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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Uso excessivo de telas aumenta risco de miopia e fadiga visual, alertam especialista

Tânia Rêgo  
Agência Brasil
No Dia da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, especialista da Clínica SiM faz alerta para um hábito cada vez mais presente: o uso excessivo de telas

 

Celulares, computadores, tablets e televisores têm contribuído para o aumento dos casos de miopia, olhos secos e fadiga visual, problemas que já preocupam entidades de saúde em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, até 2050, metade da população global poderá ser míope. Essa é uma preocupação de especialistas que aproveitam o Dia da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, para alertar a população.

 

Estudos também mostram que cada hora extra diária em frente às telas aumenta em 21% o risco de desenvolvimento da miopia. No Brasil, levantamentos da Sociedade Brasileira de Oftalmologia indicam que os diagnósticos da condição em crianças e adolescentes cresceram mais de 35% na última década.

 

Além da miopia, a exposição prolongada às telas está associada ao ressecamento ocular, dores de cabeça, visão embaçada e desconforto visual. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), durante o uso de dispositivos eletrônicos, a frequência do piscar diminui significativamente, reduzindo a lubrificação natural dos olhos e favorecendo sintomas como ardência, vermelhidão, coceira e sensação de “areia” nos olhos.

 

De acordo com o oftalmologista Herminio Bezerra Resende Filho, da Clínica SiM, o aumento desses casos está diretamente relacionado às mudanças no estilo de vida da população, especialmente entre crianças e jovens. "Passamos cada vez mais tempo em ambientes fechados e olhando para telas muito próximas dos olhos. Esse comportamento favorece o surgimento da miopia e provoca uma sobrecarga constante da visão, resultando em sintomas como olhos secos, dor de cabeça e dificuldade para focar após longos períodos de uso", explica o especialista.

 

Outro fator importante é a redução da exposição à luz natural. Estudos demonstram que a luz solar exerce um papel protetor no desenvolvimento dos olhos, ajudando a controlar o crescimento do globo ocular e reduzindo o risco de progressão da miopia.

 

"A prevenção começa com hábitos simples. Incentivar atividades ao ar livre, respeitar os limites de tempo de tela e fazer pausas frequentes durante o uso dos dispositivos são medidas que fazem diferença na saúde ocular. Além disso, consultas periódicas ao oftalmologista permitem identificar alterações precocemente e iniciar o tratamento quando necessário", orienta o médico da Clínica SiM.

 

Para reduzir os impactos do uso excessivo das telas, o Ministério da Saúde recomenda limites diários de exposição conforme a faixa etária: até uma hora por dia para crianças de 2 a 5 anos, no máximo duas horas para crianças de 6 a 10 anos e até três horas diárias para adolescentes entre 11 e 17 anos. Outra orientação importante é seguir a regra 20-20-20: a cada 20 minutos utilizando telas, olhar por 20 segundos para um ponto distante cerca de seis metros, permitindo o relaxamento da musculatura ocular.

 

Pesquisas também mostram que os efeitos do uso prolongado das telas vão além da saúde dos olhos. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia revelou que mais de 75% dos participantes utilizavam dispositivos eletrônicos por mais de cinco horas diárias. A maioria relatou sintomas como olhos vermelhos, secos, cansados e visão turva, além de dificuldades relacionadas ao uso excessivo de smartphones.

 

No Dia da Saúde Ocular, a principal mensagem dos especialistas é que a tecnologia pode fazer parte da rotina, mas deve ser utilizada com equilíbrio. A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento oftalmológico regular são fundamentais para preservar a visão e prevenir problemas que podem acompanhar o paciente por toda a vida.

 

Clínica SiM

www.clinicasim.com

telefone 0800 357 6060

Especialistas alertam: no inverno, a redução da sede pode aumentar o risco de desidratação na frente fria esperada no Sudeste

Com a queda das temperaturas, diminui também o consumo de líquidos. Especialistas reforçam que a hidratação adequada vai além da quantidade de água ingerida e pode influenciar diretamente a saúde da pele e o bem-estar.


Embora muitas pessoas associem a desidratação aos dias mais quentes, o inverno traz um desafio silencioso: a redução natural da sensação de sede. Ao mesmo tempo, fatores como baixa umidade do ar, banhos quentes e ambientes aquecidos favorecem a perda de água pelo organismo. O resultado é que muitas pessoas passam a consumir menos líquidos justamente em um período em que a hidratação continua sendo essencial para diferentes funções do corpo. 

Dados mostram que mais de 70% dos brasileiros apresentam sintomas de desidratação no dia a dia, reforçando que o tema vai muito além das altas temperaturas e deve fazer parte da rotina durante todo o ano. 

Durante os meses mais frios, a combinação de baixa ingestão de líquidos e perda de água pela pele pode favorecer ressecamento, sensação de repuxamento, descamação e maior sensibilidade cutânea. Em pessoas que já convivem com condições como dermatite atópica ou pele sensível, esses sintomas podem se intensificar. 

Por ser o maior órgão do corpo humano, a pele depende diretamente de níveis adequados de hidratação para preservar sua função de barreira protetora. Embora hidratantes tópicos sejam importantes, eles não substituem a necessidade de manter o organismo adequadamente hidratado. 

Sinais persistentes de ressecamento, descamação e sensibilidade podem indicar um quadro de desidratação e merecem atenção. 

