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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Da digitalização à cognição: Como amplificar a inteligência humana com IA vira vantagem competitiva

 

Por muito tempo, o desafio das organizações foi tornar a informação acessível. Hoje, o desafio é outro: transformar informação em capacidade de decisão. Essa mudança de foco está inaugurando uma nova etapa da evolução empresarial, na qual a Inteligência Artificial (IA) deixa de ser apenas uma ferramenta de automação para se tornar parte da inteligência operacional das organizações. É o início da era das organizações cognitivas. 

A transformação é mais profunda do que parece. Nas últimas décadas, empresas investiram bilhões na digitalização de processos, integração de sistemas e modernização de operações. O resultado foi a criação de organizações mais conectadas, eficientes e orientadas por dados. Ainda assim, a inteligência permanecia concentrada nas pessoas, responsáveis por interpretar informações e tomar decisões. Com o avanço da IA Generativa e dos agentes autônomos, essa lógica começa a mudar. A capacidade de analisar cenários, identificar padrões, aprender continuamente e recomendar ações passa a fazer parte da própria estrutura organizacional. 

Os números mostram que essa mudança já está em curso. Segundo uma pesquisa, 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função de negócios, enquanto 62% afirmam estar testando ou implementando agentes inteligentes. Ao mesmo tempo, a maior parte das empresas ainda enfrenta dificuldades para escalar essas iniciativas de forma consistente, demonstrando que a transformação organizacional necessária para capturar valor continua sendo um desafio tão relevante quanto a própria tecnologia. 

Os primeiros sinais dessa nova era costumam surgir em setores marcados por elevada complexidade operacional. Telecomunicações é um dos exemplos mais evidentes. Operadoras administram milhões de interações simultâneas, redes críticas e operações com baixíssima tolerância a falhas, o que faz do setor um ambiente propício para a adoção de agentes inteligentes em monitoramento, manutenção preditiva, atendimento e gestão de infraestrutura. 

Não por acaso, um relatório da NVIDIA aponta que 48% das organizações do setor já possuem iniciativas ativas de IA Agêntica, colocando o Telecom entre os segmentos mais avançados na adoção desse modelo. Mais do que um indicador setorial, o dado funciona como um sinal do que tende a ocorrer em outras indústrias. Historicamente, tendências que surgem primeiro em telecom acabam se espalhando para setores como energia, manufatura, saúde, serviços financeiros e administração pública. 

Essa expansão já pode ser observada em diferentes segmentos da economia. Na manufatura, agentes inteligentes ajudam a prever falhas antes que interrompam linhas de produção. No setor de energia, contribuem para antecipar riscos operacionais e reduzir indisponibilidades. Em saúde, apoiam pesquisas, diagnósticos e jornadas assistenciais cada vez mais complexas. Em comum, todas essas aplicações apontam para uma mesma transformação: a inteligência deixa de ser um recurso concentrado em áreas específicas e passa a funcionar como uma capacidade distribuída por toda a organização. 

Talvez um dos maiores equívocos das discussões atuais seja tratar a IA apenas como um tema de tecnologia. Os desafios mais relevantes já não estão nos modelos ou nas plataformas, mas na capacidade das organizações de preparar sua cultura, revisar processos, estabelecer governança e promover a adoção efetiva pelas áreas de negócio. O verdadeiro diferencial não será quem implementar IA primeiro, mas quem estiver preparado para capturar valor com ela. 

Não por acaso, levantamentos recentes apontam que mais de 40% dos projetos de IA poderão ser revisados, redimensionados ou até questionados nos próximos anos em razão de custos elevados, governança insuficiente, baixa adoção e dificuldades em demonstrar retorno efetivo sobre os investimentos realizados. A constatação reforça uma realidade crescente: o sucesso da IA depende menos da tecnologia em si e mais do nível de maturidade organizacional para absorvê-la, governá-la e transformá-la em resultado de negócio. 

O motivo é simples: agentes inteligentes potencializam a realidade que encontram. Quando inseridos em processos fragmentados, ampliam ineficiências. Quando operam sobre dados inconsistentes, multiplicam problemas. Mas, quando encontram objetivos claros, governança estruturada e lideranças preparadas, tornam-se aceleradores poderosos de inovação, produtividade e adaptação. Nesse contexto, a próxima vantagem competitiva dificilmente será determinada pelo acesso à IA, uma vez que a tecnologia tende a se democratizar. O diferencial estará na capacidade de construir organizações aptas a aprender continuamente e transformar dados em decisões de qualidade. 

É justamente por isso que a discussão mais importante sobre IA deixou de ser tecnológica e passou a ser humana. O Fórum Econômico Mundial aponta que competências como pensamento analítico, criatividade, liderança, aprendizagem contínua e tomada de decisão complexa estarão entre as mais valorizadas do mercado até o fim da década. A IA será cada vez mais capaz de executar tarefas, identificar padrões e recomendar caminhos. Mas propósito, responsabilidade, confiança, contexto e visão de longo prazo continuarão sendo atributos essencialmente humanos. 

O futuro não pertence à IA isoladamente, mas sim às organizações capazes de combinar inteligência humana e artificial para construir negócios mais resilientes, adaptáveis e preparados para um ambiente de transformação permanente. 


Andrea Feres - Business Director no Brasil da GFT Technologies


Diretrizes para leilão de armazenamento aquecem mercado e TTS Energia mira parcerias com investidores para projetos de engenharia

Companhia se prepara para atender empresas vencedoras do certame e aposta na expertise em construção e operação de empreendimentos fotovoltaicos com sistemas de armazenamento

 

A publicação das diretrizes para o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade voltado exclusivamente a sistemas de armazenamento de energia em baterias (LRCAP 2026 – Armazenamento) deve acelerar investimentos em projetos de Battery Energy Storage Systems (BESS) e a TTS Energia, empresa de engenharia e construção de usinas solares e ativos de energia renovável, se prepara apoiar os vencedores no desenvolvimento de e implantação de projetos híbridos de geração solar combinada com bancos de baterias. 
 
Com regras definidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), no início de junho, o mercado passa a contar com maior previsibilidade regulatória para a implantação de empreendimentos de armazenamento em larga escala. Atenta a esse novo cenário, a TTS Energia tem ampliado a atuação no segmento de armazenamento e aposta na formação de parcerias estratégicas com desenvolvedores, investidores e empresas que participarão do leilão previsto para dezembro deste ano.
 
Segundo Jacques Hulshof, CEO da TTS Energia, a publicação da portaria transforma uma expectativa de mercado em uma oportunidade concreta de negócios. “A definição das regras representa um marco para o armazenamento de energia no Brasil. Agora existe um ambiente regulatório que permite estruturar investimentos e desenvolver projetos com maior segurança. Nossa estratégia é atuar como parceiro tecnológico e de engenharia das empresas que disputarão esse mercado”, afirma.
 
