Além dos riscos físicos já conhecidos, especialista observam uma relação crescente entre o uso de vape, ansiedade, dependência e alterações emocionais entre adolescentes e jovens adultos.
O uso de cigarros eletrônicos, os famosos vapes, virou uma febre entre as novas gerações e acendeu um alerta que vai muito além dos danos aos pulmões. Um levantamento do IBGE, feito por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), mostra que cerca de três em cada dez estudantes adolescentes já experimentaram o dispositivo pelo menos uma vez. Atraídos por um design moderno, sabores de frutas ou doces e pela falsa promessa de que o produto não faz mal, esses jovens entram em um ciclo que esconde sérios riscos e preocupa as famílias.
O que mais assusta quem acompanha esse cenário de perto é o impacto silencioso do hábito no sistema nervoso. De acordo com o Dr. Oswaldo Norbim, médico psiquiatra, a dose maciça de nicotina presente nos dispositivos mexe direto com a química cerebral, acelerando a dependência em uma fase em que o cérebro ainda está se desenvolvendo. O especialista explica que a substância dá uma sensação passageira de relaxamento, mas o preço cobrado depois é alto, deixando o jovem muito mais vulnerável a crises emocionais.
Muitos adolescentes usam o vaporizador como uma válvula de escape para dar conta do estresse da escola ou para se sentirem integrados na roda de amigos. "O que começa como uma tentativa de aliviar o nervosismo rapidamente se transforma em um gatilho para crises mais intensas. Quando o efeito passa, o organismo pede mais, e a falta da substância gera uma irritabilidade e uma agitação muito maiores do que as iniciais", afirma o psiquiatra.
Essa dinâmica cria uma armadilha psicológica difícil de quebrar, onde o sofrimento mental e o vício se alimentam mutuamente. O médico ressalta que o consultório reflete bem essa realidade, com um aumento nítido de pacientes jovens que chegam com quadros combinados de dependência e distúrbios de humor. "A ansiedade e o uso do vape andam de mãos dadas, o jovem fuma porque está ansioso e fica ainda mais ansioso porque está fumando", pontua.
Além da oscilação de humor, o comportamento em casa e na escola muda drasticamente, muitas vezes sem que os pais entendam o motivo de imediato. A necessidade constante de dar uma tragada quebra a concentração nas aulas, prejudica o sono e afasta o adolescente das atividades que ele antes gostava. "Muitas famílias só descobrem o problema quando o filho já apresenta sinais de isolamento, mudanças bruscas de temperamento e uma urgência inexplicável de sair de perto para usar o aparelho", alerta o Dr. Oswaldo.
Enfrentar esse problema exige mais do
que proibição, pede conversa franca dentro de casa e informação de verdade.
Para o especialista, quebrar essa imagem de que o cigarro eletrônico é algo
moderno e limpo é o primeiro passo para acolher e proteger essa geração. Ficar
de olho nas mudanças de rotina e buscar ajuda profissional cedo pode evitar que
o bem-estar e o futuro desses jovens sejam engolidos pelo vício.
Fonte: Dr. Oswaldo Norbim, médico psiquiatra.
@psiquiatraoswaldonorbim
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