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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

5 cidades diferentes para planejar o seu intercâmbio de 2026

Do Reino Unido à Oceania, cinco cidades pouco exploradas por estudantes brasileiros se destacam pela qualidade de ensino, segurança, custo-benefício e experiências culturais únicas


2026 já bate à porta,e com ele os planos para o próximo ano. A Belta (Associação de Agências de Intercâmbio) revelou que houve uma alta no setor de 15% em 2024 em relação a 2023, o que representa um aumento estimado de R$540 milhões movimentados em pacotes e programas de intercâmbio. A perspectiva é que em Abril de 2026, teremos acesso aos novos números de brasileiros que embarcaram em 2025, mas a projeção de crescimento é de 17%. 

O intercâmbio deixou de ser sinônimo de algo caro, para algo planejado e com isso os estudantes passaram a olhar para além das grandes capitais e destinos conhecidos. Cada vez mais, os jovens buscam viver experiências mais autênticas, seguras e com melhor custo-benefício, muitas vezes encontradas justamente em cidades menores, e com forte presença acadêmica. Além de menos concorridas, essas regiões oferecem acessibilidade, integração real com a comunidade local e oportunidades acadêmicas e culturais que passam despercebidas por quem escolhe apenas os “clássicos”. 

O intercâmbio segue em expansão entre os brasileiros, e 2026 promete consolidar destinos menos óbvios no radar dos estudantes. De acordo com a Pesquisa Selo Belta 2025, alguns destinos alternativos vêm registrando crescimento acelerado na procura dos brasileiros. A Nova Zelândia, por exemplo, recebeu cerca de 1.000 estudantes brasileiros em 2024 e segue em expansão, com um aumento expressivo de 34% no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024.  

Para Alexandre Argenta, presidente da Belta, essa mudança reflete uma nova mentalidade do estudante brasileiro. “O intercambista de hoje quer viver algo realmente transformador. Ele busca ambientes com menor custo, natureza por perto e instituições fortes, mas sem cair nos destinos de sempre. Cidades menos óbvias podem entregar tudo isso, e muitas vezes com mais qualidade”, afirma.
 

Pensando nisso, Alexandre Argenta traz 5 opções de destinos fora da caixinha para os intercambistas brasileiros conhecerem em 2026:
 

1. Cardiff (Reino Unido)



A capital do País de Gales é um tesouro subestimado no Reino Unido. Combinando vida universitária vibrante, segurança e excelente custo-benefício quando comparada a Londres e Manchester, Cardiff atrai estudantes que querem qualidade sem multidões. 

A cidade abriga a Cardiff University, reconhecida internacionalmente por pesquisa e inovação, especialmente nas áreas de comunicação, saúde e ciências sociais. Além disso, o clima cultural é riquíssimo: castelos, museus gratuitos, festivais musicais e uma cena esportiva que mobiliza o país. Para quem busca aprender inglês com imersão cultural profunda, Cardiff entrega tradição, acessibilidade e acolhimento.


 

2. Arizona (Estados Unidos)

 


Muito além de Nova York, Orlando ou Califórnia, o Arizona vem ganhando destaque entre estudantes internacionais por oferecer universidades fortes e um ambiente multicultural surpreendente. Cidades como Tempe e Tucson recebem milhares de alunos de diversos países graças a instituições como a Arizona State University (ASU) e a University of Arizona, conhecidas por inovação, tecnologia, ciências ambientais e astronomia. 

O clima desértico e ensolarado facilita a adaptação, e o custo de vida é mais baixo do que nos grandes centros americanos. Para quem busca High School ou universidade, o Arizona combina estrutura acadêmica sólida com estilo de vida seguro, tranquilo e diverso.

 

3. Tasmânia (Austrália)

 



Segura, acolhedora e com uma beleza natural impressionante, a Tasmânia já desponta como um dos lugares mais completos para estudar na Austrália. Hobart, sua capital, oferece uma atmosfera moderna com toque histórico, festivais renomados, galerias, museus e uma gastronomia vibrante. A natureza em torno, de praias intocadas a montanhas dramáticas, torna o cotidiano especialmente agradável. 

O estado tem forte reputação acadêmica em estudos ambientais, agricultura, ciências marinhas e pesquisas antárticas, graças à proximidade com centros científicos de classe mundial. Na prática, os graduados saem com vantagem competitiva: salários acima da média australiana e taxas mais altas de empregabilidade.Relatos, recebidos pela Belta, de estudantes que escolheram a Tasmânia reforçam o que os dados indicam: qualidade de vida, segurança e uma comunidade que realmente acolhe estrangeiros.


 

4. Dunedin (Nova Zelândia)
 


Dunedin é a joia acadêmica da Ilha Sul, uma região ainda pouco procurada por brasileiros, mas repleta de potencial. A cidade é charmosa, histórica e com forte vida estudantil graças à University of Otago, a universidade mais antiga do país, famosa por sua arquitetura impressionante e tradição acadêmica. A localização estratégica é outro diferencial: Dunedin fica próxima de Queenstown, capital neozelandesa da aventura, o que amplia as opções de passeios e experiências ao ar livre. 