A portaria publicada pelo MME estabelece dois certames distintos, um destinado a projetos com conteúdo nacional e outro, aberto a todos os sistemas de armazenamento, além de prever contratos com prazo de 15 anos e requisitos técnicos que consolidam o armazenamento como um ativo estratégico para aumentar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), reduzir restrições operativas e ampliar a integração das fontes renováveis.
 
Também ficam definidos critérios como autonomia mínima de quatro horas, eficiência operacional e potência mínima instalada. “Esses parâmetros tendem a impulsionar toda a cadeia de fornecedores, engenharia e implantação de projetos”, diz Hulshof.
 
Para o executivo, o novo ambiente regulatório cria uma demanda crescente por empresas capazes de entregar soluções completas de engenharia, suprimentos, construção e operação de sistemas BESS. “Nossa expectativa é que o mercado evolua rapidamente nos próximos anos. Os empreendedores precisarão de parceiros com experiência em integração de sistemas, engenharia elétrica, implantação e operação de ativos de geração. É exatamente esse papel que queremos desempenhar”, explica o CEO da TTS Energia.
 
A empresa já estruturou uma frente dedicada ao desenvolvimento de projetos com armazenamento, oferecendo soluções que abrangem estudos de viabilidade, engenharia, EPC (Engineering, Procurement and Construction), integração dos sistemas e operação e manutenção (O&M).
 
Além da atuação em projetos para o leilão, a companhia também identifica oportunidades em sistemas híbridos que combinem geração solar e armazenamento para consumidores industriais, empreendimentos do agronegócio e projetos de geração distribuída de maior porte.
 
Como parte dessa experiência, a TTS Energia desenvolveu recentemente uma microrrede off-grid composta por uma usina fotovoltaica de 3 MWp, gerador de 2,6 MVA e sistema BESS de 630 kVA / 1,26 MWh, equipado com sistema inteligente de gerenciamento de energia (EMS), responsável por controlar automaticamente geração, armazenamento e consumo.
 
A companhia também implantou, no último mês de junho, um sistema de armazenamento por baterias no centro de distribuição da CorSolar, distribuidora de equipamentos fotovoltaicos e pertencente ao Grupo Melo Cordeiro, que reúne companhias nas áreas de fabricação fios e cabos, serviços de logística, trade internacional e distribuição de resinas termoplásticas. O banco de baterias possui uma capacidade de 125 quilowatts (kW) de potência e 260 quilowatts-hora (kWh) de armazenamento.
 
“Acreditamos que o armazenamento será um dos principais vetores da próxima expansão do setor elétrico brasileiro. As baterias são muito mais do que uma tecnologia complementar e começam a se consolidar como solução central para estabilidade das redes, redução do curtailment e expansão sustentável das fontes renováveis. Participamos desse movimento desde o início”, conclui o executivo.

 

TTS Energia
https://ttsenergia.com.br/


Recomeçar depois dos 60 exige coragem para abrir novas portas


Tive a oportunidade de observar durante a vida que existe uma crença silenciosa que nos envolve ainda muito novos e diz que há uma idade para começar e outra para encerrar sonhos. Imobilizante, ela nos conta que ao cruzarmos determinadas idades, é esperado que nosso ritmo diminua, que nossos sonhos se reduzam e que as expectativas sejam deixadas de lado para a comodidade. Para mim, o tempo ensinou algo diferente.

Agora, após os 60 anos, todo ato de recomeçar se torna uma escolha de maturidade, e não apenas um privilégio exclusivo da juventude. Nos anos que passaram, tive a oportunidade de construir uma carreira como empresária, profissional, mãe e mulher, da mesma forma que vivi todos os desafios que cada uma dessas partes exigiu de mim, desde a educação dos filhos, a administração das responsabilidades, as perdas, mudanças e transformações.

Muito antes de aprender a escutar a mim mesma e compreender com profundidade o que meu espírito pedia, eu já atendia todas essas demandas do mundo externo, como nós mulheres sempre somos ensinadas a fazer. Talvez seja por isso, então, que a liberdade me venha com tanta facilidade nesta idade, porque o sentimento de ter me doado em todas essas frentes impulsiona a minha coragem de recomeçar, mesmo em uma idade que muitas pessoas optam por pouparem esforços em frente ao medo de tentar de novo.

Estes recomeços não apagam toda a história da minha vida, tampouco deixam de lado os momentos importantes que me formaram. São justamente eles, na realidade, usados como base para traçar novos caminhos, porque se eu não tivesse a maturidade que adquiri em vida, tendo me dedicado em cada momento dela, eu não teria a coragem para dar um novo passo, mesmo sentindo medo.

Nesta altura da humanidade, nós já vivemos mais do que nossas gerações anteriores, temos mais saúde, mais acesso a tecnologias que auxiliam no dia a dia, mais autonomia mesmo depois de determinada idade e, principalmente, mais ferramentas para encontrarmos quem realmente somos no mundo. Temos todos os meios para nos descobrirmos, aprender coisas novas e reencontrar versões de nós mesmos que ficaram para trás. Ainda assim, muitas pessoas permanecem aprisionadas pela ideia de que já passou o tempo de mudar de profissão, aprender algo novo, iniciar um relacionamento, empreender ou desenvolver um talento adormecido.

É por isso que, para mim, faz sentido acreditar que posso aprender mais. Que posso voltar a estudar, descobrir um novo propósito, abrir um negócio, viajar sozinha ou com amigas, ler um livro, plantar um jardim ou simplesmente me permitir experimentar algo que eu jamais considerei antes. A idade não me limita, ela não proíbe os meus recomeços, mas ela me permite compreender que eu ainda estou em construção, mesmo depois dos sessenta anos. 

Durante minha caminhada, descobri que existe uma diferença importante entre envelhecer e amadurecer. O envelhecer é inevitável, esse processo humano que muitas vezes é rigoroso conosco, mas que também pode ser muito belo quando aceitamos as marcas do tempo e tudo que elas significam para nós. Já amadurecer é uma escolha consciente de continuar aprendendo, crescendo e se transformando, e talvez seja por isso que eu me defina como uma aprendiz da vida. 

Recomeçar não exige juventude, mas exige muita coragem. E, muitas vezes, é justamente nesta maturidade, depois de uma vida inteira de experiências, que encontramos o impulso de coragem de tentar novamente. 


Isolda Risso - empresária, cronista, coach de vida e terapeuta. Mulher 60+, mãe de um lindo casal de filhos, é graduada em Gastronomia, entusiasta da arteterapia e apaixonada por fotografia e arranjos florais. Curiosa de nascença, define-se como uma aprendiz da vida e um ser a caminho da evolução.



El Niño deve testar cooperação e avanços na gestão do fogo feitos desde 2024, alertam pesquisadores

Em evento na Semana do Clima da Amazônia, atores envolvidos no combate às queimadas no Brasil destacaram avanços na integração como chave para o enfrentamento da temporada de fogo de 2026. 

