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quarta-feira, 6 de maio de 2026

O Fim da Era da Estabilidade no Mercado de Fretes Marítimo


O ano de 2020 marcou o fim da era em que o frete era definido pela velha equação entre oferta de navios e demanda por carga. A Covid desorganizou essa lógica, e o mercado passou a ser pressionado por uma miríade de fatores externos, alheios à pura dinâmica comercial. Pandemia, rupturas logísticas, gargalos portuários, restrições regulatórias, eventos climáticos e tensões geopolíticas começaram a interferir diretamente na formação de preços e na previsibilidade das rotas.

 

Se 2020 rompeu o paradigma econômico clássico do freight market, 2025 será lembrado como o ano em que o shipping se tornou instrumento da própria geopolítica. O que antes era visto como atividade predominantemente privada passou a ser tratado por governos como ativo de poder, segurança nacional, e alguns diriam que a própria projeção de soberania do estado.

 

O shipping agora é influenciado por riscos geopolíticos em constante mutação. Além de guerras tarifárias e sanções. É por isso que o debate atual sobre shipping não pode ser reduzido apenas ao risco de guerra com o Irã ou ao Estreito de Hormuz.

 

Esses temas são relevantes, sem dúvida. Mas representam apenas a ponta do iceberg de uma transformação muito maior. O comércio global persiste, porém já não opera sob a antiga premissa de neutralidade. Ao contrário, ele se desenrola em um cenário de intensa fragmentação geopolítica, impulsionada pelo crescente protecionismo decorrente da crise do multilateralismo.

 

O livre comércio, na prática, deixou de ser livre. O shipping passou a ser utilizado como ferramenta de política externa. Sanções, tarifas e o protecionismo imposto pela crise do Multilateralismo passaram a moldar rotas e decisões comerciais com a mesma ou até maior intensidade do que o simples balanço entre tonelagem disponível e demanda por transporte.

 

Os próprios Estados Unidos passaram a tratar o tema de forma aberta, quando em 2025 a Casa Branca editou a ordem executiva para restaurar a dominância marítima americana, afirmando expressamente que a revitalização da indústria marítima doméstica serve à segurança nacional e à prosperidade econômica. Não se trata de detalhe retórico. Trata-se da admissão formal de que shipping e a construção naval passaram a ser matéria de soberania.

 

Esse novo ambiente já começa a desenhar algo que, até há poucos anos, parecia improvável. Hoje, o mundo da navegação caminha para uma separação prática entre circuitos acidentais e não ocidentais. Não é apenas uma divisão de rotas, e sim uma divisão de sistemas. De um lado, fluxos mais expostos à arquitetura regulatória do Ocidente, ao escrutínio de sanções, aos padrões tradicionais de seguro, financiamento e compliance.

 

De outro, fluxos cada vez mais apoiados em estruturas paralelas, com menor transparência, maior tolerância à opacidade registral, arranjos alternativos de pagamento e mecanismos concebidos para reduzir a exposição ao enforcement ocidental. Lloyd's List resumiu bem esse fenômeno ao registrar que o trade vem sendo redirecionado em função de alinhamentos geopolíticos.

 

Nesse contexto, a "frota fantasma" deixa de ser uma anomalia periférica e passa a ser um elemento estrutural do debate marítimo contemporâneo. Trata-se de uma frota paralela destinada a manter vivo um comércio menos aderente à ordem regulatória ocidental, contornando regimes de compliance e sanções econômicas. É, em alguma medida, a resposta de mercado à utilização do shipping como arma geopolítica pelo Ocidente.

 

Os chokepoints marítimos reforçam ainda mais esse quadro e confirmam que a pressão externa passou a ser um dos principais fatores de formação do frete. Suez, Panamá, Mar Vermelho, Mar Negro e Hormuz deixaram de ser apenas passagens logísticas. Tornaram-se zonas de pressão estratégica.

 

Dados divulgados pela UNCTAD mostram que, em meados de 2024, o tráfego no Canal de Suez e no Canal do Panamá havia caído mais de 50 por cento em relação aos seus picos, enquanto a tonelagem em Suez recuará 70 por cento em razão das perturbações no Mar Vermelho.

 

Houve redesenho de rotas, aumento de milhas navegadas e um maior custo do setor. O mercado percebeu que a geografia do comércio já não é fixa. Ela passou a ser rediscutida em tempo real pela soma de guerra, clima, sanção e estratégia estatal.

 

Portanto, a discussão central para os próximos anos não será apenas sobre excesso de encomendas, entrega de novos navios ou normalização de rotas. A questão central será a previsibilidade e a adaptabilidade. Em um ambiente de disrupções sobrepostas, a segurança e a previsibilidade, mais do que o preço, passarão a definir os rumos do transporte marítimo.

 

A frase é exata porque capta a essência do problema. Num ambiente em que uma tarifa, uma sanção, uma ordem executiva, problemas em chokepoint ou uma disrupção climática podem alterar o custo real de uma operação da noite para o dia, preço isoladamente perde centralidade. Ganha valor quem consegue entregar estabilidade operacional e capacidade de navegar dentro de uma ordem regulatória cada vez mais fragmentada e dinâmica.

