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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Canetas emagrecedoras vão além do peso, mas uso sem acompanhamento acende alerta para reganho

Análogos de GLP-1 mudam o tratamento da obesidade ao agir no cérebro e no metabolismo, mas interrupção sem estratégia pode reverter resultados 

 

As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma das maiores transformações recentes na medicina metabólica. Medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida atuam diretamente nos mecanismos biológicos da fome, reposicionando o tratamento da obesidade como uma condição crônica e não apenas comportamental.

“O principal efeito desses medicamentos não é simplesmente reduzir a ingestão alimentar. Eles reorganizam sinais hormonais e cerebrais que estavam desregulados”, explica o médico especialista em clínica médica e atuação em endocrinologia Igor Viana. “Muitos pacientes relatam algo inédito: pela primeira vez, não pensam em comida o dia inteiro. Isso é o que chamamos de redução do food noise.”

Segundo o especialista, os análogos de GLP-1 imitam hormônios intestinais responsáveis pela regulação da saciedade e do metabolismo, impactando não apenas o peso, mas diversos marcadores de saúde. “Hoje sabemos que esses medicamentos melhoram o controle glicêmico, reduzem resistência à insulina, diminuem gordura hepática e inflamação sistêmica, além de terem efeito protetor cardiovascular”, afirma.

Um dos estudos mais relevantes sobre o tema, o SELECT trial, publicado no The New England Journal of Medicine, demonstrou redução significativa no risco de infarto e AVC em pacientes com excesso de peso. “Isso muda completamente a lógica do tratamento. Não estamos falando de estética, mas de prevenção de eventos graves e aumento da expectativa de vida”, destaca Igor.


Uso sem acompanhamento: o ponto crítico

Apesar dos avanços, o uso indiscriminado das chamadas canetas preocupa especialistas, especialmente pela falta de acompanhamento médico, fator diretamente associado ao reganho de peso.

“A obesidade é uma doença crônica. Não existe solução isolada ou temporária”, reforça Igor Viana. “Quando o paciente usa o medicamento por conta própria, muitas vezes interrompe ao atingir um peso desejado, sem qualquer planejamento. E é aí que começa o problema.”

Estudos como a extensão do STEP 1 mostram que a interrupção da medicação pode levar à recuperação parcial do peso perdido. Isso ocorre por mecanismos biológicos, não por falha individual.

“O corpo reage à perda de peso aumentando hormônios da fome e reduzindo o gasto energético. O cérebro volta a estimular a busca por alimento. É um mecanismo de sobrevivência. Não é falta de disciplina,  é fisiologia”, explica. 


Mudança de paradigma no tratamento da obesidade

Para o médico, o maior erro é tratar esses medicamentos como soluções rápidas. “Os análogos de GLP-1 não são remédios da moda. Eles representam uma mudança de paradigma. Pela primeira vez, conseguimos atuar diretamente na biologia da fome.”

Ele reforça que o sucesso do tratamento depende de uma abordagem integrada. “O melhor resultado não vem só da medicação. Ele acontece com acompanhamento médico, ajustes de dose, estratégia de manutenção, mudança de hábitos e cuidado com a saúde mental.”

Na prática, isso aproxima o tratamento da obesidade de outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. “Assim como ninguém suspende um tratamento de pressão alta por conta própria, a obesidade também precisa ser encarada com continuidade e planejamento.”


Alerta para pacientes e profissionais

Com a popularização dessas terapias, cresce também a responsabilidade na comunicação e no uso adequado. “Existe um risco real de as pessoas sabotarem o próprio resultado ao tratar algo complexo como se fosse simples”, pontua Igor.

“Hoje, tratar obesidade não é apenas emagrecer. É investir em longevidade, reduzir risco cardiovascular e melhorar qualidade de vida. Mas isso só acontece quando o tratamento é feito da forma correta”, finaliza o médico. 


Igor Viana - Especialista em Clínica Médica, com atuação em endocrinologia e metabologia (CRM 229364 | RQE 144806). Trabalha na prevenção, diagnóstico e manejo de doenças metabólicas, com foco na promoção da saúde, alimentação equilibrada e longevidade.

 

Exames de imagem são aliados no diagnóstico precoce e no planejamento do tratamento da endometriose

Shutterstock

O Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, celebrado em 7 de maio, chama atenção para uma condição que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e ainda enfrenta desafios para o diagnóstico precoce. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 190 milhões de pessoas com útero são portadoras da doença.


