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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Como as doenças funcionais do aparelho digestivo impactam na qualidade de vida do paciente

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A maioria das pessoas não sabem que o maior e mais complexo sistema do corpo humano é o aparelho digestivo. Constituindo-se por um longo tubo que começa na boca, passa pelo esôfago, segue pelo estômago, intestino delgado, intestino grosso e, por fim, o esfíncter anal, além de estar ligado a dois importantes órgãos: o fígado e o pâncreas.


Esta maravilhosa máquina é capaz de executar muitas funções independentes em cada setor, mas que de alguma maneira estão interligadas. Podemos compará-la à regência de uma orquestra, composta por vários instrumentos que, juntos e em perfeita harmonia, produzem um concerto encantador. Da mesma maneira, o aparelho digestivo produz o milagre da perpetuação de nossa espécie através da manutenção do processo de absorção e transformação dos vários elementos nutritivos necessários à nossa vida.  

Representando o grande maestro, temos o sistema nervoso entérico (SNE). Uma complexa rede, formada por neurônios e gânglios nervosos, denominados plexos, que se interligam e executam multitarefas com relação à condução, absorção de proteínas, gorduras, vitaminas e eliminação de produtos desprezados pelo processo de excreção. Há também o mecanismo de reciclagem, como é o caso do ferro, no qual aproveitamos 98% daquilo que perdemos, em função da sua reabsorção no intestino grosso.

Outra comparação que podemos fazer é à uma fábrica, em que as máquinas e engrenagens são orientadas por um sistema micro e comandados por um sistema maior. No caso do sistema digestivo, o cérebro (sistema nervoso central) ajuda a regular algumas funções. O termo “Eixo cérebro intestinal” representa esta interação e, por meio dele, é possível observar que um sistema influencia o outro. Por exemplo, quando subimos em uma montanha russa e estamos no ponto mais alto do brinquedo, sentimos um “frio na barriga”, que nada mais é do que uma manifestação da emoção, do medo, causado pelo nervo vago que emerge do sistema nervoso central e que excita o sistema nervoso entérico e produz a sensação de desconforto na região central da barriga.

Portanto, podem existir múltiplos pontos para o descontrole deste complexo sistema. Como é uma rede interligada, para algumas funções é preciso que outras aconteçam antes, durante ou depois do processo digestivo.

Para ter ideia: uma alimentação mal mastigada tem dificuldade de ser transportada no esôfago e, quando chega ao estômago, demora para ser digerida. Por conta disso, o processamento do alimento é dificultado, atingindo os intestinos que ainda não estão prontos para a absorção de nutrientes e podem, eventualmente, influenciar o funcionamento intestinal para mais ou para menos. Muitas situações são decorrentes dos nossos hábitos de vida, do tipo de alimentação, podem ser consequências de outras doenças, pós estados tóxicos ou infecciosos ou por alteração de estados emocionais. Existem vários fatores em conjunto e individuais que podem determinar uma disfunção em um setor específico ou então em vários que se interdependem.

As doenças funcionais digestivas constituem o maior contingente de motivos para consultas e exames em todo o mundo, pois são universais, atingindo todas as etnias, classes sociais e faixas etárias.

Podemos dizer que as síndromes mais frequentes são a Dispepsia Funcional, a Síndrome do Intestino Irritável e a Constipação Intestinal Funcional. Como característica principal e comum entre elas, apresentam sintomas diários ou intermitentes que tiram a qualidade de vida do indivíduo, com longa duração, menos ou mais intensos, impedindo que as pessoas atingidas por essas síndromes tenham uma vida com mais conforto.

 

Dispepsia Funcional

A dispepsia funcional é caracterizada por sintomas que sugerem o acometimento do estômago ou do duodeno na ausência de qualquer anormalidade de natureza orgânica, estrutural ou metabólica que possa explicar o quadro. Os sintomas mais comuns são dor na região do estômago, difícil digestão, peso ou de estufamento no abdômen alto, regurgitação e arrotos frequentes.

 

Síndrome do Intestino Irritável

A síndrome do intestino irritável caracteriza-se pela combinação dos principais sintomas: dor ou desconforto abdominal e alterações bem definidas do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Essas manifestações têm intensidade variável, piorando com alguns tipos de alimentação e em determinadas épocas de vida. Não existem também alterações estruturais ou orgânicas que os justifiquem.

