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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Brasil registrou mais de 826 mil casos de hepatites virais​ em 24 anos​; infectologista esclarece mitos e verdades sobre​ ​​as​ doença​s​​.

Campanha reforça a importância da testagem, vacinação e tratamento precoce para evitar cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado


O Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. As infecções, causadas pelos vírus das hepatites A, B, C, D e E, atingem o fígado e podem evoluir de forma silenciosa, especialmente nos casos das hepatites B e C. Quando não diagnosticadas e tratadas, podem levar a complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado 

O alerta ganha força durante o Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais. Apesar dos avanços na prevenção, diagnóstico e tratamento, ainda há muitas dúvidas e informações equivocadas sobre a doença. 

De acordo com Tassiana Galvão, infectologista da Santa Casa de São Roque - unidade da Prefeitura do município​​ e​​ gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, a ausência de sintomas não deve ser interpretada como ausência de risco. 

“A hepatite é perigosa justamente porque, muitas vezes, não dói, não dá febre, não deixa a pessoa amarela e não manda aviso. Ela pode comprometer o fígado por anos em silêncio. Esperar sintoma aparecer é uma estratégia ruim e, em alguns casos, pode significar descobrir a doença tarde demais”, afirma. 

Segundo a infectologista, a testagem é uma das principais ferramentas para interromper o ciclo de diagnóstico tardio. Muitas pessoas só descobrem a infecção ao doar sangue, durante exames de rotina, no pré-natal ou quando já existe alteração hepática. 

“O teste é simples, mas pode mudar completamente o destino de uma pessoa. Na hepatite C, o diagnóstico pode abrir caminho para a cura. Na hepatite B, permite acompanhamento e controle antes que o fígado sofra danos irreversíveis”, explica Tassiana. 

A seguir, a especialista esclarece mitos e verdades sobre as hepatites virais.

 

1. “Se eu tivesse hepatite, eu saberia.”

Mito. Muitas pessoas com hepatites virais, principalmente B e C, não apresentam sintomas por anos. A ausência de sinais não significa que o vírus não esteja causando danos ao fígado. 

“Esse é um dos mitos mais perigosos. A pessoa se sente bem, trabalha, leva uma vida normal e acredita que está tudo certo. Mas a hepatite pode estar evoluindo em silêncio. O corpo nem sempre dá sinais claros antes de uma complicação”, alerta a infectologista.

 

2. “Hepatite sempre deixa pele e olhos amarelos.”

Mito. A icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos, pode ocorrer, mas não aparece em todos os casos. Algumas pessoas têm sintomas inespecíficos, como cansaço, náuseas, dor abdominal, urina escura, fezes claras e perda de apetite. Outras não sentem nada. 

“Esperar ficar amarelo para investigar hepatite é um erro. A pele amarela pode aparecer, mas não é regra. Muitas vezes, quando os sinais ficam evidentes, a doença já está mais avançada, afirma.

 

3. “Hepatite C tem cura.”

Verdade. A hepatite C tem tratamento altamente eficaz e pode ser curada na maioria dos casos. Os medicamentos atuais são mais simples, seguros e com altas taxas de resposta. 

“Hoje ​​temos tratamento, possibilidade de cura e temos como evitar que essa infecção evolua para cirrose ou câncer de fígado. O gargalo é encontrar quem ainda não foi diagnosticado, destaca.

 

4. “Hepatite B não é grave se a pessoa não sente nada.”

Mito. A hepatite B pode se tornar crônica e causar lesões progressivas no fígado, mesmo sem sintomas. Em alguns casos, pode evoluir para cirrose e câncer hepático. 

“Sentir-se bem não é garantia de que o fígado está protegido. A hepatite B pode ser silenciosa e ainda assim grave. Por isso, vacina, teste e acompanhamento médico são fundamentais”, explica a profissional.

 

5. “A vacina contra hepatite B também ajuda a prevenir a hepatite D.”

Verdade. A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para ocorrer. Por isso, ao prevenir a hepatite B, a vacinação também reduz o risco de hepatite D. 

“A hepatite D pode ser muito agressiva. A melhor forma de enfrentá-la é impedir a hepatite B, através da​​ vacinação.

 

6. “Existe vacina para todos os tipos de hepatite viral.”

Mito. Existem vacinas contra as hepatites A e B, mas não há vacina disponível contra hepatite C. Para esse tipo, a prevenção depende de testagem, tratamento e redução de situações de risco. 

“A hepatite C não tem vacina, mas tem cura. Isso torna o diagnóstico ainda mais importante”, pontua.

 

7. “Alicate de unha, lâmina de barbear, tatuagem e piercing em contato com sangue contaminado podem transmitir hepatite.”

Verdade. Objetos que entram em contato com sangue contaminado podem transmitir hepatites virais se forem compartilhados ou não forem esterilizados corretamente. O cuidado vale para manicures, barbearias, estúdios de tatuagem, piercings e procedimentos estéticos invasivos.
 

8. “Relação sexual sem preservativo pode transmitir hepatite B.”

Verdade. A hepatite B pode ser transmitida por via sexual. O uso de preservativo e a vacinação são medidas importantes de prevenção. 

