Pesquisa do Pandapé revela que empresas valorizam competências comportamentais, mas poucas conseguem transformá-las em um padrão para contratar, desenvolver e reter talentos
Identificar o perfil ideal para uma vaga é um dos
primeiros desafios do recrutamento. Mas há uma lacuna que vai além da triagem
de currículos: boa parte das empresas brasileiras ainda não sabe, com precisão,
quais comportamentos caracterizam seus profissionais de alta performance e, por
consequência, deixa de usar esse conhecimento para contratar e desenvolver
talentos de forma mais estratégica.
Um levantamento realizado pelo Pandapé em 2025 com profissionais
de RH revela que apenas 23% das empresas afirmam ter bem mapeadas as
características comportamentais mais comuns entre seus colaboradores de melhor
desempenho. Em contrapartida, 38% dizem ter apenas uma percepção informal sobre
esse perfil, enquanto 35% reconhecem que ainda não fizeram esse mapeamento,
embora enxerguem valor na iniciativa.
Na prática, isso mostra que as organizações reconhecem a
importância do comportamento, mas poucas transformaram esse conhecimento em um
processo estruturado para orientar decisões de contratação, desenvolvimento e
sucessão.
"As empresas costumam saber quais características buscam em
um candidato, na descrição da posição. Sem estrutura para avaliar comportamento
de forma objetiva, essa preferência não se traduz em critério de seleção nem em
parâmetro de desenvolvimento. O resultado é que o RH toma muitas decisões com
base na experiência e na percepção individual, quando poderia construir um
padrão replicável de alta performance", afirma Patricia Suzuki, Diretora
de RH da Redarbor, detentora do Pandapé.
O comportamento já tem peso nas decisões de contratação. Segundo a
pesquisa, 88% das empresas afirmam já ter deixado de contratar um candidato
tecnicamente qualificado por falta de fit comportamental. Ainda assim, apenas
39% possuem uma metodologia estruturada para mapear as competências
comportamentais essenciais para cada cargo. Outras 36% fazem esse trabalho de
maneira informal, enquanto 25% ainda não realizam esse mapeamento.
Segundo a Society for Industrial and Organizational Psychology
(SIOP), avaliações cognitivo-comportamentais baseadas em evidências podem
aumentar significativamente a efetividade da seleção. Quando diferentes métodos
de avaliação são combinados, a assertividade na escolha do candidato pode
chegar a 91%.
"A alta performance não é aleatória. Ela tem padrão. Empresas
que conseguem mapear os comportamentos presentes em seus melhores profissionais
passam a usar esse conhecimento como referência tanto para contratar quanto
para desenvolver pessoas. As que não fazem esse exercício acabam dependendo
mais da percepção individual do que de evidências", comenta a Diretora de
RH.
Outro dado da pesquisa do Pandapé chama atenção para o futuro.
Para 72% dos profissionais de RH, o avanço da inteligência artificial aumentará
a importância das competências comportamentais nos processos seletivos. Ou
seja, à medida que as habilidades técnicas se tornam mais acessíveis e
padronizadas, o comportamento tende a se consolidar como um dos principais
diferenciais competitivos na contratação.
"O próximo passo do RH é transformar comportamento em dado.
Não para criar perfis rígidos, mas para entender quais características
realmente impulsionam resultados dentro da própria organização. Quando isso
acontece, a empresa deixa de contratar apenas pelo currículo e passa a tomar
decisões muito mais consistentes ao longo de toda a jornada do
colaborador", conclui Patricia Suzuki.

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