 

Constipação Intestinal Funcional

Muito frequente em nossa era, a constipação intestinal funcional caracteriza-se pela dificuldade de evacuar em diferentes intensidades, com presença de fezes endurecidas, havendo muito esforço para o movimento evacuatório, associada com frequência à sensação de abdômen inchado e dor no baixo ventre.

 

Diagnóstico

Para diagnosticar qualquer doença funcional, o médico tem que excluir causas orgânicas mais graves como inflamações, tumores ou doenças metabólicas. Para isso, é necessário solicitar exames especializados, que são realizados muitas vezes ao longo da vida de um indivíduo.

 

Neurogastroenterologia

As doenças funcionais são um grande desafio e derivaram uma nova especialidade: a Neurogastroenterologia. Temos evoluído muito nos últimos anos no conhecimento para a compreensão destas alterações, mas ainda há um longo caminho para percorrer até o entendimento de toda a complexidade.

É possível afirmar que cada paciente tem um perfil geral comum, mas com respostas distintas, evolução em tempos diferentes, podendo-se dizer que cada um tem a sua doença funcional e o desafio do médico é saber interpretar e entender como funciona ou não o maior órgão do corpo humano naquele indivíduo.

 


Dr. Ricardo Guilherme Viebig - Diretor Técnico do Núcleo de Motilidade Digestiva de Neurogastroenterologia (MoDiNe) do Hospital IGESP e Presidente da Sociedade Brasileira De Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia.


No mês que antecede o Dia Mundial da Tuberculose, ANS aprova cobertura de exame que detecta a doença em sua fase latente

 Em cumprimento à nova Resolução Normativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar, planos de saúde passam a realizar teste IGRA sob prescrição médica em seus beneficiários a partir de 1º de abril      

 

Às vésperas do mês de março, quando acontece a campanha global da Organização Mundial da Saúde (OMS) “Unidos Para Acabar com a Tuberculose” e a Semana Nacional de Mobilização e Luta Contra a Tuberculose, no Brasil, de 24 a 31 de março, a ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar – aprovou a Resolução Normativa que atualiza o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Entre os novos exames que passam a fazer parte da lista de cobertura obrigatória dos planos de saúde, a partir de 1º de abril, está o teste IGRA, ou ensaio de liberação de Interferon-gama, um dos métodos mais precisos para identificar a tuberculose em sua fase latente, ou seja, sem sintomas. 


Números e medidas de controle 

Essa conquista vem como reforço ao combate da tuberculose, uma doença séria e altamente contagiosa que infectou mais de 10 milhões de pessoas e levou a óbito mais de 1,2 milhões em todo o mundo, ao longo de 2019, segundo dados do Relatório Global da Tuberculose 2020. No Brasil, considerado pela OMS como um dos 30 países que concentram 90% dos casos, foram registrados 96 mil novos diagnósticos no mesmo período, sendo 6.700 fatais. 

Por se tratar de uma doença tratável e curável, quanto antes for detectada, maiores são os índices de sucesso do tratamento. Uma das maneiras mais efetivas de prevenir a transmissão e erradicar a doença se dá pelo diagnóstico e tratamento precoces da tuberculose ativa e da prevenção reativa da doença, através do tratamento da infecção latente (ILTB). 

“O paciente com ILBT dificilmente saberá que está infectado e esse quadro pode persistir por anos, até que venha a apresentar algum sintoma ou, por algum motivo, faça um teste para detectar a doença. Embora a tuberculose seja curável, quanto antes o tratamento for feito, menor será o sofrimento do paciente, assim como a taxa de disseminação da doença. Para o diagnóstico da ILTB, hoje existem testes mais precisos, que reduzem a margem de falsos-negativos e proporcionam um diagnóstico mais assertivo”, comenta a médica infectologista e diretora clínica do Instituto Clemente Ferreira, Dra. Denise Silva Rodrigues. 