“A hepatite B é uma infecção sexualmente transmissível. Muita gente não associa hepatite a sexo desprotegido, mas essa é uma via real de transmissão”, alerta a infectologista.

 

9. “Exames de rotina do fígado normais descartam hepatite.”

Mito. Exames como TGO, TGP e outras enzimas hepáticas ajudam a avaliar o fígado, mas não substituem testes específicos para hepatites virais. Em alguns casos, a pessoa pode ter hepatite mesmo com alterações discretas ou resultados momentaneamente normais.

 

10. “Quem recebeu transfusão de sangue há muitos anos deve considerar fazer teste para hepatite C.”

Verdade. Pessoas que receberam transfusão de sangue ou hemoderivados antes da implementação de triagens mais rigorosas devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de testagem. 

“Há pessoas que foram expostas décadas atrás e nunca imaginaram que poderiam ter hepatite. O teste é uma forma de resgatar esses diagnósticos antes que virem complicações”, destaca.
 

11. “Hepatite é problema apenas de quem usa drogas ou tem muitos parceiros sexuais.”

Mito. As hepatites virais podem atingir diferentes perfis de pessoas. Associar a doença apenas a determinados grupos aumenta o estigma e pode afastar a população da testagem. 

“Quando a sociedade coloca a hepatite dentro de uma caixinha moral, perde-se a chance de diagnosticar muita gente. O vírus não se importa com rótulos”, afirma a infectologista.


12. “Hepatite A pode estar relacionada à água e alimentos contaminados.”

Verdade. A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, muitas vezes por água ou alimentos contaminados e por higiene inadequada das mãos. Medidas como lavar bem as mãos, consumir água tratada e higienizar alimentos ajudam na prevenção.
 

13. “Beber álcool é a única forma de desenvolver cirrose.”

Mito. O consumo excessivo de álcool é uma causa importante de doença no fígado, mas não é a única. Hepatites virais crônicas, especialmente B e C, também podem levar à cirrose e ao câncer hepático. Além disso, o álcool pode agravar a evolução de quem já tem hepatite. 

“A ideia de que só o álcool destrói o fígado é falsa. Vírus também podem causar dano progressivo e grave. A diferença é que, quando diagnosticamos cedo, conseguimos intervir antes que a doença avance”, ressalta.
 

14. “Gestantes devem fazer teste para hepatites.”

Verdade. A testagem durante o pré-natal é fundamental, especialmente para hepatite B, devido ao risco de transmissão da pessoa gestante para o bebê. Com diagnóstico adequado, é possível adotar medidas para reduzir esse risco.

​​Durante o Julho Amarelo, a recomendação é que pessoas que nunca fizeram testes para hepatites B e C, que não sabem se estão vacinadas contra hepatite B ou que tiveram qualquer situação de risco procurem uma unidade de saúde a testagem e a vacinação estão disponíveis gratuitamente pelo SUS.​​
 

Também é importante manter o uso de preservativo, não compartilhar objetos cortantes ou perfurantes, exigir materiais descartáveis ou esterilizados em procedimentos estéticos e realizar o pré-natal completo no caso de gestantes. 

“A hepatite pode ser silenciosa, mas o diagnóstico não precisa ser tardio. O Julho Amarelo existe para lembrar que informação, vacina e testagem salvam vidas. Quem nunca testou deve procurar orientação. Esse cuidado pode evitar uma complicação grave no futuro”, finaliza a médica. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial    

 

Cirurgia robótica reduz tempo de internação e acelera o retorno ao trabalho pós-endometriose

A tecnologia de alta precisão minimiza o sangramento e o trauma cirúrgico, permitindo que mulheres com rotinas intensas de trabalho e estudos se recuperem até três vezes mais rápido do que na cirurgia aberta tradicional.


Quem convive com as dores da endometriose sabe que a doença vai muito além do bem-estar físico: ela trava a rotina. Segundo dados do Ministério da Saúde, a condição afeta cerca de 10% das brasileiras em idade fértil, e para a maioria delas, conciliar o tratamento com o ritmo acelerado de trabalho e estudos sempre foi um grande malabarismo. O maior receio quase sempre girava em torno do pós-operatório, que antigamente exigia semanas de afastamento. Felizmente, a chegada da cirurgia robótica mudou esse cenário, permitindo que as mulheres voltem às suas atividades até três vezes mais rápido do que na cirurgia aberta tradicional.

A grande diferença está na delicadeza e na precisão que a tecnologia entrega no centro cirúrgico. De acordo com o ginecologista Michael Zarnowski, especialista na patologia, os braços robóticos controlados pelo médico eliminam qualquer tremor e oferecem uma visão em três dimensões super detalhada. "Conseguimos remover os focos da doença preservando ao máximo os órgãos e tecidos saudáveis ao redor. Na prática, isso significa muito menos sangramento e um trauma cirúrgico mínimo, o que poupa o corpo da paciente de um desgaste desnecessário", explica.