“A hidratação tópica é uma importante aliada para manter a saúde da pele, mas seus efeitos são potencializados quando o organismo também recebe água e eletrólitos de forma adequada. Quando a ingestão de líquidos diminui, como costuma acontecer no inverno, a pele frequentemente é um dos primeiros órgãos a demonstrar esse impacto”, afirma Franciele Siqueira, médica especialista em dermatologia.
 

Como manter uma boa hidratação no inverno? 

Beber água continua sendo o principal hábito para manter o organismo hidratado. Em alguns momentos da rotina, soluções que combinam água e eletrólitos também podem contribuir para manter o equilíbrio hídrico do organismo, especialmente quando há baixa ingestão de líquidos ou aumento das perdas. 

Segundo a especialista, pequenos hábitos ajudam a manter a hidratação durante toda a estação. “Mesmo sem sentir sede, é importante criar uma rotina de consumo de líquidos ao longo do dia. Manter uma garrafa de água por perto e buscar alternativas que incentivem esse hábito pode fazer diferença.

 

A hidratação funcional ganha espaço como um novo hábito de bem-estar 

Criada há mais de uma década para transformar a forma como as pessoas se hidratam, Liquid I.V. acredita que a hidratação deve ser encarada como um cuidado diário com impactos que vão além da performance esportiva, incluindo saúde, bem-estar e qualidade de vida. A marca conta com mais de 10 estudos clínicos publicados globalmente e desenvolveu a tecnologia HydraScience®, que atua nas quatro etapas da hidratação para otimizar a absorção de água e eletrólitos pelo organismo. 

“Apesar de mais de 70% dos brasileiros apresentarem sintomas de desidratação no dia a dia, a hidratação ainda ocupa pouco espaço nas conversas sobre saúde e bem-estar. Nos últimos anos, vimos categorias como skincare e suplementação ganharem relevância à medida que o consumidor passou a entender melhor seus benefícios. Acreditamos que a hidratação funcional está vivendo um momento semelhante. Como uma marca que ajudou a construir essa categoria globalmente há mais de uma década, queremos contribuir para que mais brasileiros entendam que se hidratar bem é um hábito diário, baseado em ciência e com impacto muito além da performance esportiva.”, afirma Fernanda Fischer Pereira, Head de Marketing & Growth de Liquid I.V. no Brasil.

 

Fonte: Nielsen - Vendas de Valor IRI, Hidratação Funcional em Formato em Pó, Total EUA - Multi-Outlet + Conveniência, MAT até 08.09.24. 


Filho doente nas férias: por que algumas crianças pioram justamente quando param de ir para escola? Otorrino explica.

Mudanças na rotina, viagens e hábitos típicos do inverno podem aumentar os problemas respiratórios durante o recesso escolar

 

As férias escolares e a pausa das aulas, fazem pais acreditarem que os filhos finalmente vão ficar longe dos vírus e das infecções respiratórias comuns no ambiente escolar. Mas, em algumas famílias, acontece justamente o contrário: a criança entra de férias e começa a apresentar nariz entupido, tosse, dor de garganta, crises de rinite ou até novos episódios de resfriados.

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, embora a escola seja um ambiente conhecido pela circulação de vírus entre as crianças, outros fatores presentes nas férias, especialmente durante o inverno, também podem favorecer problemas respiratórios.

“Não é a friagem que causa infecção, mas o conjunto de fatores do inverno que facilita problemas respiratórios. As pessoas ficam mais tempo em ambientes fechados, há menor circulação de ar e maior proximidade entre indivíduos, o que favorece a transmissão de vírus”, explica.

Durante o período de descanso, a rotina das crianças costuma mudar completamente. Viagens, passeios, shoppings, cinemas, hotéis, aviões e encontros familiares aumentam a exposição a diferentes ambientes e também a novos agentes infecciosos.

“Às vezes a criança saiu da sala de aula, mas passou a frequentar outros locais com grande circulação de pessoas. Ela continua tendo contato com vírus diferentes, principalmente em espaços fechados e pouco ventilados”, afirma o especialista.
 

Mudança de clima também interfere na respiração

Outro fator comum nas férias de inverno são as viagens para cidades com temperaturas diferentes ou regiões mais frias.

De acordo com o médico, essas mudanças podem afetar principalmente crianças que já têm predisposição a doenças alérgicas, como rinite.

“O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias. Em crianças com rinite, isso pode provocar crises com espirros, congestão nasal, coceira no nariz e piora da qualidade do sono”, explica Dr. Bruno.

Além disso, casas de temporada, hotéis e roupas de inverno que ficaram meses guardadas podem acumular poeira e ácaros, importantes gatilhos para sintomas respiratórios.
 

Sono desregulado também pode pesar

Nas férias, é comum a criança dormir mais tarde, passar mais tempo em telas e alterar horários de alimentação e descanso. Porém, o sono tem papel importante no funcionamento do organismo.

“O descanso adequado participa da regulação do sistema imunológico. Quando a criança muda muito a rotina, dorme menos ou tem um sono de pior qualidade, o corpo pode sentir esse impacto”, destaca.
 

Como reduzir os riscos durante as férias?

Segundo o otorrinolaringologista, algumas medidas simples ajudam a proteger a saúde respiratória das crianças:

• Manter os ambientes ventilados sempre que possível;

• Incentivar o consumo adequado de água;

• Fazer higiene nasal com soro fisiológico quando indicado;

• Evitar exposição a poeira e mofo;

• Higienizar roupas e cobertores guardados antes do uso;

• Preservar uma rotina mínima de sono;

• Manter a vacinação atualizada.

