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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Endometriose persiste após a menopausa e impacta na qualidade de vida das mulheres

Especialista explica por que a doença não desaparece com o fim do ciclo menstrual e alerta para dor crônica, subdiagnóstico e necessidade de acompanhamento contínuo 

 

A ideia de que a endometriose desaparece com a chegada da menopausa ainda circula entre pacientes e até em parte da população médica, mas não reflete a realidade clínica de cerca de 3% das mulheres. A condição, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, pode persistir mesmo após o fim da menstruação e continuar provocando dor intensa e limitações no dia a dia.

“Mesmo com a queda dos hormônios, a endometriose não necessariamente desaparece. Existem casos em que as lesões permanecem ativas e a dor continua impactando de forma significativa a vida da paciente”, afirma Fabiane Berta, médica, pesquisadora e especialista em menopausa.

A redução do estrogênio durante a menopausa tende a aliviar alguns sintomas, mas não elimina os focos já instalados no organismo. Inflamações, aderências e tecidos comprometidos continuam presentes e podem sustentar quadros de dor crônica. Em alguns casos, a doença permanece ativa mesmo com baixos níveis hormonais, o que reforça seu caráter crônico e multifatorial.

A dor, inclusive, segue como um dos principais desafios. Mulheres relatam desconfortos persistentes, muitas vezes incapacitantes, que interferem em atividades simples, como caminhar, trabalhar ou manter uma rotina regular. Além do impacto físico, há efeitos emocionais e sociais associados à condição, que podem agravar quadros de ansiedade e reduzir a qualidade de vida.

Outro ponto de atenção envolve os tratamentos hormonais utilizados na menopausa. A terapia de reposição hormonal, indicada para aliviar sintomas como ondas de calor e alterações de humor, pode, em alguns casos, reativar focos de endometriose. “O tratamento precisa ser individualizado. A reposição hormonal pode trazer benefícios, mas também exige cautela em pacientes com histórico da doença”, explica Fabiane.

O diagnóstico também se torna mais desafiador nessa fase da vida. Os sintomas de endometriose em mulheres na menopausa tendem a ser subestimados ou confundidos com outras condições ginecológicas e intestinais. Essa condição contribui para um cenário de subdiagnóstico e atraso no tratamento. A falta de escuta qualificada e de investigação adequada amplia esse cenário. “A dor na menopausa não deve ser naturalizada. Quando persistente, precisa ser investigada com atenção. Existe um bloqueio importante no olhar para essas pacientes, que muitas vezes ficam sem resposta ou tratamento adequado”, diz a especialista.

A permanência da doença após a menopausa reforça a necessidade de informação, diagnóstico preciso e escuta ativa dos profissionais. Para especialistas, reconhecer que a endometriose não tem um “ponto final” definido é essencial para garantir mais qualidade de vida às mulheres que convivem com a condição.

“O entendimento da endometriose como uma condição crônica, que pode atravessar diferentes fases da vida é fundamental para ampliar o cuidado com a saúde feminina. O acompanhamento contínuo, aliado a uma abordagem individualizada e multidisciplinar, é apontado como caminho para reduzir sintomas e preservar o bem-estar das pacientes”, conclui Berta. 


Tempo seco intensifica crises e impacta milhões de brasileiros que sofrem com enxaqueca

Especialista aponta fatores climáticos como gatilhos e destaca avanços no tratamento da doença
 

Caracterizado por ser uma estação de transição com tempo mais seco em grande parte do país, o Outono coloca pessoas que sofrem de enxaqueca, mais de 15% da população brasileira de acordo com a OMS, em alerta. Isso porque o clima seco pode funcionar como um gatilho para crises, segundo explica a neurologista Thais Villa, médica especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. 

“O ar seco acelera a perda de líquidos pelo corpo, mesmo uma leve desidratação pode afetar o cérebro, especialmente de quem sofre de enxaqueca que tem um cérebro mais hipersensível a esses estímulos, e desencadear uma crise”, ressalta a especialista. 

Pessoas com enxaqueca têm, naturalmente, um sistema nervoso mais sensível a estímulos ambientais, incluindo clima, luz, sons, cheiros e até qualidade do ar. Thais é fundadora do Headache Center Brasil, clínica pioneira no país no tratamento da doença, e há mais de 20 anos dedica-se ao estudo e atendimento de pacientes com enxaqueca no Brasil e no exterior. 

Ela explica que o tempo seco, na maioria das vezes, vem acompanhado de alterações na pressão atmosférica e que essas variações podem afetar pessoas mais sensíveis e provocar crises. São gatilhos inevitáveis, que fogem ao alcance. 

“Evitar a exposição prolongada aos ambientes muito secos, manter a hidratação em dia e identificar outros gatilhos associados, como o estresse, por exemplo, podem ajudar a prevenir novas crises. A boa notícia é que, apesar de não ter cura por ser uma doença genética, a enxaqueca tem controle por meio de acompanhamento especializado e tratamento adequado”, orienta Thais. 

O Tratamento 360º é o mais indicado e consiste em uma abordagem multidisciplinar e individualizada. Os protocolos respeitam as particularidades de cada paciente e utilizam recursos modernos, como a toxina botulínica. A aplicação da substância nos nervos envolvidos bloqueia a liberação de mediadores químicos responsáveis pela transmissão da dor e da inflamação, reduzindo a excitabilidade cerebral. Outro recurso são os anti-CGRP, medicamentos injetáveis com anticorpos monoclonais que têm se mostrado altamente eficazes no controle da doença.  



Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Médica neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.
Site do Headache Center Brasil: www.headachecenterbrasil.com.br Instagram: @headache_center_brasil



Luto altera funcionamento do cérebro e pode impactar memória, sono e bem-esta

Alterações cerebrais durante o luto ajudam a explicar sintomas
 como insônia, fadiga e dificuldade de concentração
 Envato
Mudanças neurobiológicas ajudam a explicar sintomas como tristeza intensa, fadiga, insônia e dificuldade de concentração durante o processo de perda 

 

Há um momento em que a pessoa enlutada percebe que não consegue lembrar o que comeu no dia anterior, que acorda às três da manhã sem conseguir voltar a dormir, que chora no meio de uma frase sem saber bem por quê. Não é fraqueza. É o cérebro tentando se reorganizar diante de uma perda que ainda não consegue processar.

A morte de alguém próximo desencadeia um processo que vai muito além da dor emocional: o luto provoca mudanças reais no funcionamento do cérebro, afetando memória, sono, apetite e até a capacidade de manter a rotina. Embora seja uma resposta natural e esperada, o impacto pode ser significativo — e, em alguns casos, exige atenção clínica.

De acordo com o psiquiatra dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Marcelo Heyde, o luto está associado a alterações em áreas cerebrais ligadas à memória e às emoções, como a amígdala e o hipocampo, além de desregulação no lobo frontal. “Há também impacto nos neurotransmissores responsáveis pelo humor e pela energia, o que ajuda a explicar os sentimentos de tristeza profunda, perda de prazer e queda de energia”, afirma. O aumento do cortisol, hormônio do estresse, completa o quadro, prejudicando principalmente o sono e o apetite. 

Para o psicólogo dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Pedro Rujano, o processo envolve ainda uma quebra na forma como o cérebro organiza a realidade. “A perda rompe um padrão de previsibilidade. O cérebro, que estava organizado em torno daquele vínculo, precisa se reorganizar”, explica. É por isso que o luto raramente se manifesta em linha reta — ele oscila, alternando momentos de maior estabilidade com períodos de dor mais intensa. 

Entre as reações esperadas estão tristeza profunda, saudade, sentimento de culpa, raiva — inclusive direcionada à pessoa que morreu —, sensação de irrealidade, alterações no sono, apetite e na cognição e redução temporária da capacidade de funcionar no dia a dia.


Quando o luto exige acompanhamento profissional

Não existe prazo certo para elaborar uma perda. Clinicamente, espera-se uma adaptação gradual ao longo de seis a doze meses. Ainda assim, o principal critério de atenção não é o tempo, mas o impacto na funcionalidade. “Mesmo com tristeza, a pessoa tende a conseguir manter minimamente suas atividades. Quando há prejuízo importante, isso acende um sinal de alerta”, destaca Heyde.

Os especialistas chamam atenção para situações em que o luto pode evoluir para quadros mais graves, como depressão ou transtornos relacionados ao trauma. Entre os sinais estão sofrimento intenso e persistente, isolamento social, incapacidade de retomar a rotina, uso abusivo de substâncias e pensamentos recorrentes sobre a morte. Nesses casos, a orientação é buscar avaliação profissional. 


Como atravessar o luto

Manter algum nível de atividade física ou social, respeitar o próprio ritmo e contar com uma rede de apoio são medidas que ajudam. “O luto é normal e, na maior parte das vezes, não precisa de intervenção profissional, mas o suporte social faz diferença na forma como a pessoa atravessa esse período”, afirma Heyde.

Rujano reforça que o objetivo não é eliminar a dor, mas aprender a carregá-la. Rituais de despedida e o compartilhamento da experiência com pessoas de confiança podem ajudar a tornar a perda mais real e, com o tempo, mais suportável. 

Para quem está do lado de fora, acolher sem invadir é a orientação mais importante. Demonstrar presença, evitar excesso de conselhos e respeitar o tempo do outro tendem a ser mais eficazes do que qualquer tentativa de acelerar o processo. 

 

Hospital São Marcelino Champagnat

Hospital Universitário Cajuru

 

1º de Maio: trabalhar mais não é produzir melhor, psiquiatra alerta

O custo invisível da alta performance que leva ao burnout

 

No Dia do Trabalho, celebrado em 1º de maio, uma reflexão urgente ganha espaço dentro das empresas e entre profissionais de alta performance: até onde o cérebro humano consegue sustentar produtividade sem entrar em colapso?

Em um cenário marcado por hiperconectividade, pressão por resultados e jornadas prolongadas, cresce o número de casos de burnout e afastamentos por transtornos mentais. Para o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, especialista em ansiedade e esgotamento em ambientes de alta exigência, o debate precisa sair do campo da opinião e avançar para a ciência. 

“O cérebro humano funciona em ciclos. Ele foi projetado para alternar períodos de esforço e recuperação. Quando esse ciclo é ignorado e a exigência se torna contínua, ocorre um esgotamento progressivo dos recursos mentais”, explica. 

Segundo o especialista, a chamada alta performance constante é, do ponto de vista biológico, insustentável. Isso porque funções essenciais para o trabalho — como atenção, memória, controle emocional e tomada de decisão — dependem diretamente do equilíbrio neuroquímico e do descanso adequado. 

“Existe uma falsa ideia de que trabalhar mais horas leva a melhores resultados. Na prática, o excesso de carga sem recuperação reduz a eficiência cerebral. O indivíduo passa mais tempo trabalhando, mas produz com menos qualidade e maior risco de erro”, afirma. 

Do ponto de vista fisiológico, o estresse contínuo eleva os níveis de cortisol — hormônio ligado ao estado de alerta — e interfere diretamente no funcionamento do cérebro. Regiões como o córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio lógico e tomada de decisão, e o hipocampo, ligado à memória, passam a operar de forma menos eficiente. 

“O cérebro entra em modo de sobrevivência. Ele prioriza respostas rápidas e automáticas, mas perde capacidade analítica, criatividade e precisão. Isso impacta diretamente a performance profissional”, explica o médico. 