Esse cuidado milimétrico se traduz em menos tempo no hospital e uma recuperação muito mais leve. Aqueles dias intermináveis de internação ficaram no passado; hoje, a maioria das pacientes consegue voltar para casa em apenas 24 horas. O médico pontua que, como os cortes são minúsculos, as dores após o procedimento diminuem drasticamente. Isso reduz a necessidade de remédios fortes e faz com que a mulher consiga se movimentar e caminhar logo no primeiro dia.

Para quem tem uma vida profissional ativa ou uma rotina puxada de estudos, esse retorno rápido faz toda a diferença do mundo. "A mulher de hoje não quer e não pode parar a vida por meses. O impacto de um afastamento longo mexe com o bolso, com a carreira e com o emocional delas. Quando mostramos que é possível tratar uma doença complexa e estar de volta ao trabalho em poucos dias, tiramos um peso enorme das costas dessa paciente", afirma o especialista.

 

Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose.


Avanço do sarampo na América do Norte é um alerta para brasileiros na Copa do Mundo

Magnific
Com previsão de 13 milhões de visitantes, torneio acontece em meio ao avanço histórico da doença nos países sedes; infectologista alerta para riscos e reforça importância da vacina. 

 

A Copa do Mundo de 2026, realizada pela primeira vez em três países diferentes (Estados Unidos, México e Canadá), deve receber cerca de 13,1 milhões de visitantes, segundo a consultoria financeira global B.Riley. O grande fluxo de pessoas devido ao evento ocorre em meio ao avanço do sarampo nas Américas, cenário que preocupa autoridades de saúde. 

 

Entre os países que estão recebendo a Copa do Mundo, o México apresenta atualmente a situação mais preocupante em relação ao sarampo. Segundo a Direção Geral de Epidemiologia do país, já foram registrados 6.956 casos confirmados e oito mortes apenas em 2026. Considerando o período entre janeiro de 2025 e março de 2026, o total chega a 13.408 casos laboratoriais confirmados e 35 óbitos. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizou 2.073 casos confirmados e 30 surtos até o início deste mês. Em 2025, o país já havia registrado 2.288 casos, o maior número em 34 anos, sendo que 93% dos infectados não eram vacinados ou tinham histórico vacinal desconhecido.

 

O Canadá também enfrenta uma situação considerada histórica. Até o fim de maio de 2026, o país registrava 1.063 casos entre confirmados e prováveis, enquanto o grande surto iniciado em outubro de 2024 já acumula 6.398 ocorrências. A infectologista e professora da Afya São João del Rei, Dra. Janaína Teixeira, explica que o sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus da família dos paramixovírus. 

 

“É um vírus de transmissão respiratória, ou seja, a principal forma de contágio acontece de uma pessoa para outra por meio de gotículas eliminadas ao falar, tossir, gritar ou espirrar. É uma doença altamente transmissível, considerada uma das infecções com maior capacidade de disseminação. Estima-se que uma pessoa infectada possa transmitir o vírus para até outras 18 pessoas que não estejam vacinadas ou protegidas”.

 

O retorno do sarampo em países que anteriormente haviam controlado a circulação do vírus reforça a importância da vacinação como principal ferramenta de proteção. De acordo com a especialista, os sintomas do sarampo geralmente começam com febre alta, acompanhada de um quadro semelhante ao de uma gripe, com coriza, nariz escorrendo, tosse seca e, em alguns casos, conjuntivite. Depois, surgem as manchas no corpo, que são avermelhadas e mais espessas. 

 

“As manchas costumam começar no rosto e no tronco e, posteriormente, evoluem para os membros. Esse tipo de lesão é chamado de exantema craniocaudal, pois se espalha de cima para baixo. A doença também pode apresentar complicações, como encefalite, que é uma infecção do sistema nervoso central, pneumonias e, em casos mais graves, pode levar até ao óbito”, complementa a médica.


 

Riscos para o Brasil  e esquema vacinal 

 

Dados da OPAS mostram que a maioria esmagadora dos casos registrados nas Américas ocorre entre indivíduos não vacinados ou sem comprovação do esquema vacinal completo.

 

Dra. Janaína Teixeira comenta que com a Copa do Mundo, existe uma circulação intensa de turistas se deslocando entre diferentes países, como na América do Sul, América Central e América do Norte. Esse movimento envolve estádios lotados, viagens de avião e aglomerações em aeroportos, que são situações que favorecem a circulação e a transmissão de doenças respiratórias, como o sarampo.

 

Por isso, existe o risco de surgirem novos casos de sarampo no Brasil devido a esse deslocamento intenso de pessoas, principalmente entre aquelas que não estão protegidas ou não estão vacinadas. 


“É muito importante que a população esteja com a vacina contra o sarampo em dia. Pessoas com até 29 anos de idade devem ter pelo menos duas doses da vacina registradas na carteirinha de vacinação. Já as pessoas com mais de 30 anos devem ter pelo menos uma dose documentada para estarem protegidas contra o sarampo. Para quem viajar para esses países, o ideal é receber a vacina até 15 dias antes da viagem. Porém, se isso não for possível, tomar a vacina até mesmo no dia da viagem é melhor do que viajar sem estar vacinado”, conclui a infectologista da Afya.