O especialista reforça ainda que sintomas persistentes não devem ser ignorados.

“Nem todo nariz escorrendo é apenas um resfriado. Se a criança apresenta febre persistente, dificuldade para respirar, piora progressiva, dor no ouvido ou sintomas que se prolongam por muitos dias, é importante uma avaliação médica”, finaliza.
  


FONTE:
Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.


Dificuldade para dormir? A ansiedade pode estar por trás da insôni

Magnific
Não ter uma boa noite de sono afeta a saúde física e mental

 

Para manter uma vida saudável, não basta apenas praticar atividades físicas, se alimentar bem e manter a hidratação em dia. A qualidade do sono também desempenha um papel fundamental para o bem-estar. Entre os fatores que podem prejudicar o descanso está a ansiedade. Contribuindo para a dificuldade de relaxar e adormecer, a condição pode levar à insônia e impactar a rotina das pessoas. 

De acordo com Denise Rodrigues, psicoterapeuta cognitivo-comportamental e responsável técnica pela Clínica-Escola de Psicologia da UNINASSAU Rio de Janeiro, não existe propriamente uma ansiedade noturna, mas a ansiedade costuma ficar mais evidente durante a noite. “Algumas pessoas podem perceber uma inquietação maior à noite porque é o momento em que param após um dia cheio de atividades. Nesse contexto, a ansiedade se torna mais evidente, mas é provável que ela já estivesse presente ao longo de todo o dia”, explica. 

Segundo a psicoterapeuta, a ansiedade está entre as principais causas da dificuldade para dormir, especialmente quando associada a hábitos inadequados antes de deitar. “Existe o que chamamos de higiene do sono, que consiste em práticas que ajudam o organismo a se preparar para dormir. Entre elas estão controlar a alimentação no período da noite, evitar exercícios físicos próximos ao horário de dormir, reduzir o uso de telas, adiar situações estressantes que possam ser resolvidas em outro momento e evitar pensar em problemas antes de se deitar. Quando esses hábitos não são cultivados, os impactos da ansiedade sobre o sono tendem a ser mais evidentes”, afirma. 

O sono saudável não está necessariamente relacionado à quantidade de horas dormidas, mas à sua capacidade de promover recuperação física e mental. “O sono reparador depende da atividade elétrica do cérebro durante os diferentes estágios do sono. À medida que o sono se aprofunda, as ondas cerebrais tornam-se mais lentas e sincronizadas. Quando dormimos mal, mesmo que por várias horas, o sono pode não cumprir sua função reparadora, fazendo com que a pessoa continue se sentindo cansada ao acordar”, explica Denise Rodrigues. 

Para melhorar a qualidade do sono, é recomendado manter horários regulares para dormir e acordar, evitar refeições pesadas e exercícios físicos próximos ao horário de descanso, não utilizar celulares, computadores ou televisões na cama e manter o ambiente confortável, silencioso, escuro e com temperatura agradável. 

Além disso, a psicoterapeuta orienta a prática de exercícios de respiração para auxiliar no relaxamento e reduzir a influência da ansiedade na hora de dormir. “Inspire lentamente pelo nariz, segure o ar por três segundos e expire devagar. Repita esse exercício dez vezes. Se possível, faça a prática todas as noites, independentemente de estar com dificuldade para dormir ou não”, recomenda.

 

Frio, ar seco e excesso de telas: julho acende alerta para a saúde ocular da família

Oftalmologista alerta para a "tempestade perfeita" na visão com frio e férias escolares
 

O mês de julho traz uma combinação climática e comportamental que pode favorecer sintomas oculares, desconforto visual e agravar doenças pré-existentes em toda a família. De um lado, as baixas temperaturas do inverno reduzem a umidade do ar e aumentam a poluição. De outro, o período de férias escolares e o ritmo de trabalho em home office disparam o tempo de exposição a telas de celulares, tablets e computadores. No dia 10 de julho, Dia da Saúde Ocular, especialista alerta que esse cenário cria o ambiente perfeito para o surgimento de problemas graves de visão em toda a família.

De acordo com o Dr. Cleso Andrade, oftalmologista e professor da São Leopoldo Mandic, a baixa umidade do inverno acelera a evaporação da lágrima, enquanto o uso de telas reduz drasticamente a frequência de piscadas.

"Normalmente, piscamos cerca de 15 a 20 vezes por minuto para manter a superfície ocular lubrificada. Diante de uma tela, essa frequência cai para apenas 5 a 7 vezes. Se somarmos isso ao ar seco do inverno e ao uso de ambientes fechados com aquecedores ou ar-condicionado, temos a receita para o sofrimento ocular", explica o médico.


Adultos: o perigo do olho seco e da automedicação

Para os adultos, a rotina intensa de trabalho digital em julho costuma resultar em fadiga ocular crônica (astenopia) e na Síndrome do Olho Seco. Os sintomas incluem vermelhidão, sensação de "areia" nos olhos, queimação, sensibilidade à luz e dores de cabeça ao fim do dia. O maior risco, no entanto, mora na farmácia.

"O erro mais comum nesta época do ano é a automedicação. As pessoas sentem o olho vermelho ou irritado e usam colírios que estão guardados em casa ou aceitam indicações de balcão. Fórmulas com corticoides ou vasoconstritores podem aliviar o sintoma imediatamente, mas o uso contínuo sem orientação médica pode mascarar doenças sérias e causar problemas graves como glaucoma e catarata precoce", alerta o médico.