A endometriose é uma condição ginecológica inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir órgãos como ovários, bexiga e intestino. Entre os principais sinais estão cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual e desconforto ao urinar ou evacuar no período menstrual além de dificuldade para engravidar, segundo a ginecologista Luciana de Paiva Nery Soares, do Sabin Diagnóstico e Saúde.


Exames de imagem

O diagnóstico começa com avaliação clínica detalhada e pode ser complementado por exames de imagem, para o mapeamento das lesões. “Além de ajudarem na detecção inicial, os também auxiliam no monitoramento da progressão da doença e da resposta ao tratamento ao longo do tempo”, pontua a médica.


A especialista destaca que a escolha do exame depende da suspeita clínica e do estágio da investigação. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, de acordo com a ginecologista, é um dos principais métodos utilizados na investigação inicial. “Esse exame auxilia na identificação de focos profundos da doença, especialmente em regiões de difícil avaliação, como intestino e ligamentos pélvicos”, afirma. O preparo intestinal melhora a visualização das estruturas pélvicas e aumenta a sensibilidade do exame para detectar lesões profundas.


Já a ressonância magnética se destaca como exame complementar de alta acurácia para avaliação mais detalhada. É um método não invasivo indicado para mapear a extensão da endometriose nos diferentes compartimentos pélvicos e em possíveis localizações extra pélvicas. “O exame é especialmente útil no planejamento terapêutico, ao permitir uma avaliação mais abrangente do comprometimento de órgãos”, explica Luciana.


Tratamento

As opções terapêuticas variam conforme o quadro clínico e os objetivos reprodutivos da paciente. “O tratamento pode variar desde o controle da dor com medicamentos até intervenções hormonais ou cirúrgicas”, afirma Luciana.


Por fim, a ginecologista defende um cuidado multidisciplinar, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também os impactos na rotina e no bem-estar das pacientes. “Quando o cuidado inclui outros profissionais, como psicólogo, educador físico e nutricionista, a gente vê um impacto muito positivo na qualidade de vida dessas mulheres”, completa.

 


Grupo Sabin
site


Dia Mundial do Câncer de Ovário reforça alerta global para diagnóstico precoce e equidade no acesso ao tratamento

No dia 8 de maio, o mundo se mobiliza em torno do Dia Mundial do Câncer de Ovário, uma data criada em 2013 por líderes globais na defesa da causa para ampliar a conscientização sobre a doença, dar visibilidade ao tema e impulsionar ações coordenadas de enfrentamento. Em 2026, a campanha segue o tema #NenhumaMulherParaTrás (#NoWomanLeftBehind), um chamado urgente para reduzir desigualdades no diagnóstico e no tratamento. 

A mensagem é clara: nenhum sintoma deve ser ignorado, nenhuma mulher deve enfrentar atrasos desnecessários no diagnóstico e nenhuma paciente deve ser privada de um atendimento de qualidade por conta de onde vive. A mobilização global busca garantir que avanços médicos e científicos alcancem todas as mulheres, em todos os lugares. 

Dados recentes reforçam a urgência da causa. Projeções indicam que, até 2050, o número de casos de câncer de ovário no mundo deve crescer mais de 55%. A maior parte das mortes ocorrerá em países de baixa e média renda. Além disso, as taxas de sobrevivência em cinco anos ainda são consideradas baixas, variando entre 36% e 46% em países mais desenvolvidos, números significativamente inferiores aos de outros tipos de câncer, como o de mama, cuja taxa pode chegar a 90% em diversas regiões. 

Entre os tumores ginecológicos, o câncer de ovário é o mais letal, principalmente por seu caráter silencioso. Trata-se da terceira neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas dos cânceres do colo do útero e do endométrio. 

De acordo com Dr. João Soares Nunes, oncologista clínico do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), o grande desafio está justamente na identificação precoce da doença. “Na fase inicial, o câncer de ovário pode não apresentar sintomas. Conforme evolui, surgem sinais que muitas vezes são confundidos com problemas comuns do dia a dia, o que contribui para o diagnóstico tardio”, explica. 

Entre os principais sinais e sintomas estão pressão, dor ou inchaço abdominal e pélvico, dores nas costas ou pernas, alterações digestivas como náusea, gases e constipação, perda de apetite, vontade frequente de urinar, fadiga persistente e até a presença de massa abdominal palpável. 

Diversos fatores podem aumentar o risco da doença, como o avanço da idade, histórico familiar de câncer (especialmente de ovário, mama e colorretal), mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, infertilidade, menarca precoce e menopausa tardia. O excesso de peso e a exposição a substâncias como amianto e radiações também estão associados a maior risco. 