 

O ponto aqui é simples. O shipping dos próximos anos não será moldado por um único vetor de crise. Ele será moldado pela sobreposição de disrupções. O caos e a excepcionalidade se tornaram parte da rotina operacional.

 

Sob a ótica jurídica e comercial, isso exigirá uma revisão muito mais sofisticada da forma como o setor estrutura seus contratos e sua governança. Cláusulas de war risk, sanctions compliance, force majeure, mudanças regulatórias, desvio de rota, frustração comercial, due diligence de contrapartes, cobertura securitária e resolução de disputas serão o núcleo real da estratégia negocial.

 

O velho modelo em que a operação era montada sobre a premissa de estabilidade regulatória e neutralidade do transporte já não reflete a realidade do setor.

 

2025 marcou o momento em que o mundo entendeu que o shipping já não era apenas um setor da economia global. Tornou-se instrumento de disputa geopolítica, segurança nacional e projeção de soberania. O navio continua a mover mercadorias. Mas, cada vez mais, move também poder. 

 

Larry Carvalho - advogado, especialista em logística, direito marítimo e comércio exterior.


4 experiências silenciosas para fazer no Alentejo



Região portuguesa conquista viajantes que buscam escapar do estresse acumulado da vida moderna 

 

O Alentejo, uma das regiões mais autênticas e preservadas de Portugal, vem se consolidando como o destino ideal para viajantes que buscam desacelerar e viver experiências mais sensoriais. Com paisagens panorâmicas, vilarejos tranquilos e conexão profunda com a natureza, o Alentejo oferece conforto e silêncio como forma de escapar do estresse da vida moderna.

Esse cenário ganha ainda mais relevância diante de uma das principais tendências de viagem para 2026: o interesse crescente por atividades silenciosas. Em resposta ao excesso de estímulos da vida urbana, viajantes ao redor do mundo passam a valorizar experiências calmas, como caminhadas contemplativas, observação de aves e pescaria. 

Este movimento também é chamado de quietcations (férias calmas) ou hushpitality (hospitalidade do silêncio). Nesse contexto, o Alentejo surge como o cenário perfeito para viver essa nova forma de viajar. Confira quatro experiências silenciosas para fazer no Alentejo. 


Pescaria 

O Grande Lago de Alqueva, maior lago artificial da Europa, é um dos melhores cenários para a pesca desportiva. Com grande diversidade de espécies, como achigã, lúcio-perca e barbo, o local proporciona momentos de total imersão e tranquilidade. A experiência pode ser feita com guias especializados, que conhecem os melhores pontos e tornam a atividade ainda mais enriquecedora.


Observação de aves

Com uma biodiversidade rica e preservada, o Alentejo é um verdadeiro paraíso para observadores de aves. Regiões como Castro Verde, Mértola e o Vale do Guadiana são ideais para avistar espécies emblemáticas como a abetarda, a águia-cobreira e a cegonha-preta. Para iniciantes, há tours guiados com especialistas que ajudam a identificar as aves e conduzem os visitantes pelos melhores percursos.


Caminhada 

Explorar o Alentejo a pé é uma das formas mais autênticas de vivenciar a região. Em Reguengos de Monsaraz, trilhas sinalizadas levam o viajante por vinhedos, olivais e vilarejos históricos, com destaque para percursos como “Escritas de Pedra e Cal”, que inclui a medieval Monsaraz e o Cromeleque do Xerez. Já a Rota Vicentina, oferece trilhas ao longo de uma das costas mais preservadas da Europa, combinando mar, falésias e natureza intocada.


Pedalar

De bicicleta, o visitante pode explorar toda a costa do Alentejo com paradas nas praias Porto Côvo, Malhão e Vila Nova de Milfontes. Ou visitar as vilas mais bonitas do interior da região, como Marvão, Estremoz, Castelo de Vide, Évora e Monsaraz. Além disso, de bike, os visitantes podem acessar com facilidade os monumentos históricos mais afastados, como o Cromeleque dos Almendres, construído há cerca de sete mil anos.

As atividades silenciosas refletem uma mudança profunda na forma de viajar, mudando o foco da quantidade de experiências para a qualidade delas. O Alentejo acompanha essa transformação e se posiciona como um dos destinos mais completos para vivê-la. 

 


Sobre o Alentejo 

Considerado o destino mais genuíno de Portugal, o Alentejo é a maior região do país. Privilegiando um lifestyle tranquilo em que a experiência de viver bem dá o tom, conta com belas praias intocadas e cidades repletas de atrações ímpares, como castelos e monumentos históricos. Detentor de quatro títulos da Unesco e diversos outros prêmios e reconhecimentos internacionais no setor do turismo, o Alentejo oferece opções para todos os tipos de viajantes, sejam famílias, casais em lua de mel ou aventureiros. A promoção turística do Alentejo, efetuada pela Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, conta com o apoio dos fundos comunitários através do Alentejo 2030, do Portugal 2030 e da União Europeia. Para mais informações, visite


37,2% das PMEs esperam aumentar vendas no Dia das Mães, aponta Serasa Experian

 

• 12,5% projetam estabilidade, enquanto 11,8% preveem queda no faturamento em relação ao último ano 

• Mais da metade não pretende realizar ações específicas para a data

• Baixa demanda e custos elevados estão entre os desafios dos mencionados pelos empreendedores 

 

O Dia das Mães, uma das principais datas para o comércio brasileiro, pode ser uma oportunidade para pequenas e médias empresas aumentarem as vendas no período e criarem ações especiais para seus clientes. É o que mostra uma pesquisa inédita da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, em que 37,2% dos empreendedores respondentes esperam aumento nas vendas em comparação ao mesmo período de 2025. Outros 12,5% projetam estabilidade, enquanto 11,8% preveem queda no faturamento.

