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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Só 23% das empresas sabem quais comportamentos diferenciam seus melhores talentos


 Pesquisa do Pandapé revela que empresas valorizam competências comportamentais, mas poucas conseguem transformá-las em um padrão para contratar, desenvolver e reter talentos


Identificar o perfil ideal para uma vaga é um dos primeiros desafios do recrutamento. Mas há uma lacuna que vai além da triagem de currículos: boa parte das empresas brasileiras ainda não sabe, com precisão, quais comportamentos caracterizam seus profissionais de alta performance e, por consequência, deixa de usar esse conhecimento para contratar e desenvolver talentos de forma mais estratégica. 

Um levantamento realizado pelo Pandapé em 2025 com profissionais de RH revela que apenas 23% das empresas afirmam ter bem mapeadas as características comportamentais mais comuns entre seus colaboradores de melhor desempenho. Em contrapartida, 38% dizem ter apenas uma percepção informal sobre esse perfil, enquanto 35% reconhecem que ainda não fizeram esse mapeamento, embora enxerguem valor na iniciativa. 

Na prática, isso mostra que as organizações reconhecem a importância do comportamento, mas poucas transformaram esse conhecimento em um processo estruturado para orientar decisões de contratação, desenvolvimento e sucessão. 

"As empresas costumam saber quais características buscam em um candidato, na descrição da posição. Sem estrutura para avaliar comportamento de forma objetiva, essa preferência não se traduz em critério de seleção nem em parâmetro de desenvolvimento. O resultado é que o RH toma muitas decisões com base na experiência e na percepção individual, quando poderia construir um padrão replicável de alta performance", afirma Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor, detentora do Pandapé. 

O comportamento já tem peso nas decisões de contratação. Segundo a pesquisa, 88% das empresas afirmam já ter deixado de contratar um candidato tecnicamente qualificado por falta de fit comportamental. Ainda assim, apenas 39% possuem uma metodologia estruturada para mapear as competências comportamentais essenciais para cada cargo. Outras 36% fazem esse trabalho de maneira informal, enquanto 25% ainda não realizam esse mapeamento. 

Segundo a Society for Industrial and Organizational Psychology (SIOP), avaliações cognitivo-comportamentais baseadas em evidências podem aumentar significativamente a efetividade da seleção. Quando diferentes métodos de avaliação são combinados, a assertividade na escolha do candidato pode chegar a 91%. 

"A alta performance não é aleatória. Ela tem padrão. Empresas que conseguem mapear os comportamentos presentes em seus melhores profissionais passam a usar esse conhecimento como referência tanto para contratar quanto para desenvolver pessoas. As que não fazem esse exercício acabam dependendo mais da percepção individual do que de evidências", comenta a Diretora de RH. 

Outro dado da pesquisa do Pandapé chama atenção para o futuro. Para 72% dos profissionais de RH, o avanço da inteligência artificial aumentará a importância das competências comportamentais nos processos seletivos. Ou seja, à medida que as habilidades técnicas se tornam mais acessíveis e padronizadas, o comportamento tende a se consolidar como um dos principais diferenciais competitivos na contratação. 

"O próximo passo do RH é transformar comportamento em dado. Não para criar perfis rígidos, mas para entender quais características realmente impulsionam resultados dentro da própria organização. Quando isso acontece, a empresa deixa de contratar apenas pelo currículo e passa a tomar decisões muito mais consistentes ao longo de toda a jornada do colaborador", conclui Patricia Suzuki.


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