Métodos para diagnóstico preciso 

Entre os métodos de maior precisão para identificar a tuberculose latente, analisados e recomendados pela OMS, está o teste IGRA (ensaio de liberação de Interferon-gama) QuantiFERON – TB Gold Plus, considerado um exame referência, o mais utilizado no mundo. Desenvolvido pela QIAGEN, multinacional alemã especialista em tecnologia para diagnóstico molecular, o teste é realizado com uma pequena amostra de sangue e requer apenas uma visita ao médico, apresentando resultado rápido e seguro, com a precisão de testes laboratoriais.  


Grupos de risco 

Além disso, a testagem da infecção latente por tuberculose é indicada principalmente para pessoas que compõe o chamado grupo de risco da doença, como portadores de HIV positivo, pessoas que recebam tratamento anti-TNF-alfa (medicamentos que impedem a circulação do TNF-Alfa, uma proteína que quando produzida de forma desregulada pode agravar algumas doenças auto-imunes) ou imunossupressores, pessoas que tiveram contato com portadores da enfermidade, crianças abaixo de 5 anos, profissionais da área da saúde, imigrantes, população privada da liberdade e que vivam em ambiente comunitário, como idosos e militares. 

A porta de entrada do bacilo da tuberculose são as vias aéreas e a transmissão se dá através da tosse ou fala, durante o contato prolongado como uma pessoa doente. A tuberculose é uma doença séria e requer atenção. Passada a fase latente, assintomática, o paciente pode apresentar quadros de tosse crônica, febre, perda inexplicada de peso e, quando grave, sudorese noturna. 



QIAGEN


Covid-19 atinge o cérebro e causa depressão, confusão mental, ansiedade e disfunções cognitivas

Cientistas e pesquisadores observaram que o vírus Sars-CoV-2 pode ser capaz de infectar os astrócitos, células que ajudam os neurônios a se manterem vivos, causando confusão mental, ansiedade, depressão, dificuldade de raciocínio, perda de memória, falta de equilíbrio, problemas com compreensão, mudanças comportamentais e emocionais.

 

Um estudo realizado pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, indica que em 80% dos participantes recuperados de Covid-19 indicaram alguma desordem cognitiva. Incluindo os pacientes assintomáticos ou que tiveram sintomas leves.

 

“Pesquisas recentes apontam diversas consequências para a saúde mental e cerebral de pacientes recuperados da Covid-19. Por isso, é importante que as pessoas saibam que é uma possibilidade, e que estejam atentas aos sintomas mais comuns como perda de lembranças, dificuldades com concentração e execução de tarefas simples, além de fraquezas e dores pelo corpo. Quanto mais cedo é feito o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e melhores os prognósticos”, diz o neurocientista Nicolas Cesar. 

Segundo Nicolas, em alguns casos, dependendo das regiões afetadas e quando as perdas neuronais são leves, há possibilidade dos traumas serem revertidos com o tempo, devido a neuroplasticidade, conhecida também como plasticidade cerebral, que é a capacidade fundamental do cérebro de se reorganizar.

 

Os tratamentos para as lesões são diferentes, mas em geral são indicadas as terapias cognitivas e ocupacionais, em algumas situações os médicos indicam também a utilização de medicamentos.

 

Nicolas Cesar - Formado em Ciência e Tecnologia, e Neurociência, palestrante, autor do livro “Neurociente - Por que algumas pessoas são mais felizes que outras”, professor dos cursos online “Neurociência no dia a dia” e “Neuroeducação”. Também do curso acadêmico de Pós-Graduação em Neurolearning. Atualmente participa de uma de linha de pesquisa em percepção de tempo no Laboratório de Cognição Humana da UFABC.

"Doenças raras representam importante causa de mortalidade em crianças de até 5 anos", alerta SBP

Doenças raras existem e não podem ser esquecidas. O alerta é do presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Salmo Raskin. Segundo ele, as anomalias congênitas, muitas delas consideradas Doenças Raras, passaram, da quinta posição de causa de morte até 5 anos de idade em 1990, para a segunda posição a partir de 2015. Em algumas regiões, como Sul, Sudeste e Centro Oeste, as anomalias congênitas, já em 2015, passaram a ser a primeira causa de mortalidade infantil até 5 anos de idade, porém no Brasil como um todo, a prematuridade ainda é a principal causa de mortalidade infantil até 5 anos de idade.