 

Dentro do grupo otimista, 22,1% apontam expectativa muito alta de crescimento, enquanto 15,1% esperam alta moderada, indicando uma percepção positiva, ainda que com diferentes intensidades entre os negócios.

 

No recorte regional, o Norte se destaca com o maior nível de otimismo, com 60% das PMEs projetando aumento nas vendas para o Dia das Mães, acima da média nacional. Em seguida aparece o Nordeste (48%), enquanto Sudeste e Centro-Oeste registram 35%. O Sul apresenta o cenário mais moderado, com 23% das empresas indicando expectativa de crescimento.

 

Apesar desse cenário, os dados mostram que nem todas as empresas devem explorar o potencial da data. 52,3% das PMEs afirmam que não pretendem realizar ações específicas para o Dia das Mães. Entre aquelas que vão investir na ocasião, a principal estratégia é a realização de promoções e descontos (25%), seguida por campanhas de marketing (8%) e lançamento de produtos ou kits especiais (6,9%) ou todas as ações em conjunto (7%).

 

Os dados também mostram que o nível de expectativa está diretamente relacionado ao comportamento das empresas. Entre os negócios com perspectiva mais negativa, 59% afirmam que não pretendem realizar ações específicas para a data. Já entre aqueles com expectativa positiva, há maior adoção de estratégias como promoções e campanhas comerciais, indicando uma relação entre planejamento e projeção de resultados.

 

O levantamento também revela que os desafios enfrentados pelos empreendedores estão distribuídos entre diferentes fatores. A baixa demanda dos consumidores aparece como principal obstáculo para 22,6% dos respondentes, seguida por custos elevados, como produtos e logística para 21,2% das PMEs e concorrência acirrada para 20,3%. Outros pontos relevantes incluem a falta de capital para investimento (19,5%) e a dificuldade de atrair clientes (16,4%).

 

Além disso, 38,5% dos empresários afirmam não conseguir avaliar suas expectativas de vendas para a data, indicando que uma parcela significativa ainda enfrenta desafios relacionados à previsibilidade e ao planejamento comercial.

 

“O Dia das Mães é uma data relevante para o varejo, mas os dados mostram que ainda existe um espaço importante para evolução no planejamento das PMEs. Mesmo entre os negócios que projetam crescimento, nem todos estruturam ações específicas para capturar essa demanda. Trabalhar com mais antecedência, com base em dados e previsões, pode ajudar o empreendedor a tomar decisões mais assertivas, ajustar estratégias comerciais e melhorar o desempenho em períodos sazonais”, explica o vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian, Cleber Genero.

 

Apoio ao empreendedor no planejamento do negócio

Para apoiar as pequenas e médias empresas na preparação para o Dia das Mães, a Serasa Experian contará com um conteúdo especial em seu portal voltado à data, com orientações práticas para impulsionar as vendas, definir estratégias comerciais e aproveitar melhor o potencial do período. O material reúne dicas sobre organização, ações promocionais e planejamento, ajudando os empreendedores a se prepararem com mais eficiência para a ocasião.

 

No portal de conteúdo da Serasa Experian conta ainda também com artigos, ebooks e trilhas de conhecimento sobre outras temas relacionados ao universo do empreendedorismo, de forma simples e aprofundada. Entre os conteúdos disponíveis estão o ebook de Reforma Tributária elaborada pela datatech, a calculadora de horas trabalhadas e análises econômicas voltadas para esse público e também o tradicional calendário de datas que apoia no planejamento sazonal dos pequenos e médio negócios. 

 

Metodologia

A pesquisa entrevistou 1.109 PMEs no site aberto da Serasa Experian durante o mês de março e abril de 2026 com respondentes de todo o Brasil. 

 


Experian
experianplc.com


Endurecer penas não resolve o crime: o risco de mais uma lei penal simbólica

A sanção da Lei nº 15.397/2026 recoloca o Brasil diante de uma velha contradição: diante de problemas reais de segurança pública, responde-se, mais uma vez, com a fórmula politicamente sedutora e juridicamente insuficiente do aumento de penas. O texto altera o Código Penal para endurecer a resposta a crimes como furto, roubo, estelionato, receptação, fraudes eletrônicas, subtração de celulares, roubo de veículos, latrocínio, receptação de animais domésticos e uso de chamadas contas laranja. À primeira vista, a lei parece dialogar com angústias sociais concretas, como a explosão dos golpes digitais, a disseminação do roubo de celulares e a utilização de contas bancárias para movimentação ilícita de recursos. O problema, contudo, está menos na identificação desses fenômenos e mais na ilusão de que a mera majoração abstrata da pena seja capaz de enfrentá-los. 