A detecção precoce ainda é um desafio. Segundo o especialista do IOP, não há evidências científicas suficientes que sustentem a recomendação de rastreamento populacional para o câncer de ovário. “O diagnóstico costuma ocorrer a partir da investigação de sintomas ou em pacientes com maior risco, seguido de exames laboratoriais e de imagem. Por isso, é fundamental que as mulheres estejam atentas ao próprio corpo e mantenham acompanhamento médico regular”, destaca. 

O tratamento varia conforme o tipo e estágio do tumor, podendo incluir cirurgia para remoção do tumor, quimioterapia após a cirurgia (adjuvante) ou antes do procedimento (neoadjuvante), com o objetivo de reduzir o tamanho da lesão. 

Em termos de prevenção, a orientação é manter hábitos saudáveis, como controle do peso corporal, além de consultas médicas regulares, especialmente a partir dos 50 anos. É importante destacar que o exame preventivo ginecológico (Papanicolaou) não detecta o câncer de ovário, pois é específico para o câncer do colo do útero. 

Neste Dia Mundial do Câncer de Ovário, a mensagem global reforça que informação salva vidas. Ampliar o acesso ao diagnóstico, reduzir desigualdades e garantir tratamento adequado são passos essenciais para que, de fato, nenhuma mulher fique para trás.

 

#WOCD2026
#WorldOvarianCancerDay
#NoWomanLeftBehind
#NoPersonLeftBehind

*Com informações do Ministério da Saúde


Grupo Med4U


IOP
https://iop.com.br


Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas


Alexbowmore

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a falta de validação científica para uma tecnologia que se propõe a detectar a doença de forma precoce 

 

Testes chamados de “biópsias líquidas” ou “testes genéticos” têm alcançado ampla visibilidade a partir de órgãos de imprensa e redes sociais. Por meio de exame de sangue, a tecnologia se propõe a auxiliar no rastreamento precoce do câncer de mama. Ao mesmo tempo, divulgações sobre o método vêm mobilizando as mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “Na realidade, não existem exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da SBM. A mamografia, ressalta o mastologista, é o único exame de rastreamento com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em mulheres.

De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028. Diante de uma perspectiva desafiadora não apenas na rede pública, mas também para a saúde suplementar que contempla planos e seguros particulares, a SBM vê com preocupação a veiculação de informações sobre testes conhecidos como “biópsia líquida” ou “testes genéticos”.

Por meio de exame de sangue, e sem a necessidade de solicitação médica para a realização, a tecnologia que não tem validação se propõe a detectar alterações ligadas ao crescimento de células tumorais que possam indicar precocemente o câncer de mama.

De acordo com o mastologista Guilherme Novita, testes não validados podem causar uma falsa sensação de segurança nas mulheres. “Outro aspecto igualmente preocupante é a diminuição da adesão das pacientes às formas consagradas pela ciência e prática médica para diagnóstico precoce da doença.”

Como método, a mamografia de rastreamento permanece como estratégia de saúde mais eficaz para a detecção do câncer de mama em estágio inicial. Desde o ano passado, a recomendação do Ministério da Saúde para a realização regular do exame foi ampliada com a inclusão de mulheres a partir dos 40 anos de idade.

O diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher. “Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a mamografia de forma frequente e regular”, conclui Guilherme Novita.


Dia da Talassemia: informação, tratamento adequado e doação de sangue são pilares para salvar vidas no Brasil

Condição hereditária ainda pouco conhecida exige transfusões regulares e maior conscientização da população 

 

Celebrado em 8 de maio, o Dia Internacional da Talassemia chama a atenção para uma condição genética ainda pouco conhecida pela população, mas que impacta profundamente a vida de milhares de brasileiros. Segundo o banco de dados de cadastro de pacientes da ABRASTA, a Associação Brasileira de Talassemia, até setembro de 2024, 1.274 pessoas sofriam com algum tipo da doença.i. 

A talassemia é uma condição hereditária que afeta a produção de hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue e, em casos mais graves, exige transfusões sanguíneas regulares. Pacientes acometidos com talassemias beta maior necessitam de transfusões de sangue por toda a vida, geralmente a cada 20 dias em médiaii. 

De acordo com o presidente da ABRASTA, Eduardo Márcio Fróes, que convive com a condição desde o nascimento, os avanços no tratamento nas últimas décadas transformaram o prognóstico da doença, mas ainda há desafios significativos no Brasil. 