Para High School, inglês ou universidade, Dunedin oferece uma combinação irresistível: segurança, natureza exuberante, educação de alto nível e custo de vida mais acessível do que em Auckland ou Wellington. 

 

5. Calgary (Canadá)

 

Embora o Canadá esteja entre os destinos mais populares, Calgary ainda é um segredo bem guardado entre intercambistas brasileiros. Localizada na província de Alberta, a cidade combina segurança, infraestrutura impecável e uma cena cultural em crescimento acelerado. 

Calgary é porta de entrada para as montanhas rochosas, tornando o destino perfeito para quem ama natureza, esportes de inverno e qualidade de vida. No campo educacional, se destaca pela University of Calgary, com excelência em engenharia, saúde e ciências ambientais. O custo de vida é mais baixo do que Toronto ou Vancouver, e Alberta tem uma das economias mais estáveis do país, o que aumenta perspectivas profissionais para quem busca programas de estudo e trabalho. 

Em um cenário em que o estudante brasileiro busca cada vez mais experiências transformadoras e menos previsíveis, cidades como Cardiff, Arizona, Tasmânia, Dunedin e Calgary representam uma nova rota de oportunidades. Se 2026 promete algo, é que sair do óbvio será, mais do que nunca, um caminho inteligente, e extremamente recompensador, para quem sonha em estudar no exterior. 

 


Belta – Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio
Conheça mais, aqui!


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

 Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país. Este dia é mais do que uma simples marca no calendário: é a consagração do papel fundamental exercido pelas valorosas advogadas e pelos valorosos advogados criminalistas na defesa da cidadania, da liberdade e da justiça. 

A Abracrim, que completa em 2025 seus 32 anos de existência, reafirma seu compromisso incansável com a valorização de uma profissão que, muitas vezes incompreendida, representa a última trincheira contra o arbítrio, as ilegalidades e o abuso de poder. O Mês da Advocacia Criminal, instituído pela entidade, reforça esse reconhecimento social e institucional indispensável ao fortalecimento do Estado Democrático de Direito. 

O advogado criminalista não apenas exerce um múnus público essencial; é o guardião necessário dos direitos fundamentais, o baluarte que assegura o contraditório e o devido processo legal. Como pontuou, com sabedoria, Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente de honra da Abracrim: “Os direitos contidos no ordenamento jurídico não podem sucumbir ante a opinião pública convencida da culpa de alguém.” 

O legado de nomes ilustres da advocacia brasileira inspira essa luta diária. Rui Barbosa, patrono da advocacia, nos recorda que “em matéria criminal, não há causa absolutamente indigna de defesa.” Elias Mattar Assad, idealizador e fundador da Abracrim, sintetizou o anseio de toda a classe: “Queremos um Brasil conforme a Constituição da República prometeu.” E o saudoso mestre Osvaldo Serrão, com precisão, lembrou que “a profissão do advogado criminalista nunca poderá automatizá-lo, porque a matéria-prima do nosso trabalho diário são sempre os dramas reais das vidas das pessoas que nos procuram.” 

Neste momento de celebração, a Abracrim enfatiza que o desafio da advocacia criminal não é apenas técnico, mas profundamente ético e humano. É enfrentar estigmas que confundem defensor com acusado; é proteger, de forma intransigente, os direitos do cidadão; é representar esperança quando muitos já a perderam.

A voz dos criminalistas ecoa firme e altiva. Como bem pontuou Sérgio Leonardo, associado da Abracrim e procurador-geral da OAB Nacional: “Nós somos os primeiros garantes do Estado Democrático de Direito e a última trincheira de resistência contra o arbítrio, as ilegalidades, o abuso de poder e o autoritarismo. Nós somos essa voz!” Uma voz que só se fortalece com o respeito às prerrogativas profissionais, que não constituem privilégios, mas garantias mínimas para o exercício digno e independente da advocacia. 

O advogado criminalista tem a difícil missão de ser luz na escuridão das injustiças; pois, nas palavras do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ribeiro da Costa, “onde for ausente a palavra do advogado, não haverá justiça, nem lei, nem liberdade, nem honra, nem vida.” 

E a Abracrim segue cumprindo sua missão de defesa e valorização da advocacia criminal. Por sua atuação institucional e pelas realizações de seus dirigentes e associados, a entidade foi indicada e venceu a premiação de “associação destaque” no Prêmio Nacional Justiça em Foco de 2025, cuja solenidade ocorrerá no próximo dia 16 de dezembro, em Brasília. Trata-se de um reconhecimento à maior entidade representativa da advocacia criminal brasileira. 

