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segunda-feira, 20 de julho de 2026

O que as lesões da Copa do Mundo ensinam sobre prevenção: dentro e fora dos gramados

As lesões que tiraram jogadores importantes da Copa mostram que nem mesmo atletas de elite estão livres de problemas musculares. Especialistas explicam por que elas acontecem e quais hábitos podem ajudar qualquer pessoa a proteger músculos, tendões e articulações.


As lesões musculares de Raphinha e Lucas Paquetá durante a Copa do Mundo reacenderam uma discussão que vai além do futebol: se atletas de elite, acompanhados por médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos e tecnologia de ponta, ainda se machucam, o que pessoas comuns podem aprender com isso? A Confederação Brasileira de Futebol confirmou lesões musculares em ambos durante a competição, segundo Reuters e veículos nacionais.

A resposta passa por uma palavra pouco valorizada fora do esporte profissional: prevenção.

Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, as lesões musculares estão entre as mais frequentes na traumatologia esportiva, representando entre 10% e 55% das lesões no esporte, dependendo da modalidade e do perfil analisado.

Para o ortopedista Thales Rama, é um erro imaginar que uma lesão acontece apenas em um lance. “Na maioria das vezes, o movimento em que a dor aparece é só o momento em que o corpo não consegue mais compensar. A sobrecarga já vinha sendo construída havia semanas ou meses”, explica.

No futebol profissional, essa sobrecarga é monitorada diariamente. Ainda assim, o calendário intenso, pouco tempo de recuperação, fadiga acumulada, viagens, treinos e jogos em sequência aumentam o risco. A FIFPRO, sindicato mundial dos jogadores, vem alertando que o calendário cada vez mais congestionado ameaça a saúde e o desempenho dos atletas.

Mas a lógica não vale apenas para quem disputa uma Copa do Mundo.

“Existe uma ideia de que só quem pratica esporte precisa pensar em prevenção. Na realidade, quem trabalha sentado o dia inteiro, dorme pouco, carrega peso, dirige por horas ou treina sem orientação também sobrecarrega músculos e articulações”, afirma a fisioterapeuta Fabi Pinelli, especialista em dor.


O corpo costuma avisar antes

Rigidez ao acordar, dor que aparece sempre no mesmo local, sensação de peso nas pernas, perda de mobilidade, queda de rendimento e dificuldade para se recuperar após atividade física são sinais que muita gente ignora.

“O atleta é acompanhado para que pequenas alterações não virem problemas maiores. Na vida comum, as pessoas costumam fazer o contrário: só procuram ajuda quando a dor já limita a rotina”, diz Fabi.

O Manual MSD, referência médica internacional, aponta que excesso de carga, movimentos repetitivos, desequilíbrios musculares e recuperação inadequada estão entre os fatores associados às lesões esportivas.


O que qualquer pessoa pode fazer para reduzir o risco de lesões

Segundo Thales, fortalecer a musculatura antes de aumentar a intensidade dos treinos é um dos cuidados mais importantes. “Músculos fortes ajudam a proteger articulações e tendões. O problema é quando a pessoa aumenta carga, velocidade ou frequência sem preparar o corpo.”

Outro ponto é não insistir na dor. Desconfortos que se repetem, duram mais de alguns dias ou limitam movimentos merecem avaliação.

Para Fabi, a prevenção também passa por mobilidade, estabilidade e recuperação. “Não adianta pensar só em força. O corpo precisa se movimentar bem, recuperar bem e distribuir melhor as cargas.”

Entre os cuidados recomendados pelos especialistas estão:

  • fortalecer músculos antes de aumentar intensidade;
  • respeitar o tempo de recuperação;
  • não ignorar dores recorrentes;
  • trabalhar mobilidade e estabilidade;
  • evitar muitas horas seguidas na mesma posição;
  • dormir bem;
  • procurar ajuda antes que a dor limite a rotina.


Sinais de que o corpo pode estar funcionando no limite

  • Dor que aparece sempre após atividade física;
  • rigidez ao levantar;
  • perda de mobilidade;
  • sensação de peso ou fadiga muscular;
  • queda de rendimento;
  • dificuldade de recuperação;
  • dor que melhora com repouso, mas volta rapidamente.

As lesões da Copa mostram que nem mesmo atletas de elite conseguem eliminar completamente os riscos. Mas também deixam uma lição importante: prevenir não é exagero, é estratégia.

No esporte profissional, o cuidado começa antes da dor. Fora dos gramados, talvez esse seja o maior aprendizado.

 

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