 

A bomba-relógio na barriga: o que é o aneurisma de aorta e quem precisa fazer o teste para evitar uma ruptura fatal

Dilatação da principal artéria do corpo não apresenta sintomas físicos, mas tem taxa de mortalidade altíssima se romper; cirurgião aponta o perfil de risco e como as próteses internas corrigem o vaso com segurança.

 

Imagine caminhar por aí com uma verdadeira bomba-relógio na barriga sem fazer a menor ideia. É exatamente esse o perigo que envolve o aneurisma de aorta abdominal, uma dilatação na principal artéria do corpo que cresce sem dar qualquer aviso físico. O problema é que, se esse vaso se romper, o cenário se torna dramático. De acordo com dados do Ministério da Saúde coletados pelo Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), a taxa de mortalidade em cirurgias de emergência após a ruptura passa dos 50%. É um número assustador, mas que serve de alerta: a prevenção é a única saída para evitar um desfecho fatal.

A grande armadilha dessa condição é que ela não dói e não dá sinais de que algo vai mal. Na maioria das vezes, a pessoa descobre que tem o problema por puro acaso, ao fazer um exame de rotina para investigar outra dor qualquer. O cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio explica que essa evolução silenciosa é o que torna o quadro tão traiçoeiro. "O paciente se sente perfeitamente bem e ativo enquanto a artéria vai estufando. Sem um olhar atento e exames preventivos, o primeiro sintoma infelizmente costuma ser uma hemorragia interna gravíssima", avisa o médico.

A boa notícia no meio disso tudo é que a medicina já conhece muito bem o perfil de quem está na mira da doença. O rastreamento deve ser prioridade para pessoas acima dos 65 anos, principalmente homens que fumam ou fumaram a vida inteira, já que o cigarro destrói a elasticidade das artérias. Se houver histórico de aneurisma na família, o sinal de alerta precisa ser ligado ainda mais cedo. Outros fatores do dia a dia, como pressão alta e colesterol descontrolado, também ajudam a acelerar esse desgaste.

Para quem faz parte desse grupo de risco, o caminho para tirar o peso das costas é simples, rápido e totalmente indolor. Um simples ultrassom de abdômen já é capaz de medir o tamanho do vaso e afastar o perigo. Segundo o especialista, quando a dilatação passa dos cinco centímetros, o risco de rompimento aumenta e a intervenção se torna necessária. "O monitoramento constante nos dá o controle da situação. Conseguimos escolher o momento exato de operar, transformando o que seria uma urgência desesperadora em um procedimento planejado e calmo", pontua.

Se no passado falar em cirurgia de aorta dava medo pelo tamanho do corte e da recuperação, hoje a realidade é completamente diferente graças à tecnologia. Atualmente, o tratamento é feito por meio da técnica endovascular, que é minimamente invasiva. Os médicos conseguem entrar por dois pequenos furinhos na virilha e guiar uma espécie de tubo reforçado, a prótese interna, até o local exato da dilatação. Esse dispositivo cria um novo canal para o sangue passar, blindando a parede frágil da artéria e anulando o risco de explosão. 

Essa evolução transformou a experiência de quem precisa passar pelo procedimento, tornando o pós-operatório muito mais leve e rápido. O paciente, que antes passava dias na UTI e semanas tentando se recuperar de uma grande operação aberta, agora consegue voltar para casa em pouco tempo. "Mudamos totalmente a história natural dessa doença. Conseguimos desarmar uma ameaça enorme com muita precisão e segurança, devolvendo a liberdade para a pessoa seguir a vida sem aquele medo constante", conclui. 



Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular.
@dr.josualdo


DIU pode sair do lugar? Especialista esclarece dúvidas sobre segurança e acompanhamento do método

Apesar da alta eficácia e segurança, dispositivo ainda é cercado por dúvidas; médica explica quando o deslocamento pode acontecer e quais sinais merecem atenção

 

O Dispositivo Intrauterino (DIU) tem se consolidado como uma das principais opções para mulheres que buscam um método contraceptivo de longa duração, alta eficácia e praticidade. Segundo o Ministério da Saúde, o método apresenta eficácia superior a 99% na prevenção da gravidez e vem sendo cada vez mais recomendado por entidades nacionais e internacionais de saúde reprodutiva.

Apesar disso, uma dúvida continua frequente nos consultórios ginecológicos: afinal, o DIU pode sair do lugar?

Segundo a Dra. Larissa Cassiano, ginecologista e obstetra parceira da DKT South America, empresa de planejamento familiar e detentora da Andalan, marca de DIUs, a resposta é mais complexa do que um simples sim ou não.

"O DIU é um dispositivo desenvolvido para permanecer dentro da cavidade uterina durante todo o período de uso. Em condições normais, ele não se movimenta por causa de exercícios físicos, relações sexuais ou atividades do dia a dia. No entanto, existem situações específicas em que pode ocorrer deslocamento ou expulsão parcial, especialmente nos primeiros meses após a inserção", explica.