Outro ponto crítico é a dificuldade crescente de desligamento mental. Em ambientes altamente exigentes, muitos profissionais permanecem conectados ao trabalho mesmo fora do expediente, impedindo que o cérebro realize processos essenciais de recuperação. 

“O descanso não é um luxo, é uma necessidade biológica. É durante esses períodos que o cérebro reorganiza informações, consolida memórias e restaura sua capacidade funcional”, destaca. 

De acordo com o psiquiatra, profissionais considerados de alta performance estão entre os mais vulneráveis ao esgotamento justamente por manterem um padrão elevado de entrega por longos períodos, sem respeitar os limites fisiológicos. 

“O limite da alta performance não é a força de vontade, é a biologia. Quando o cérebro ultrapassa esse limite, ele começa a falhar — e os sinais aparecem na forma de cansaço persistente, dificuldade de concentração, irritabilidade e queda de produtividade”, alerta. 

 

Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.

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Dia do DNA: o que os testes genéticos revelam sobre o risco de câncer, e o que ainda não mostram


Celebrado em 25 de abril, o Dia do DNA convida a um olhar mais atento sobre o papel da genética na saúde. No campo da oncologia, os avanços tecnológicos têm ampliado o acesso a testes que identificam predisposições hereditárias ao câncer, abrindo caminho para estratégias mais precoces de prevenção e acompanhamento. Ao mesmo tempo, especialistas alertam para a importância de interpretar esses dados com responsabilidade, sem gerar alarme ou falsas conclusões. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, entre 5% e 10% dos casos de câncer estão associados a fatores hereditários. Isso significa que a maioria dos tumores ainda está relacionada a fatores ambientais, estilo de vida e envelhecimento. Ainda assim, a identificação de mutações genéticas específicas pode ser determinante para rastreamento, diagnóstico precoce e definição de estratégias terapêuticas mais assertivas. 

Nos últimos anos, os testes genéticos ganharam popularidade, inclusive fora do ambiente clínico, com a expansão dos testes de ancestralidade e painéis diretos ao consumidor. Embora alguns desses exames tragam informações sobre variantes genéticas associadas a determinadas doenças, eles não substituem a avaliação médica nem têm caráter diagnóstico. “No contexto da oncogenética, é fundamental diferenciar testes recreativos, como os de ancestralidade, dos testes clínicos voltados para avaliação de risco hereditário de câncer. Nem toda alteração genética identificada representa, de fato, um aumento significativo de risco, e a interpretação desses resultados deve sempre ser feita por um especialista”, explica a Dra. Luissa Hikari Hayashi Araujo, médica geneticista e especialista em oncogenética do IOP. 

Os testes genéticos clínicos são indicados a partir de critérios bem definidos, como histórico familiar relevante ou diagnóstico de câncer em idade precoce. Esses exames permitem identificar alterações em genes associados ao aumento de risco para determinados tumores, como BRCA1 e BRCA2. A partir dessas informações, é possível orientar estratégias personalizadas de acompanhamento, com vigilância mais próxima, ajustes no estilo de vida e, em alguns casos, medidas preventivas. Além disso, os resultados também têm impacto direto na definição do tratamento. Em situações específicas, como no câncer de mama associado a variantes patogênicas nesses genes, o conhecimento da alteração genética pode modificar a conduta cirúrgica e terapêutica, permitindo abordagens mais direcionadas e eficazes. 

Atualmente, a oncogenética já consegue mapear predisposições para diferentes tipos de câncer, entre eles mama, ovário, colorretal, próstata, pâncreas, estômago, tireoide e melanoma, além de síndromes hereditárias mais raras. Ainda assim, é importante destacar que esses testes não têm função diagnóstica. Eles apontam uma probabilidade aumentada ao longo da vida, não uma certeza. Na prática, isso significa que nem toda pessoa com uma mutação desenvolverá a doença, assim como a ausência dessas alterações não exclui o risco, já que a maioria dos casos está ligada a fatores ambientais e comportamentais. 

O avanço da tecnologia também tem ampliado a precisão desses exames, com painéis multigênicos cada vez mais acessíveis e completos. No entanto, é importante reforçar que predisposição genética não significa desenvolvimento inevitável da doença. “Receber a informação de uma predisposição genética não deve ser motivo de pânico, mas sim uma oportunidade de cuidado. Com acompanhamento adequado, conseguimos personalizar estratégias de rastreamento e, muitas vezes, reduzir significativamente o risco ou identificar a doença em fases iniciais”, complementa a especialista. 

No IOP, Instituto de Oncologia do Paraná, a oncogenética integra o cuidado multidisciplinar, oferecendo avaliação individualizada, aconselhamento genético e definição de condutas baseadas em evidências. O objetivo é transformar informação em estratégia de cuidado, respeitando o contexto de cada paciente. 

Outro ponto de atenção é o limite desses exames. Nem todos os casos de câncer hereditário são identificáveis pelos testes atuais, e a ausência de mutações conhecidas não elimina completamente o risco. Por isso, o histórico familiar e a avaliação clínica continuam sendo fundamentais. 

No dia a dia, a genética deve ser vista como mais uma ferramenta dentro de um conjunto maior de cuidados. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso, não fumar e realizar exames preventivos seguem sendo pilares essenciais na redução do risco de câncer. 

Ao marcar o Dia do DNA, a discussão sobre genética e câncer ganha espaço não apenas como inovação tecnológica, mas como um convite à informação qualificada. Com o suporte de especialistas e instituições como o IOP, é possível utilizar esses avanços de forma consciente, ampliando as possibilidades de prevenção sem abrir espaço para interpretações equivocadas ou alarmismo.  