A experiência brasileira demonstra, de forma reiterada, que leis penais casuísticas raramente entregam aquilo que prometem. São aprovadas sob o impacto de comoções públicas, pressões midiáticas ou episódios de grande repercussão, convertendo o Direito Penal em instrumento de resposta simbólica. O Parlamento transmite à sociedade a mensagem de que algo foi feito, o Executivo sanciona a norma sob o discurso da firmeza e o sistema de justiça passa a operar mais uma engrenagem punitiva. Entre a promessa política e o resultado concreto, porém, há um abismo. O aumento da pena, isoladamente, não reduz a impunidade, não melhora a investigação criminal, não amplia a capacidade de elucidação dos delitos, não recupera bens subtraídos, não bloqueia com eficiência cadeias financeiras ilícitas nem desarticula mercados criminosos. 

A impunidade, no Brasil, não decorre, em regra, da brandura abstrata das penas. Decorre, sobretudo, da baixa capacidade investigativa, da precariedade tecnológica das polícias judiciárias, da dificuldade de rastreamento financeiro, da morosidade processual, da subnotificação, da ausência de integração de bancos de dados, da falta de inteligência criminal e da seletividade estrutural do sistema penal. Aumentar a pena de um crime que o Estado não consegue investigar adequadamente é uma resposta de superfície. O efeito político é imediato; o efeito preventivo é duvidoso. 

A nova lei também revela uma tendência preocupante: a substituição de uma política criminal racional por uma sucessão de reformas penais fragmentadas. Em vez de planejamento, diagnóstico empírico e avaliação de impacto, produz-se legislação penal em série. A cada nova modalidade delitiva, a resposta preferencial é criar qualificadoras, majorantes ou tipos autônomos. O resultado é um Código Penal cada vez mais remendado, desproporcional e reativo, no qual a coerência sistêmica cede espaço à urgência do momento. A lei passa a responder mais ao clamor público do que a uma política criminal constitucionalmente orientada. 

Não se ignora que crimes patrimoniais e fraudes digitais produzem danos relevantes. O furto ou roubo de um celular, por exemplo, já não representa apenas a subtração de um objeto material, mas envolve acesso a dados, aplicativos bancários, documentos pessoais, redes sociais e identidade digital. Também é inegável que o uso de contas de terceiros para movimentar recursos ilícitos constitui mecanismo relevante para a economia do crime. O ponto, porém, é outro: reconhecer a gravidade dessas condutas não autoriza concluir que o aumento da pena seja o meio mais eficaz para preveni-las. 

A prevenção criminal depende muito mais da probabilidade de detecção e responsabilização do que da elevação abstrata da sanção. Quem pratica golpes digitais, furto de celular ou receptação não consulta previamente o Código Penal para calcular a pena. A crença de que penas mais altas produzem automaticamente maior inibição ignora a dinâmica real da criminalidade. Em regra, o que inibe o crime não é a ameaça remota de uma pena elevada, mas a percepção concreta de que a conduta será descoberta, investigada, provada e punida em tempo razoável. 

Nesse contexto, a Lei nº 15.397/2026 corre o risco de repetir um ciclo conhecido: promete segurança, mas entrega encarceramento. Ao majorar penas e endurecer o tratamento penal de delitos massificados, tende a produzir impacto direto sobre a população prisional. O próprio debate legislativo já indicava o objetivo de tornar mais rigorosas as penas, inclusive com reflexos sobre a decretação de prisões preventivas. 

O problema é que esse endurecimento ocorre em um país que já convive com uma grave crise penitenciária. O próprio Estado reconhece a necessidade de enfrentar a superlotação, melhorar a infraestrutura prisional e fortalecer a reintegração social. Ainda assim, continua aprovando leis que ampliam o fluxo de entrada no cárcere. O Brasil já possui centenas de milhares de pessoas privadas de liberdade e um déficit expressivo de vagas, cuja solução exigiria investimentos bilionários, além de custos permanentes de manutenção. 

Esse dado impõe uma pergunta elementar: onde essas pessoas cumprirão pena. Sem resposta, o endurecimento penal converte-se em irresponsabilidade legislativa. Cria-se mais prisão no papel sem criar estrutura real. O resultado previsível é o agravamento da superlotação, o fortalecimento de facções e a reprodução de um sistema que devolve à sociedade indivíduos mais vulneráveis e, muitas vezes, mais vinculados ao crime. 

A contradição é evidente. O Estado promete proteger a sociedade por meio do aumento de penas, mas alimenta um sistema prisional que reconhecidamente produz degradação, reincidência e fortalecimento do crime organizado. Em vez de reduzir a criminalidade, amplia-se uma engrenagem que já opera acima de sua capacidade. 

Leis penais casuísticas também reforçam a seletividade do sistema. O endurecimento formal tende a atingir os grupos mais vulneráveis, mais facilmente capturados pela repressão penal cotidiana, enquanto estruturas mais sofisticadas dos mercados ilícitos permanecem relativamente protegidas. No caso dos golpes digitais, prender intermediários pode gerar estatística, mas dificilmente desarticula organizações mais complexas sem investigação patrimonial, cooperação tecnológica e rastreamento de ativos. 

