. 

Além do impacto cardiovascular, a hipertensão arterial não controlada está associada a desfechos adversos relevantes, incluindo doença renal crônica, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e comprometimento cognitivo. Evidências também sugerem associação com maior risco de demência vascular, especialmente em contextos de exposição prolongada a níveis pressóricos elevados. 

Segundo a cardiologista Fernanda Erthal, do Bronstein e da CDPI, marcas da Dasa no Rio de Janeiro, a integração entre fatores reprodutivos e risco cardiovascular ainda é subvalorizada na prática clínica. 

“A menopausa precoce e a hipertensão frequentemente são abordadas de forma isolada, quando, na realidade, deveriam motivar uma avaliação cardiovascular mais abrangente”, destaca. 

Nesse contexto, a estratificação de risco deve ser individualizada e, em determinados grupos, pode incluir a investigação de aterosclerose subclínica. “O diagnóstico da hipertensão é simples e deve ser realizado precocemente. Em pacientes selecionadas, ferramentas como o escore de cálcio coronariano podem auxiliar na identificação precoce da aterosclerose e na tomada de decisão clínica”, explica. 

Os achados do estudo reforçam que o histórico reprodutivo deve ser incorporado à avaliação global de risco cardiovascular, juntamente com o controle rigoroso dos fatores modificáveis, como a hipertensão arterial. “A prevenção cardiovascular deve ser priorizada, com o objetivo de não apenas aumentar a longevidade, mas também garantir a qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui a especialista.

 

Referências

¹Link

²https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hupes-ufba/comunicacao/noticias/cerca-de-30-milhoes-de-mulheres-sao-afetadas-pela-menopausa-precoce-no-brasil


Maio Vermelho reforça alerta: casos de câncer de boca devem ultrapassar 15 mil por ano no Brasil

Envato
Campanha nacional de conscientização ganha força e se conecta ao Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio, para destacar sinais precoces e estratégias de prevenção além do óbvio 

 

O mês de maio concentra duas importantes mobilizações de saúde pública: o Maio Vermelho, dedicado à conscientização sobre o câncer de boca, e o Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio. Juntas, as datas ampliam o debate sobre um ponto ainda pouco explorado: os primeiros impactos do cigarro tradicional e dos dispositivos eletrônicos, como o vape, costumam surgir na cavidade oral, muitas vezes de forma silenciosa.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimaram cerca de 15,1 mil novos casos de câncer de boca por ano no entre 2023 e 2025. Ainda assim, muitos diagnósticos ocorrem em estágios avançados, o que pode comprometer as chances de sucesso no tratamento. Quando a doença é identificada precocemente, porém, as taxas de cura podem ultrapassar 80%. A doença, apesar de pouco conhecida, é o oitavo câncer mais frequente no Brasil. Esse cenário ganha relevância diante de dados do Vigitel (Ministério da Saúde), que apontam desaceleração na queda do tabagismo nas capitais desde 2015. A prevalência caiu de 15,7% em 2006 para 9,3% em 2023 (redução média anual de 3,3%). Mantido esse ritmo, a projeção para 2030 é de 7,96%, acima da meta de 6,24% prevista no plano nacional de enfrentamento das DANTs.

O dentista especialista em Implantodontia da Neodent, Dr. Sérgio Bernardes, chama a atenção para o fato de que alterações aparentemente simples podem ser os primeiros indícios de problemas mais graves. Feridas que não cicatrizam em até 15 dias, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, caroços, dor persistente, dificuldade para mastigar ou engolir e até mudanças na voz são sinais que merecem atenção. “A boca funciona como uma porta de entrada e como um termômetro da saúde. Muitos pacientes ignoram sintomas iniciais por não associarem ao risco de câncer”, destaca.

O uso de cigarros eletrônicos, frequentemente visto como uma alternativa menos nociva, também preocupa. O vape pode provocar inflamações na mucosa oral, alterações celulares e maior ressecamento bucal, criando um ambiente propício para lesões e infecções. Em alguns casos, essas alterações podem evoluir para quadros mais graves quando não identificadas precocemente.