Crianças: Férias escolares e o aumento da miopia infantil

Se para os adultos o problema é a rotina de trabalho, para as crianças o perigo está nas férias de julho. Com o frio lá fora, o entretenimento dos filhos costuma se concentrar dentro de casa, com os olhos fixos em telas a poucos centímetros do rosto. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) já aponta um crescimento alarmante de casos de miopia infantil globalmente.

"O olho da criança está em pleno desenvolvimento. E, apesar da miopia ser multifatorial, sabemos que o excesso de atividades perto do rosto, como uso de celular, tablet, videogame e leitura muito próximos, associado à pouca exposição à luz natural, pode favorecer o aparecimento e a progressão da miopia em crianças predispostas. Os pais precisam ficar atentos se os filhos estão apertando os olhos para enxergar, aproximando-se muito da televisão ou dos livros, reclamam de dor de cabeça, apresentaram queda no rendimento escolar, lacrimejamento, vermelhidão ou piscam e esfregam os olhos com frequência", alerta o médico.


Guia de Sobrevivência Ocular para a Família

Para proteger a visão de adultos e crianças neste mês de julho, o especialista sugere a adoção de medidas simples no dia a dia:

  • A Regra do 20-20-20: A cada 20 minutos olhando para uma tela, faça uma pausa de 20 segundos e foque em um objeto que esteja a pelo menos 6 metros de distância (20 pés). Isso relaxa a musculatura interna dos olhos.
  • Lembre-se de piscar: Pode parecer bobagem, mas piscar conscientemente ou usar lembretes visuais ajuda a manter o filme lacrimal estável. Além disso, lubrificantes sem conservantes podem ajudar em muitos casos. Porém, o uso contínuo sem orientação médica de colírios com corticoide, antibiótico, anti-inflamatório ou vasoconstritor podem mascarar doenças importantes e, em alguns casos, aumentar o risco de complicações como glaucoma e catarata.
  • Umidifique o ambiente: O uso de umidificadores de ar ou mesmo bacias com água nos cômodos onde a família passa mais tempo ajuda a combater o tempo seco. Importante sempre manter o umidificador devidamente higienizado e evitar o fluxo direto de ar-condicionado, ventiladores ou aquecedores no rosto.
  • Limite de telas por idade: de acordo com o Dr. Cleso, ele recomenda evitar telas antes dos 2 anos, exceto videochamadas com familiares e amigos. Dos 2 a 5 anos, até uma hora por dia com supervisão; e de 6 a 10 anos, em geral uma a duas horas por dia, desde que não substitua sono, brincadeiras, leitura, convivência familiar e atividades ao ar livre.
  • Atividades ao ar livre: Mesmo nos dias frios de julho, incentive as crianças a brincarem ao ar livre durante o dia. Duas horas diárias de luz natural indireta ajudam a reduzir o risco de aparecimento e progressão da miopia.

O especialista reforça que a prevenção ainda é o melhor remédio, principalmente para doenças silenciosas que podem ser agravadas pelo ressecamento ocular. "A consulta periódica com um oftalmologista é insubstituível e importante tanto para tratar sintomas como olho vermelho, ardência e visão embaçada, quanto para detectar precocemente doenças silenciosas, como glaucoma, alterações da retina e erros de grau não corrigidos", finaliza.

 

São Leopoldo Mandic

 

Dia da Saúde Ocular: número de usuários de lentes dobra no país e acende alerta para cuidados na higiene

Pesquisa informa que 35% dos usuários não fazem a higiene correta e o oftalmologista ensina como proteger a visão de infecções graves. 

 

 

Celebrado em 10 de julho, o Dia da Saúde Ocular reforça a importância da prevenção e do uso correto de tecnologias que contribuem para a saúde dos olhos. Entre elas, as lentes de contato ganharam espaço entre os brasileiros. Segundo a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato (Soblec), o número de usuários no país passou de 2 milhões para 4 milhões entre 2024 e 2025. 

O modelo mais usado no Brasil é a lente gelatinosa de silicone hidrogel. O material permite maior passagem de oxigênio para a córnea em comparação com as gerações anteriores. Isso reduz o risco de complicações associadas à baixa oxigenação e melhora o conforto durante o uso. A tecnologia também ampliou as possibilidades de correção de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, além de permitir o uso de lentes para o controle da progressão da miopia infantil. 

A médica oftalmologista e professora da Afya Montes Claros, Dra Amanda Barros Picanço, explica que o aumento de usuários de lentes corretivas se deve a busca por maior liberdade e conforto no dia a dia.  

“Muitas pessoas preferem as lentes de contato para praticar esportes, trabalhar, dirigir ou por questões estéticas, já que elas substituem os óculos em diversas situações. Além da praticidade, há indicações médicas importantes. Pacientes com graus elevados, astigmatismo acentuado, ceratocone ou irregularidades da córnea frequentemente obtêm melhor qualidade visual com lentes de contato do que com óculos. A indicação deve ser individualizada. Durante a consulta, o oftalmologista avalia o grau, a saúde da córnea, a produção de lágrimas, a presença de alergias e os hábitos do paciente. Essa avaliação é fundamental para garantir segurança, conforto e o uso adequado das lentes”. 

Segundo a consultoria Mordor Intelligence, cerca de 140 milhões de pessoas usam lentes de contato no mundo, com um mercado global estimado em US$ 10,6 bilhões em 2025. A projeção é de US$ 10,98 bilhões em 2026 e de US$ 13,12 bilhões até 2031, com crescimento médio anual de 3,62%. De acordo com a consultoria, esse avanço é impulsionado pela adoção de novos materiais, pelo desenvolvimento de lentes terapêuticas, pela expansão das vendas no comércio eletrônico e pelo aumento dos casos de miopia, principalmente entre crianças e jovens. 