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a expulsão do DIU é considerada incomum e costuma ocorrer em uma pequena parcela das usuárias. As taxas variam entre 2% e 10%, dependendo de fatores como idade, características anatômicas do útero, momento da inserção e tipo de dispositivo utilizado.

A especialista destaca que o deslocamento, quando acontece, geralmente está relacionado ao processo de adaptação do organismo ao método e não a comportamentos da paciente.

"Existe uma preocupação muito comum de que o DIU possa mudar de posição durante a prática de exercícios, corridas ou relações sexuais. Isso não costuma acontecer. O dispositivo permanece protegido dentro do útero e não sofre influência dessas atividades", afirma.

Outro receio frequente é a possibilidade de o DIU migrar para outras partes do corpo. Embora existam relatos raros de complicações relacionadas à perfuração uterina, a médica reforça que esses casos são exceções e representam uma porcentagem extremamente pequena das inserções realizadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os DIUs entre os métodos contraceptivos mais seguros e eficazes disponíveis atualmente. Além da elevada proteção contra a gravidez não planejada, o método apresenta a vantagem de ser reversível, permitindo o retorno da fertilidade após sua retirada.

Segundo Dra. Larissa, o acompanhamento profissional é um dos fatores mais importantes para garantir uma experiência segura com o método.

"As consultas de acompanhamento ajudam a confirmar que o DIU está corretamente posicionado e permitem esclarecer dúvidas que podem surgir ao longo do uso. É uma etapa importante do cuidado e da segurança da paciente", explica.

Alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação médica, como cólicas persistentes, sangramento fora do padrão habitual, desconforto importante ou percepção de alterações nos fios do dispositivo. Nesses casos, a orientação é procurar o ginecologista para realizar os exames necessários e confirmar o posicionamento adequado.

Para a especialista, o crescimento do interesse pelo DIU reforça a importância de ampliar o acesso à informação de qualidade sobre o método.

"Muitas mulheres ainda chegam ao consultório carregando dúvidas e receios que poderiam ser esclarecidos com informação baseada em evidências científicas. Quanto mais conhecimento existe sobre o funcionamento do método, maior é a confiança para tomar decisões conscientes sobre planejamento reprodutivo", conclui.

Em um cenário em que a busca por métodos contraceptivos de longa duração cresce continuamente, especialistas reforçam que informação confiável, acompanhamento profissional e acesso a opções seguras são fundamentais para garantir autonomia e liberdade de escolha às mulheres.



DKT South America
DKT Salú
DKT Academy
Use Prudence


Soros injetáveis viram opção para cansaço crônico após os 40

Protocolos de nutrientes e vitaminas aplicados diretamente na veia ganham espaço em clínicas ginecológicas para mitigar a fadiga extrema e as oscilações de humor causadas pela queda hormonal.

 

Aquela sensação de exaustão profunda e as oscilações de humor do nada têm se tornado a realidade de muitas mulheres que passaram dos 40 anos. O problema é que, no meio da correria, muita gente confunde esse esgotamento com o estresse do dia a dia, quando na verdade o corpo está reagindo ao início da queda hormonal que antecede a menopausa. Para quem já percebeu que só uma boa noite de sono não resolve mais o problema, a soroterapia, a aplicação de vitaminas e minerais direto na veia, vem ganhando cada vez mais espaço nos consultórios focados na saúde feminina.

O tratamento funciona como um empurrãozinho para o organismo que começou a desacelerar. Na Clarizia Saúde da Mulher, os protocolos são desenhados de forma sob medida, respeitando o histórico e os exames de sangue de cada paciente. A ginecologista e pós-doutora à frente da clínica, Alessandra Clarizia,  explica que a grande vantagem do método é que os nutrientes vão direto para a corrente sanguínea, sem perder tempo ou eficácia passando pelo sistema digestivo.

"Depois dos 40, a queda de hormônios importantes como o estrogênio mexe muito com a nossa disposição e com o humor. Muitas mulheres chegam aqui frustradas porque se alimentam bem e, mesmo assim, vivem arrastando os pés. Os injetáveis devolvem a energia de forma muito mais rápida, porque entregam as doses exatas de magnésio, ferro e vitaminas que o corpo precisa para voltar a funcionar direito", conta a médica, expert em ginecologia regenerativa.

Diferente das cápsulas tradicionais, que muitas vezes perdem boa parte dos ativos durante a digestão, o soro garante um aproveitamento de 100%. Na prática, isso se traduz em mais ânimo logo nas primeiras semanas, além de ajudar a regular o sono, melhorar o foco e até dar uma acalmada nos altos e baixos emocionais comuns nessa fase de transição.

A profissional faz questão de lembrar que o procedimento não é uma fórmula mágica para ser usada sem critérios, mas sim uma ferramenta de bem-estar. "A soroterapia não substitui os exames de rotina, a comida de verdade e os exercícios. Ela entra como um reforço potente para tirar do sufoco aquele organismo que já estava trabalhando no limite", pontua a ginecologista. 



Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista e pós doutora, expert em ginecologia regenerativa - Sócia da Clarizia Saúde da Mulher.