Prevenção além do “não fumar”

Embora evitar o tabaco continue sendo a principal recomendação, o especialista reforça que a prevenção do câncer de boca envolve um conjunto de cuidados no dia a dia:

  • Atenção aos sinais persistentes: qualquer alteração na boca que dure mais de duas semanas deve ser avaliada por um dentista.
  • Higiene bucal adequada: a escovação correta, o uso diário do fio dental e as visitas regulares ao dentista ajudam a identificar lesões precocemente.
  • Proteção solar labial: a exposição prolongada ao sol pode estar associada ao câncer de lábio.
  • Moderação no consumo de álcool: o consumo frequente pode potencializar os efeitos nocivos do tabaco e agride a mucosa oral.
  • Alimentação equilibrada: dietas ricas em frutas, verduras e antioxidantes podem contribuir para a saúde celular.
  • Autoexame da boca: simples e rápido, pode ser feito em frente ao espelho, observando língua, gengivas, bochechas e céu da boca.
  • Idade avançada: o risco de câncer de boca aumenta com o envelhecimento, especialmente após os 50 anos.

Para quem possui implantes dentários, os cuidados preventivos são os mesmos, mas o acompanhamento profissional ganha ainda mais importância. “O dentista consegue identificar qualquer alteração durante as consultas de manutenção, o que é imprescindível não só para manter a integridade dos implantes, como também para investigar afundo possíveis lesões que mereçam mais atenção. Pacientes com implantes devem manter a rotina de higiene e acompanhamento profissional, assim como qualquer outro paciente”, reforça Bernardes.

A integração entre o Maio Vermelho e o Dia Mundial Sem Tabaco reforça a necessidade de ampliar a conscientização, fazer avaliações periódicas com o dentista, pelo menos a cada seis meses, e realizar o autoexame da boca com regularidade. “O alerta é: antes de qualquer outro sintoma, é na boca que podem surgir os primeiros sinais de que algo não vai bem no organismo”, finaliza o especialista.

 

 Neodent+


Mestre e PhD em Oncologia faz um estudo completo do Mapa do Câncer no Brasil. Os Cinco Tumores Que Mais Matam — e o Que Precisamos Fazer a Respeito


O Brasil vive uma emergência silenciosa. Enquanto o debate público se concentra em crises políticas e econômicas, o câncer já é a segunda maior causa de morte entre mulheres e a terceira entre homens no país, atrás apenas das doenças cardiovasculares e, no caso masculino, das causas externas.

 

A segunda edição do relatório A Situação do Câncer no Brasil, publicada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2026, oferece o retrato mais completo e inquietante dessa realidade.

 

Os números são brutais. Para o triênio 2026–2028, o país deve registrar centenas de milhares de novos diagnósticos a cada ano, distribuídos de forma profundamente desigual entre regiões e populações. O relatório aponta nove tipos prioritários de câncer, mas cinco deles — mama, próstata, colorretal, pulmão e estômago — concentram a maior carga de doença e morte. Juntos, esses cinco tumores devem somar quase 268 mil novos casos por ano e foram responsáveis por mais de 107 mil óbitos apenas em 2023.

 

O que se segue é uma análise de cada um deles promovida pelo Mestre, MD e PhD em Oncologia, Dr. Wesley Pereira Andrade.

 

*1. Câncer de Mama — O mais incidente entre mulheres, o que mais mata*

São 78.610 casos novos projetados por ano no triênio 2026–2028, a maior cifra absoluta entre todos os tipos analisados. A taxa bruta de incidência é de 71,57 por 100 mil mulheres. Em 2023, o câncer de mama matou 20.165 brasileiras.

 

O relatório documenta uma tendência preocupante: entre 1990 e 2017, a incidência cresceu quase 40% no país. As regiões mais ricas apresentam as maiores taxas — Sudeste (51,72 por 100 mil ajustada) e Sul (47,65) — mas são as regiões Norte e Nordeste que registram o maior crescimento da mortalidade, reflexo de barreiras ao diagnóstico precoce, baixa escolaridade e acesso precário à saúde.

 

O Rio de Janeiro lidera com taxa bruta de 114,57 por 100 mil mulheres, seguido por Santa Catarina (106,07) e São Paulo (87,24). No extremo oposto, o Maranhão registra apenas 31,68.

 

Os fatores de risco para câncer de mama se organizam em duas grandes categorias: os que você não controla e os que você pode modificar. O denominador comum é a exposição prolongada a estrogênio — quanto mais tempo e mais intensamente o tecido mamário fica exposto a esse hormônio, maior o risco.