Uma política criminal séria exige proporcionalidade, racionalidade, evidência empírica e responsabilidade fiscal e carcerária. Antes de aumentar penas, seria necessário avaliar impactos, estimar custos, fortalecer investigações, qualificar perícias digitais, integrar instituições e ampliar mecanismos de reparação às vítimas. 

A nova lei pode oferecer uma resposta retórica ao sentimento de insegurança, mas retórica penal não se confunde com eficácia preventiva. Aumentar pena é fácil. Investigar bem é difícil. Criar tipos penais dá visibilidade. Reduzir mercados ilícitos exige inteligência, coordenação e investimento contínuo. 

No fundo, a Lei nº 15.397/2026 segue uma lógica recorrente no Brasil: transforma medo social em aumento de pena, converte comoção em reforma legislativa e apresenta encarceramento como sinônimo de segurança. A experiência recente mostra que esse caminho não reduziu a impunidade nem tornou o país mais seguro. Apenas expandiu uma população carcerária já incompatível com a capacidade material e constitucional do Estado. 

O combate ao crime patrimonial e aos golpes digitais é necessário. Mas será tanto mais eficaz quanto menos simbólico e mais estrutural. O país não precisa de mais uma lei penal de ocasião. Precisa de investigação eficiente, inteligência financeira, tecnologia, prevenção, reparação às vítimas e uma política penitenciária que não confunda punição com produção em massa de presos. Sem isso, a nova lei será apenas mais um capítulo no teatro da severidade: dura no discurso, frágil nos resultados e onerosa nas consequências.

 

Marcelo Aith - advogado criminalista. Doutorando Estado de Derecho y Gobernanza Global pela Universidad de Salamanca - ESP. Mestre em Direito Penal pela PUC-SP. Latin Legum Magister (LL.M) em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa – IDP. Especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidad de Salamanca.


Alta movimentação no Dia das Mães leva varejo a investir em tecnologia contra furtos

Com 73% dos consumidores nas lojas físicas, data intensifica fluxo e acelera adoção de soluções tecnológicas para conter furtos 

 

O Dia das Mães de 2026 deve movimentar não só o e-commerce, mas também o varejo físico no Brasil. É o que aponta o levantamento recente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), onde a opção será o principal meio de compra para 73,4% dos consumidores este ano. 

Mas, com a alta concentração de pessoas nos pontos de venda, cresce também a complexidade da operação e a exposição a furtos oportunistas. “Para os varejistas, especialmente em lojas de grande circulação e categorias com alto giro, o cenário evidencia uma transformação estrutural, onde a prevenção de perdas deixou de ser reativa para mais tecnológica, preditiva e orientada por dados”, afirma Rodrigo Tessari, CEO da Deconve, startup especializada em prevenção de perdas no varejo físico. 

Ainda segundo a pesquisa, entre os itens mais procurados estão cosméticos e perfumaria (23,9%), roupas (21,1%), calçados e bolsas (9,1%) e eletrodomésticos (8,3%), aumentando o movimento nestes centros comerciais e shopping centers, por exemplo. 

“Por sorte, hoje conseguimos antecipar essas ocorrências com o uso de inteligência artificial, câmeras inteligentes e análise comportamental em tempo real”, destaca Tessari.
 

Como essa tecnologia tem funcionado?

Na prática, o avanço tecnológico tem substituído modelos tradicionais baseados apenas em vigilância passiva ou atuação após o prejuízo. Segundo o executivo, as câmeras inteligentes são integradas a um software capaz de realizar detecção e reconhecimento facial em tempo real. 

“O sistema cruza imagens com uma base de dados colaborativa e gera alertas preventivos que passam por validação humana antes de chegar à loja, o que permite uma atuação antecipada e responsável, especialmente em datas como o Dia das Mães, quando o fluxo intenso dificulta o controle manual”, ressalta Rodrigo. 

Outro diferencial está no uso de inteligência colaborativa entre unidades varejistas. A análise integrada de dados sobre tentativas recorrentes de furto permite fortalecer a prevenção em toda a operação, criando uma camada adicional de proteção em períodos sazonais, quando a dinâmica de consumo muda rapidamente. “Não se trata de vigiar pessoas, mas de prevenir perdas com responsabilidade, respeitando o cliente e apoiando a operação da loja”, reforça o CEO. 

Com o aumento do fluxo e da relevância comercial da data, a combinação entre tecnologia e estratégia operacional se torna essencial para equilibrar segurança e experiência de compra. “O Dia das Mães é uma das datas mais importantes para o varejo no primeiro semestre. Garantir eficiência e reduzir perdas é fundamental para transformar esse potencial de consumo em resultado real para as empresas”, conclui.
  

Deconve


Seis em cada 10 empregos em março foram criados por micro e pequenas empresas

Levantamento do Sebrae, a partir dos dados do Caged, indica mais de 333 mil postos de trabalho gerados pelas MPEs no primeiro trimestre do ano 

 

Micro e pequenas empresas criaram, em março, 133 mil empregos. Isso significa que seis a cada 10 empregos gerados nesse mês estavam entre os pequenos negócios. De janeiro a março de 2026, mais de 333 mil pessoas foram contratadas com carteira assinada pelas micro e pequenas empresas brasileiras. Esse número corresponde a mais da metade das vagas de trabalho do período.