A médica destaca que as lentes de contato evoluíram significativamente nos últimos anos, oferecendo mais conforto, segurança e qualidade visual. Segundo ela, os materiais de silicone hidrogel permitem maior passagem de oxigênio para a córnea, reduzindo o risco de complicações associadas ao uso prolongado. Outro avanço importante são as lentes descartáveis diárias, que dispensam a limpeza e o armazenamento, tornando o uso mais prático e seguro. 

Ela também ressalta a evolução das lentes tóricas para correção do astigmatismo, das multifocais para presbiopia e das lentes esclerais, que ampliaram as possibilidades de tratamento para pacientes com ceratocone e outras doenças da córnea. Além disso, aponta que já existem lentes desenvolvidas para auxiliar no controle da progressão da miopia em crianças, uma estratégia que ganha cada vez mais relevância diante do aumento da miopia infantil.

 

Principais infecções e cuidados essenciais com as lentes 

Apesar do aumento no número de usuários, dados da Soblec apontam problemas relacionados ao uso incorreto. Cerca de 45% dos jovens que usam lentes apresentam complicações oculares. Entre eles, mais de 35% não fazem a higienização corretamente e 20% não armazenam o estojo da forma recomendada. 

Dra Amanda Picanço informa que a principal infecção causada pelo uso incorreto das lentes é a ceratite infecciosa, uma infecção da córnea causada por bactérias, fungos ou protozoários. Entre eles, destaca-se a Acanthamoeba, um microrganismo presente na água que pode causar uma infecção rara, mas extremamente grave e de difícil tratamento. 

“Também são relativamente frequentes as conjuntivites, e ceratites hipóxicas, causadas pela falta de oxigenação da córnea, e as úlceras de córnea. Os principais sinais de alerta são dor intensa, vermelhidão, sensibilidade à luz, secreção, visão embaçada e dificuldade para manter os olhos abertos. Nesses casos, a lente deve ser retirada imediatamente e o paciente deve procurar atendimento oftalmológico com urgência”. 

A oftalmologista também cita que o primeiro passo é nunca comprar lentes de contato sem uma avaliação oftalmológica. Uma vez que as lentes são consideradas dispositivos médicos e precisam ser adaptadas de acordo com as características de cada olho. A especialista informa 8 cuidados indispensáveis no manejo das lentes: 

1.   Lavar e secar bem as mãos antes de manusear as lentes.

2.   Respeitar o tempo de uso e o período de troca recomendados.

3.   Utilizar apenas a solução indicada para a limpeza e conservação.

4.   Nunca armazenar as lentes em água da torneira ou soro fisiológico.

5.   Trocar o estojo das lentes regularmente.

6.   Evitar dormir com as lentes, exceto quando forem específicas para esse tipo de uso e sempre sob orientação médica.

7.   Retirar as lentes antes de nadar ou tomar banho.

8.   Manter consultas periódicas com o oftalmologista, mesmo na ausência de sintomas. 

“Também é importante reforçar que dor, vermelhidão ou redução da visão nunca são sintomas normais em usuários de lentes de contato. Caso qualquer um desses sinais apareça, a lente deve ser retirada imediatamente e o paciente deve procurar atendimento oftalmológico o quanto antes. O diagnóstico precoce é o principal fator para evitar complicações e preservar a visão”, conclui a docente da Afya.


Entre o cuidado e o excesso: a medicalização da vida moderna em debate

Crescimento no uso de antidepressivos e ansiedade em alta reacendem debate sobre patologização da vida comum

 

O aumento no consumo de medicamentos voltados à saúde mental tem se tornado um dos fenômenos mais marcantes da vida contemporânea. No Brasil, o uso de antidepressivos cresceu 12,4% entre adultos de 29 a 58 anos, segundo levantamento da Funcional Health Tech. Hoje, esses medicamentos já figuram como o segundo tipo mais utilizado, atrás apenas dos antibióticos. O crescimento acompanha um quadro mais amplo. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, 10,2% da população adulta brasileira já recebeu diagnóstico médico de depressão e, entre essas pessoas, quase metade relatou uso recente de antidepressivos. 


Nesse contexto, ansiedade, insônia e dificuldades de concentração passaram a figurar, com mais frequência, como condições a serem tratadas com fármacos, o que levanta uma questão central se estamos cuidando melhor da saúde mental ou transformando emoções em diagnósticos.


A Dra. Renata Caveari, coordenadora e professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, avalia que há um movimento ambíguo em curso. “Por um lado, houve um avanço importante no reconhecimento do sofrimento psíquico e na redução do estigma. Por outro, estamos cada vez mais intolerantes ao desconforto emocional, o que pode levar à busca rápida por soluções medicamentosas”, afirma. 


Segundo ela, o desafio está em compreender os limites entre o que é esperado e o que exige intervenção. “É importante refletir sobre a intensidade, a duração e o impacto daquilo que sentimos. Em que momento esse sofrimento passa a nos impedir de realizar atividades do dia a dia?”.


Dr. Thiago Apolinário, médico e professor na pós-graduação em Psiquiatria da Afya Ribeirão Preto, na mesma linha, reforça a importância de contextualizar o uso dos medicamentos. “A psicofarmacologia moderna transformou o prognóstico dos transtornos mentais graves. Em quadros como depressão maior ou psicoses, o medicamento não é opcional, ele é fundamental”, afirma. Ao mesmo tempo, faz o especialista um alerta: “O problema não está no remédio em si, mas quando ele passa a ser utilizado para anestesiar sofrimentos que são respostas normais à vida.”