 

*Fatores não modificáveis*

Idade acima de 50 anos — o risco cresce progressivamente com o envelhecimento.

Menarca precoce (antes dos 12 anos) — a puberdade antecipada significa mais anos de ciclagem hormonal e, portanto, mais exposição estrogênica ao longo da vida.

Menopausa tardia (após os 55 anos) — mesma lógica: prolonga a janela de exposição hormonal.

Mutações BRCA1 e BRCA2 — predisposição genética hereditária. O relatório destaca que a exposição a estrogênos amplifica ainda mais o risco em portadoras dessas mutações.

Histórico familiar — antecedentes de câncer de mama em parentes de primeiro grau aumentam o risco, inclusive por fatores genéticos além do BRCA.

 

*Fatores modificáveis — e aqui mora a oportunidade de prevenção*

Nuliparidade e primeiro filho após os 35 anos. O relatório cita o estudo clássico de MacMahon (1970) como marco: a idade tardia do primeiro parto a termo é um dos fatores reprodutivos mais bem estabelecidos. Ter o primeiro filho antes dos 20 anos, ao contrário, é protetor.

Não amamentação — amamentar protege a mãe. A lactação suprime os ciclos ovulatórios e reduz a exposição estrogênica cumulativa.

 

Reposição hormonal na pós-menopausa — risco aumentado. Na pós-menopausa, quando os ovários param de produzir estrogênio, a reposição reintroduz artificialmente o estímulo ao tecido mamário.

Obesidade — este é um mecanismo que o relatório explica em detalhe. Na pós-menopausa, a principal fonte de estrogênio passa a ser o tecido adiposo, que converte androgênios em estrogênio. Quanto maior a gordura corporal, mais estrogênio circulante. Além disso, a obesidade gera hiperinsulinemia, aumento de IGF-1 e inflamação crônica — todos promotores de carcinogênese.

 

Consumo de álcool — classificado pela IARC como carcinógeno grupo 1 (mesmo grupo do tabaco). O relatório é enfático: não existe quantidade segura. O álcool aumenta os níveis circulantes de estrogênio e age como solvente, facilitando a penetração de outros carcinógenos nas células. Em 2012, 17 mil casos de câncer no Brasil foram atribuíveis ao álcool — e o câncer de mama está entre os principais.

Inatividade física — o sedentarismo é fator de risco independente. A atividade física regular reduz níveis de estrogênio, insulina e inflamação sistêmica.

 

*A mensagem para o país:*

*O câncer de mama expõe como nenhum outro a fratura entre o Brasil desenvolvido e o Brasil que ainda luta pelo básico. A mortalidade cai em países ricos; no Brasil, ainda sobe. A expansão do rastreamento mamográfico e do acesso ao tratamento não é uma questão médica — é uma questão de justiça.*.

 

*2. Câncer de Próstata — O mais frequente entre homens*

 

Com 77.920 novos casos estimados para cada ano do triênio 2026–2028 e uma taxa de incidência de 74,62 por 100 mil homens, o câncer de próstata é a neoplasia masculina mais comum no Brasil. Em 2023, matou 17.258 homens.

As desigualdades regionais chamam atenção: a taxa de incidência ajustada varia de 29,94 por 100 mil na região Norte até 94,90 no Sudeste — uma disparidade que o INCA atribui menos à diferença de risco biológico e mais à distribuição desigual dos registros de câncer no território.

 

*3. Câncer Colorretal — O tumor que acompanha o desenvolvimento econômico*

Com 53.810 casos novos estimados por ano e 23.953 óbitos registrados em 2023, o câncer colorretal é o segundo mais incidente no Brasil em ambos os sexos. Ele é, nas palavras do relatório, “um marcador de desenvolvimento econômico” — sua incidência cresce junto com a urbanização, a mudança alimentar e o sedentarismo.

Santa Catarina lidera a incidência (28,33 por 100 mil), seguida pelo Rio de Janeiro (23,51) e São Paulo (22,43). As menores taxas estão no Maranhão (6,67), Acre (7,82) e Amapá (7,86) — estados com menor IDH.

A mortalidade acompanha esse padrão: 9,61 óbitos por 100 mil na região Sul contra apenas 4,88 na região Norte.