“A segurança transfusional e a chegada dos quelantes orais mudaram a história da talassemia no mundo, trazendo mais qualidade e expectativa de vida. No entanto, ainda enfrentamos gargalos importantes, como o acesso a exames essenciais e à quantidade adequada de sangue no momento certo”, afirma Froés.

 

Rotina desafiadora e “dor invisível” 

Para pacientes com formas mais graves da doença, a rotina pode ser intensa e desgastante. Muitos precisam se deslocar por horas até hemocentros para realizar transfusões frequentes. Além disso, há casos em que o organismo desenvolve anticorpos, dificultando encontrar sangue compatível. “É uma dor invisível: a dependência do sangue para viver e a incerteza de tê-lo disponível no tempo necessário”, explica Fróes.

 

Mitos ainda persistem 

A desinformação é outro obstáculo. Entre os mitos mais comuns está a ideia de que pessoas com talassemia não podem ter filhos ou praticar atividades físicas. “Isso não é verdade. Com acompanhamento médico adequado, é possível ter uma vida ativa, realizar sonhos e até constituir família”, reforça o presidente da ABRASTA.

 

Doação de sangue: um ato essencial 

A doação regular de sangue é indispensável para garantir o tratamento de pacientes com talassemia. Como não existe substituto para o sangue, a conscientização da população é fundamental. “Sangue é vida. Muitas pessoas ainda não sabem que existem doenças que dependem de transfusões contínuas, como a talassemia. Precisamos ampliar essa consciência”, destaca Fróes.

 

Desafios no acesso e políticas públicas 

Apesar de avanços no Sistema Único de Saúde (SUS), ainda há dificuldades no acesso a exames como a ressonância magnética com técnica T2*, fundamental para monitorar o acúmulo de ferro no organismo. Também há entraves na incorporação de novas terapias. “A ciência avança, mas o acesso não acompanha essa evolução. Precisamos de políticas públicas mais efetivas e olhar atento para as doenças raras”, afirma Fróes.

 

Impactos além da saúde física 

A talassemia não afeta apenas o corpo, mas também o emocional e o social de pacientes e familiares. Complicações associadas, como osteoporose e problemas de visão, somadas a desafios socioeconômicos, tornam a jornada ainda mais complexa.

 

Uma mensagem para o Dia Internacional da Talassemia 

Neste dia 8 de maio, o principal alerta é claro: é preciso ampliar o conhecimento sobre a doença e garantir acesso equitativo ao tratamento. “Estamos falando de vidas, de pessoas com sonhos. Não podemos aceitar que ainda existem barreiras para um cuidado adequado”, conclui Fróes.

 



Grupo Chiesi
www.chiesi.com

Chiesi Brasil
www.chiesi.com.br

Chiesi Global Rare Diseases



Referências bibliográficas

[1] Associação Brasileira de Talassemia (ABRASTA) [homepage na internet]. Números da beta-talassemia no Brasil: uma análise a partir do cadastro de pacientes da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta) [acesso em 28 abril 2026]. Disponível em: Link

[1] Ministério da Saúde [homepage na internet]. Talassemia [acesso em 28 abril 2026]. Disponível em: Link


Endometriose: a doença silenciosa que afeta milhões de mulheres ao redor do mundo


Condição atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, segundo a OMS; especialista explica os sintomas e aponta 5 estratégias de controle

 

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de cada vez mais presente nas discussões sobre saúde da mulher, a condição ainda é cercada por dúvidas e frequentemente subdiagnosticada. Ela ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, passa a se desenvolver fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino e até a bexiga. Esse crescimento anormal provoca inflamação e está associado a dor e, em alguns casos, infertilidade.

O principal sintoma é a cólica menstrual intensa, muitas vezes incapacitante. No entanto, a doença também pode se manifestar com dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias, além de dificuldade para engravidar. Esses sinais, com frequência, são subestimados tanto por pacientes quanto por profissionais de saúde, o que contribui para o atraso no diagnóstico. “Não é esperado que a mulher sinta dor a ponto de comprometer suas atividades diárias. Sentir dor nunca é normal e precisa ser investigado”, afirma a Dra. Madalena Oliveira, médica e professora na pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória.

As causas da endometriose ainda não são totalmente esclarecidas, mas sabe-se que a doença tem origem multifatorial. Um dos mecanismos mais aceitos é a menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual retorna pelas trompas e se deposita na cavidade abdominal, podendo desencadear inflamação. Além disso, fatores genéticos, hormonais e alterações no sistema imunológico também contribuem para o desenvolvimento da condição. “A endometriose é multifatorial, envolvendo predisposição genética associada a alterações hormonais e imunológicas que favorecem o surgimento das lesões”, explica a Dra. Madalena.