É o que mostra o levantamento do Sebrae feito a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para o presidente da instituição, Rodrigo Soares, o resultado reafirma a importância dos pequenos negócios na economia brasileira.

“O desemprego no primeiro trimestre foi de 6,1%, o menor já registrado no período, desde 2012. Os dados mostram que a qualidade no trabalho melhorou. As pequenas empresas são responsáveis por boa parte da inclusão e renda do nosso país. Por isso, sempre trabalhamos para melhorar o ambiente de negócios dos empreendedores brasileiros e para fortalecer o setor, porque quando os pequenos negócios se fortalecem, a economia do país se fortalece junto”, afirma o presidente.

Ao longo dos três primeiros meses do ano, o Brasil registrou mais de 613 mil contratações. Desse total, as micro e pequenas empresas responderam por 54% do total das vagas, enquanto as médias e grandes criaram 220 mil empregos (36%).


Setor de destaque

O principal gerador de novos postos de trabalho, no mês de março, entre as MPEs, foi o setor de Serviços, com 70 mil pessoas contratadas; seguido por Construção, com 25,9 mil registros; e pelo setor de Comércio, com 16,8 mil vagas preenchidas.


A IA que pensa, o líder que decide


A Inteligência Artificial deixou de ser promessa. Ela já está aqui, redesenhando o presente nos negócios, na educação, na medicina, no transporte, em tantas áreas; e também na forma como tomamos decisões.

 

Mas o que separa quem vai se beneficiar dessa transformação de quem vai ficar para trás não é conhecimento técnico. É a mentalidade. Esse é o ponto central que desenvolvo no livro “O Mindset da IA: ela pensa, você decide”. Não é a tecnologia que determina o futuro, é a forma como escolhemos usá-la.

 

A IA não tem intenção. Não tem propósito. Não tem responsabilidade.

 

Ela amplia o que já existe. Se as decisões forem boas, ela potencializa resultados. Se forem ruins, ela escala erros.

 

Por isso, mais importante do que aprender a usar IA é aprender a pensar com ela. Estamos diante de uma mudança que exige menos respostas prontas e mais perguntas melhores. Quem lidera nesse novo contexto não é quem domina ferramentas, mas quem questiona, interpreta e decide com consciência.

 

E isso nos leva a um ponto desconfortável: o medo da IA fala mais sobre nós do que sobre a tecnologia. O que nos inquieta não é a máquina em si, mas o fato de que ela nos obriga a rever hábitos, abandonar certezas e sair da zona de conforto. A IA não ameaça apenas empregos, ela desafia modelos mentais.

 

Dentro das empresas, isso fica ainda mais evidente. A tecnologia, por si só, não transforma nada. Cultura transforma. Ambientes que incentivam aprendizado, experimentação e responsabilidade compartilhada avançam mais rápido. Já organizações que não toleram falhas acabam travando o próprio potencial da IA.

 

Outro ponto crítico são os vieses. Ou confiamos demais nos algoritmos ou desconfiamos completamente deles. E nenhum dos dois caminhos funciona.

 

Usar IA com inteligência exige equilíbrio, questionar resultados, entender limites e, principalmente, assumir que a decisão final continua sendo humana.

 

Também é importante entender que essa transformação nem sempre é visível. Muitas vezes, ela acontece de forma silenciosa, até o momento em que se torna inevitável. E quando isso acontece, já não há mais tempo para acelerar a curva de aprendizagem.

 

A boa notícia é que, quando bem utilizada, a IA não diminui o humano, ao contrário, ela amplia nossa capacidade de criar, de analisar, de decidir melhor.

 

Mas isso só acontece quando usamos a tecnologia como extensão do pensamento, e não como substituto dele. No fim, a discussão sobre IA não é tecnológica. É humana. É sobre responsabilidade, ética e, principalmente, sobre escolhas.

 

A tecnologia pode pensar, mas continua sendo o ser humano que decide, e é exatamente por isso que a pergunta mais importante deste momento não é “o que a IA é capaz de fazer?”, mas “que tipo de decisão nós estamos preparados para tomar com esse poder nas mãos?”.

 

Porque, no fim, não será a inteligência artificial que definirá o futuro. 

Seremos nós, com a mentalidade que escolhemos construir.

 

 

Guilherme Horn - head do WhatsApp para Mercados Estratégicos (Brasil, Índia e Indonésia) e autor do livro O mindset da IA – ela pensa, você decide

 

Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia

O “transporte” de poeira e aerossóis de fumaça com minerais entre
a África e a América do Sul é um processo contínuo que afeta a
atmosfera e os ciclos de nutrientes na Amazônia
(
foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Estudo indica que eventos como massas de ar frio no hemisfério Norte alteram a travessia de aerossóis sobre o Atlântico que ajudam a nutrir solos da floresta; acreditava-se que a influência vinha da mudança da direção dos ventos

 O que o avanço de massas de ar frio nos Estados Unidos tem a ver com adubos que seguem nos “rios voadores” vindos da África e ajudam a nutrir os solos da Amazônia brasileira? Artigo publicado na Geophysical Research Letters revela uma interconexão atmosférica entre essas regiões distantes.