Assim, nosso compromisso, reforçado pelos reconhecimentos de 2025, é seguir atuando com coragem, técnica e ética na defesa das prerrogativas profissionais e na consolidação do direito de defesa no Brasil. Como bem ressaltou Luciano Mariz Maia, subprocurador-geral da República: “É necessária a presença do advogado desde o primeiro momento, porque é a presença de um advogado que faz cessar o arbítrio; é a presença do advogado que tem a coragem de levantar-se contra o medo e assegurar justiça para todos.” Essa coragem é a alma da advocacia criminal. 

Que este Dia da Advocacia Criminal inspire todos os brasileiros a valorizar quem, diariamente, com coragem e ética, enfrenta desafios para garantir um julgamento justo e a proteção dos direitos constitucionais. Rendo, nesta oportunidade, sinceras homenagens às éticas, probas e honradas advogadas e aos honrados advogados criminalistas de todo o país, que, segundo o criminalista Carlos Biasotti, “representam o bálsamo para o sofrimento alheio e a esperança para os que receiam não só pela liberdade, senão pela própria vida.” 

Viva a advocacia criminal brasileira! Viva a Abracrim! Viva as valorosas e os valorosos advogados criminalistas! Seguimos juntos na defesa da democracia, do direito de defesa e da justiça.

 

Sheyner Yàsbeck Asfóra - presidente nacional da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim).



Procon está de olho em lojista que cobra taxa no crédito à vista

Thinkstock
21 estabelecimentos foram multados neste ano no estado de SP, 50% mais do que em 2024. Para Lauro Pimenta, da Alobrás, pagamento no crédito é mais caro porque demora até um mês para o comerciante receber das operadoras. Advogado diz que a lei não é clara

 

De janeiro até agora, 21 estabelecimentos comerciais foram multados pelo Procon-SP, no valor de quase R$ 182 mil, por cobrança de taxa no pagamento com cartão de crédito à vista.

Esse número é 50% maior do que o do ano passado (14) e 133% maior do que o de 2023 (9), ano em que as multas somadas foram ainda maiores, de quase R$ 197 mil.

Entre os setores multados neste ano no estado de São Paulo, destacam-se os de atacados de artigos de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e doméstico, de bolsas, malas e artigos de viagem e de componentes eletrônicos e equipamentos de comunicação.

No comércio varejista, os destaques são para os de artigos de armarinho, de ótica, de vestuário e acessórios, de combustíveis, de equipamentos de telefonia e comunicação e de mercadorias de lojas de conveniência, além de padarias.

Alguns desses lojistas já pagaram a multa e outros recorreram.

“No pagamento à vista, no cartão de crédito ou de débito, não pode ser cobrada taxa do consumidor”, afirma Marcelo Pagotti João, diretor de fiscalização do Procon-SP.

Lei Federal 13.455/2017 autoriza o comerciante a diferenciar preços de bens e serviços em função de prazo de pagamento, como Pix, cartão de débito ou de crédito.

Mas isso, não por cobrança adicional, diz Pagotti João, mas, sim, para redução de preços, e os descontos deverão ser informados em local e formato visíveis ao consumidor.

Pagotti João diz que, se o lojista acrescentar preço em pagamento à vista, mesmo que no uso do cartão de crédito, está adotando ‘prática abusiva’ e pode ser multado em ação de fiscalização.

No pagamento a partir de duas vezes, no cartão de crédito, diz ele, já não há restrições para cobrança de taxas. Fica a critério do comerciante cobrar e do consumidor aceitar.


Busca Busca

Em visita, há cerca de duas semanas, à loja do Busca Busca e a outras no shopping Mega Polo Modas, localizado no Brás, a reportagem do Diário do Comércio constatou que era prática comum a cobrança de taxa de 6% no pagamento à vista com cartão de crédito.

Em duas vezes, a taxa cobrada era de 8% e, em três vezes, de 10%. A reportagem tentou, mas não conseguiu falar com representantes da loja Busca Busca.

Lauro Pimenta, vice-presidente da Alobrás (Associação dos Lojistas do Brás), diz que o entendimento dos lojistas é que há distinção entre pagamentos no débito e no crédito.

“Mesmo que o pagamento no crédito não seja parcelado, para nós lojistas não é considerado à vista. Se quisermos receber à vista das operadoras de cartões, temos de pagar uma taxa de antecipação. Portanto, há diferença, sim, entre crédito à vista e débito.”

De acordo com ele, não cabe dizer se o Procon está certo ou errado. É uma questão de entendimento da língua portuguesa. “Crédito, como a palavra diz, é crédito, custa mais.”

Se foi gerado crédito para o lojista, diz ele, há bases contratuais com as operadoras para o recebimento. “Quando ele passa uma venda no crédito, ele não recebe à vista”, afirma.

Se o Procon tiver uma garantia para o lojista de que, quando ele passa uma compra no crédito à vista, ele recebe à vista da operadora, diz Pimenta, “aí tudo se encaixa. “Se houver essa referência para lojista, o Procon pode nos ajudar.”

Para o vice-presidente da Alobrás, se a legislação que trata dessa questão é dúbia, “não é razoável o lojista ser punido por diferenciar crédito de débito.”