Med4U
Para mais informações ou para agendar sua consulta, acesse nosso site: https://iop.com.br


Quando o lar precisa de mais do que boa vontade

 

Matheus Campos
Infelizmente, a decisão de contratar um cuidador
 profissional vai sendo adiada  até que algo mais grave aconteça

Cuidado domiciliar ainda chega tarde para muitas famílias e aumenta risco de complicações evitáveis

 


A decisão de contar com apoio profissional para o cuidado de idosos e pacientes crônicos em casa ainda costuma ser adiada, muitas vezes até o limite. O resultado, segundo especialistas, é a recorrência de situações que poderiam ser evitadas, como quedas, infecções e internações. O tema ganha relevância diante do envelhecimento da população e da complexidade crescente dos quadros de saúde acompanhados no ambiente domiciliar. 

Na prática, o ponto de virada costuma estar menos relacionado ao diagnóstico e mais à sobrecarga. “Geralmente, a família procura ajuda quando já não consegue mais conciliar os cuidados com a rotina de trabalho e a vida pessoal”, observa a fisioterapeuta Daniele Chaves, diretora da Palliative Care. Esse atraso, segundo ela, é comum e tem consequências. 

Entre os sinais de alerta estão quedas recorrentes, esquecimentos que comprometem a rotina e a presença de doenças que exigem atenção contínua. Ainda assim, a resistência à contratação do serviço é frequente. “Muitas famílias só nos procuram depois de uma fratura, de uma internação por pneumonia ou infecção urinária. Situações que, em muitos casos, poderiam ser evitadas com acompanhamento adequado”, enfatiza.

Matheus Campos 
A família deixa de ser responsável pelo cuidado técnico
 e passa a ocupar um lugar mais afetivo

Do ponto de vista clínico, a ausência de suporte no momento certo pode acelerar a perda funcional e aumentar o risco de complicações. Medidas simples, quando orientadas por profissionais, ajudam a reduzir esses riscos: adaptação do ambiente para prevenir quedas, cuidados com higiene, acompanhamento da alimentação e monitoramento mais próximo de sintomas iniciais. 

“A pneumonia, por exemplo, pode ser evitada com acompanhamento precoce, assim como infecções urinárias, com medidas básicas de higiene e atenção aos sinais iniciais”, explica Daniele. “Não se trata de substituir a família, mas de organizar o cuidado de forma segura”.

 

Resistência e percepção equivocada 

O primeiro contato com o tema costuma ser delicado. “Há medo, insegurança e até culpa”, relata Cintia Vaz, gerente de relacionamentos da Palliative Care, que atua diretamente no acolhimento dessas famílias. “Muitas chegam dizendo que ainda dão conta sozinhas ou que não querem ‘estranhos’ em casa”. 

Segundo ela, a resistência é mais frequente entre familiares que assumem o papel de cuidadores principais. “Existe uma negação do agravamento do quadro e uma sobrecarga silenciosa. A decisão vai sendo adiada até que algo mais grave aconteça”, diz. 

Outro ponto recorrente é a percepção de que a presença de profissionais representa perda de autonomia. Na prática, ocorre o contrário. “O cuidado profissional bem conduzido estimula a independência do paciente no que ele ainda pode fazer sozinho, sempre com supervisão”, afirma Daniele. “O objetivo é preservar autonomia, não retirar”, reforça. 

Cintia ressalta que o papel da família não diminui com a profissionalização do cuidado. “Ele muda. A família deixa de ser responsável pelo cuidado técnico e passa a ocupar um lugar mais afetivo, de presença qualificada. Isso melhora o vínculo e reduz o desgaste emocional”, assegura.

 

Decisão tardia transforma escolha em urgência 

Quando a decisão é adiada, o impacto se estende à família. “O que vemos com frequência é a exaustão física e emocional de quem cuida, somada a internações que poderiam ser evitadas”, aponta Cintia. “A escolha deixa de ser planejada e passa a ser feita em situação de urgência”. 

De acordo com as especialistas, três fatores costumam levar à mudança de postura: uma intercorrência mais grave, o esgotamento do cuidador e uma orientação médica mais direta. “A realidade acaba rompendo a resistência”, resume Cintia. 

Mesmo em casos em que o quadro já se agravou, ainda há espaço para reversão ou controle. “Com acompanhamento adequado, é possível reduzir riscos, evitar novas intercorrências e melhorar o bem-estar físico e mental do paciente”, indica Daniele. 

Para famílias que vivem esse dilema, a orientação é antecipar o debate. “Buscar informação não significa tomar uma decisão imediata”, sugere Cintia. “Mas ajuda a se preparar. O cuidado profissional não substitui o amor da família, mas evita que esse amor se transforme em desgaste e sofrimento”. 

A introdução do suporte pode, inclusive, ser gradual. “Começar com um profissional, construir vínculo e adaptar o cuidado à rotina da casa costuma facilitar a aceitação”, orienta Daniele. “O mais importante é não esperar o limite chegar”.

 

Palliative Care
@palliativecarebr

 

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão alerta para doença silenciosa que afeta cerca de 3 em cada 10 brasileiros

Especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do diagnóstico precoce, controle contínuo e adoção de hábitos saudáveis

 

Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial tem como objetivo promover a conscientização sobre o diagnóstico e o tratamento de uma das condições crônicas mais prevalentes no país. 

De acordo com dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados em 2025, cerca de 30% da população brasileira adulta vive com a doença¹, que é um dos principais fatores de risco para condições cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal. 

Caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial acima de 140 por 90 mmHg (14 por 9), a hipertensão é considerada uma doença silenciosa, já que, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. 

“Quando os pacientes apresentam sintomas, os mais comuns são tontura, dor de cabeça, falta de ar, palpitações e alterações na visão. Dessa forma, o diagnóstico precoce se torna essencial para o controle da pressão arterial”, afirma o Dr. Leandro Costa, cardiologista do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Novas diretrizes e atenção precoce

Os médicos brasileiros acompanharam a tendência internacional e, em setembro de 2025, foi lançada a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, elaborada em conjunto pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão. 