 

Com a previsão de um forte El Niño, que pode provocar secas e temperaturas recordes na Amazônia, cientistas destacam a importância de uma gestão integrada do fogo, capaz de coordenar ações e fortalecer o apoio técnico entre todas as esferas de governo. O tema foi debatido no painel “Incêndios florestais e mudanças climáticas na Amazônia: políticas públicas e ações de prevenção, controle e capacidade de resposta", organizado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) durante a II Semana do Clima da Amazônia, realizada em Belém, em 1º de julho. O encontro reuniu cientistas, representantes da sociedade civil, bombeiros e gestores públicos para discutir os desafios do combate aos incêndios florestais e os avanços técnicos na área. 

"A política de fogo no Brasil, historicamente, foi muito reativa, agindo quando ocorriam grandes queimadas. Mas ter políticas preventivas para o fogo é fundamental porque é um tema que envolve muitos setores e afeta diretamente a vida de todos nós. É um assunto ligado à própria história da humanidade, mas sem a devida atenção, a vida de milhões de pessoas está em risco e é só entendendo de onde vem o fogo e trabalhando junto com várias organizações que conseguiremos mitigar seus riscos”, destaca Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM. 

Apesar da redução significativa da área queimada em 2025, 58% menor do que a registrada no ano anterior, o Brasil ainda registrou mais de 12 milhões de hectares queimados ao longo do ano. Em 2024, quando os efeitos do fenômeno climático foram mais intensos, mais de 30 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo, cobrindo cidades amazônicas com fumaça tóxica, ameaçando comunidades tradicionais e populações do interior e afetando, sobretudo, áreas nativas e conservadas da floresta. 

"Eventos como esse são muito importantes porque conseguem unir boa parte dos atores envolvidos na gestão do fogo para discutir os vários aspectos desse tema complexo", afirma Jarlene Gomes, pesquisadora e coordenadora técnica do IPAM. 

Nesse contexto, a Lei do Manejo Integrado do Fogo (MIF), aprovada em 2024 após a temporada histórica de incêndios, estabelece diretrizes para o uso planejado e controlado do fogo como ferramenta de manejo e prevenção. Além de prever a realização de queimas prescritas para reduzir o acúmulo de material combustível, a legislação fortalece a coordenação entre órgãos públicos e incorpora conhecimentos e práticas tradicionais às políticas de gestão do fogo. 

"O foco agora deve ser na parte da integração do MIF. Cada grupo tem sua contribuição, seja no combate efetivo, na pesquisa, nas políticas públicas, e só conseguiremos fazer funcionar se todos estivermos empenhados e trocando informações. Não tem como a política de MIF funcionar se não estivermos integrados e cooperando", pontua Lawrence Nóbrega, coordenador de Monitoramento e Combate aos Incêndios Florestais do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
 

Linha de frente 

Segundo o diagnóstico Gestão do Fogo na Amazônia, que mapeou a estrutura de governança, os recursos disponíveis e as estratégias de manejo do fogo nos nove estados da Amazônia Legal, a resposta aos incêndios deve priorizar a integração entre diferentes níveis de governo e setores da sociedade. As pesquisadoras responsáveis pelo estudo também destacaram a necessidade de ampliar o efetivo de brigadistas e bombeiros militares na região, além de investir em equipamentos e infraestrutura para que áreas cada vez maiores possam ser monitoradas e protegidas. 

"Temos criado sistemas que forneçam equipamentos para todos os níveis de governo. Essa coordenação de atividades em diferentes esferas regionais é muito difícil, mas muito importante. Porque se conseguimos combater esse fogo efetivamente em todas as frentes, quem tem mais a ganhar é a sociedade", explica Jusciery Marques, tenente-coronel do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Bombeiros Militares e especialista em operações de combate ao fogo. 

Na Amazônia, os Corpos de Bombeiros Militares utilizam sistemas de monitoramento e gestão para detectar focos de calor, acompanhar o risco de incêndios e coordenar as operações em campo. Essas ferramentas integram imagens de satélite, dados meteorológicos e informações geográficas, mas sua efetividade depende da integração com bases de dados produzidas por outros órgãos e instituições. Para os especialistas, fortalecer essa articulação e ampliar os investimentos em equipamentos, aeronaves, veículos e tecnologias adaptadas às grandes distâncias da Amazônia é fundamental para tornar as ações de combate mais rápidas e eficientes. 

"Um exemplo de como a integração tem mudado a gestão do fogo é que temos aumentado o número de ações interestaduais de combate às queimadas. Quando um Estado não tem capacidade para lidar com uma situação, agora temos mecanismos que aceleram a capacidade de outras regiões atuarem conjuntamente nesse combate com mais velocidade", completa Marques.
 

Cooperação entre Estados 

Também participaram do painel representantes do Consórcio da Amazônia Legal, organização que reúne os nove estados da Amazônia Legal para promover ações conjuntas de desenvolvimento sustentável, conservação ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas. O grupo tem atuado na elaboração dos planos estaduais de Manejo Integrado do Fogo, articulando a captação de recursos e a cooperação técnica entre secretarias estaduais e organizações da sociedade civil, como o IPAM. 

Para Beatriz Casado, assessora técnica da Coordenação de Parcerias e Câmaras Setoriais do Consórcio da Amazônia Legal, a construção de espaços interestaduais de cooperação é fundamental para lidar com as diferentes capacidades institucionais e necessidades de manejo de cada estado. 

"Ouvir essa variedade de pessoas e territórios é sempre muito rico porque ventila nossas ideias e permite a troca de informações e que a gente conheça as dificuldades e forças de cada região, conseguindo ajustar da melhor forma as ações de gestão do fogo", ressalta Casado. 

A discussão ganha ainda mais relevância diante das previsões de um novo episódio de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027. Menos de três anos após o último evento, o fenômeno, potencializado pelo aquecimento dos oceanos, pode provocar secas prolongadas e temperaturas recordes na Amazônia, reduzindo a umidade da floresta e aumentando o risco de incêndios de grandes proporções. 

“A gente tem oficializado caminhos para que todos os atores envolvidos com a gestão do fogo possam enviar informações diretamente para o Governo Federal. Isso faz com que a resposta nesses momentos de crise seja ainda mais rápida e pode agir de forma mais acertiva”, completa João Paulo Sotero, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

 

Meta lança AI Mode: quais os impactos ao marketing corporativo?

A forma como as pessoas encontram informações na internet está passando por uma nova transformação. Depois de décadas em que os mecanismos de busca tradicionais dominaram a descoberta de conteúdo, a inteligência artificial começa a ocupar um espaço cada vez mais relevante nessa jornada – ainda mais agora, com um novo capítulo inaugurado pelo lançamento do AI Mode pela Meta, recurso que incorpora respostas geradas pela IA à experiência de busca dentro de suas plataformas.  

Mais do que uma novidade tecnológica, a iniciativa reforça uma mudança mais ampla no comportamento dos usuários e na forma como marcas serão encontradas no ambiente digital. Afinal, a evolução das ferramentas de IA mostra que as pessoas estão cada vez mais interessadas em obter respostas prontas, contextualizadas e conversacionais, sem a necessidade de navegar por múltiplos links para encontrar uma informação.  