Situação é polêmica, de acordo com Angelo Paschoini, advogado especializado em meios de pagamento. Isso porque a Lei 13.455/2017, diz, apesar de autorizar diferenciação de preços, menciona ‘descontos’, não aumento de preços.

Se o lojista passa uma venda no cartão de crédito à vista, de acordo com ele, ele só vai receber da operadora no fechamento do ciclo, até 28 dias. No débito, ele já recebe no dia seguinte.

O lojista está correto, na avaliação de Paschoini, quando afirma que custa mais para ele a venda no cartão de crédito, mesmo que à vista.

O Procon-SP também está correto, diz, quando entende a lei de forma literal, que cita descontos, e não aumento de preços.

Diante desse impasse, a sugestão de Paschoini para os lojistas é que coloquem os preços nos produtos considerando a venda no cartão de crédito à vista e utilizem os descontos nos pagamentos com débito, Pix, dinheiro.

“O hábito fez com que a loja parta do preço maior para o menor. Por exemplo, o preço do produto é R$ 100 no cartão de crédito. Mas, se pagar à vista no débito ou no PIX ou em dinheiro, custa R$ 95. Isso não é lei, é hábito, e é o que o Procon defende”, diz.

Nos casos dos lojistas que estão cobrando uma taxa no valor de crédito à vista, Paschoini sugere, portanto, uma mudança na comunicação, partindo do maior valor para o menor.

Agora com a proximidade do final de ano, época em que as lojas têm maior movimento, o Procon-SP orienta os lojistas a prestarem atenção na exibição de preços aos clientes, justamente para não serem alvo de denúncias e posterior ação de fiscalização.

As multas com base nessas ações de fiscalização podem variar de R$ 936,91 a R$ 13.030.272,92. Os valores são calculados com base na infração e no faturamento da empresa.

“Produto vencido, sem etiqueta adequada, sem comunicação clara com o cliente, tudo entra na multa. Quanto mais informações irregulares, maior é a multa”, diz o diretor do Procon-SP.


Para evitar denúncias e multas

O Procon-SP tem algumas indicações para os lojistas evitarem denúncias de clientes.

- O preço à vista deve ser sempre divulgado e, caso haja opção pelo parcelamento, no mesmo local deve haver a divulgação de condições de pagamento;

- Entre as informações que precisam estar claras na loja estão número e valor das prestações, taxa de juros e demais acréscimos, bem como o valor total a ser pago com o financiamento;

- Eventuais descontos oferecidos em função do prazo ou meio de pagamento utilizado devem ser informados em local e formato visíveis ao consumidor, não somente no caixa;

- Todas as informações sobre o preço devem vir indicadas da mesma forma, com fonte e tamanho de letra iguais;

- No comércio eletrônico, o preço à vista deve ser divulgado junto à imagem do produto ou descrição do serviço em caracteres com tamanho de fonte não inferior a doze;

- As informações ao cliente precisam ser corretas e verdadeiras, não podem ser enganosas;

- O comerciante deve evitar abreviaturas e situações que dificultem a compreensão da comunicação;

- A informação precisa ser exata e diretamente ligada ao produto, sem nada que impeça o acesso, e perceptível, sem a necessidade de qualquer esforço para compreensão;

- Os preços devem ser afixados por meio de etiquetas ou similares diretamente nos produtos expostos à venda no interior da loja, em araras ou manequins, por exemplo, e com sua face principal voltada ao consumidor. E da mesma forma nos produtos expostos em vitrines.

Se precisarem de mais informações, os comerciantes podem procurar o Procon-SP

 


Fátima Fernandes

https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/procon-esta-de-olho-em-lojista-que-cobra-taxa-no-credito-a-vista



Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja. O problema é que, na hora de escolher o futuro presidente, o eleitor é bombardeado por uma avalanche de publicidade governamental e de promessas no horário eleitoral gratuito e, sem condições de fazer uma análise técnica da situação do país, acaba envolvido em narrativas e retóricas que, sabidamente, não refletem a realidade e, na maioria das vezes, não se realizarão. Esse cenário remete ao filósofo Sigmund Freud, segundo o qual “as massas nunca tiveram sede da verdade, elas querem ilusão e não vivem sem elas”. 

Agora, a um ano do pleito, uma análise mais profunda da situação nacional revela que nas últimas décadas o país enveredou por um caminho muito perigoso. É inadmissível que os governos nacionais continuem querendo amenizar o fracasso de gestões transferindo a culpa a governos anteriores. Lembremos que desde 2000, o Brasil foi governado por diferentes gestores de ideologias diversas (2 anos de PSBD, 16,4 anos de PT, 2,3 anos de PMDB, e 4 anos de PL), e que seguem postulando o mesmo cargo nas próximas eleições. 