Saúde bucal infantil: como a psicologia das cores pode transformar a escovação em um momento divertido para as crianças

Imagem Sunstar GUM®
Especialistas explicam como o design lúdico e a ergonomia certa ajudam a criar hábitos saudáveis e evitam a resistência infantil durante a escovação 

 

A resistência de crianças na hora de escovar os dentes é um dos dilemas mais universais e desgastantes da parentalidade contemporânea. No entanto, o mercado de saúde infantil vem passando por mudanças que transformam esse cenário de conflito em um momento de pura conexão familiar e diversão. Ao colocar a psicologia das cores no centro do desenvolvimento de produtos, novas linhas de higiene bucal estão utilizando o estímulo visual não apenas como decoração, mas como uma ferramenta neurobiológica para desarmar a rejeição e moldar hábitos saudáveis desde a primeira infância.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Odontopediatria (ABOPED), a cárie precoce ainda afeta uma parcela significativa de crianças antes dos cinco anos, frequentemente associada à dificuldade que os pais enfrentam para realizar uma higienização eficaz. Diante disso, a abordagem impositiva perde espaço para o estímulo sensorial. O cérebro infantil, em pleno desenvolvimento, processa o mundo de forma essencialmente emocional. É nesse cenário que as cores certas atuam como um "atalho" para o sistema límbico, a região cerebral responsável pelas emoções e comportamentos, diminuindo o estado de alerta e gerando uma sensação imediata de segurança e prazer.


A psicologia das cores como estratégia de estímulo a escovação

A escolha das cores nos produtos de higiene bucal não é aleatória; ela responde a gatilhos psicológicos bem mapeados. Tonalidades quentes e vibrantes, como o amarelo e o laranja, são naturalmente associadas à energia, ao entusiasmo e à descoberta, sendo ideais para o início do dia. Já o azul e o verde limão exercem um efeito calmante e terapêutico, reduzindo os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) no final da tarde ou antes de dormir, o que facilita a transição para a calmaria necessária no ritual noturno.

“Quando os pais oferecem à criança uma escova lúdica, colorida e/ou com personagens do universo infantil, ocorre o que a psicologia chama de ancoragem positiva. Em vez de associar a escovação a uma obrigação, a criança passa a enxergar esse momento como algo divertido e acolhedor”, explica a Dra. Brunna Bastos, da GUM, mestre e cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP.

Segundo a especialista, permitir que a criança escolha a cor da própria escova fortalece o senso de autonomia e pertencimento, tornando a experiência mais natural e duradoura.


Janelas de oportunidade e o guia prático da escovação sem mitos

O manejo dessa rotina visual deve acompanhar as “janelas de oportunidade” do desenvolvimento. A jornada começa ainda na primeira infância e se estende até a conquista da autonomia. Com a erupção do primeiro dente de leite, inicia-se a escovação com escova de cerdas macias e creme dental fluoretado contendo, no mínimo, 1.100 ppm de flúor, medida indispensável para fortalecer o esmalte e prevenir a cárie. Para que o estímulo psicológico funcione lado a lado com a eficácia clínica, especialistas têm atualizado as diretrizes de saúde pública, reforçando a importância do uso precoce e supervisionado do creme dental fluoretado.

“Para garantir a segurança, o segredo reside na dosagem rigorosa: a quantidade equivalente a um grão de arroz cru para bebês (0 a 3 anos) e a um grão de ervilha para os maiores que já sabem cuspir. Além disso, embora o design colorido estimule a independência dos pequenos, a coordenação motora fina só está plenamente desenvolvida por volta dos 7 ou 8 anos. Até lá, a supervisão ativa e o "repasse" da escovação pelos pais são fundamentais, garantindo que a escovação noturna, o período mais crítico devido à redução do fluxo salivar, seja impecável”, explica o especialista.


Escova de dentes infantil deve ser confortável e ter cerdas macias

Além das cores e do aspecto lúdico, a escolha da escova de dentes infantil também influencia diretamente na criação do hábito. Cabos curtos, emborrachados e fáceis de segurar ajudam na adaptação das crianças. O maior cuidado técnico, contudo, está na especificação das cerdas.

Tecidos bucais em desenvolvimento demandam cerdas ultramacios. Filamentos rígidos provocam microtraumas na mucosa e retrações precoces na gengiva, gerando dor física, o que destruiria instantaneamente todo o trabalho psicológico de aproximação feito pelas cores. Unir a ciência das tonalidades à delicadeza do toque é, portanto, a fórmula definitiva para proteger o sorriso e garantir o equilíbrio na rotina do lar.


O perigo da automedicação no frio: abuso de anti-inflamatórios para dores articulares dispara casos de lesões estomacais

A queda nas temperaturas eleva queixas de dores no corpo e o uso indiscriminado de remédios; especialistas explicam como a endoscopia digital ajuda a identificar precocemente úlceras e sangramentos causados pelo excesso de medicação.