Segundo o médico, fatores como pressão por desempenho, excesso de estímulos digitais, jornadas exaustivas e instabilidade econômica ajudam a explicar esse cenário. “Vivemos em uma sociedade que exige produtividade constante e performance em todas as esferas. Dessa forma, emoções como tristeza e cansaço acabam sendo vistas como falhas que precisam de correção rápida”, diz. Para ele, isso contribui para um processo de “patologização do normal” e para o aumento de quadros como burnout e ansiedade crônica.


Nesse sentido, a medicalização pode funcionar como um atalho. “Quando alguém recorre apenas à medicação sem investigar as causas do sofrimento, corre o risco de mascarar questões mais profundas”, explica Renata. Por isso, problemas relacionados ao trabalho, à falta de vínculos afetivos ou a condições sociais adversas, segundo ela, não se resolvem apenas com comprimidos.


Dr. Thiago destaca que, em quadros graves, o medicamento cumpre um papel estratégico. “Na fase aguda, o paciente muitas vezes está tão tomado pelo sofrimento que não consegue elaborar suas questões. A medicação estabiliza os sintomas e cria condições para que ele possa se beneficiar de outras abordagens, como a psicoterapia”, explica. No entanto, ele alerta para o risco de dependência quando o tratamento se restringe ao alívio dos sintomas. “Quando o paciente entende que o sofrimento é multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais, ganha mais autonomia no processo de cuidado.”


A banalização de diagnósticos também preocupa. Termos como “ansioso”, “deprimido” ou “hiperativo” têm sido usados com frequência no cotidiano, muitas vezes sem avaliação profissional adequada. Para Renata, isso pode impactar a autonomia do indivíduo, porque quando a pessoa se identifica exclusivamente com um diagnóstico, pode limitar sua capacidade de compreender a complexidade do que sente. 


Outro ponto de alerta é o comportamento cada vez mais frequente de automedicação. “Muitas pessoas chegam ao consultório já fazendo uso de medicamentos por conta própria, em uma tentativa de resolver rapidamente o que estão sentindo. Isso reflete uma sociedade imediatista”, observa a psicóloga. Ela acrescenta que esse impacto também tem sido observado em crianças e idosos, que enfrentam dificuldades semelhantes para lidar com frustrações e tristezas.


A discussão sobre a medicalização da vida moderna não nega a importância dos medicamentos, mas propõe refletir sobre seu papel no cuidado em saúde mental, defendendo uma abordagem mais ampla que inclua psicoterapia, mudanças no estilo de vida e o fortalecimento de vínculos sociais. Como destaca o psiquiatra da Afya, embora os fármacos possam atuar no ajuste de neurotransmissores, eles não são capazes, por si só, de construir relações ou atribuir sentido à vida. Em uma cultura que privilegia soluções rápidas, o principal desafio está em encontrar equilíbrio, reconhecendo quando a intervenção medicamentosa é necessária, sem reduzir a complexidade da experiência humana a diagnósticos e prescrições.

 

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O retorno aos treinos e à vida sexual no pós-parto: os sinais de que o assoalho pélvico ainda não está recuperado

Especialista alerta para os perigos de retomar atividades de impacto ou a rotina íntima sem a reabilitação da musculatura profunda, o que pode agravar escapes de urina e a sensação de flacidez interna.


O nascimento de um filho vira a vida de qualquer mulher do avesso, no bom sentido, claro, mas o corpo cobra o preço. Na pressa de recuperar a antiga rotina e a autoestrada da autoestima, muitas recém-mães acabam ignorando avisos discretos do próprio corpo. O problema é que a pressa pode custar caro: estimativas mostram que cerca de 30% das mulheres enfrentam algum grau de incontinência urinária no pós-parto. É um número alto para um sintoma que a maioria tenta esconder por pura vergonha, achando que faz parte do processo.

Existe um mito muito comum de que a famosa liberação médica dos 40 dias é um sinal verde para fazer qualquer coisa. Só que a fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira lembra que o exame do obstetra avalia a cicatrização do útero e dos pontos, e não se a musculatura que sustenta a bexiga e o canal vaginal recuperou a função. “A musculatura profunda passa por uma sobrecarga imensa durante a gestação inteira, não importa se o parto foi normal ou cesárea. Voltar a correr ou a saltar sem recuperar essa base é como tentar construir uma casa sem alicerce”, explica.

Na prática, o corpo avisa quando não está pronto, mas é preciso saber ouvir. Pequenos escapes de xixi ao tossir, espirrar ou pegar o bebê no colo, e aquela sensação estranha de peso na vagina, como se tivesse uma bola descendo,são os primeiros sinais de alerta. Na vida a dois, as pistas aparecem na forma de dor ou desconforto na penetração e na percepção de uma flacidez interna, que reduz o prazer de ambos.

“É muito comum ouvir no consultório que vazar um pouquinho de xixi é normal depois de ser mãe. Não é. Isso é um sinal claro de disfunção”, alerta a especialista. De acordo com ela, ignorar esses episódios e insistir em treinos pesados na academia pode transformar um incômodo passageiro em um problema crônico, ou até evoluir para a descida dos órgãos pélvicos.