Esse processo ajuda a entender por que algumas mulheres desenvolvem a doença e outras não. Em certos casos, o organismo não consegue eliminar adequadamente essas células que retornam pelas trompas, permitindo sua implantação e progressão. Como a doença está relacionada ao ciclo menstrual, seus sinais tendem a se tornar mais evidentes ao longo do tempo, o que explica por que o diagnóstico é mais frequente em mulheres a partir dos 30 anos, embora também possa ocorrer em pacientes mais jovens.

Não há uma forma comprovada de prevenir completamente a endometriose, o que torna a atenção aos sinais e o diagnóstico precoce fundamentais para evitar a progressão da doença. “Pacientes jovens que apresentam cólicas intensas e persistentes precisam ser avaliadas com cuidado, porque esse pode ser um dos primeiros sinais da endometriose”, alerta a especialista. Nesse sentido, manter acompanhamento ginecológico regular, investigar sintomas fora do padrão, adotar hábitos de vida saudáveis e evitar a automedicação são medidas importantes. Em casos selecionados, estratégias que reduzem ou suprimem a menstruação, como DIU hormonal, anticoncepcionais contínuos e implantes, também podem ser indicadas para controle dos sintomas. “O diagnóstico precoce é uma das principais ferramentas que temos hoje. Quanto antes identificamos a doença, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida da paciente”, conclui a médica da Afya.

5 formas para reduzir os impactos da endometriose no organismo, segundo a especialista

Apesar de não ter cura definitiva, a endometriose pode ser controlada com acompanhamento adequado, e o tratamento é sempre individualizado, levando em conta a intensidade dos sintomas, a extensão da doença e o desejo reprodutivo da paciente, o que permite que muitas mulheres mantenham qualidade de vida e realizem seus projetos pessoais.As principais abordagens incluem:

 



1.   Tratamento medicamentoso: uso de analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida da paciente.

2.   Terapia hormonal: utilização de anticoncepcionais, progestagênios ou outras medicações que reduzem a atividade hormonal, ajudando a conter o crescimento das lesões.

3.   Cirurgia: indicada em casos mais avançados ou quando não há resposta ao tratamento clínico, com o objetivo de remover os focos de endometriose.

4.   Acompanhamento multidisciplinar: cuidado integrado com diferentes profissionais, como ginecologista, endocrinologista, fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico e suporte psicológico, fundamental para um manejo mais completo da doença.

5.   Dieta anti-inflamatória: a endometriose está associada a processos inflamatórios, e a alimentação pode ser uma aliada no controle dos sintomas. Priorizar alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva e oleaginosas, e reduzir ultraprocessados, açúcares e frituras ajuda a diminuir a inflamação, contribuindo para a redução da dor, do inchaço e para o equilíbrio hormonal.

 

Afya

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A escola precisa estar pronta para casos de anafilaxia


RBA-ASBAI aponta que 42% dos casos foram provocados por alimentos 

Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) realiza, entre 11 e 17 de maio, a Campanha Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar, com o tema “Anafilaxia não espera. A escola precisa estar pronta”. A iniciativa destaca a importância da preparação das instituições de ensino para prevenção, identificação e manejo adequado de reações alérgicas, especialmente da anafilaxia — a reação alérgica mais grave, de início rápido e potencialmente fatal.  

A alergia alimentar envolve toda a comunidade escolar. Professores, merendeiras, cantina, gestores, colegas e famílias desempenham papel essencial na promoção de um ambiente seguro. “Segurança alimentar no ambiente escolar não é responsabilidade apenas do aluno. A escola é um espaço fundamental para formação de hábitos saudáveis e seguros, e por isso é necessário adotar uma série de cuidados”, esclarece a Dra. Jackeline Motta Franco, coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).  

Não compartilhar lanche sem orientação, identificar alunos com alergia alimentar, capacitar professores e equipes para reconhecer sinais iniciais de reação alérgica e estabelecer práticas rigorosas na cantina e cozinha para evitar contato cruzado são importantes medidas que a instituição de ensino precisa adotar.  

“Quando toda a escola conhece os cuidados relacionados à alergia alimentar, previnem-se acidentes, protege-se a saúde e fortalece-se um ambiente mais acolhedor para todos”, enfatiza Dra. Jackeline, da ASBAI. 

 

Anafilaxia: Reação alérgica multissistêmica e grave, a anafilaxia pode ser fatal quando não identificada e tratada rapidamente com adrenalina. Segundo a Dra. Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da ASBAI, os principais gatilhos incluem alimentos, medicamentos, ferroadas de insetos e látex.  