Uma das principais atualizações é a reclassificação dos níveis pressóricos. A aferição popularmente conhecida como “12 por 8” deixou de ser considerada normal e passou a ser classificada como indicativa de pré-hipertensão. A pressão arterial normal agora é definida como inferior a 120 por 80 mmHg. 

“Essa alteração reforça ainda mais a importância do monitoramento domiciliar da pressão arterial, estimulando o uso adequado e mais frequente de aparelhos automáticos de braço devidamente validados. Além disso, a diretriz enfatiza o papel desse acompanhamento para identificar precocemente a pré-hipertensão e orientar o tratamento”, comenta o especialista. 

O cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz ressalta que o monitoramento domiciliar não substitui a avaliação médica. “Qualquer alteração persistente ou sintoma deve ser discutido com um especialista, que poderá orientar o tratamento mais adequado”, completa. 

No contexto da saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), que representa a primeira versão oficial de um protocolo clínico abrangente e padronizado para orientar o manejo da doença na rede pública. 

O documento foi desenvolvido pela Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS). 

Outro avanço importante incluído neste protocolo foi a incorporação da Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) para o diagnóstico da pressão alta em adultos com suspeita da doença, recomendação embasada em parecer técnico favorável.

 

Doença multifatorial e impacto crescente

A hipertensão pode ter origem primária (genética) ou secundária, quando associada a outras condições de saúde, como doenças renais, distúrbios hormonais ou da tireoide. 

Entre os principais fatores de risco estão excesso de peso e obesidade, consumo elevado de sal, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse frequente, histórico familiar e envelhecimento. 

Além disso, fatores como má qualidade do sono, alimentação inadequada, com consumo excessivo de gorduras saturadas e açucares, e doenças como diabetes e colesterol elevado também contribuem para o desenvolvimento da condição. 

Outro ponto de atenção é a chamada síndrome do jaleco branco, condição em que o paciente apresenta elevação da pressão arterial apenas durante consultas médicas ou em ambientes clínicos, enquanto os níveis se mantêm normais em casa. 

Frequentemente associada à ansiedade, pode incluir sintomas como tremores, palpitações, respiração acelerada, tontura e tensão muscular. “A pressão elevada no consultório pode não refletir a realidade do paciente no dia a dia. Por isso, é fundamental complementar a avaliação com medições fora do ambiente clínico, para garantir um diagnóstico mais preciso”, comenta o cardiologista.

 

Tecnologia como aliada no monitoramento e medição em casa

O uso de dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, também pode contribuir para o acompanhamento da saúde cardiovascular, especialmente em pessoas acima dos 50 anos. 

“Com sensores cada vez mais precisos e funções voltadas ao bem-estar, esses dispositivos podem se tornar aliados importantes na prevenção de doenças e no acompanhamento da rotina”, explica o especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

Entre os principais benefícios está o monitoramento contínuo da frequência cardíaca, que pode ajudar a identificar alterações e orientar a busca por avaliação médica. 

Além disso, a aferição da pressão arterial em casa é uma ferramenta importante para o acompanhamento da saúde. Para garantir resultados confiáveis, algumas orientações são essenciais:

  • utilizar um aparelho validado, preferencialmente automático de braço;
  • realizar a medição em ambiente calmo, após pelo menos cinco minutos de repouso;
  • manter o braço apoiado na altura do coração;
  • posicionar corretamente o manguito e seguir as instruções do aparelho;
  • registrar os valores e repetir a medição em diferentes momentos. 

Esses cuidados ajudam a garantir maior precisão nas medições e contribuem para um acompanhamento mais eficaz.

 

Prevenção e controle: compromisso coletivo

Mesmo sem cura na maioria dos casos, a hipertensão pode ser controlada com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida. A adoção de hábitos saudáveis é fundamental para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida. 

Entre as principais recomendações estão praticar atividade física regularmente (pelo menos 150 minutos por semana), reduzir o consumo de sal (até 5g por dia, segundo a Organização Mundial da Saúde), manter uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool, controlar o estresse, manter o peso adequado e realizar acompanhamento médico regular. 

“Mesmo com a adoção de hábitos saudáveis, é fundamental manter o acompanhamento regular com um profissional de saúde, que pode avaliar corretamente os níveis de pressão e indicar o tratamento mais adequado para cada caso”, reforça o Dr. Leandro. 

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde cardiovascular e destaca que o controle da hipertensão depende de uma atuação conjunta entre pacientes, profissionais de saúde, famílias e sociedade.


Abril Verde lança luz sobre a importância da saúde física e mental dos trabalhadores na Bahia

 

Unifacs Freepik

Ações destacam práticas de prevenção e estratégias de promoção da saúde no ambiente ocupacional

 

A campanha Abril Verde chama a atenção para a importância da saúde e da segurança no trabalho, reforçando a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, além da promoção de ambientes mais seguros e saudáveis.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou, em 2025, 4,1 milhões de casos de afastamento do trabalho por incapacidade temporária. Destes, mais de meio milhão, estavam associados a depressão e ansiedade, revelando que os adoecimentos mentais têm aparecido com cada vez mais frequência nesse cenário, atrás apenas do número de casos por problemas da coluna. 

Na Bahia, empresas de diferentes segmentos estão atentas ao tema. Na Universidade Salvador (UNIFACS), integrante do maior e mais inovador ecossistema de educação de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima; professores e demais educadores da instituição contam com uma estrutura de cuidado voltada à saúde e ao bem-estar ao longo de todo o ano. Eles têm acesso a atendimentos ambulatoriais na Clínica Integrada de Saúde (CIS), desenvolvidos pelo curso de Medicina, integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, além de serviços ofertados por outros cursos da área da saúde, como Psicologia e Nutrição. 