 

Quando o frio aperta, a reação quase automática de muita gente é abrir a gaveta de remédios em busca de um anti-inflamatório para aliviar aquela dor incômoda nos joelhos ou nas costas. O problema é que esse hábito, aparentemente inocente, esconde um perigo real para o sistema digestivo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35% dos medicamentos consumidos no Brasil são fruto da automedicação, um comportamento que ganha força no inverno e tem sobrecarregado os consultórios com pacientes sofrendo de lesões estomacais severas.

O uso frequente e sem orientação dessas pílulas para conter as dores articulares é um dos principais gatilhos para gastrites, úlceras e até hemorragias. Lucas Almeida, gestor e sócio do Grupo Baronesa, conta que o perfil de quem chega à clínica nessa época do ano acende um alerta importante. "Acompanhamos de perto um aumento bem expressivo nos atendimentos gástricos de urgência assim que as temperaturas caem. As pessoas querem resolver o desconforto muscular rápido, tomam o comprimido por conta própria e esquecem que o estômago vai pagar a conta", explica o executivo.

O que acontece na prática é que esses remédios bloqueiam a dor, mas também barram a produção da camada que protege o estômago do seu próprio ácido. Sem essa barreira, o órgão fica totalmente exposto. O gestor da rede de saúde lembra que a falta de informação ainda é o maior obstáculo. "É muito comum vermos o paciente surpreso no consultório. Quase ninguém associa aquela queimação ou o enjoo persistente ao comprimido que tomou dias atrás para a dor nas articulações. É um ciclo perigoso que precisamos quebrar", alerta Almeida.

Para pegar o problema logo no início e evitar que uma inflamação vire algo mais grave, a tecnologia médica virou uma grande aliada através da endoscopia digital de alta definição. Diferente dos exames do passado, essa tecnologia permite enxergar a mucosa gástrica com uma nitidez impressionante, identificando machucados minúsculos e pontos de risco antes mesmo que eles comecem a sangrar.

Na visão do sócio do grupo, a precisão do exame muda completamente o rumo do tratamento e traz tranquilidade para quem exagerou nos remédios. "A endoscopia hoje faz um papel preventivo fundamental. Não precisamos esperar o paciente ter uma complicação séria para agir. Identificar a lesão logo no comecinho nos dá a chance de tratar o estômago a tempo e orientar essa pessoa a se cuidar de um jeito seguro", pontua.

Com a previsão de mais dias frios pela frente, o recado que fica é o de não normalizar a automedicação. Se o incômodo no corpo aparecer com o inverno, vale muito mais a pena buscar a ajuda de um médico para tratar a dor do jeito certo, protegendo o estômago e garantindo que o alívio não vire uma dor de cabeça ainda maior depois.

 


Clínica Baronesa:
https://clinicabaronesa.com.br/


Fonte: Lucas Almeida — Gestor. Sócio do Grupo Baronesa
https://clinicabaronesa.com.br/


Estudo da Copa acende alerta para a saúde dos viajantes



Dr. Tiago Simões Leite explica como os impactos observados entre atletas também podem afetar quem viaja a lazer ou a trabalho

 

A Copa do Mundo de 2026 exige dos atletas um esforço físico inédito. Uma pesquisa recém-publicada no periódico Sports Medicine revela que a combinação de calor extremo, altitude, poluição e longas viagens pela América do Norte cria um cenário de altíssimo estresse fisiológico. O médico e gestor hospitalar Tiago Simões Leite aponta que esses mesmos fatores afetam diretamente a saúde e a rotina de qualquer pessoa que viaja ou muda de cidade.

 

O artigo científico detalha como o deslocamento por milhares de quilômetros desregula o ciclo circadiano. A variação abrupta de temperatura e a menor disponibilidade de oxigênio em cidades altas sobrecarregam o organismo imediatamente. Tiago Simões Leite explica que para o cidadão comum, uma viagem de férias ou a trabalho reproduz essa agressão. A desidratação severa e a exposição a alérgenos sazonais cobram um preço alto do sistema imunológico.

 

"O corpo humano exige tempo de adaptação. Submeter o organismo a mudanças bruscas de fuso horário, clima e qualidade do ar sem o preparo adequado é um risco real de adoecimento", afirma Tiago Simões Leite. "O viajante precisa adotar a mesma mentalidade preventiva de um atleta. Hidratação rigorosa, ajuste gradual do sono e atenção à qualidade do ar no destino são medidas inegociáveis para evitar crises respiratórias e exaustão."

 

O médico ensina que a cultura preventiva deve guiar o planejamento de deslocamentos longos. “Ignorar as exigências do ambiente resulta em fadiga crônica e vulnerabilidade a infecções. Avaliar as condições climáticas e geográficas do destino é uma etapa obrigatória de qualquer viagem segura”, alerta.


 

Estudo sobre a Copa 2026


A Copa do Mundo está sendo realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá entre 11 de junho e 19 de julho, com cidades-sede espalhadas por 4.300 km de leste a oeste e cerca de 4.000 km de norte a sul. Os médicos autores do estudo, publicado em março, afirmam que a distribuição geográfica expõe os jogadores a “desafios ambientais que podem afetar negativamente sua saúde e seu desempenho”. Entre os principais estão: calor extremo, altitude, poluição do ar e viagens. As Copas do Mundo da FIFA nunca haviam apresentado essa combinação extrema de fatores. 