Dados divulgados no “Relatório de Difusão da IA 2025” comprovam essa realidade: cerca de uma em cada seis pessoas no mundo já utiliza a IA generativa regularmente, seja para aprender, trabalhar ou resolver problemas. Apenas o ChatGPT, como exemplo, já processa, aproximadamente, 2,5 bilhões de prompts por dia, segundo um levantamento da Ahrefs, volume que representa cerca de 18% das buscas realizadas diariamente no Google. 

As informações ajudam a demonstrar que a inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta complementar, para se tornar um importante canal de descoberta de conteúdo, produtos e serviços presente nas mais diferentes plataformas, tendendo a impactar, diretamente, as estratégias de marketing digital nos próximos anos. 

Nesse cenário, a disputa pela atenção dos usuários se torna ainda mais acirrada. Se antes, o objetivo era conquistar posições nos mecanismos de busca, agora, as empresas também precisam pensar em como se tornar referências para sistemas de inteligência artificial que selecionam, interpretam e apresentam informações aos usuários. 

Isso não significa o fim do SEO tradicional. Pelo contrário. A construção de autoridade digital continua sendo um dos principais fatores que influenciam a visibilidade de marcas tanto nos buscadores quanto nas plataformas baseadas em IA. Conteúdos relevantes, consistência editorial e credibilidade permanecem como elementos fundamentais para aumentar a presença digital. O que muda é a forma como essas informações são consumidas.  

Em vez de acessar diversos sites para encontrar respostas, o usuário passa a confiar cada vez mais em interfaces que sintetizam conteúdos e entregam recomendações prontas, como está sendo viabilizado nesta mais recente novidade da Meta. Isso amplia a importância de estratégias focadas em autoridade, branding e produção de conteúdo de qualidade. 

A tendência também reforça a necessidade de uma presença digital integrada. Marcas que conseguem construir relevância em diferentes canais, como sites, blogs, redes sociais e plataformas profissionais, aumentam suas chances de serem reconhecidas e referenciadas por sistemas de inteligência artificial. 

O lançamento do AI Mode pela Meta é mais um sinal de que a busca digital está evoluindo para um modelo cada vez mais conversacional. Para as empresas, o desafio não será apenas aparecer nos resultados de pesquisa, mas conquistar espaço nas respostas geradas pelas tecnologias que estão redefinindo a forma como as pessoas descobrem informações. 

Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma transformação no comportamento digital. E, como aconteceu em outras grandes mudanças da internet, as empresas que compreenderem esse movimento mais cedo tendem a conquistar vantagens competitivas importantes nos próximos anos. 

 

Renato Sobrinho é Sócio da iOBEE - Agência de marketing digital e Growth.


iOBEE
https://iobee.com.br/


Flexível, orientado por IA e com múltiplas fontes de renda: o novo modelo de carreira da geração Z

Eliott Reyna
Unsplash
- 33% dos profissionais da geração Z já têm ou estão considerando adotar uma atividade paralela para aumentar a segurança financeira (48%) 

- 65% afirmam que enfrentar longos deslocamentos diários tornaria menos atrativa a busca por empreendedorismo ou por múltiplas fontes de renda 

- 43% mudaram de atividade duas ou três vezes nos últimos três anos, com 30% citando a busca por um salário mais alto como principal motivação

- 55% acreditam que a IA irá remodelar as suas carreiras, acelerando a transição para trajetórias profissionais mais diversificadas

 

Uma nova pesquisa do International Workplace Group (IWG)*, a maior plataforma global especializada em espaços de trabalho flexíveis, mostra que os profissionais da geração Z estão repensando as suas carreiras e adotando trajetórias flexíveis, orientadas por IA e com múltiplas fontes de renda, com o objetivo de ampliar o potencial de renda no longo prazo.

 

A IA não representa apenas mais um avanço tecnológico, ela faz parte de uma das transformações mais profundas na forma como vivemos e trabalhamos nas últimas décadas. O ritmo dessa transformação é extraordinário, com atividades inteiras sendo reformuladas em tempo real e novas ocupações surgindo na mesma velocidade. Como resultado, os profissionais mais jovens estão cada vez mais se afastando de carreiras lineares tradicionais em favor das chamadas “carreiras portfólio”, mais ágeis e diversificadas, que combinam múltiplas funções, atividades paralelas e iniciativas empreendedoras.

 

A pesquisa do IWG sugere que um novo modelo de carreira está emergindo, em que o sucesso depende cada vez menos apenas de habilidades técnicas e cada vez mais de adaptabilidade, visão empreendedora e da capacidade de acompanhar tecnologias em rápida evolução.

 

Realizado com profissionais da geração Z no Reino Unido, o estudo mostra que 33% já possuem ou consideram adotar uma atividade paralela, enquanto quase metade afirma ser motivada pela necessidade de gerar renda extra e conquistar maior segurança financeira diante do aumento do custo de vida, da inflação e das dívidas estudantis.

 

A ascensão das carreiras portfólio


Em vez de depender de um único empregador ou atividade, a geração Z está cada vez mais construindo “carreiras portfólio”, combinando múltiplas fontes de renda para se preparar para um cenário econômico e tecnológico incerto. Essa mudança está diretamente ligada à crescente influência da IA, com 55% acreditando que ela irá remodelar as suas carreiras. Em resposta, jovens profissionais estão desenvolvendo proativamente novas habilidades e diversificando as suas fontes de renda para se manterem preparados para as constantes mudanças no mercado de trabalho.

 

Essa tendência também reflete uma mudança mais ampla no futuro do trabalho: com a IA assumindo cada vez mais tarefas técnicas e repetitivas, capacidades humanas como criatividade, colaboração, adaptabilidade e liderança tornam-se ainda mais valiosas. Nesse contexto, 90% dos líderes de RH afirmam que não priorizar capacidades humanas representa um risco para a inovação, enquanto 65% dizem que a IA não consegue replicar a empatia humana e 53% afirmam que a liderança continua sendo algo exclusivamente humano.**

 

Mobilidade profissional guiada pelo potencial de renda


O potencial de renda continua sendo um fator central na mobilidade profissional. Entre aqueles que mudaram de atividade nos últimos três anos, 30% dizem que a principal motivação foi garantir um salário maior e 43% mudaram duas ou três vezes nesse período. No entanto, a geração Z não está apenas buscando crescimento dentro de estruturas de carreira tradicionais. Em vez disso, muitos estão adotando o conceito de “career lily pads”, “saltos estratégicos de carreira” em tradução livre, que envolve transitar estrategicamente entre atividades, setores e projetos para aumentar o potencial de ganhos e se preparar melhor para compromissos financeiros como aluguel, contas e pagamento de empréstimos estudantis.