No mês de abril, a pauta é intensificada. “O Abril Verde é um convite à conscientização e à ação. Por isso, a mobilização reforça a importância de ampliar o acesso à informação, fortalecer políticas de prevenção e incentivar práticas que promovam ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e humanos”, afirma o psicólogo e consultor de Bem-estar Organizacional da UNIFACS, Leonardo Barreto.
 

Saúde mental

Entre as doenças que acometem a saúde mental dos trabalhadores brasileiros, a síndrome de burnout tem ganhado destaque. Caracterizada por um esgotamento físico, mental e emocional provocado pelo estresse crônico no trabalho, apresenta como principais sinais o cansaço constante, falta de energia, irritabilidade, ansiedade e desânimo, além de dificuldades de concentração e queda de produtividade. Também podem surgir sintomas físicos, como dores de cabeça, insônia e alterações no apetite, acompanhados de um distanciamento emocional das atividades profissionais e sensação de incompetência. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o burnout está diretamente ligado ao contexto ocupacional e tende a se agravar quando não há intervenções adequadas. “O burnout não aparece de um dia para o outro; ele é resultado de um estresse contínuo que não foi manejado corretamente, levando o indivíduo a um estado de exaustão profunda. Identificar precocemente esses sinais é fundamental para buscar apoio e evitar impactos mais graves na saúde mental e na qualidade de vida”, explica a psicóloga Nayara Barreto, coordenadora do serviço de Psicologia da CIS Unifacs. 

Na instituição, esse olhar se traduz em iniciativas voltadas ao bem-estar integral, baseadas em princípios da psicologia positiva e em metodologias que consideram aspectos como propósito, engajamento, relações saudáveis e equilíbrio emocional. O intuito é oferecer ferramentas práticas que contribuam para a construção de ambientes de trabalho mais acolhedores, fortalecendo não apenas a saúde mental, mas também o senso de pertencimento. 

Entre as ações estão escuta ativa, acompanhamento e desenvolvimento de competências socioemocionais, além de estratégias voltadas à prevenção de quadros como estresse e esgotamento. A proposta parte do entendimento de que o bem-estar pode ser promovido no dia a dia profissional, com reflexos na qualidade de vida e na atuação dos colaboradores. 

Nesse contexto, componentes da formação acadêmica, como a abordagem chamada Ciência da Felicidade, também vêm sendo incorporados, em linha com diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que reforça a importância da gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, alcançando também os alunos.

“Cuidar da saúde mental no ambiente de trabalho é uma responsabilidade coletiva. Quando a instituição investe em estratégias estruturadas de bem-estar, cria condições para que educadores e colaboradores se sintam mais seguros, valorizados e engajados em suas atividades”, reforça Leonardo Barreto.
 

Serviços voltados à comunidade

Para além dos atendimentos voltados a educadores e estudantes, o serviço de Psicologia da Unifacs também se estende à população baiana. A Clínica Integrada de Saúde oferece atendimento de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 20h30. Além de consultas e terapia, o serviço prestado inclui avaliação psicológica e atendimentos em grupo. O agendamento é feito através de um formulário de inscrição, disponível no perfil da CIS no Instagram (@cis.unifacs), aberto ao público no início de cada semestre, e fechado quando atinge um número alto de inscrições. Nesse primeiro semestre de 2026, foi encerrado quando atingiu 500 inscritos.



Universidade Salvador UNIFACS
www.unifacs.br


Inspirali

 

Vacinação na terceira idade: mitos ainda colocam idosos em risc

A Semana Mundial da Imunização, celebrada anualmente,
surge como um importante momento para
reforçar essa conscientização
(Crédito da imagem: Hully Paiva/SMCS)

Semana Mundial da Imunização reforça a importância da conscientização


“Vacina causa doença”, “já sou idoso, não preciso mais me vacinar” ou ainda “me vacinei quando jovem, então estou protegido”. Frases como essas ainda circulam com frequência, especialmente nas redes sociais, e ajudam a explicar por que muitos idosos permanecem desprotegidos contra doenças graves e evitáveis.

Apesar dos avanços da ciência, a desinformação segue como um dos principais obstáculos à adesão vacinal. Segundo o infectologista Felipe Moreno, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), é fundamental combater essas crenças equivocadas. “As vacinas são feitas justamente para prevenir formas graves. Eventos adversos graves são extremamente raros, e o risco da doença é muito maior”, afirma.

Ele também reforça que a ideia de que idosos não precisam mais se vacinar está completamente equivocada. “Quando na verdade, é exatamente o contrário: é quando mais precisa”, destaca. Outro erro comum é acreditar que a imunização feita na juventude é suficiente. “Muitas vacinas exigem reforços ao longo da vida para manter a proteção”, completa.

A Semana Mundial da Imunização, celebrada anualmente, surge como um importante momento para reforçar essa conscientização. Embora ainda exista a percepção de que a vacinação é um cuidado restrito à infância, especialistas alertam que ela deve acompanhar o indivíduo ao longo de toda a vida. “A vacinação não é uma estratégia apenas da infância, ela acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida”, explica Moreno.

Com o avanço da idade, o organismo passa por um processo natural chamado imunossenescência, caracterizado pela redução da capacidade do sistema imunológico de responder a infecções. Isso torna os idosos mais vulneráveis não apenas ao contágio, mas também a complicações mais graves.

“Ou seja: o idoso não só fica mais suscetível a doenças, como também tem maior risco de evoluir com formas graves, internação e até óbito. A vacina, nesse contexto, é uma das ferramentas mais eficazes de prevenção”, afirma o infectologista.