Os sintomas podem acometer pele e mucosas (coceira, inchaço e vermelhidão), vias respiratórias (sufocamento, chiado, tosse), sistema gastrointestinal (náuseas, vômitos, cólicas), sistema cardiovascular (queda de pressão, desmaio, arritmias) e sistema neurológico (tontura, confusão, sensação de morte iminente).  

Mesmo quando os primeiros socorros são realizados corretamente, ou seja, com a aplicação da adrenalina autoinjetável, as etapas seguintes são fundamentais para reduzir riscos de recorrência e complicações:  

·         Encaminhamento imediato ao serviço de emergência, especialmente em casos de anafilaxia, devido ao risco de reação bifásica horas após a primeira manifestação.   

·         Comunicação rápida com os responsáveis e registro completo do evento.   

·         Avaliação por alergista/imunologista para investigação do fator causal e orientação de acompanhamento.   

·         Elaboração ou revisão do Plano de Ação para reações alérgicas, com alimentos a serem evitados e condutas claras conforme os sintomas.   

“O treinamento da equipe escolar sobre sinais de anafilaxia, tratamento, acesso a medicações, leitura de rótulos, prevenção de contato cruzado e o suporte psicológico nos casos em que o episódio gera ansiedade alimentar ou medo, completam a lista de medidas essenciais nos casos de alergia grave, como anafilaxia”, comenta Dra. Marisa, da ASBAI. 

 

A falta da adrenalina autoinjetável - O Brasil ainda não tem a adrenalina autoinjetável, que só pode ser adquirida por importação, a um custo alto.  

 

“A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento”, explica a Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI.  

 

Existem dois projetos de lei apoiados pela ASBAI e em tramitação no Congresso que são de fundamental importância para os pacientes com anafilaxia. O PL 1945/21 discorre sobre a Notificação Obrigatória que permitirá coletar dados oficiais sobre anafilaxia, entender sua prevalência e impactos, e fundamentar políticas públicas eficazes.  

 

“Já o PL 85/24 dispõe sobre fornecimento gratuito da caneta de adrenalina auto injetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de modo a permitir o acesso rápido e autônomo ao tratamento, especialmente em ambientes domésticos e escolares, sem depender exclusivamente de atendimento hospitalar”, explica a presidente da ASBAI.  

 

Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI) - Apesar da gravidade, a anafilaxia ainda é subdiagnosticada no Brasil, dificultando o mapeamento real dos casos. Para ampliar o conhecimento sobre a anafilaxia e orientar políticas públicas, a ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), uma iniciativa pioneira no país. 

 

Até o momento, o registro que conta com 318 pacientes, dos quais 163 são mulheres, aponta que 42,1% foram desencadeados por alimentos, sendo os principais leite de vaca (12,9%), mariscos (6,9%), ovo (5,6%), trigo (3,1%) e amendoim (3,1%). Os medicamentos foram a causa de 32,4% dos casos, sendo os agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%). Já os insetos causaram 23,9% das anafilaxias, com destaque para formigas (8,4%). Anafilaxia ao látex foi registrada em 11 casos.  



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Novo Nordisk lança no Brasil terapia semanal para crianças e adultos com deficiência do hormônio do crescimento

Sogroya® reduz a frequência de injeções de aplicações diárias para apenas uma vez por semana, oferecendo uma alternativa menos incômoda e com potencial de melhorar a adesão ao tratamento

 

A Novo Nordisk anuncia a chegada ao Brasil de Sogroya® (somapacitana)1, terapia de hormônio do crescimento de aplicação semanal voltada ao tratamento de crianças a partir dos 2 anos de idade, jovens e adultos com deficiência do hormônio do crescimento (DGH). O medicamento, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), começou a ser comercializado no país e representa um avanço em relação às terapias tradicionais do mercado, que exigem injeções diárias. Ao permitir apenas uma aplicação por semana, a terapia reduz significativamente a frequência de injeções ao longo do tratamento, além de diminuir a dor associada às aplicações, gerando, consequentemente, menos incômodo para as crianças e reduzindo o impacto na rotina e no bem-estar dos pacientes e das suas famílias. 