 O fato de o Brasil estar entre as 10 maiores economias do planeta não esconde que ainda enfrenta problemas gravíssimos, em especial o empobrecimento da maioria da população. Segundo o Banco Mundial, em 2010, a renda anual per capita do brasileiro era de US$ 11.391. Em 2024, fechou em US$ 10.234, perda de 10,15% em 14 anos. Nesse mesmo período o PIB mundial cresceu 64%, mostrando que o Brasil ficou para trás. 

Pior ainda foi o resultado primário. Em 2022, o país registrou superávit primário de R$ 55 bilhões, o correspondente a 0,60% do PIB. Depois disso, a situação se inverteu. A partir de 2023, em todos os anos se registrou déficit primário: de R$ 229 bilhões naquele ano, ou 2,10% do PIB; de R$ 11 bilhões (0,10% do PIB) em 2024, e para 2025 a previsão é de déficit de R$ 75 bilhões (0,60% do PIB), sem contar as exclusões não recomendadas pela TCU, estimadas em outros R$90bilhões. 

Sem controle de gastos, a dúvida pública da União só aumenta. Em 2022 (governo anterior), era de R$ 5,95 trilhões (59,8% do PIB) e agora deverá atingir o recorde de R$ 8,00 trilhões em 2025, equivalente a 65,0% do PIB, segundo as previsões. 

Com a dívida pública da União crescendo à razão de R$ 1,0 trilhão/ano, o custo para a nação também se eleva muito em razão da consequente alta da taxa de juros. Os juros da dívida pública que consumiram R$ 700 bilhões em 2022, graças à taxa Selic de 11,75% de acordo com as estimativas, devem atingir R$ 1,12 trilhão em 2025, com a taxa Selic em 15,00% devido ao descontrole gerncial e teimosia em não cortar gastos. A conta sobra para o contribuinte. Nesses últimos três anos, a carga tributária passou de 30,3% do PIB em 2022, devendo fechar 2025 com algo próximo entre 34,0% e 34,5%, ou seja, elevação assustadora de 3,2 pontos percentuais. E querem mais. 

Paradoxalmente, o brasileiro vem pagando mais impostos, porém não vê sua vida melhorar. As desigualdades permanecem. Mais de um terço da população (35,60%) tem renda bruta mensal de até um salário-mínimo (R$ 1.518,00), enquanto outros 21,60% dos brasileiros vivem com renda entre 1 e 2 salários-mínimos (de R$ 1.518,00 até R$ 3.036,00). E 22,80% da população ganham entre 2 e 2,3 salários-mínimos por mês, ou seja, entre R$ 3.036,00 e R$ 3.500,00.  Em resumo, 90% dos brasileiros vivem com renda mensal bruta de até R$ 3.500,00. 

Há ainda outros indicadores sociais mostrando que o Brasil não garante qualidade de vida de seu povo. Em 2022, o país ocupava a 73ª posição no mundo em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e caiu para a 84ª colocação em 2024. No coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de renda, está em 53º lugar entre 58 países. No Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), que analisa a relação entre a carga tributária e o retorno em qualidade de vida à população, o Brasil é o último colocado entre as 30 nações que compõem o ranking. Também é pífio o desempenho brasileiro na educação, a nível mundial. O Pisa, mostra que ficamos em 53º lugar em leitura; 65º em matemática, e 53º em ciências. No Índice de Percepção da Corrupção, o país ocupa hoje sua pior colocação na história: caiu 35 posições e está na 107ª posição. Quando o assunto é violência urbana, somos campeões mundiais em número absoluto de homicídios intencionais, um título vergonhoso. 

A máquina pública é gigante e ineficiente. Consome anualmente cerca de R$ 1,7 trilhão por ano ou quase 13,5% do PIB (Estadão 07.09.25), mais do que a média (9,3%) dos 38 países da OCDE, mesmo possuindo quase metade do número de servidores. Esse paradoxo encontra explicação nos privilégios e penduricalhos nos salários. A remuneração média dos ocupantes do topo da pirâmide do funcionalismo do governo federal é 67% maior que a média paga pelo setor privado. E mesmo entre os poderes há diferenças: se comparado com o Executivo, o Poder Legislativo paga 63% a mais, e o Judiciário tem remuneração média 263% maior. 

Para 2026, o orçamento da União prevê gastos de R$ 219,80 bilhões em programas sociais, incluindo Bolsa Família, BPC, Pé de Meia, auxílio-gás, farmácia popular e FIES. São programas importantes e necessários, porém sem porta de saída. Consomem 1,64% do PIB, mais do que a União investirá em educação (1,02% do PIB), em segurança pública (0,03%) e em habitação (0,04% do PIB). Para essas áreas essenciais, o Orçamento 2026 garantirá R$ 391,60 bilhões, ou 6,00% do total, ante 3,37% dos programas sociais. 