 

*O paradoxo:*

*O tumor que mais cresce é também um dos mais evitáveis. Alimentação rica em fibras, redução de carnes processadas, controle de peso e atividade física são fatores protetores amplamente documentados. O rastreamento por colonoscopia pode interceptar a doença em fase pré-maligna. No entanto, o Brasil não possui programa organizado de rastreamento colorretal de base populacional.*.

*4. Câncer de Pulmão — O mais letal, o mais evitável*

 

É o tipo que mais mata no Brasil: 31.239 óbitos em 2023 — superando mama e próstata juntos em letalidade. São estimados 35.380 novos casos por ano no triênio 2026–2028.

 

Cerca de 80% a 90% dos pacientes que são diagnosticados com câncer de pulmão irão falecer em função da doença.

 

O tabagismo responde por 83,3% dos casos em homens e 64,8% em mulheres. A boa notícia: as políticas antitabaco reduziram a prevalência de fumantes de 43,3% (homens, 1989) para 12,7% (2016). A má notícia: os efeitos dessa redução levarão décadas para se refletir plenamente nas estatísticas de mortalidade. Enquanto isso, fatores ocupacionais e ambientais — poluição, sílica, amianto — impulsionam casos em não fumantes.

 

A geografia do pulmão é a geografia do tabaco: Santa Catarina (19,38 por 100 mil), Rio Grande do Sul (18,28) e Paraná (13,98) lideram. A mortalidade ajustada no RS (17,29 por 100 mil) é mais que o dobro da verificada na Bahia (6,92).

 

*O veredicto:*

*O câncer de pulmão é a prova viva de que política pública funciona — e de que seus resultados demoram a chegar. O investimento contínuo no combate ao tabagismo e a vigilância sobre novas fontes de exposição (cigarros eletrônicos, queimadas, poluição urbana) são inegociáveis.*.

*5. Câncer de Estômago — O tumor da infecção e da desigualdade*

 

O quinto mais incidente, com 22.530 casos novos estimados por ano e 14.823 óbitos em 2023. O fator de risco dominante é a infecção por Helicobacter pylori, responsável por até 90% dos casos.

 

O mapa do câncer de estômago inverte o padrão dos demais: as maiores taxas de incidência estão na região Norte — Amapá (16,18 por 100 mil), Pará (11,77) e Amazonas (11,06). A mortalidade segue a mesma lógica: 6,99 por 100 mil no Norte, contra 4,14 no Centro-Oeste.

 

A incidência vem caindo lentamente no Brasil, especialmente no Sudeste e Sul, acompanhando a melhoria das condições sanitárias e a redução da prevalência do H. pylori. Mas nas regiões mais pobres do país, onde o saneamento básico ainda é precário, o tumor resiste.

 

O elo central da origem do é o Helicobacter pylori. A bactéria é responsável por até 90% dos casos de câncer gástrico, segundo os dados do relatório (Martel et al., 2020). E a transmissão do H. pylori está intimamente ligada a condições sanitárias precárias — água contaminada, aglomeração domiciliar, falta de esgoto tratado. São exatamente as condições que predominam nas regiões mais pobres do país.

 

Por isso o mapa do câncer de estômago inverte o padrão dos outros quatro tumores do ranking.

 

Enquanto mama, colorretal e próstata predominam no Sudeste e Sul (regiões ricas, estilo de vida ocidentalizado), o estômago castiga o Norte: Amapá com 16,18 por 100 mil, Pará com 11,77, Amazonas com 11,06 — taxas até três vezes maiores que as do Centro-Oeste (6,93).

 

Os outros fatores de risco reforçam essa associação: consumo de alimentos conservados em sal (padrão alimentar de populações sem acesso a refrigeração adequada), tabagismo e álcool — todos com prevalência maior em contextos de vulnerabilidade social.

 

*A lição:*

*O câncer de estômago é, em essência, uma doença da pobreza. Enfrentá-lo exige não só política oncológica, mas política de saneamento, de segurança alimentar e de atenção primária. É um lembrete de que, no Brasil, a agenda do câncer é inseparável da agenda do desenvolvimento.*.

 

*O Retrato Completo*

O relatório do INCA não é apenas um documento técnico é um mapa potencial de ação governamental para reduzir a mortalidade por câncer.