 

A geração Z não aceita mais longos deslocamentos diários


Entre os trabalhadores mais jovens, a rotina de longos deslocamentos já é vista, cada vez mais, como algo ultrapassado. Muitos querem trabalhar mais perto de casa, em espaços profissionais, com o apoio de tecnologias que permitam colaborar, fazer networking e desenvolver as suas carreiras sem passar horas em deslocamento todos os dias. 65% dos profissionais da geração Z afirmam que a necessidade de enfrentar longos deslocamentos diários reduziria o interesse em empreender ou buscar fontes adicionais de renda.

 

O trabalho híbrido e flexível está permitindo essa mudança ao oferecer maior controle sobre o próprio tempo. 24% afirmam que o trabalho híbrido reduz o tempo gasto em deslocamentos, liberando horas que podem ser direcionadas a projetos pessoais ou à geração de renda extra. Outros 20% dizem que o modelo híbrido permite testar novos caminhos profissionais sem abandonar a sua atividade principal, enquanto 21% afirmam que ele possibilita colaborar com profissionais fora do seu setor principal de atuação.

 

A tendência de abandonar os longos deslocamentos diários também ganha força com a próxima geração que ingressará no mercado de trabalho. Uma pesquisa adicional do IWG mostra que três quartos (75%) da geração alfa (com idades entre 11 e 17 anos) afirmam que eliminar o tempo desperdiçado em deslocamentos será um fator fundamental na forma como irão organizar a sua rotina de trabalho no futuro.***

 

A busca por trabalhar mais perto de casa vem impulsionando o crescimento acelerado de espaços profissionais localizados fora dos grandes centros corporativos. O IWG adicionou mais de 1.100 unidades em 2025 e registrou a maior receita da sua história, acompanhando o crescimento da demanda por espaços de trabalho flexíveis em regiões residenciais e cidades menores.

 

“A geração Z está entrando no mercado de trabalho num momento de transformações profundas. Com a IA transformando rapidamente setores e atividades profissionais, esses jovens estão se adaptando por meio do desenvolvimento de novas habilidades, da diversificação de fontes de renda e da criação de carreiras portfólio, que ampliam o seu valor no mercado. Trata-se de uma geração ambiciosa e trabalhadora e formas mais flexíveis de trabalho estão ajudando esses profissionais a alcançar um potencial ainda maior. Ao reduzir longos deslocamentos diários e permitir que as pessoas trabalhem mais perto de casa, essa flexibilidade oferece aos jovens profissionais a possibilidade de se qualificar, colaborar e acessar novas oportunidades”, afirma Tiago Alves, CEO do IWG no Brasil.

 

Os resultados também dialogam diretamente com mercados como o Brasil. A pesquisa Gen Z & Millennial 2026, da Deloitte no Brasil, mostra que os profissionais mais jovens estão priorizando estabilidade financeira e bem-estar, ao mesmo tempo em que reconhecem cada vez mais a necessidade de se adaptar às transformações tecnológicas e incorporar ferramentas como a IA nas suas rotinas profissionais.

 


International Workplace Group - IWG



*Pesquisa realizada com 1.000 profissionais da geração Z no Reino Unido em fevereiro de 2026 pela Censuswide Research. A Censuswide é credenciada pela Market Research Society (MRS) e a pesquisa seguiu as diretrizes da MRS.

**Pesquisa realizada com 510 profissionais responsáveis por RH e contratação nos Estados Unidos em abril de 2026.

***Pesquisa realizada para o IWG pela Beano Brain, agência especializada em insights sobre crianças e famílias, com 1.000 crianças de 11 a 17 anos e 1.000 pais de crianças de 11 a 17 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos (500 por mercado).


Meritocracia: ainda faz sentido no mercado atual?


Quem define que alguém "merece" uma promoção, um aumento salarial ou uma nova oportunidade? Qual a forma mais “justa” de reconhecer e justificar um bom desempenho? Poucos conceitos provocam tanto debate no ambiente corporativo quanto a meritocracia – considerada, para alguns, um modelo ultrapassado e incapaz de considerar as diferentes realidades e oportunidades existentes dentro das organizações; e, por outros, o principal instrumento para reconhecer talentos, estimular resultados e promover o desenvolvimento profissional. Entre esses extremos, talvez a discussão esteja sendo conduzida pelo caminho errado: afinal, o problema está na meritocracia em si, ou na forma como ela vem sendo aplicada? 

Embora sejam tratados como sinônimos por muitas pessoas, o merecimento e a meritocracia não devem ser confundidos. O primeiro está mais ligado à interpretação de quem avalia, enquanto o segundo precisa estar fundamentado em critérios objetivos, previamente definidos e conhecidos por todos. São os objetivos e expectativas que as empresas deixam claro a seus profissionais, através de uma comunicação constante e clara do que é esperado de cada um, sem que haja margem para subjetivismo. 

Toda organização saudável precisa encontrar uma forma de reconhecer esse desempenho, de forma que deixe de ser uma percepção individual e passe a refletir conquistas concretas. O que precisa evoluir não é o termo em si, mas a forma como é aplicado, expandindo os critérios de medição para além de resultados entregues a curto prazo e, sobretudo, prezando pela construção de um ambiente que sustente essas conquistas à longo prazo, através do desenvolvimento contínuo dos liderados. Do contrário, perde-se engajamento, confiança e credibilidade entre as partes. 

Dados da Gallup reforçam esse cuidado: apenas 20% dos profissionais no mundo se declaram verdadeiramente engajados. Vivemos um cenário delicado, em que as organizações que comunicam objetivos, critérios de avaliação e expectativas de forma transparente, ganham ainda mais relevância e eficácia para tomar decisões assertivas sobre reconhecimento, crescimento profissional e desenvolvimento de carreira.  

Naturalmente, nenhuma empresa conseguirá construir um modelo de reconhecimento que agrade a todos, e nem deve ser esse o foco. A ideia é definir e transmitir, de forma objetiva, quais comportamentos e resultados esperam e desejam incentivar, transformando esses princípios em critérios claros de avaliação. Há, por exemplo, aquelas que valorizam mais a capacidade de inovação; enquanto outras priorizam a colaboração, desenvolvimento de pessoas, excelência técnica, geração de negócios ou superação de metas. 

O importante não é que todas utilizem a mesma régua, mas que essa seja coerente com sua cultura, aplicada de maneira consistente e amplamente comunicada. Quando os profissionais compreendem quais atitudes, entregas e posturas são efetivamente valorizadas, a percepção de justiça na meritocracia deixa de depender das preferências individuais e passa a estar ancorada nas regras que a própria organização estabeleceu e compartilhou previamente. 

Isso não significa que a organização deva abrir mão de ambientes colaborativos, nos quais as pessoas participam das decisões, contribuem com ideias e tenham espaço para influenciar a evolução da empresa. Pelo contrário: esse engajamento fortalece a cultura e aumenta o senso de pertencimento. No entanto, quando o assunto é definir quais comportamentos e resultados serão reconhecidos, a responsabilidade precisa partir da própria organização, imprimindo uma direção clara, traduzindo a estratégia e os valores da empresa. 