Vacinas essenciais para a terceira idade

Entre as principais recomendações para idosos, destacam-se:


Influenza (gripe) – dose anual

COVID-19 – conforme calendário atualizado de reforços

Vacinas pneumocócicas – prevenção de pneumonia e complicações

Herpes-zóster – reduz risco da doença e da dor crônica associada

dT ou dTpa (difteria e tétano, com ou sem coqueluche) – reforço a cada 10 anos

Dependendo do histórico de saúde e do estilo de vida, outras vacinas podem ser indicadas, como hepatite B e febre amarela (com avaliação individual de risco-benefício).

Riscos da vacinação em atraso

A ausência ou atraso na vacinação pode trazer consequências significativas. Além do impacto individual, como maior risco de hospitalizações e agravamento de doenças, há reflexos coletivos importantes. “Quando o idoso não está com a vacinação em dia, ele fica exposto a doenças potencialmente graves. E o impacto não é apenas individual: há também aumento de internações, sobrecarga do sistema de saúde e perda de qualidade de vida”, finaliza Dr. Felipe.

  

Hospital Evangélico de Sorocaba


Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alcança vitória inédita para incluir teste genético de câncer de mama no SUS

  

A partir da solicitação da SBM, Conitec avalia incorporar tecnologia de identificação de mutações genéticas associadas a 80% de risco de desenvolvimento da doença 

 

A Conitec, comissão responsável por avaliar a incorporação de novos medicamentos, equipamentos, protocolos de diagnósticos e de tratamentos no SUS (Sistema Único de Saúde), acaba de aprovar a solicitação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) para incluir o Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês) para os genes BRCA1 e BRCA2. A tecnologia permite identificar mutações (variantes patogênicas) em genes selecionados associados ao risco hereditário de câncer de mama. Hoje, o exame não é ofertado regularmente pelo SUS. Alguns estados brasileiros possuem leis locais e já incorporaram no sistema público o teste genético e a linha de cuidado para mulheres com câncer de mama hereditário, como é o caso de Goiás com o projeto Goiás Todo Rosa, liderado pela mastologista Rosemar Macedo Rahal. “Este é um momento histórico para a população atendida pelo SUS”, afirma o mastologista Henrique Lima Couto, presidente da SBM-Regional Minas Gerais. “Para a SBM, é o cumprimento do papel de representar as pacientes, produzir conhecimento e participar ativamente da formulação de políticas na rede pública de saúde, que assiste atualmente cerca de 80% da população brasileira”, completa.

A solicitação à Conitec foi baseada em estudo científico de avaliação econômica e impacto orçamentário liderado por Lima Couto e pela mastologista Rosemar Rahal, membro do Departamento de Saúde Pública da SBM. Na elaboração do dossiê participaram também os fármaco-economistas Ludmila Perez Gargano e Fernando Zanghelini.

As mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 alcançaram grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após uma entrevista de Angelina Jolie ao The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter feito uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação genética no gene BRCA1, que representa um risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama.

Estudos populacionais recentes indicam que os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam cerca de 5-10% do total dos cânceres, e aproximadamente metade desses casos hereditários de mama são causados por alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

Presidente do Departamento de Oncogenética da SBM, com atuação destacada na Consulta Pública solicitada à Conitec e também na argumentação sobre a inclusão da testagem NGS no âmbito do SUS, a mastologista Alessandra Borba afirma que pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 têm mais chances de desenvolver vários tipos de câncer, como mama e ovário, entre outros. A mutação no gene BRCA representa um risco de 60-80% para câncer de mama e 20-40% para o de ovário. “Há mais de dez anos, o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é plenamente disponibilizado na rede pública”, ressalta.

A partir da identificação da mutação genética, medidas redutoras de risco, como mastectomia e salpingo-ooforectomia (retirada das trompas e dos ovários), indicam importante impacto em redução do desenvolvimento da doença, aumentando também as chances de algumas pacientes portadoras de mutação estarem vivas e reduzindo custos de novos tratamento evitáveis.

O dossiê preparado pela SBM e encaminhado à Conitec avaliou, entre vários aspectos, a análise de custo-efetividade do NGS. “Em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas”, destaca Alessandra Borba.

A incorporação da testagem NSG no SUS, segundo Lima Couto e Alessandra Borba, deve ser realizada de forma escalonada. “A inclusão do teste, com custos e impactos orçamentários definidos para uma população-alvo inicialmente restrita é o primeiro passo”, afirmam. “O que se espera nesse processo é uma ampliação progressiva e economicamente segura de testagem que vai permitir a construção gradual de uma linha de cuidados integral.”

Em sua argumentação frente à Conitec para inclusão do teste, Alessandra Borba destacou a importância de iniciar a linha de cuidado neste momento com os genes BRCA1 e BRCA2 tanto para câncer de mama como para câncer de ovário, o qual teve medicação de alto custo aprovada vinculada à testagem genética, e ainda não implementada. A mastologista destacou também a importância da incorporação da análise do gene TP53, também associado a câncer de mama hereditário, assim como outros cânceres, como parte de um processo contínuo de expansão dessa linha de cuidado devido a uma mutação fundadora nas regiões Sul e Sudeste do país. Na segunda fase de expansão, ressaltou, também é crítico olhar para testagem de familiares e prevenção real de câncer com estratégias redutoras de risco. Para isso, aconselhamento genético, acesso a exames como ressonância e também a cirurgias redutoras de risco com reconstrução são fundamentais para ampliar a custo-efetividade, reduzir a incidência de câncer, aumentar conhecimento genético da população, entre outros benefícios.