O Brasil dispõe de conhecimento científico, estrutura institucional e recursos humanos para mudar esta trajetória. O que falta é vontade política sustentada — o tipo de compromisso que sobrevive a ciclos eleitorais e modas ministeriais.

Cinco tumores. Mais de 107 mil mortes em um único ano. A pergunta que este relatório nos obriga a responder é simples: sabendo o que sabemos, o que estamos dispostos a fazer?

 

 

Wesley Pereira Andrade - MD, PhD; Mestre e Doutor em Oncologia; Mastologista e Cirurgião Oncologista; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Coordenador do Comitê de Oncologia Mamária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Membro da Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica | SSO - Society of Surgical Oncology e Membro da Sociedade Europeia de Cirurgia Oncológica | ESSO - European Society of Surgical Oncology



Entre o cuidado e o excesso: a medicalização da vida moderna em debate

 

Crescimento no uso de antidepressivos e ansiedade em alta reacendem debate sobre patologização da vida comum

 

O aumento no consumo de medicamentos voltados à saúde mental tem se tornado um dos fenômenos mais marcantes da vida contemporânea. No Brasil, o uso de antidepressivos cresceu 12,4% entre adultos de 29 a 58 anos, segundo levantamento da Funcional Health Tech. Hoje, esses medicamentos já figuram como o segundo tipo mais utilizado, atrás apenas dos antibióticos. O crescimento acompanha um quadro mais amplo. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, 10,2% da população adulta brasileira já recebeu diagnóstico médico de depressão e, entre essas pessoas, quase metade relatou uso recente de antidepressivos. 

Nesse contexto, ansiedade, insônia e dificuldades de concentração passaram a figurar, com mais frequência, como condições a serem tratadas com fármacos, o que levanta uma questão central se estamos cuidando melhor da saúde mental ou transformando emoções em diagnósticos,

A Dra. Renata Caveari, coordenadora e professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, avalia que há um movimento ambíguo em curso. “Por um lado, houve um avanço importante no reconhecimento do sofrimento psíquico e na redução do estigma. Por outro, estamos cada vez mais intolerantes ao desconforto emocional, o que pode levar à busca rápida por soluções medicamentosas”, afirma. 

Segundo ela, o desafio está em compreender os limites entre o que é esperado e o que exige intervenção. “É importante refletir sobre a intensidade, a duração e o impacto daquilo que sentimos. Em que momento esse sofrimento passa a nos impedir de realizar atividades do dia a dia?”

Dr. Thiago Apolinário, médico e professor na pós-graduação em Psiquiatria da Afya Ribeirão Preto, na mesma linha, reforça a importância de contextualizar o uso dos medicamentos. “A psicofarmacologia moderna transformou o prognóstico dos transtornos mentais graves. Em quadros como depressão maior ou psicoses, o medicamento não é opcional, ele é fundamental”, afirma. Ao mesmo tempo, faz o especialista um alerta: “O problema não está no remédio em si, mas quando ele passa a ser utilizado para anestesiar sofrimentos que são respostas normais à vida.”

Segundo o médico, fatores como pressão por desempenho, excesso de estímulos digitais, jornadas exaustivas e instabilidade econômica ajudam a explicar esse cenário. “Vivemos em uma sociedade que exige produtividade constante e performance em todas as esferas. Dessa forma, emoções como tristeza e cansaço acabam sendo vistas como falhas que precisam de correção rápida”, diz. Para ele, isso contribui para um processo de “patologização do normal” e para o aumento de quadros como burnout e ansiedade crônica.

Nesse sentido, a medicalização pode funcionar como um atalho. “Quando alguém recorre apenas à medicação sem investigar as causas do sofrimento, corre o risco de mascarar questões mais profundas”, explica Renata. Por isso, problemas relacionados ao trabalho, à falta de vínculos afetivos ou a condições sociais adversas, segundo ela, não se resolvem apenas com comprimidos.

Dr. Thiago destaca que, em quadros graves, o medicamento cumpre um papel estratégico. “Na fase aguda, o paciente muitas vezes está tão tomado pelo sofrimento que não consegue elaborar suas questões. A medicação estabiliza os sintomas e cria condições para que ele possa se beneficiar de outras abordagens, como a psicoterapia”, explica. No entanto, ele alerta para o risco de dependência quando o tratamento se restringe ao alívio dos sintomas. “Quando o paciente entende que o sofrimento é multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais, ganha mais autonomia no processo de cuidado.”