Da mesma forma, uma cultura organizacional sólida não pode premiar exclusivamente resultados individuais. O desempenho de uma empresa depende, cada vez mais, da capacidade de diferentes áreas trabalharem em conjunto para resolver problemas complexos e gerar valor de forma integrada – o que torna ainda mais importante criar projetos multidisciplinares, cujos resultados precisem da colaboração entre equipes.  

Com isso, a equidade deixa de ser um contraponto à meritocracia e passa a ser uma condição para que ela funcione, assegurando que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, conheçam claramente as regras do jogo e entendam quais comportamentos, níveis de engajamento, indicadores de performance e resultados a organização espera de cada um. 

No fim, a discussão não deveria ser se a meritocracia ainda faz sentido, mas como torná-la mais eficiente e consistente, através da combinação entre critérios transparentes, oportunidades bem definidas e reconhecimento baseado em conquistas, e não em percepções. Se não, seria o mesmo que disputar uma corrida sem saber onde está a linha de chegada, ou fazer uma prova sem conhecer os critérios que serão levados em consideração. Desigual, não é mesmo? 

 

Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/


Do Back Office ao Marketplace: como essa vantagem competitiva nasce dentro das PMEs?

 Durante décadas, o crescimento das pequenas e médias empresas foi impulsionado pela força comercial, pela qualidade dos produtos e pelo relacionamento com os clientes. Hoje, esses pilares continuam essenciais, mas já não garantem competitividade em um mercado cada vez mais digital, integrado e orientado por dados. 

Vivemos uma nova realidade. A facilidade de vender em marketplaces, operar um e-commerce ou alcançar consumidores em qualquer região do país democratizou o acesso ao mercado. Em contrapartida, também elevou significativamente o nível de exigência. Afinal, o cliente espera disponibilidade imediata, entregas rápidas, informações precisas e uma experiência sem falhas. 

Nesse cenário, a verdadeira vantagem competitiva deixou de estar apenas na vitrine digital, migrando para a eficiência operacional que sustenta cada venda realizada. Entretanto, um paradoxo ainda é evidente: muitas empresas investem fortemente em marketing, canais digitais e expansão comercial, enquanto convivem com processos internos fragmentados, controles paralelos em planilhas, retrabalho e decisões baseadas em percepções, e não em dados. 

O resultado disso é conhecido: o volume de vendas cresce, mas a rentabilidade não acompanha o mesmo ritmo. Custos operacionais aumentam, erros se multiplicam e a gestão perde velocidade justamente quando a empresa mais precisa dela. É nesse momento que o back office assume um papel estratégico. 

Durante muito tempo, o back office foi tratado apenas como uma área administrativa; no entanto, atualmente, ele se tornou o centro nervoso da organização. Financeiro, fiscal, contabilidade, compras, estoque, produção, logística e atendimento precisam atuar como um único ecossistema, compartilhando informações em tempo real e sustentando decisões cada vez mais rápidas. 

A transformação digital, portanto, não começa pela tecnologia, mas pela revisão dos processos. Implantar um ERP não significa, necessariamente, transformar uma empresa. Afinal, mesmo tendo essa ferramenta, muitas organizações utilizam apenas uma pequena parcela do potencial de seus sistemas de gestão. Com isso, os dados existem, porém permanecem dispersos, e os indicadores são produzidos manualmente.  

Dessa forma, análises chegam atrasadas e decisões estratégicas continuam sendo tomadas sem uma visão integrada da operação. Em se tratando das PMEs, um estudo da Microsoft revelou que, embora 74% dos gestores utilizem dados automatizados com frequência, apenas 33% transformam essas informações em decisões estratégicas 

Portanto, a próxima etapa dessa evolução é transformar dados em inteligência. Dashboards operacionais, indicadores em tempo real e análises preditivas deixam de ser ferramentas exclusivas das grandes corporações e passam a fazer parte da rotina das PMEs mais competitivas. A empresa para de simplesmente registrar acontecimentos para antecipar tendências, identificar gargalos e agir antes que pequenos desvios se transformem em grandes problemas. 

A chegada da Inteligência Artificial acelera ainda mais essa transformação. Integrada aos dados do ERP, ela amplia a capacidade analítica das organizações, identifica padrões invisíveis aos gestores, prevê demandas, sugere ações corretivas e automatiza atividades operacionais, liberando as equipes para decisões de maior valor agregado. 

No ambiente dos marketplaces, essa maturidade operacional torna-se decisiva. Algoritmos favorecem empresas que mantêm estoques atualizados, entregam dentro do prazo, apresentam baixos índices de cancelamento e proporcionam uma experiência consistente ao consumidor. Cada falha operacional impacta diretamente a reputação da empresa e sua capacidade de competir. 

Mais do que vender em múltiplos canais, é necessário operar com inteligência em todos eles. As empresas que liderarão esse novo ciclo não serão, necessariamente, as maiores ou as que possuem mais recursos financeiros, mas aquelas capazes de integrar tecnologia, processos, pessoas e dados em uma estratégia única de gestão. 

O futuro pertence às organizações que compreenderem que crescimento sustentável não é consequência apenas de vender mais, mas sim de operar melhor. O marketplace representa a vitrine da economia digital; o back office, entretanto, continua sendo o alicerce que sustenta cada promessa feita ao cliente. 

Em um ambiente onde velocidade, precisão e inteligência definem a competitividade, investir na excelência operacional deixou de ser um diferencial: tornou-se uma condição indispensável para crescer, inovar e prosperar. 

A pergunta que todo líder deve fazer não é "como vender mais?", mas "nossa operação está preparada para sustentar o próximo nível de crescimento?". A resposta para essa pergunta definirá quais PMEs serão protagonistas da economia digital brasileira e quais continuarão apenas reagindo às mudanças do mercado. 

 

Tânia Alves - CEE da Okser
Okser


domingo, 5 de julho de 2026

Brasil tem 30 milhões de animais abandonados e férias de julho acendem alerta para aumento dos casos


Especialista em Direito Animal destaca que abandono é crime e explica como a prática afeta não apenas os pets, mas também a saúde pública

 

Com a chegada das férias escolares, um problema recorrente volta a preocupar protetores, ONGs e autoridades: o aumento dos casos de abandono de animais. Historicamente, os meses de julho e dezembro registram os maiores picos desse tipo de ocorrência no Brasil, justamente em períodos marcados por viagens, mudanças e deslocamentos familiares. O tema ganha ainda mais relevância com a chegada do Julho Dourado, campanha nacional voltada à conscientização sobre saúde animal, prevenção de zoonoses e combate aos maus-tratos.

