As lesões que tiraram jogadores importantes da Copa mostram que nem mesmo atletas de elite estão livres de problemas musculares. Especialistas explicam por que elas acontecem e quais hábitos podem ajudar qualquer pessoa a proteger músculos, tendões e articulações.
As lesões
musculares de Raphinha e Lucas Paquetá durante a Copa do Mundo reacenderam uma
discussão que vai além do futebol: se atletas de elite, acompanhados por
médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos e tecnologia de ponta, ainda se
machucam, o que pessoas comuns podem aprender com isso? A Confederação
Brasileira de Futebol confirmou lesões musculares em ambos durante a
competição, segundo Reuters e veículos nacionais.
A resposta
passa por uma palavra pouco valorizada fora do esporte profissional: prevenção.
Segundo a
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, as lesões musculares estão
entre as mais frequentes na traumatologia esportiva, representando entre 10% e
55% das lesões no esporte, dependendo da modalidade e do perfil analisado.
Para o
ortopedista Thales Rama, é um erro imaginar
que uma lesão acontece apenas em um lance. “Na maioria das vezes, o movimento
em que a dor aparece é só o momento em que o corpo não consegue mais compensar.
A sobrecarga já vinha sendo construída havia semanas ou meses”, explica.
No futebol
profissional, essa sobrecarga é monitorada diariamente. Ainda assim, o
calendário intenso, pouco tempo de recuperação, fadiga acumulada, viagens,
treinos e jogos em sequência aumentam o risco. A FIFPRO, sindicato mundial dos
jogadores, vem alertando que o calendário cada vez mais congestionado ameaça a
saúde e o desempenho dos atletas.
Mas a lógica
não vale apenas para quem disputa uma Copa do Mundo.
“Existe uma
ideia de que só quem pratica esporte precisa pensar em prevenção. Na realidade,
quem trabalha sentado o dia inteiro, dorme pouco, carrega peso, dirige por
horas ou treina sem orientação também sobrecarrega músculos e articulações”,
afirma a fisioterapeuta Fabi Pinelli, especialista em
dor.
O corpo costuma avisar antes
Rigidez ao
acordar, dor que aparece sempre no mesmo local, sensação de peso nas pernas,
perda de mobilidade, queda de rendimento e dificuldade para se recuperar após
atividade física são sinais que muita gente ignora.
“O atleta é
acompanhado para que pequenas alterações não virem problemas maiores. Na vida
comum, as pessoas costumam fazer o contrário: só procuram ajuda quando a dor já
limita a rotina”, diz Fabi.
O Manual
MSD, referência médica internacional, aponta que excesso de carga, movimentos
repetitivos, desequilíbrios musculares e recuperação inadequada estão entre os
fatores associados às lesões esportivas.
O que qualquer pessoa pode fazer para reduzir o
risco de lesões
Segundo
Thales, fortalecer a musculatura antes de aumentar a intensidade dos treinos é
um dos cuidados mais importantes. “Músculos fortes ajudam a proteger
articulações e tendões. O problema é quando a pessoa aumenta carga, velocidade
ou frequência sem preparar o corpo.”
Outro ponto
é não insistir na dor. Desconfortos que se repetem, duram mais de alguns dias
ou limitam movimentos merecem avaliação.
Para Fabi, a
prevenção também passa por mobilidade, estabilidade e recuperação. “Não adianta
pensar só em força. O corpo precisa se movimentar bem, recuperar bem e
distribuir melhor as cargas.”
Entre os
cuidados recomendados pelos especialistas estão:
- fortalecer
músculos antes de aumentar intensidade;
- respeitar
o tempo de recuperação;
- não
ignorar dores recorrentes;
- trabalhar
mobilidade e estabilidade;
- evitar
muitas horas seguidas na mesma posição;
- dormir
bem;
- procurar
ajuda antes que a dor limite a rotina.
Sinais de que o corpo pode estar funcionando no
limite
- Dor
que aparece sempre após atividade física;
- rigidez
ao levantar;
- perda
de mobilidade;
- sensação
de peso ou fadiga muscular;
- queda
de rendimento;
- dificuldade
de recuperação;
- dor
que melhora com repouso, mas volta rapidamente.
As lesões da
Copa mostram que nem mesmo atletas de elite conseguem eliminar completamente os
riscos. Mas também deixam uma lição importante: prevenir não é exagero, é
estratégia.
No esporte profissional, o cuidado começa antes da dor.
Fora dos gramados, talvez esse seja o maior aprendizado.

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