A banalização de diagnósticos também preocupa. Termos como “ansioso”, “deprimido” ou “hiperativo” têm sido usados com frequência no cotidiano, muitas vezes sem avaliação profissional adequada. Para Renata, isso pode impactar a autonomia do indivíduo, porque quando a pessoa se identifica exclusivamente com um diagnóstico, pode limitar sua capacidade de compreender a complexidade do que sente. 

Outro ponto de alerta é o comportamento cada vez mais frequente de automedicação. “Muitas pessoas chegam ao consultório já fazendo uso de medicamentos por conta própria, em uma tentativa de resolver rapidamente o que estão sentindo. Isso reflete uma sociedade imediatista”, observa a psicóloga. Ela acrescenta que esse impacto também tem sido observado em crianças e idosos, que enfrentam dificuldades semelhantes para lidar com frustrações e tristezas.

A discussão sobre a medicalização da vida moderna não nega a importância dos medicamentos, mas propõe refletir sobre seu papel no cuidado em saúde mental, defendendo uma abordagem mais ampla que inclua psicoterapia, mudanças no estilo de vida e o fortalecimento de vínculos sociais. Como destaca o psiquiatra da Afya, embora os fármacos possam atuar no ajuste de neurotransmissores, eles não são capazes, por si só, de construir relações ou atribuir sentido à vida. Em uma cultura que privilegia soluções rápidas, o principal desafio está em encontrar equilíbrio, reconhecendo quando a intervenção medicamentosa é necessária, sem reduzir a complexidade da experiência humana a diagnósticos e prescrições.

 

Afya
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Remédio vencido, antibiótico e descarte no lixo: mitos e verdades sobre o uso de medicamentos

Especialistas esclarecem dúvidas comuns e alertam para hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente

 

No Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, celebrado em 5 de maio, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do uso consciente desses produtos e esclarece dúvidas comuns sobre o tema. Automedicação, interrupção de antibióticos antes do prazo indicado, armazenamento inadequado e descarte no lixo comum estão entre os hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente. 

“Temos legislação e protocolos para controlar e orientar o uso de antibióticos porque o problema não é apenas individual. O uso inadequado impacta o tratamento do próprio paciente e contribui para a disseminação da resistência microbiana”, afirma Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

A seguir, o especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre o uso de medicamentos.

 

Medicamentos devem ser tomados sempre com água?

Verdade. A água costuma ser a forma mais segura de ingerir medicamentos, já que outras bebidas podem interferir na absorção ou aumentar o risco de reações indesejadas. Leite, sucos, café, chás e bebidas alcoólicas podem interagir com alguns remédios.

 

Tomar remédio com alimento sempre corta o efeito?

Mito. Isso depende do medicamento. Alguns devem ser ingeridos após as refeições, enquanto outros exigem jejum ou cuidados específicos com alimentos e bebidas. A vitamina D, por exemplo, tende a ser melhor absorvida quando ingerida junto às refeições. Já o antibiótico ciprofloxacino deve ser administrado com intervalo de cerca de duas horas em relação ao consumo de alimentos lácteos ou enriquecidos com minerais como ferro, magnésio e zinco, pois isso pode prejudicar sua absorção.

 

Medicamentos líquidos fazem efeito mais rápido?

Verdade, em geral. Como já estão dissolvidos, medicamentos líquidos costumam ser absorvidos mais rapidamente pelo organismo do que comprimidos. Isso, no entanto, não significa que sejam sempre melhores ou mais indicados. A escolha da apresentação depende do tipo de medicamento, da condição clínica do paciente e da orientação profissional.

 

Tomar remédio vencido alguns dias depois não faz mal?

Mito. Fora do prazo de validade, não há garantia de eficácia nem de segurança. Além disso, armazenamento inadequado também pode comprometer o produto antes mesmo do vencimento. Temperatura, umidade e exposição à luz solar podem interferir na conservação do medicamento, por isso é importante observar as orientações da embalagem e da bula.

 

Álcool não interfere na medicação?