A dimensão do problema é alarmante. Segundo estimativas divulgadas pela Agência Brasil, o país possui cerca de 30 milhões de animais abandonados, sendo aproximadamente 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos. Os números mostram ainda que, para cada animal adotado, outros dois são abandonados. Enquanto isso, abrigos de proteção enfrentam superlotação e registram aumento de até 92% na entrada de novos animais em períodos considerados críticos.

Para o advogado especialista em Direito Animal, Leandro Petraglia, o período de férias acaba expondo dificuldades que muitas famílias encontram ao tentar viajar com seus animais de estimação. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão as restrições impostas pelo transporte aéreo.

“Percebemos um aumento dos casos de abandono justamente nos períodos de férias, principalmente pelas dificuldades criadas para o transporte aéreo adequado dos animais. As restrições impostas pelas companhias acabam inviabilizando que grande parte dos pets viaje com suas famílias. Em muitos casos, esse período coincide também com mudanças de residência e deslocamentos definitivos, o que acaba expondo uma situação que nunca deveria acontecer: o abandono dos animais”, explica.

Apesar das dificuldades enfrentadas por alguns tutores, o especialista ressalta que não existe justificativa legal para o abandono. A prática é considerada crime e pode gerar consequências severas para os responsáveis.

“O abandono é caracterizado como maus-tratos, previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. A legislação prevê pena de detenção e, quando o crime é praticado contra cães e gatos, a punição pode chegar a cinco anos de reclusão”, afirma Petraglia.

Além do sofrimento causado aos animais, o abandono produz reflexos diretos para toda a sociedade. Segundo o advogado, a questão vai muito além da proteção individual dos pets e está diretamente relacionada à saúde pública.

“Quando um animal é abandonado, ele passa a enfrentar riscos relacionados à alimentação, abrigo e saúde. Mas o problema não termina nele. O aumento da população de animais nas ruas favorece a proliferação de doenças, especialmente porque muitos desses animais não são castrados. Por isso, o combate ao abandono também é uma questão de saúde coletiva e prevenção de zoonoses”, destaca.

Diante de situações de abandono ou maus-tratos, a denúncia da população é fundamental para garantir a responsabilização dos envolvidos. Petraglia orienta que, em casos flagrantes, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente pelo telefone 190.

“Se o crime estiver acontecendo naquele momento, o ideal é acionar a polícia para interromper a prática. Já quando se trata de uma situação anterior ou continuada, a denúncia pode ser realizada junto às delegacias especializadas ou canais eletrônicos de proteção animal. É muito importante reunir provas, como fotos, vídeos e testemunhos. Quando possível, um laudo veterinário também pode ser decisivo para comprovar os maus-tratos”, explica.

Embora campanhas de conscientização como o Julho Dourado sejam importantes, o especialista defende que o enfrentamento do problema exige medidas permanentes e integradas entre poder público e sociedade.

Entre as ações apontadas estão a ampliação dos programas de castração, incentivo à microchipagem para identificação dos animais, fortalecimento dos hospitais veterinários públicos, expansão do atendimento jurídico especializado para famílias de baixa renda e investimentos em delegacias de proteção animal.

“A conscientização é essencial, mas sozinha não resolve. Precisamos de políticas públicas estruturadas, fiscalização eficiente e instrumentos que facilitem tanto a proteção dos animais quanto a responsabilização de quem descumpre a lei. O combate ao abandono depende de um esforço conjunto entre governo, instituições de proteção e sociedade”, conclui.

 

Furno Petraglia e Pérez Advocacia

 

Como ajudar o pet a superar os barulhos de fogos e comemorações durante a Copa do Mundo?

Com jogos, encontros em casa, festas nas ruas e comemorações com fogos, tutores devem se preparar com antecedência para reduzir medo e ansiedade em cães

 

A Copa do Mundo de 2026 promete mobilizar torcedores em diferentes momentos do dia, com reuniões em casa, festas nas ruas e comemorações que, muitas vezes, vêm acompanhadas de fogos de artifício, buzinas, gritos e outros estímulos sonoros intensos. Para os humanos, esse clima costuma ser sinônimo de alegria e celebração. Para muitos pets, no entanto, o período pode representar medo, estresse e alterações importantes de comportamento.

Os cães têm uma audição mais sensível, por isso, podem reagir de forma intensa a barulhos repentinos e estridentes. Tremores, tentativa de fuga, salivação excessiva, vocalização, busca por esconderijos, falta de apetite e agitação são alguns dos sinais que podem aparecer em situações de estresse acústico. Em casos mais graves, o animal pode se machucar ao tentar escapar ou desenvolver respostas de medo cada vez mais frequentes.

“O medo dos cães diante de barulhos estridentes, como fogos de artifício, é um dos problemas comportamentais mais relatados pelos tutores. Ele interfere não apenas no bem-estar animal, mas também na rotina de toda a família, que muitas vezes não sabe como agir nesses momentos”, relata Marina Tiba, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal.

Segundo a especialista, a preparação deve começar antes dos jogos e das datas de maior movimentação. A ideia é criar uma verdadeira força-tarefa para tornar o ambiente mais previsível, seguro e confortável para o pet. Essa estratégia pode envolver manejo ambiental, rotina adequada, acompanhamento do tutor e, quando indicado, o uso de suplementos específicos.

“Suplementos com ativos como Passiflora, Valeriana e Triptofano podem auxiliar na prevenção de respostas comportamentais ao estresse decorrente de estímulos perturbadores. Mas é importante lembrar que o uso deve seguir a recomendação do médico-veterinário e respeitar o período indicado pelo fabricante. Em geral, esse tipo de cuidado precisa começar com antecedência para oferecer o efeito esperado”, explica Marina.

Diferentemente de fármacos psicoativos, que podem ser indicados em situações específicas para animais com medo intenso, os suplementos fazem parte de uma estratégia de suporte ao bem-estar. Ainda assim, a médica-veterinária reforça que nenhum produto deve substituir a avaliação profissional, especialmente em cães idosos, com doenças pré-existentes, em uso de medicamentos ou com histórico de ansiedade severa.

“A suplementação é apenas um dos pilares. O mais importante é entender que o pet precisa de previsibilidade, segurança e acolhimento. O tutor deve se antecipar aos momentos de maior barulho e preparar a casa para reduzir os estímulos que podem assustar o animal”, afirma.

Confira algumas medidas que podem ajudar os cães durante os jogos e comemorações da Copa:


Segurança vem em primeiro lugar

Em dias de jogos importantes, mantenha portas, portões e janelas bem fechados. Muitas fugas acontecem justamente quando o cão se assusta com fogos, buzinas ou gritos repentinos. Todos da casa devem estar atentos ao entrar ou sair. O uso de plaquinha de identificação atualizada é indispensável.


Mantenha o pet em um ambiente familiar

Para cães que têm medo de barulho, o melhor lugar costuma ser dentro de casa, em um espaço conhecido e protegido. Fechar janelas, cortinas e persianas ajuda a reduzir tanto os sons externos quanto os estímulos visuais, como clarões de fogos ou movimentação intensa na rua. 