Os investimentos poderiam ser bem maiores se o país não tivesse de pagar R$ 1,12 trilhão de juros sobre as dívidas públicas (7,76% do PIB), além de R$ 455 bilhões (3,40% do PIB) em déficits previdenciários. Nessa conta entram mais de R$ 600 bilhões (cerca de 5,00% do PIB) em gastos tributários da União - renúncias fiscais - , dinheiro que o governo deixa de arrecadar (muitas das vezes sem prazo de vigência nem decrescente ao longo do tempo). Por tudo isso, o valor para investimento previsto será de pífios R$ 83 bilhões, ou 0,62% do PIB. Pouco demais para um país que precisa de muito investimento em infraestrutura para atender minimamente sua população de 213,4 milhões de pessoas. 

Embora venha aumentando a carga tributária e com previsão de arrecadação recorde em 2026 e 2027, amarga o maior déficit nominal e a mais alta dívida pública. Esses resultados reprovam todos os governos das últimas décadas, revelando que o país se ressente de um plano de metas e de maior controle dos privilégios e da corrupção, exigindo mais verdades e menos narrativas, e reclamando urgentemente maior austeridade fiscal. 

A história registra, infelizmente, que, desde 1990, dos seis presidentes da República eleitos ou que depois assumiram o cargo, apenas dois (Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso) encerraram seus mandatos sem nenhum arranhão na esfera penal. Outros dois sofreram impeachment e os demais enfrentaram problemas na Justiça. No mesmo período, quatro ex-presidentes da Câmara dos Deputados foram presos, situação que mostra bem a deterioração ética dos políticos brasileiros. 

O diagnóstico da situação nacional não é bom, face gestão inadequada e inexistência de plano de metas ou plano de governo. Há, porém, caminhos para que essa situação seja revertida e o país reencontre o rumo do desenvolvimento com justiça social. Para isso será necessário que o presidente cumpra as obrigações contidas no arcabouço fiscal já aprovado, especialmente a de acabar com o déficit e gerar superávit primário, o que facilitaria a redução da inflação – hoje entre 4,8% e 5,1% -, levando-a para perto do centro da meta de 3% ao ano. 

Outro exemplo: se o governo reduzir em apenas 1,5 ponto percentual as despesas primárias, que já foram de 14,7% do PIB no governo de FHC e hoje ultrapassam 19% do PIB, o déficit primário de 0,60% do PIB passará a superávit de 0,90% do PIB. Atrelado à redução de privilégios, penduricalhos e desperdícios, isso contribuiria para a redução das despesas acima de R$ 180 bilhões/ano, sem traumas e sinalizando a investidores, analistas, instituições financeiras, empresários e à mídia, a disposição política de inaugurar uma nova era, a era da austeridade fiscal. 

É possível economizar ainda mais. Basta o Executivo enviar ao Congresso Nacional um programa de redução dos gastos tributários da União, em cumprimento ao já determinado pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021, que estabeleceu o teto de gastos em 2% do PIB, hoje cerca de R$ 250 bilhões/ano. Esse teto é ignorado e hoje gasta-se mais de 5,5% do PIB. Se houvesse a redução de apenas metade do estabelecido pela EC nº 109, o país economizaria mais R$ 220 bilhões por ano. 

Além disso, com superávit de 4,0% a 4,5% do PIB (de R$ 500 a R$ 560 bilhões/ano), seria possível trazer a inflação para o centro da meta (3% ao ano) e, com isso, estabilizar a dívida pública da União (hoje de 70% do PIB) e do governo geral, de 80% do PIB, criando-se as condições para a redução da taxa real Selic de 9,5% a.a. para 6% a.a. descontada a inflação de 3% ou 3,5% (nominal de 15% para 11%). O resultado seria redução dos juros e economia de cerca de R$ 300 bilhões anuais. Com todas essas medidas, seria facilmente possível economizar mais de R$ 800 bilhões/ano. Não é pouca coisa. 

Permitiria ampliar em 50% todos os programas sociais existentes, reforçar o SUS e ainda implantar o ensino obrigatório em tempo integral, capacitar e remunerar melhor os professores, melhorar a vigilância das fronteiras, portos e aeroportos para evitar a entrada de armas e drogas que alimentam as facções criminosas, e ainda realizar grandes investimentos em infraestrutura. Seria um passo fundamental para reduzir o custo Brasil e gerar valor adicionado em nossa pauta de comércio exterior. 

É urgente o governo entender que praticar Austeridade Fiscal é o maior Programa Social em benefício da população, a maior e melhor fonte de recurso já disponível para manutenção e ampliação dos tão necessários Programas Sociais para correção das inaceitáveis e injustas desigualdades sociais e regionais do país, tudo sem nenhum aumento de tributo e sem culpar ninguém. Sem dar concretude a essas duas palavras, nunca atingiremos as outras duas que são o lema da nação: ordem e progresso.