A redução da frequência de aplicações é considerada um dos principais desafios no manejo da condição, especialmente no público pediátrico, já que o tratamento costuma ser prolongado e exige acompanhamento contínuo dos responsáveis. Ao diminuir o número de injeções ao longo do tratamento, a terapia busca contribuir para maior conforto aos pacientes. Ao diminuir o número de injeções ao longo do tratamento, a terapia busca proporcionar mais conforto às crianças. Soma-se isso a inovação da aplicação do hormônio do crescimento com aplicação suave, que proporciona uma dor mínima ao paciente e representa um avanço significativo no cuidado com potencial para melhorar a adesão terapêutica e, consequentemente, os resultados clínicos. 

A deficiência do hormônio do crescimento (DGH) é uma condição que pode comprometer o desenvolvimento infantil, com redução do crescimento, e de adultos, com alteração na composição corporal. Por isso, especialistas reforçam a importância de acompanhar regularmente a curva de crescimento das crianças, avaliação realizada por profissionais de saúde que permite identificar possíveis alterações no desenvolvimento e investigar suas causas. Esse acompanhamento é ainda mais importante porque a janela de tratamento das condições relacionadas ao hormônio do crescimento (GH) é limitada até o fim da puberdade. Dessa forma, o diagnóstico precoce e o início adequado do tratamento são fundamentais para melhores desfechos clínicos. 

Quando há indicação de tratamento, uma das abordagens utilizadas é a reposição do hormônio do crescimento. Essa terapia evoluiu significativamente nas últimas décadas. Introduzidas ainda no século passado, as primeiras medicações consolidaram um modelo de tratamento baseado em injeções diárias, que permaneceu como padrão por mais de 40 anos. Embora eficaz, esse regime pode representar um desafio para muitas famílias devido à frequência das aplicações ao longo de tratamentos mais prolongados. 

Nesse cenário, terapias de ação prolongada passaram a ser desenvolvidas para reduzir a frequência das aplicações mantendo a eficácia clínica. Sogroya® utiliza uma tecnologia que prolonga a permanência do hormônio no organismo, permitindo a administração apenas uma vez por semana.

“Na Novo Nordisk, somos guiados pela ciência e por um compromisso contínuo com a inovação para desenvolver terapias que contribuam para o bem-estar dos pacientes e para a efetividade de seus tratamentos. Sogroya® utiliza uma tecnologia de prolongamento, semelhante à aplicada nas medicações a base semaglutida, o que permite a sua administração semanal e oferece mais praticidade. Esse avanço, aliado à inovação da aplicação suave, contribui para a adesão ao tratamento e para uma melhor experiência do paciente” comenta a vice-presidente médica da Novo Nordisk Brasil, Priscilla Mattar.
 

Além disso, nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration) já aprovou a ampliação das indicações de Sogroya® para o tratamento de crianças com baixa estatura nascidas pequenas para a idade gestacional (PIG), com síndrome de Noonan (SN) e com baixa estatura idiopática (BEI). A decisão foi baseada nos resultados do estudo clínico de fase 3 REAL8, que demonstrou que o tratamento semanal com somapacitana apresentou eficácia similar ao hormônio do crescimento de uso diário, com perfil de segurança consistente. 

Combinando inovação terapêutica, iniciativas de acesso e geração de conhecimento clínico, a chegada de Sogroya® ao Brasil amplia as possibilidades de tratamento para crianças e adultos com deficiência do hormônio do crescimento (DGH) e reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico no desenvolvimento infantil.


Novo Nordisk
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Referência:
Anvisa | Bula de Sogroya (somapacitana): Link


Pesquisa revela: pacientes do SUS demoram cinco vezes mais para ter acesso a uma UTI do que quem usa planos de saúde

 

O Brasil ampliou em 67% o número de leitos de UTI na última década e hoje está entre os países com maior oferta desse tipo de atendimento no mundo. Apesar do avanço, o acesso ao cuidado intensivo ainda é desigual. É o que mostra levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Pelos dados, quem tem plano de saúde pode ter até cinco vezes mais chances de conseguir um leito do que quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa diferença pode ainda ser maior, dependendo do Estado ou da região geográfica. 

 

Entre 2016 e 2025, o país passou de cerca de 28 mil para mais de 47 mil leitos de terapia intensiva para adultos nas redes pública e privada. O índice nacional chegou a 22,3 leitos por 100 mil habitantes, acima da média global, estimada em 8,7, e dentro da faixa considerada adequada por organismos internacionais. O crescimento foi impulsionado sobretudo durante a pandemia de covid-19 e, em grande parte, se manteve nos anos seguintes, consolidando uma expansão estrutural da capacidade hospitalar. No entanto, o aumento de tamanho da rede não significa que os problemas acabaram.