 

Crie um cantinho seguro

Escolha um cômodo mais silencioso da casa e coloque ali a caminha, cobertas, brinquedos e objetos familiares do pet. Se o cão já estiver acostumado com a caixa de transporte, ela também pode ser usada como refúgio. O ideal é permitir que o animal escolha ficar nesse espaço, sem forçá-lo.


Esteja por perto

A presença do tutor pode fazer diferença. Fale com o pet em tom calmo, evite broncas e não force interações. Alguns cães preferem contato físico, enquanto outros querem apenas se esconder. Respeitar esse comportamento é fundamental.

Abafe os ruídos externos

Música ambiente, televisão ou ruído branco podem ajudar a mascarar sons vindos da rua. Em alguns casos, protetores auriculares próprios para cães ou algodão podem ser utilizados, desde que o animal já esteja acostumado e aceite esse tipo de manejo sem desconforto.

Gaste energia antes dos jogos

Quando possível, leve o cão para passear antes do início das partidas e das comemorações. Atividades físicas e brincadeiras ajudam a reduzir a energia acumulada e podem favorecer um comportamento mais tranquilo depois. O passeio, porém, deve acontecer em horários seguros, antes do aumento do barulho nas ruas.


Use a alimentação como aliada

Petiscos, sachês, brinquedos recheáveis e mordedores podem ajudar a distrair o pet durante momentos de barulho. Se o cão não quiser comer, não force. A recusa pode ser apenas uma resposta ao medo, e o alimento pode ser oferecido novamente em outro momento.


Invista em distrações positivas

Brinquedos, comandos simples e brincadeiras conhecidas podem ajudar alguns cães a desviar o foco dos sons externos. O tutor deve agir com naturalidade e tranquilidade, sem demonstrar ansiedade diante dos fogos ou da reação do animal.


Acolha o pet quando ele não quiser brincar ou comer

Em situações de medo intenso, alguns cães não respondem a petiscos nem a brinquedos. Nesses casos, massagens suaves, proximidade física ou simplesmente permanecer no mesmo ambiente podem ajudar, desde que o contato seja algo que o animal já aprecie.


Evite deixar o cão sozinho

Se houver previsão de fogos ou comemorações intensas, o ideal é que o pet não fique sozinho em casa. Caso a família precise sair, é importante avaliar alternativas seguras, como a companhia de alguém de confiança ou a permanência do animal em um ambiente preparado previamente.

Para Marina, o cuidado com os pets durante a Copa deve fazer parte do planejamento das famílias, assim como a organização para assistir aos jogos. “Durante períodos de maior agitação, a combinação de orientação veterinária, manejo ambiental e acolhimento pode contribuir para o bem-estar do pet e de toda a família. Quanto antes o tutor se prepara, maiores são as chances de atravessar esses momentos com mais tranquilidade”, finaliza.

 

Avert Biolab Saúde Animal
www.avertsaudeanimal.com.br
www.vidamaisromrom.com.br


Barulho de fogos em festividades podem agravar doenças crônicas e causar acidentes com pets

Audição sensível transforma comemorações em momentos de pânico para os animais; estratégia que une ambiente seguro e suporte nutricional minimiza os impactos fisiológicos


Grandes eventos esportivos e festividades tradicionais trazem um desafio frequente para os tutores de animais de estimação. O barulho de fogos de artifício, buzinas e comemorações ruidosas altera a rotina dos lares e impacta de forma direta o comportamento e a saúde de cães e gatos, exigindo atenção com o manejo preventivo dentro de casa.

A reação de pânico que muitos pets apresentam diante dos estampidos possui uma explicação fisiológica. Cães e gatos têm uma capacidade auditiva superior à humana, conseguindo captar sons em frequências mais amplas e volumes intensos.

"Os estampidos dos fogos de artifício, associados às vibrações, flashes luminosos e à imprevisibilidade do ambiente, são interpretados pelo animal como uma ameaça. Eles não conseguem identificar a origem desse som, o que aumenta a sensação de insegurança e desencadeia a reação imediata de querer fugir e procurar um local seguro", explica a médica-veterinária e gerente Nacional de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó Pet, Jessica Moreira.


Riscos do estresse agudo

As consequências do medo englobam fatores comportamentais e físicos. Diante de uma situação compreendida como perigo iminente, o organismo reage instintivamente. "Quando o animal se sente estressado e acuado, ele passa a apresentar tremores, fica ofegante e com salivação intensa, podendo desencadear posteriormente taquicardia e aumento da pressão arterial. Isso pode se agravar de forma severa, principalmente se ele já possui alguma doença crônica, como cardiopatias, ou no caso de animais idosos", alerta a especialista.

O desespero também provoca tentativas de fuga intempestivas. Esse comportamento frequentemente resulta em acidentes domésticos, traumas físicos e desaparecimento, comprometendo gravemente a qualidade de vida do animal.


Manejo do ambiente e suporte nutricional podem reduzir o impacto

Amenizar o sofrimento exige um planejamento estruturado. No dia dos eventos ruidosos, a recomendação técnica é manter portas e janelas trancadas, usar cortinas grossas e deixar a televisão ligada ou utilizar aparelhos de ruído branco para camuflar o som externo.

"O responsável pelo pet deve disponibilizar brinquedos e petiscos próprios para distração, evitar punições ou reforçar comportamentos de medo e permanecer próximo ao pet. É preciso respeitar o espaço dele, mas mantê-lo sempre sob supervisão", orienta Jessica.

Para melhores resultados no controle da ansiedade, o cuidado preventivo deve começar antes das comemorações. A rotina precisa incluir gastos de energia com atividades físicas e enriquecimento ambiental constante.

"O ideal é realizar o cuidado prévio antes de eventos previsíveis. Técnicas de dessensibilização, condicionamento positivo e a utilização de suplementos nutricionais que contribuam para o bem-estar emocional do pet apresentam melhores resultados quando iniciados com no mínimo três dias de antecedência", destaca a gerente.

Como parte dessa estratégia de suporte, o portfólio da Biogénesis Bagó Pet conta com o Nutrisana Pet Akalme, um suplemento alimentar com fórmula que apresenta triptofano, aminoácidos essenciais, vitaminas e o probiótico Saccharomyces boulardii.  Desenvolvida em tabletes mastigáveis altamente palatáveis, a solução é formulada com nutrientes que contribuem para a manutenção do metabolismo e o bem-estar em todos os momentos.

A companhia também dispõe da versão em seringa, formulação exclusiva com Triptofano, prebióticos MOS e FOS, além de vitaminas B3 e B6 e Betaglucana. O Triptofano e os aminoácidos essenciais, juntos, são nutrientes que participam da síntese de neurotransmissores.

"Com a combinação desses ativos, contribuímos para um ambiente favorável ao metabolismo de nutrientes importantes para o organismo, podendo ser utilizado tanto em situações pontuais quanto para o manejo de animais intensamente ansiosos", finaliza Jessica.

 


Biogénesis Bagó

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