A jornada que culminou com a aprovação na Conitec foi iniciada na gestão anterior da entidade, sob a presidência do mastologista Tuffi Hassan. Conduzida pelo atual presidente da SBM, Guilherme Novita, a estratégia contou com contribuições dos mastologistas João Henrique e Alessandra Borba, do Departamento de Oncogenética, de Carlos Ruiz, do Departamento de Saúde Pública, de Annamaria Massaud Rodrigues dos Santos, do Departamento de Acesso e Direito dos Pacientes da SBM e de Daniel de Araújo Brito Buttros à frente do Departamento de Comunicação. A Sociedade Brasileira de Mastologia destaca ainda o apoio de importantes sociedades médicas, como a Associação Médica do Brasil, o Conselho Federal de Medicina e da sociedade civil organizada, em especial a FEMAMA, presidida pela médica Maira Caleffi, e de pessoas físicas que participaram da Consulta Pública da Conitec. A participação de pacientes, familiares e mastologistas foi decisiva.

“A SBM considera que este é apenas o início da caminhada. Nos próximos passos, a expectativa é de expansão da rede de aconselhamento genético, incorporação de cirurgias redutoras de risco e ampliação de critérios de investigação e genes a serem testados”, afirma Henrique Lima Couto. “O acesso ao teste genético não deve ser um privilégio do CEP onde a mulher se trata”, destaca Alessandra Borba em sua apresentação de defesa à Conitec.


Menopausa deixa de ser tabu e exige cuidado integral com a saúde da mulhe

Especialistas alertam para impactos físicos, emocionais e metabólicos dessa fase e reforçam que sintomas não devem ser negligenciados 


A menopausa, marco natural na vida da mulher, ainda é cercada por desinformação e subestimação dos seus impactos. Longe de representar apenas o fim do período reprodutivo, essa fase envolve mudanças hormonais significativas que afetam a saúde física, emocional e a qualidade de vida. 

Caracterizada pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, a menopausa costuma ocorrer por volta dos 50 anos e é precedida por um período de transição, o climatério. É nesse momento que surgem os primeiros sintomas, muitas vezes ignorados ou tratados como parte inevitável do envelhecimento. 

Entre os sinais mais comuns estão ondas de calor, distúrbios do sono, alterações de humor, redução da libido e dificuldades cognitivas leves, conhecidas como “névoa mental”. Esses sintomas podem ocorrer antes mesmo da última menstruação e persistir por anos, afetando diretamente o desempenho profissional, as relações pessoais e o bem-estar geral. 

“As mulheres não precisam aceitar o sofrimento como algo normal. A menopausa é uma fase natural, mas os sintomas devem ser tratados quando impactam a qualidade de vida”, afirma a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Ana Maria Larotonda Vieira Crosera. 

A intensidade dos sintomas varia significativamente entre as mulheres. Enquanto algumas apresentam manifestações leves, outras enfrentam quadros mais intensos, especialmente quando há associação com insônia, ansiedade ou sobrecarga emocional. 

Além dos sintomas mais conhecidos, a menopausa traz efeitos silenciosos e progressivos. A queda do estrogênio contribui para a perda de massa óssea, aumento do colesterol e maior risco de doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de mortalidade feminina. 

“O risco cardiovascular aumenta após a menopausa, mas isso não significa que seja inevitável. A prevenção, com acompanhamento médico e mudanças de estilo de vida, faz toda a diferença”, explica a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz. 

Outro ponto de atenção é a composição corporal. Estudos recentes indicam que o metabolismo pode desacelerar, favorecendo o ganho de peso e o acúmulo de gordura abdominal — fator diretamente associado ao aumento do risco cardíaco. 

A saúde óssea também merece destaque. Após os 30 anos, a perda de massa óssea se torna progressiva e se acelera no climatério, elevando o risco de osteoporose. Nesse contexto, a prática regular de atividade física, especialmente musculação, é considerada uma das principais estratégias de prevenção. 

“Se tivéssemos que escolher um único exercício para essa fase, seria a musculação. Ela ajuda a preservar músculos, ossos e o metabolismo”, destaca a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz. 

A alimentação também precisa ser ajustada. A recomendação é priorizar proteínas, fibras e gorduras saudáveis, além de reduzir o consumo de açúcar, álcool e ultraprocessados, que podem intensificar sintomas como ondas de calor e distúrbios do sono. 

No campo emocional, a menopausa pode desencadear irritabilidade, ansiedade, tristeza e alterações na autoestima. Esses sintomas, embora comuns, devem ser acompanhados de perto, já que impactam diretamente a qualidade de vida e podem se agravar sem suporte adequado. 

“A saúde mental deve sempre ser avaliada. Muitas mulheres relatam sensação de perda de controle emocional e mudanças na identidade, o que exige acolhimento e acompanhamento especializado”, reforça a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz. 

Quando os sintomas são mais intensos, a terapia hormonal surge como uma das principais opções de tratamento. Considerada padrão-ouro, ela pode aliviar sintomas e prevenir complicações como osteoporose e doenças cardiovasculares, desde que indicada de forma individualizada. 

“A terapia hormonal é eficaz e segura para muitas mulheres, especialmente quando iniciada no momento adequado. O mais importante é avaliar cada caso de forma personalizada”, afirma a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Denise Helena Piovesan Maciel. 

Para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormônios, existem alternativas não hormonais, incluindo medicamentos, fitoterápicos e mudanças no estilo de vida, que também contribuem para o controle dos sintomas. 

Independentemente da abordagem, especialistas são unânimes: o acompanhamento médico contínuo é fundamental. A menopausa deve ser encarada como uma fase que exige cuidado multidisciplinar, envolvendo diferentes especialidades. 

“A menopausa não é uma doença, mas é uma fase que precisa de atenção. Com informação e cuidado, é possível atravessá-la com mais qualidade de vida e bem-estar”, conclui a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Denise Helena Piovesan Maciel.

AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil

 

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