Os cientistas descobriram que sistemas sinóticos – fenômenos meteorológicos de grande escala abrangendo áreas de milhares de quilômetros –, como ondas de frio nos EUA e anomalias de alta pressão no Atlântico Sul, modificam as chuvas intensas ao longo da faixa tropical do oceano Atlântico.

Essas alterações regulam, durante as estações úmidas, se a Amazônia receberá ar carregado de partículas vindas da África ou sem esses aerossóis. Os dias “limpos” (com menos partículas) foram precedidos de máximas de precipitação no oceano. Até então, não havia um claro entendimento da razão das flutuações e supunha-se que a influência vinha da mudança da direção dos ventos.

O “transporte” de poeira e aerossóis de fumaça com minerais entre a África e a América do Sul é um processo contínuo que afeta a atmosfera e os ciclos de nutrientes na Amazônia. Apesar da vegetação densa e da biodiversidade da floresta, com grande quantidade de matéria orgânica, a maior parte do solo da região é pobre em nutrientes por causa, principalmente, da intensa lixiviação – processo de “lavagem” e remoção desses elementos das camadas superficiais pela ação da água da chuva ou irrigação.

Fósforo é o elemento mais limitado, seguido por cálcio, potássio e magnésio. No entanto, a escassez desses minerais é, em parte, compensada pelo transporte transatlântico de aerossóis vindos da queima de biomassa no continente africano e até mesmo de poeira mineral do deserto do Saara.

“O resultado demonstra que temos uma interconexão, uma simbiose da vida no planeta. Alterações climáticas afetam esse padrão e causam uma ruptura que ainda não sabemos aonde vai dar nem as consequências para os ecossistemas no futuro”, explica o professor Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck (Alemanha).

Autor correspondente da research letter (um formato de artigo científico mais conciso, focado e revisado por pares, destinado a comunicar descobertas originais de forma mais rápida), Machado destaca a relevância dessa “troca” de nutrientes, especialmente vindos do deserto do Saara.

“Ao contrário do que se possa imaginar, essa região é muito importante para a saúde do planeta. Sua poeira contém minerais cruciais não só para a fertilização da Amazônia como para a manutenção da vida aquática. Entre eles estão o ferro e o fósforo, fundamentais para a produtividade da floresta e para a vida nos oceanos”, explicou à Agência FAPESP.

Machado lembra uma pesquisa, publicada em 2022 na revista Nature e liderada por brasileiros, demonstrando que o crescimento da floresta amazônica pode ser limitado por baixos níveis de fósforo nos solos mesmo que a atmosfera seja rica em gás carbônico. Concentrações mais elevadas de CO2 fazem com que as plantas acelerem seu crescimento, sequestrando o carbono e mitigando impactos das mudanças climáticas.

Dois anos depois, mapas desenvolvidos com a ajuda de inteligência artificial confirmaram os baixos níveis de fósforo na região (leia mais em: agencia.fapesp.br/51443).


Medições diárias

Para investigar os fatores que influenciam a variabilidade da “limpeza” atmosférica na Amazônia, os pesquisadores usaram medições diárias de carbono negro registradas pelo Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês) combinadas com dados meteorológicos globais.

O Atto está instalado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (AM) e sua torre tem 325 metros. Gerido em conjunto por cientistas do Brasil e da Alemanha, tem o objetivo de registrar continuamente dados meteorológicos, químicos e biológicos, como a concentração de gases de efeito estufa.

O carbono negro, usado como indicador do transporte de partículas a longa distância na estação chuvosa, é a fuligem formada na queima de combustíveis e de biomassa. São partículas microscópicas que absorvem luz solar, aquecem a atmosfera e podem ser transportadas por longas distâncias. Segundo Machado, cerca de 60% do carbono negro que chega à Amazônia na estação chuvosa é de origem africana.

No estudo, os pesquisadores avaliaram concentrações médias diárias de carbono negro nos meses de janeiro e fevereiro – que correspondem ao início da estação chuvosa na região – entre 2015 e 2022. Detectaram que as concentrações apresentaram variação significativa, tendo alguns dias com níveis elevados por causa da influência africana e outros com condições excepcionalmente limpas.

Para caracterizar a variabilidade das chuvas, o grupo identificou os dias correspondentes às máximas e mínimas da precipitação média diária, classificados como “picos” e “vales”, respectivamente. Foram, então, gerados mapas correspondentes a condições úmidas (“limpas”) e secas (“poluídas”).

Os resultados revelaram que dias chuvosos na região tropical, que geralmente coincidem com condições de ar limpo sobre a Amazônia, estão associados a incursões de ar frio nos Estados Unidos. Esses eventos são caracterizados por sistemas de alta pressão que dominam o leste americano, enquanto no hemisfério Sul observou-se um aumento da pressão atmosférica sobre o Atlântico Centro-Sul.

Essa configuração sinótica promove uma convergência de ventos em baixos níveis mais forte sobre o Atlântico equatorial, o que intensifica o transporte de umidade para a Amazônia, levando a um aumento da precipitação e a uma limpeza atmosférica.