  

Samuel Hanan - engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”. Site: https://samuelhanan.com.br

 

É Natal! Fique atento ao fazer suas compras com cartões nas lojas físicas e pela internet

Abecs, a associação que representa o setor de meios eletrônicos de pagamento, traz as melhores dicas para ajudar o consumidor a não cair em golpes durante suas compras


O fim do ano chegou e, com ele, começa a tradicional corrida para as compras natalinas, tanto nas lojas físicas, quanto pela internet. No entanto, é preciso ficar atento ao usar cartões de crédito e débito para não cair em golpes ou fraudes, que também aumentam bastante neste período. Para ajudar na missão de blindar os consumidores contra essas situações, a Abecs, a associação que representa o setor de meios eletrônicos de pagamento, traz dicas capazes de garantir que suas compras de Natal sejam mais seguras. Confira: 

  • O seu cartão é de uso pessoal e intransferível. Nunca, em hipótese alguma, compartilhe-o. E nem forneça sua senha para outras pessoas;
  • Sempre desconfie de promoções online com preços muito abaixo do normal. Principalmente nesta época do ano, golpistas se aproveitam dela para usar valores exageradamente baixos, com anúncios em redes sociais, como “isca” para roubar dados e senhas de cartões.
  • É importante reforçar que há um trabalho diário da indústria de meios de pagamento para coibir golpes e criar mecanismos avançados anti-fraudes, no entanto, o uso correto pelo consumidor é essencial para que isso seja efetivo;
  • Pesquise antes de comprar, só acessando sites de sua confiança ou que tenham boa reputação. Após a transação, salve ou imprima o comprovante de compra.
    Os cartões possuem o mecanismo de chargeback, que garante ao consumidor o direito de contestar uma compra e estornar o valor pago de sua fatura, caso seja comprovado que houve um golpe;
  • Na hora de fazer uma compra em loja física, acompanhe o seu cartão até o terminal de pagamento (maquininha), sem perdê-lo de vista;
  • Antes de aproximar o cartão ou digitar sua senha, sempre confira o valor na maquininha evitando, inclusive, que o funcionário visualize suas informações digitadas;
  • Não digite sua senha ou aproxime o seu cartão de maquininhas com a tela danificada ou com algum sinal de adulteração.
    Lembre-se: o pagamento por aproximação usa a tecnologia NFC, uma das mais seguras do mundo;
  • Verifique se o vendedor devolveu o cartão correto. Confira seu nome e seus dados antes de guardar o plástico;
  • Em caso de perda ou roubo, entre em contato imediatamente com a central de atendimento do cartão e faça o bloqueio;
  • Verifique sua fatura regularmente. Caso identifique cobranças desconhecidas, comunique-se com o emissor do cartão para relatar e resolver a situação.


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Prepare a revisão para a prova do Vestibular das Faculdades de Tecnologia (Fatecs


Para confirmar o local da prova é preciso acessar a Área do Candidato do site do Vestibular das Fatecs

 

Exame será aplicado em 14 de dezembro, às 13 horas; local de prova poderá ser consultado no site vestibular.fatec.sp.gov.br, a partir do dia 9

 

A prova do processo seletivo para o primeiro semestre de 2026 das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Estado de São Paulo será aplicada em 14 de dezembro, às 13 horas. O Centro Paula Souza (CPS) orienta que o candidato aproveite os próximos dias para revisar os conteúdos do programa oficial do Vestibular. O exame, com uma redação e 60 questões objetivas, avalia conhecimentos em nove áreas principais do Ensino Médio, além das habilidades de escrita.

Em Linguagens e Comunicação, o estudo deve priorizar a relação entre texto, contexto e norma culta. É importante revisar morfossintaxe, concordância, regência, coesão, coerência e períodos literários do Brasil e de Portugal. Em Inglês, o foco é a compreensão textual e o reconhecimento de vocabulário e ideias principais. 

Na área de Exatas e Lógica, o programa abrange funções de 1º e 2º grau, porcentagem, geometria plana e espacial, probabilidade, estatística e raciocínio lógico.

Em Ciências da Natureza, os temas centrais são estrutura da matéria, reações químicas, leis de Newton, energia, eletricidade, ecologia, genética e fisiologia humana.

A prova de Ciências Humanas e Multidisciplinares cobra conteúdos de História, Geografia e temas interdisciplinares, como industrialização, desigualdades socioeconômicas, mudanças climáticas, Guerras Mundiais e Constituição de 1988.

A redação pode ser dissertativa ou narrativa. O texto deve seguir a norma culta da língua portuguesa, conter título obrigatório e ser escrito com caneta azul ou preta. Redações com menos de cinco linhas ou fora do tema ou gênero proposto recebem nota zero.

Dicas para os últimos dias de estudo:

  • Reserve tempo diário para revisar as disciplinas do programa.
  • Faça simulados cronometrados para testar o gerenciamento de tempo.
  • Treine redações com temas atuais e peça correção de professores ou colegas.
  • Releia resumos e mapas mentais com os conceitos principais.
  • Priorize as áreas com menor domínio, sem deixar de revisar os conteúdos consolidados.


Orientações

O local de prova estará disponível a partir das 15 horas do dia 9 de dezembro, na Área do Candidato do site vestibular.fatec.sp.gov.br. Não haverá envio de convocação por e-mail ou Correios. 