 

No resumo, o artigo expõe que o desalinhamento do ritmo circadiano (até 19 fusos horários podem ser cruzados para chegar aos centros de treinamento das equipes) e a fadiga de viagem (até 3 fusos horários cruzados e um tempo de voo de 7 horas durante o torneio) podem afetar a saúde física e mental dos jogadores, diminuindo o desempenho atlético.

 

Ele pode ser acessado pelo link: https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-026-02398-4



Doppler: o que o colorido do ultrassom pode revelar sobre a sua saúde

Recurso presente em exames de imagem modernos, o Doppler colorido é um poderoso aliado da medicina diagnóstica 

 

Quem já fez um ultrassom provavelmente se lembra da cena: no meio do exame, a tela em preto e branco de repente se preenche de manchas azuis e vermelhas, formando um mosaico que se move em tempo real. Para o paciente, é um momento curioso, muitas vezes acompanhado da pergunta: o que é isso? Para o médico radiologista, é a hora em que o exame ganha uma nova camada de informação: o Doppler colorido está em ação. 

O Doppler é um recurso do ultrassom que permite avaliar não apenas a estrutura dos órgãos, mas também o fluxo sanguíneo que passa por eles. As cores na tela não são estéticas: cada tom representa uma direção e uma velocidade do sangue. Em geral, o vermelho indica o sangue que se aproxima do transdutor, que é o aparelho encostado na pele, e o azul, o sangue que se afasta. A intensidade da cor mostra a velocidade do fluxo e é essa leitura que fornece informações valiosas sobre o funcionamento de artérias, veias, órgãos e tecidos. 

"O Doppler transformou a radiologia. Ele nos permite entender não só como um órgão está, mas como ele está funcionando", explica a Dra. Leynalze Urbano Ruiz, médica radiologista com mais de 30 anos de experiência e mestrado em Radiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). "Em muitos casos, é justamente a análise do fluxo sanguíneo que faz a diferença entre um diagnóstico incompleto e um diagnóstico preciso."

 

Um recurso presente em diversos exames 

Embora seja frequentemente associado ao ultrassom obstétrico, no qual permite avaliar a circulação sanguínea entre a mãe e o bebê e detectar precocemente sinais de sofrimento fetal, o Doppler é utilizado em uma variedade muito maior de exames. Está presente na avaliação da tireoide, das mamas, do abdome, das vias urinárias, das artérias e veias periféricas e é fundamental na investigação de nódulos, tumores, tromboses e inflamações. 

"Um nódulo, por exemplo, tem características muito diferentes conforme sua vascularização. O Doppler nos ajuda a identificar padrões que sugerem se um nódulo é benigno ou se merece investigação mais aprofundada. É uma informação que a imagem estática, sozinha, não traria", afirma a especialista.

 

Como funciona a técnica 

O Doppler recebe esse nome em homenagem ao físico austríaco Christian Doppler, que descreveu, no século XIX, o efeito das ondas refletidas por objetos em movimento. O mesmo princípio explica por que a sirene de uma ambulância parece mudar de tom conforme ela se aproxima ou se afasta. 

No ultrassom, o transdutor emite ondas de alta frequência, que atravessam os tecidos e retornam ao aparelho. Quando essas ondas encontram o sangue em movimento dentro dos vasos, elas retornam com uma frequência ligeiramente alterada. O software do equipamento traduz essa alteração em cores. O que aparece na tela é, na prática, um mapa do fluxo sanguíneo em tempo real.

 

O papel do médico no ultrassom 

Apesar da sofisticação tecnológica, o Doppler exige interpretação humana. Cada padrão de fluxo tem um significado clínico diferente e diferenciar o que é normal do que é alterado depende da experiência do médico radiologista. 

"O equipamento entrega a imagem, mas quem entrega o diagnóstico é o médico. Cada estrutura tem seu padrão esperado de vascularização. Desvios sutis podem indicar desde uma inflamação até uma doença mais séria. Por isso, a experiência de quem interpreta faz tanta diferença", pontua a Dra. Leynalze.

 

Um exame indolor e seguro 

Segura, sem radiação, indolor e sem preparo especial na maioria dos casos, a ultrassonografia com Doppler consolidou-se como uma das ferramentas mais úteis da radiologia moderna. Está presente em consultórios, hospitais e clínicas de imagem e vem sendo cada vez mais solicitada por médicos de diversas especialidades, como ginecologistas, obstetras, endocrinologistas, mastologistas, urologistas, cardiologistas, entre outros. 

Para as pacientes, entender o significado das cores na tela pode transformar a experiência do exame: em vez de mistério, curiosidade; em vez de ansiedade, informação. O que fica é a lembrança de um exame que foi muito além do que os olhos podiam ver.

  

Dra. Leynalze Urbano Ruiz - médica radiologista graduada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica em Radiologia no Hospital Heliópolis, título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Mestrado em Radiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Com mais de 30 anos de atuação, dedica-se ao ultrassom geral, com ênfase em saúde da mulher, oncologia, biópsias e punções guiadas por imagem.


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