Já as partículas e os gases são transportados da África para a América do Sul principalmente acima da camada limite marinha (parte inferior da atmosfera em contato direto com o oceano) e, posteriormente, para a bacia Amazônica, auxiliados pela corrente de jato de baixos níveis da Amazônia.

Machado explica que mudanças nos jatos de baixo nível do Atlântico e da Amazônia podem alterar o transporte de partículas com impacto na resiliência do ecossistema. Por isso, uma nova fase do estudo envolve agora analisar esses jatos e compreender como eles podem se comportar nas próximas décadas.

O trabalho tem o apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático vinculado ao Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

O artigo Hemispheric synoptic patterns control rainfall and long-range aerosol transport in the Amazon pode ser lido em: agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2025GL117732.

 

Luciana Constantino

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/sistemas-atmosfericos-controlam-chuvas-e-transporte-de-nutrientes-da-africa-ate-a-amazonia/57969


Plano de Segurança Viária, nova parceria e ações: Detran-SP abre o Maio Amarelo 2026

Evento marca o início da implementação do Plano de Segurança Viária, que prevê 308 entregas para os próximos anos, como parte da estratégia para reduzir pela metade as mortes no trânsito de SP

 

A edição 2026 do Maio Amarelo marca o início da implementação do Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo (PSV), a primeira política pública voltada à segurança no trânsito em nível estadual no país. Foi o que ressaltou Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran-SP, na abertura oficial do mês de campanha pela redução nas mortes no trânsito, na tarde desta terça-feira (5), na sede do órgão de trânsito. 

 

“Neste ano, nossa mobilização ganha mais força ao colocar no centro do debate o PSV-SP 2025-2035, publicado no final de abril pelo governo de São Paulo, que por sua vez põe a segurança no trânsito como prioridade da agenda pública”, disse Mantovani. “No próximo Maio Amarelo, após a implementação do PSV-SP, estaremos aqui apresentando as ações integradas do plano. Enquanto isso, preparamos para este mês 655 ações educativas, 12% a mais que em maio do ano passado.”

 

O PSV-SP foi construído por órgãos do Sistema Estadual de Trânsito de São Paulo (Sistran-SP), em colaboração com Bloomberg Philanthropies, WRI Brasil e Global Road Safety Partnership (GRSP), responsáveis pela revisão técnica. No evento, também foi anunciada a plataforma de dados viários, a ser lançada pelo Detran-SP e DER-SP, para guiar políticas contra sinistralidade. 

 

A solenidade teve a participação de representantes da administração pública, como Fraide Sales, secretário em exercício de Justiça e Cidadania, Ricardo Miguel Fernandes do Nascimento, diretor de Operações Viárias do DER-SP, Eduardo Aggio, presidente do Detran-SP e Frederico Arantes, coordenador do Sistran e presidente do Cetran-SP, e também de instituições dedicadas à segurança viária, como a Bloomberg Philanthropies Initiative for Global Road Safety, com quem o Detran-SP renovou a parceria técnica por mais cinco anos. 


 

Dados em rede salvam vidas


Membros do Comitê Executivo do PSV-SP, que trabalharam na construção do plano em 2025, destacaram a importância de basear o planejamento em uma sólida base de dados extraídos do Infosiga, portal de estatísticas viárias coordenado pelo Detran-SP. 

 

“Dados podem ser usados de maneira construtiva para identificar problemas e erguer soluções, como no caso do mapeamento da rede hospitalar próxima às rodovias, já que o resgate às vítimas é parte essencial do plano de salvar vidas. O PSV-SP representa um passo fundamental para colocar a preservação da vida no centro da agenda pública”, disse Fraide Sales, secretário de Justiça e Cidadania em exercício.

 

“Edificamos um guia com base em metodologia, técnica, diagnósticos claros e amplos. Não conheço nada tão abrangente e compreensivo quanto o que foi empreendido em São Paulo na construção desse plano: foram ouvidas todas as 645 cidades do estado, que só tem um número menor de municípios que Minas Gerais, com 800”, destacou Eduardo Aggio, presidente do Detran-SP.

 

Frederico Arantes, coordenador do Sistran e presidente do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-SP), afirmou que, sem a reestruturação administrativa que criou uma Diretoria de Segurança Viária dentro do Detran-SP, o PSV-SP não seria possível. “Criar uma diretoria voltada à vida, em um ambiente que era notadamente cartorial, foi uma decisão acertada que vai nos proporcionar frutos lá na frente. O compromisso em torno do PSV-SP é tão grande que ninguém hesitou em criar uma página para que a sociedade monitore e participe do plano, no portal do Cetran-SP.”

 


PSV-SP


Com o enfrentamento à letalidade no trânsito como prioridade, o Governo de SP lançou o 1º Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo (PSV-SP), que tem como objetivos principais reduzir pela metade as mortes no trânsito em cinco anos, com potencial de salvar 19.000 vidas até 2030, e consolidar uma cultura de vias seguras, responsabilidade compartilhada e civilidade viária.

 


Maio Amarelo 


O Maio Amarelo é um movimento de promoção de uma cultura de segurança e respeito à vida, iniciado no Brasil em 2014, inspirado na Década de Ação pela Segurança no Trânsito criada em maio de 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e depois renovada em 2021.



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