No dia do exame o candidato deve chegar com antecedência, munido de documento de identidade original e caneta esferográfica de tinta azul ou preta. Todos os aparelhos eletrônicos devem permanecer desligados e guardados durante a realização da prova.

 

Centro Paula Souza


Férias coletivas: regras, exceções e consequências da recusa do empregado

Especialista explica o que diz a legislação, os direitos dos trabalhadores e os cuidados que empresas devem observar no fim de ano

 

Com a aproximação do final do ano, cresce o movimento de empresas que optam por conceder férias coletivas, seja por questões de organização interna, sazonalidade, redução de demanda ou simples recesso programado. Apesar de ser uma prática comum, muitos trabalhadores ainda desconhecem como esse mecanismo funciona e, principalmente, quais são seus direitos e deveres diante dessa determinação empresarial. 

“É muito comum que o período de festas concentre decisões de férias coletivas, mas ainda existem muitas dúvidas, tanto por parte das empresas quanto do empregado, sobre como o processo deve ser conduzido e quais obrigações legais precisam ser cumpridas”, afirma Giovanna Tawada, advogada trabalhista e sócia no Feltrin Brasil Tawada Advogados.

 

Qual a previsão legal das férias coletivas e quando podem ser concedidas?

As férias coletivas estão previstas nos arts. 139 a 141 da CLT, que dispõem que a empresa pode conceder férias coletivas a todos os empregados ou a determinados setores e que as férias coletivas podem ser divididas em até dois períodos anuais, nenhum deles inferior a 10 dias corridos. 

Segundo Giovanna, “a legislação deixa claro que a concessão é uma prerrogativa do empregador e pode abranger toda a empresa ou setores específicos, desde que respeitados os prazos e limites definidos na CLT”.

 

O que a empresa deve fazer para conceder férias coletivas aos seus empregados?

Para que seja dada as férias coletivas aos empregados, o empregador deve comunicar: (i) ao órgão local do Ministério do Trabalho (hoje Secretaria de Inspeção do Trabalho) com antecedência mínima de 15 dias; (ii) ao sindicato da categoria; e (iii) fixar aviso nos locais de trabalho para ciência dos empregados (art. 139, §3º). 

“A formalização correta é essencial. Caso contrário, a empresa pode enfrentar questionamentos trabalhistas e até autuações”, explica a advogada.

 

Como funciona o pagamento das férias coletivas?

Quanto ao pagamento, ele segue a mesma regra das férias individuais, que deve ocorrer até 2 dias antes do início do período (art. 145 da CLT).

 

O empregado pode se recusar a tirar as férias coletivas?

A resposta é não. As férias coletivas constituem ato unilateral do empregador, decorrente do seu poder diretivo (art. 2º da CLT). Isso porque, as férias são concedidas no interesse do empregador, e não do empregado. Além disso, muitas empresas suspendem suas atividades durante certo período, de modo que não há como o empregado continuar trabalhando. 

“Essa é uma dúvida recorrente. A empresa tem autonomia para definir o período de descanso coletivo, e o empregado não pode se recusar”, esclarece Giovanna.

 

Empregados com contrato por prazo determinado têm direito a férias coletivas?

Sim. Os empregados contratados por prazo determinado, inclusive contratos temporários, também participam de férias coletivas. O art. 140 da CLT estabelece que “os empregados contratados há menos de 12 (doze) meses gozarão, na oportunidade, férias proporcionais, iniciando-se, então, novo período aquisitivo”.

 

Posso descontar os valores das férias coletivas na rescisão do empregado?

Para que não haja prejuízo salarial ao empregado, os dias excedentes de férias coletivas são considerados licença remunerada e não podem ser objeto de desconto posterior. 

As férias coletivas, portanto, configuram uma ferramenta legítima e importante de gestão empresarial, ao mesmo tempo em que preservam os direitos dos trabalhadores. Ao contrário do que muitos imaginam, não se trata de mera conveniência patronal, mas de um mecanismo equilibrado que busca compatibilizar necessidades empresariais com proteção ao trabalhador. 

“A interrupção temporária das atividades pode ser essencial para a saúde econômica da empresa e, consequentemente, para a preservação de empregos. Quando aplicada corretamente, a modalidade gera organização, previsibilidade e segurança jurídica”, afirma Giovanna Tawada. 

Em um cenário econômico dinâmico e muitas vezes incerto, compreender o funcionamento das férias coletivas é fundamental para evitar conflitos e assegurar relações de trabalho mais harmônicas. Informação e clareza são, como sempre, os melhores instrumentos para garantir segurança jurídica a todos os envolvidos.



Giovanna Tawada - advogada formada e pós-graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, ambos pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, e conta com mais de 11 anos de experiência na área trabalhista, sempre atuando em grandes e renomados escritórios de São Paulo. Tawada é, atualmente, sócia do escritório Feltrin Brasil Tawada com atuação voltada tanto para área consultiva quanto para o contencioso trabalhista.


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