Mito. Bebidas alcoólicas podem alterar o efeito dos medicamentos, aumentar reações adversas e, em alguns casos, provocar efeitos graves. Em geral, não se recomenda o consumo de álcool durante o tratamento medicamentoso, especialmente sem orientação profissional.

Antibiótico na veia é sempre mais forte do que o oral?

Mito. Segundo Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ainda existe a percepção de que o antibiótico intravenoso seria sempre mais “forte” ou mais eficaz, mas isso não vale para todas as situações. Em muitos casos, quando o paciente apresenta melhora clínica e tem condições de absorver o medicamento por via oral, a troca pode ser segura e benéfica. “Para a maior parte das situações, não existe evidência de que o antibiótico na veia seja melhor do que o antibiótico oral. Quando bem indicada, essa troca pode estar associada a menos eventos adversos, menor tempo de hospitalização e também a um menor volume de materiais utilizados na administração intravenosa, o que reduz impactos relacionados ao descarte”, explica o infectologista.

 

Posso guardar sobras de antibiótico para usar em outra ocasião?

Mito. Antibióticos não devem ser reaproveitados sem avaliação médica. Infecções diferentes podem exigir medicamentos, doses e tempos de tratamento distintos. Usar sobras de tratamentos anteriores aumenta o risco de falha terapêutica, efeitos adversos e resistência bacteriana.

 

Medicamentos podem ser descartados no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário?

Mito. O descarte incorreto oferece riscos domésticos e ambientais. Medicamentos vencidos, sobras de tratamentos e embalagens que tiveram contato direto com o produto devem ser encaminhados a pontos de coleta apropriados, disponíveis em farmácias, drogarias e serviços de saúde participantes. No caso dos antimicrobianos, esse cuidado é ainda mais importante pelo potencial impacto na resistência bacteriana.

  

Hospital Alemão Oswaldo Cru 


Maio Amarelo mobiliza centenas de ações de segurança nas rodovias paulistas concedidas

Programação inclui blitz educativas, simuladores de risco, ações com motociclistas e atividades em escolas para reduzir acidentes e salvar vidas


As rodovias concedidas do Estado de São Paulo recebem, ao longo deste mês, uma ampla mobilização em torno do Maio Amarelo, com a realização de centenas de ações de conscientização e segurança viária coordenadas pelas concessionárias sob regulação da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (ARTESP). 

A programação contempla iniciativas distribuídas por diferentes regiões do Estado, com foco direto na mudança de comportamento dos usuários. Entre as ações previstas estão blitz educativas, campanhas em painéis eletrônicos, distribuição de materiais informativos e abordagens diretas a motoristas, caminhoneiros, motociclistas, ciclistas e pedestres. 

Além das ações tradicionais, a campanha deste ano aposta em experiências imersivas para sensibilizar os usuários. Simuladores de impacto, equipamentos que reproduzem os efeitos da embriaguez e do sono ao volante e encenações de atendimento a acidentes fazem parte da estratégia adotada pelas concessionárias. Em alguns trechos, também são realizadas atividades com uso de óculos que simulam alteração de percepção, permitindo que o motorista vivencie, na prática, situações de risco. 

As iniciativas também reforçam a atuação junto a públicos mais vulneráveis. Há ações específicas voltadas a motociclistas, com instalação de antenas corta-pipa, orientação sobre ponto cego e abordagens educativas, além de atividades direcionadas a pedestres e ciclistas em passarelas e áreas urbanas próximas às rodovias. 

As concessionárias também estão promovendo palestras em escolas, distribuição de materiais educativos e projetos voltados a crianças e adolescentes, além de treinamentos para colaboradores e motoristas profissionais. 

“A redução de acidentes passa, necessariamente, pela mudança de comportamento dos usuários. Por isso, estamos fortalecendo ações que vão além da orientação tradicional, com experiências que fazem o motorista perceber, na prática, os riscos de atitudes como o uso do celular, o excesso de velocidade e a direção sob efeito de álcool.”, explica o superintendente de rodovias, Roger Pêgas. 

A Agência tem acompanhado a execução das ações, garantindo que as concessionárias atuem de forma coordenada não apenas na operação das rodovias, mas também na promoção ativa da segurança viária. Em diversas atividades, as abordagens são realizadas em conjunto com órgãos de segurança e entidades como o Sest/Senat.