 


O presidente da AMIB, Cristiano Franke, afirma que, no SUS, é urgente melhorar a organização do cuidado e a gestão dos leitos para ampliar o acesso à terapia intensiva. Para ele, em muitos casos, é possível obter ganhos sem a necessidade imediata de expansão do número de leitos. Franke afirma que o caminho para a equidade passa pela combinação de investimentos e, principalmente, aprimoramento da gestão e organização dos recursos existentes. 


Apesar da expansão em nível nacional, os dados consolidados pela AMIB indicam ainda que em determinadas regiões permanece a necessidade de ampliação da disponibilidade de leitos, sobretudo na rede pública. Para a Associação, considerada referência no tema, o fato de o país apresentar uma taxa relativamente elevada não significa que se instalou um cenário de acesso equitativo. Ao contrário, as desigualdades observadas impactam diretamente a chance de sobrevivência dos pacientes dentro do sistema de saúde.

A média global de disponibilidade de leitos de UTI, considerando 87 países com dados disponíveis, é de 8,7 por 100 mil habitantes. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a faixa entre 10 e 30 leitos por 100 mil como referência a ser perseguida pelas nações. No Brasil, se em termos gerais, houve uma evolução importante na cobertura, esse movimento alcançou um estágio de maior conforto no segmento privado e suplementar da assistência. 

Os números descrevem uma evolução semelhante entre os leitos do SUS (13.869, em 2016, para 23.218, em 2025) e do setor privado (14.572, em 2016, para 24.426, em 2025), porém a rede formada por serviços particulares e operadoras de planos de saúde atingiu um patamar de taxas próximas de 69 leitos por 100 mil habitantes ao longo da década, o que a coloca em pé de igualdade com cenários de países desenvolvidos. Já no SUS, o índice passou de 7,5 por 100 mil, em 2016, para 13 por 100 mil, em 2025, praticamente dobrando. 

Com esse cenário, velhos problemas permanecem, como um acesso ao cuidado intensivo no Brasil marcado por desigualdades relevantes entre regiões e, sobretudo, entre quem tem ou não plano de saúde. Em 2025, a população brasileira foi estimada em 213,4 milhões de habitantes. Desse total, 35,5 milhões eram atendidos por planos de saúde e 177,9 milhões exclusivamente pelo SUS. Na prática, isso significa que 16,6% da população concentra 24.426 leitos de UTI adulto, enquanto 83,4% compartilham 23.218 leitos, pouco menos da metade dos 47.644 disponíveis no país. 

A desigualdade se acentua quando se observa a oferta proporcional. Entre beneficiários de planos de saúde, são 69 leitos por 100 mil habitantes. Já entre usuários do SUS, a taxa é de 13 por 100 mil. Em termos concretos, quem possui plano tem cerca de cinco vezes mais chance de acessar um leito de UTI do que quem depende exclusivamente da rede pública.

 


A desigualdade se acentua quando se observa a oferta proporcional. Entre beneficiários de planos de saúde, são 69 leitos por 100 mil habitantes. Já entre usuários do SUS, a taxa é de 13 por 100 mil. Em termos concretos, quem possui plano tem cerca de cinco vezes mais chance de acessar um leito de UTI do que quem depende exclusivamente da rede pública. 

Sob outra perspectiva, ao combinar a dependência exclusiva do SUS com o local de residência, o contraste no acesso à UTI se intensifica. Um morador do Espírito Santo que dependa do sistema público (22,8 leitos SUS por 100 mil habitantes) tem cerca de seis vezes mais chance de acessar um leito de terapia intensiva do que alguém no Amapá (3,6 por 100 mil). 


Segundo o presidente do Conselho Consultivo da AMIB, Ederlon Rezende, o crescimento do número de leitos de UTI ao longo dos anos representa um avanço importante, especialmente pela capacidade de resposta construída durante a pandemia e que acabou sendo incorporada de forma estrutural ao sistema de saúde. 

 

“O principal desafio está na distribuição e na capacidade de resposta do sistema. A forma como os leitos estão organizados e integrados à rede de atenção ainda limita o acesso em diversas regiões do país, sobretudo para a população que depende exclusivamente do SUS”, comentou, 

Rezende destaca ainda ser necessário avançar na construção de redes regionais mais articuladas, com maior capacidade de coordenação entre os serviços, de modo a reduzir vazios assistenciais e desigualdades territoriais. Segundo ele, o momento exige menos foco isolado na expansão e mais atenção à forma como os recursos existentes são distribuídos e utilizados.

 

Distribuição de leitos SUS e Não SUS por Unidade da Federação

 

IBGE/ANS/CNES: dezembro de 2025

 

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