O caminho para voltar a se sentir bem não exige milagre, mas sim um olhar direcionado para essa musculatura escondida. Longe de ser um tratamento demorado ou doloroso, a reabilitação devolve a sensibilidade e a firmeza da região íntima, preparando a mulher de verdade para o impacto dos exercícios e para o cotidiano.

“O pós-parto não tem um prazo de validade igual para todo mundo. Cada corpo tem seu tempo, e olhar para a musculatura íntima com carinho é devolver a essa mulher a liberdade de tossir, correr e namorar sem medo”, conclui Flaviana. 



Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica
flavianafisiopelvica.com.br


Por que as crises de incontinência urinária e os escapes de xixi aumentam no inverno?

Especialistas explicam o impacto das baixas temperaturas na contração da bexiga e mostram como a fisioterapia pélvica avançada devolve o controle e a liberdade para mulheres no climatério.


Não é impressão sua: basta o termômetro cair para a vontade de ir ao banheiro disparar e, infelizmente, os escapes de xixi ficarem mais frequentes. O que muita gente não sabe é que existe uma explicação puramente física para isso. No frio, nosso corpo contrai os vasos sanguíneos para segurar o calor interno, o que faz os rins trabalharem mais. Para piorar, as baixas temperaturas estimulam o músculo da bexiga a se contrair de forma repentina, criando aquela urgência que muitas vezes não dá tempo de segurar.

Essa conta fica ainda mais alta para as mulheres que estão no climatério, aquela fase de transição para a menopausa. A Dra. Alessandra Clarizia, ginecologista, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, explica que a queda dos hormônios nesse período enfraquece naturalmente a região pélvica. "No inverno, a bexiga se contrai com muito mais sensibilidade”. Se os músculos que dão sustentação já estão mais frágeis por causa dos hormônios, qualquer espirro, risada ou caminhada no frio vira um gatilho para os escapes, gerando um desconforto enorme", afirma a médica.

A grande virada de chave hoje está na fisioterapia pélvica avançada combinada com a ginecologia regenerativa. Na Clínica Clarizia, o tratamento vai muito além do óbvio. Os protocolos são focados em recuperar a força, relaxamento e coordenação da musculatura profunda e com a ajuda de tecnologias modernas que estimulam o colágeno e melhoram a circulação da região. É um cuidado focado na raiz do problema, sem dor e sem a necessidade de cirurgia.

A Dra. Alessandra reforça que nenhuma mulher precisa aceitar esse isolamento ou abrir mão do seu bem-estar só porque o inverno chegou. "Não dá para aceitar viver com medo de tossir, de dar uma risada, ou não conseguir chegar até o banheiro”. O tratamento devolve a liberdade e a segurança que a mulher precisa para aproveitar qualquer estação do ano, resgatando a autoestima e a qualidade de vida na maturidade", conclui a especialista. 



Fonte: Dra. Alessandra Clarizia - Ginecologista e pós-doutora, expert em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.


Alimentação anti-inflamatória ganha espaço no controle dos sintomas da endometriose

Especialista explica como escolhas alimentares, o cuidado com a saúde intestinal e a inclusão de alimentos anti-inflamatórios podem ajudar a aliviar dores, reduzir processos inflamatórios e melhorar a qualidade de vida de mulheres com endometriose.

 

A endometriose afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a doença pode provocar dores intensas, alterações intestinais, infertilidade e prejuízos importantes à qualidade de vida. Embora o tratamento envolva acompanhamento médico e, em alguns casos, cirurgia, a alimentação tem ganhado cada vez mais espaço como uma aliada no controle dos sintomas.

Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Matos, a endometriose está diretamente relacionada a um processo inflamatório crônico, o que torna a alimentação uma ferramenta importante dentro de uma abordagem multidisciplinar. "A dieta não substitui o tratamento médico, mas pode contribuir significativamente para reduzir a inflamação, aliviar dores e melhorar a resposta do organismo. Pequenas mudanças na alimentação costumam refletir diretamente no bem-estar dessas pacientes", explica.

Entre os principais fatores que agravam o quadro está o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, açúcares refinados, frituras e produtos ricos em gordura saturada, associada ao avanço da endometriose. Esses alimentos favorecem o aumento da inflamação sistêmica e podem intensificar sintomas como dor pélvica, inchaço abdominal, desconfortos gastrointestinais, dor na relação sexual e cólicas menstruais, comuns em mulheres com endometriose.

Em contrapartida, uma alimentação baseada em alimentos naturais e ricos em nutrientes anti-inflamatórios tende a oferecer benefícios importantes. Peixes ricos em ômega-3, ovos, azeite de oliva, frutas, verduras, legumes, sementes e oleaginosas ajudam a modular a resposta inflamatória do organismo e podem contribuir para o controle da doença. "Existem evidências de que alguns desses alimentos exercem efeito protetor e podem auxiliar na redução da atividade inflamatória associada à endometriose", destaca Ana Paula.

Outro aspecto que merece atenção é a saúde intestinal. Muitas mulheres com endometriose também apresentam sintomas como gases, distensão abdominal, diarreia ou constipação, o que pode estar relacionado tanto ao processo inflamatório quanto ao comprometimento do intestino pela própria doença. Por isso, cuidar da microbiota intestinal faz parte da estratégia nutricional.

Nesses casos, a dieta Low FODMAP pode ser uma alternativa para pacientes que apresentam queixas intestinais importantes. O protocolo consiste na redução temporária de carboidratos fermentáveis que favorecem a produção de gases e o desconforto abdominal, sempre com acompanhamento profissional. "Nem toda mulher com endometriose precisa seguir uma dieta Low FODMAP, mas quando existem sintomas intestinais persistentes, essa estratégia pode trazer melhora significativa na qualidade de vida", explica a nutricionista.