 

Agência Reguladora de Transportes de São Paulo - ARTESP


Remédio vencido, antibiótico e descarte no lixo: mitos e verdades sobre o uso de medicamentos

Especialistas esclarecem dúvidas comuns e alertam para hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente 


No Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, celebrado em 5 de maio, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do uso consciente desses produtos e esclarece dúvidas comuns sobre o tema. Automedicação, interrupção de antibióticos antes do prazo indicado, armazenamento inadequado e descarte no lixo comum estão entre os hábitos que podem trazer riscos à saúde e ao meio ambiente. 

“Temos legislação e protocolos para controlar e orientar o uso de antibióticos porque o problema não é apenas individual. O uso inadequado impacta o tratamento do próprio paciente e contribui para a disseminação da resistência microbiana”, afirma Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

A seguir, o especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre o uso de medicamentos.

 

Medicamentos devem ser tomados sempre com água?

Verdade. A água costuma ser a forma mais segura de ingerir medicamentos, já que outras bebidas podem interferir na absorção ou aumentar o risco de reações indesejadas. Leite, sucos, café, chás e bebidas alcoólicas podem interagir com alguns remédios.

 

Tomar remédio com alimento sempre corta o efeito?

Mito. Isso depende do medicamento. Alguns devem ser ingeridos após as refeições, enquanto outros exigem jejum ou cuidados específicos com alimentos e bebidas. A vitamina D, por exemplo, tende a ser melhor absorvida quando ingerida junto às refeições. Já o antibiótico ciprofloxacino deve ser administrado com intervalo de cerca de duas horas em relação ao consumo de alimentos lácteos ou enriquecidos com minerais como ferro, magnésio e zinco, pois isso pode prejudicar sua absorção.

 

Medicamentos líquidos fazem efeito mais rápido?

Verdade, em geral. Como já estão dissolvidos, medicamentos líquidos costumam ser absorvidos mais rapidamente pelo organismo do que comprimidos. Isso, no entanto, não significa que sejam sempre melhores ou mais indicados. A escolha da apresentação depende do tipo de medicamento, da condição clínica do paciente e da orientação profissional.

 

Tomar remédio vencido alguns dias depois não faz mal?

Mito. Fora do prazo de validade, não há garantia de eficácia nem de segurança. Além disso, armazenamento inadequado também pode comprometer o produto antes mesmo do vencimento. Temperatura, umidade e exposição à luz solar podem interferir na conservação do medicamento, por isso é importante observar as orientações da embalagem e da bula.

 

Álcool não interfere na medicação?

Mito. Bebidas alcoólicas podem alterar o efeito dos medicamentos, aumentar reações adversas e, em alguns casos, provocar efeitos graves. Em geral, não se recomenda o consumo de álcool durante o tratamento medicamentoso, especialmente sem orientação profissional.


Antibiótico na veia é sempre mais forte do que o oral?

Mito. Segundo Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ainda existe a percepção de que o antibiótico intravenoso seria sempre mais “forte” ou mais eficaz, mas isso não vale para todas as situações. Em muitos casos, quando o paciente apresenta melhora clínica e tem condições de absorver o medicamento por via oral, a troca pode ser segura e benéfica. “Para a maior parte das situações, não existe evidência de que o antibiótico na veia seja melhor do que o antibiótico oral. Quando bem indicada, essa troca pode estar associada a menos eventos adversos, menor tempo de hospitalização e também a um menor volume de materiais utilizados na administração intravenosa, o que reduz impactos relacionados ao descarte”, explica o infectologista.

 

Posso guardar sobras de antibiótico para usar em outra ocasião?

Mito. Antibióticos não devem ser reaproveitados sem avaliação médica. Infecções diferentes podem exigir medicamentos, doses e tempos de tratamento distintos. Usar sobras de tratamentos anteriores aumenta o risco de falha terapêutica, efeitos adversos e resistência bacteriana.

 

Medicamentos podem ser descartados no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário?

Mito. O descarte incorreto oferece riscos domésticos e ambientais. Medicamentos vencidos, sobras de tratamentos e embalagens que tiveram contato direto com o produto devem ser encaminhados a pontos de coleta apropriados, disponíveis em farmácias, drogarias e serviços de saúde participantes. No caso dos antimicrobianos, esse cuidado é ainda mais importante pelo potencial impacto na resistência bacteriana.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

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