Ana Paula ressalta que o tratamento nutricional deve ser individualizado, já que cada paciente apresenta manifestações e necessidades diferentes. Além da alimentação, fatores como qualidade do sono, prática regular de atividade física, manejo do estresse e acompanhamento multiprofissional também influenciam diretamente o controle da doença.

"A alimentação anti-inflamatória não deve ser encarada como uma dieta temporária, mas como um estilo de vida. O objetivo não é apenas reduzir dores, mas oferecer ao organismo condições para funcionar melhor, diminuindo estímulos inflamatórios que podem agravar o quadro clínico", afirma.

Para a especialista, quanto mais cedo a mulher recebe o diagnóstico e inicia um acompanhamento adequado, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar sua qualidade de vida. "A nutrição é uma ferramenta poderosa no tratamento da endometriose. Quando associada ao cuidado médico e a hábitos saudáveis, ela ajuda a devolver conforto, autonomia e bem-estar para essas mulheres", conclui.

 

Fonte: Ana Paula Matos – Nutricionista Funcional.
Instagram: @anapaulamattosnutri


Julho Amarelo: hepatites virais atingem 1,5 milhão de brasileiros e podem evoluir silenciosamente até o câncer de fígado

Prof. Dr. José Carlos Sadalla, oncoginecologista da Clínica Andrade & Sadalla, explica sintomas, tratamento e prevenção das hepatites virais — e por que o diagnóstico precoce é decisivo para evitar complicações graves

 

Julho é o mês de cor amarela no calendário da saúde pública, e a escolha não é por acaso. A cor está diretamente ligada a um dos sintomas mais característicos da doença: a icterícia, o amarelamento da pele e dos olhos.

Instituída pela Lei nº 13.802/2019, a campanha Julho Amarelo reforça as ações de vigilância, prevenção e controle das hepatites virais no Brasil, condição que afeta cerca de 1,5 milhão de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.
 

Uma doença silenciosa 

O grande risco das hepatites virais está justamente na ausência de sintomas. As hepatites B e C, em particular, podem evoluir para formas crônicas e, em grande parte dos casos, permanecem assintomáticas até estágios avançados da doença, quando já se instalaram cirrose e suas complicações, incluindo o câncer de fígado. No Brasil, estima-se que 520 mil pessoas tenham hepatite C sem diagnóstico nem tratamento. 

Quando os sintomas aparecem, costumam incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Entre 2000 e 2022, o Brasil registrou 750.651 casos de hepatites virais, com a hepatite C representando 39,8% do total, seguida da hepatite B, com 36,9%.
 

Por que o oncoginecologista entra nessa conversa 

Para o Prof. Dr. José Carlos Sadalla, médico oncoginecologista e cofundador da Clínica Andrade & Sadalla, a relação entre hepatites virais crônicas e o desenvolvimento de câncer é um dos pontos mais importantes — e menos discutidos — da campanha. 

"As hepatites B e C crônicas estão entre as principais causas de cirrose e câncer de fígado no mundo. Como oncologista, vejo de perto o quanto um diagnóstico tardio pode mudar o curso da vida de um paciente. A grande diferença das hepatites virais é que, na maioria dos casos, elas são silenciosas, e o paciente só descobre a doença quando ela já avançou. É por isso que a testagem regular não deveria ser vista como algo opcional, especialmente para quem está em algum grupo de maior risco. O diagnóstico precoce é, literalmente, a diferença entre tratar uma infecção e tratar um câncer", afirma Dr. Sadalla.


 

Tratamento: cada tipo de hepatite tem seu protocolo 

A hepatite A geralmente não requer tratamento específico, já que a infecção é autolimitada e o corpo consegue eliminá-la por conta própria. Já a hepatite C, apesar de não ter vacina disponível, tem uma boa notícia: o tratamento é feito com medicamentos via oral em um período de 12 a 24 semanas, com altas taxas de cura quando a doença é identificada a tempo. Para a hepatite B crônica, o tratamento costuma envolver antivirais de uso contínuo, capazes de controlar a replicação do vírus e reduzir o risco de evolução para cirrose ou câncer hepático.
 

Prevenção: vacina, testagem e cuidados básicos 

A prevenção varia conforme a forma de transmissão. As hepatites A e E são transmitidas por via fecal-oral, então a prevenção passa por lavar bem os alimentos antes do consumo, sobretudo os que são ingeridos crus, e manter uma boa higiene pessoal. Já para as hepatites B e C, que se transmitem principalmente por via sexual e sanguínea, as medidas incluem vacinação contra a hepatite B, disponível gratuitamente pelo SUS, uso de preservativo em todas as relações sexuais, e evitar o compartilhamento de objetos cortantes e seringas. Procedimentos como manicure, tatuagem e piercing também devem ser feitos em locais que sigam normas rigorosas de higiene. 

A testagem regular é especialmente recomendada para pessoas em grupos de maior risco, e os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde. A meta do Brasil, em linha com a Organização Mundial da Saúde, é diagnosticar 90% das pessoas com hepatites virais e tratar 80% das diagnosticadas até 2030. 



Clínica Andrade & Sadalla
Av. Ibirapuera, 2.907, conjunto 720, Moema, São Paulo.
Instagram: @clinicaandradesadalla


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