Em entrevista especial ao SBP Notícias, o especialista fala sobre as diferenças entre doenças raras e doenças genéticas, sobre como deve ser a relação médico-paciente e suas famílias, aborda as causas no atraso no diagnóstico e a importância de se fazer o diagnóstico precoce. No bate-papo, dr. Salmo Raskin fala ainda sobre os preparativos da SBP para a realização do "Simpósio de Doenças Raras - Elas existem e não podem ser esquecidas", que será realizado no próximo dia 27 de fevereiro pela SBP em parceria com a Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM).

O evento online, que acontece às vésperas do Dia Mundial das Doenças Raras, será voltado para médicos e outros profissionais de saúde. "O objetivo principal do Simpósio é mostrar ao pediatra que ninguém escolhe ter uma doença rara, e que muitas pessoas com essas doenças já podem ter passado em suas mãos sem que ele percebesse", acentua. Os interessados podem se inscrever neste link: https://www.sbp.com.br/especiais/simposio-doencas-raras/ .


LEIA, A SEGUIR, A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA:

SBP Notícias - Qual o objetivo do Simpósio de Doenças Raras?

Dr. Salmo Raskin (SR) - Nosso principal objetivo com o Simpósio é mostrar ao pediatra que ninguém escolhe ter uma doença rara e que muitas pessoas com essas doenças já podem ter passado em suas mãos sem que ele percebesse. Doenças raras existem e não podem ser esquecidas. Estar alerta é o melhor caminho para evitar as odisseias diagnósticas e suas consequências nefastas.


SBP Notícias - Por que se percebeu a necessidade de realizar um evento sobre doenças raras?

SR - Um pediatra não escolhe que tipo de paciente vai bater à sua porta, um com a doença mais frequente ou com a doença mais rara. Mas espera-se do pediatra que, independentemente da frequência, reconheça os sinais e sintomas, faça o diagnóstico correto e inicie o tratamento. O pediatra é muito bem treinado para cumprir todas estas etapas quando se trata de uma doença conhecida. Mas não é a mesma realidade para uma doença rara. A consequência é que muitos destes pacientes ficam em uma verdadeira "odisseia" diagnóstica, perambulando de médico em médico, enquanto a doença progride. Este ciclo vicioso precisa ser quebrado, e o pediatra é peça fundamental neste processo, visto que a doença rara se manifesta, na maioria das vezes, na faixa pediátrica.


SBP Notícias - Qual a importância da participação dos pediatras neste evento?

SR - O pediatra terá uma ótima oportunidade de se atualizar nos principais temas que impactam os pacientes com doenças raras, em poucas horas será exposto a situações de sua rotina e, após o Simpósio, terá melhor capacidade de suspeitar e até de diagnosticar doenças raras.


SBP Notícias - Somente os pediatras são o público-alvo ou outros profissionais da saúde podem participar do evento? Haverá algum tema que é de interesse de profissionais de outras especialidades?

RS - Qualquer profissional de saúde pode e deve participar, visto que as doenças raras são sistêmicas e necessitam de atendimento multiprofissional, envolvendo todas as profissões da área de Saúde.


SBP Notícias - Poderia destacar os temas relevantes que serão debatidos?

SR - Na primeira parte da manhã falaremos sobre o que são doenças raras, quando o pediatra deve suspeitar de uma doença rara, quais são os exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico de doenças raras e o impacto de agentes teratogênicos na gestação, com consequências para a criança. Em seguida, haverá uma seção de cinco casos clínicos, mostrando situações clínicas que são do dia a dia do pediatra, mas que por treinamento, ele pensará primeiro na hipótese diagnóstica de uma doença frequente. Queremos mostrar que doenças raras existem e o pediatra tem que inclui-las nos seus diagnósticos diferenciais. Que doença rara pode levar uma criança a apresentar hipotonia? A ficar agudamente enferma? A ter dismorfismos? A ter baixa estatura? A ter imunodeficiência? Em uma manhã, o pediatra poderá ter todo este aprendizado com especialistas nestes temas.


SBP Notícias - Qual a diferença entre doenças raras e doenças genéticas? Os sinais são comuns?

SR - Nem todas as doenças raras têm origem genética. Algumas são infecciosas, inflamatórias, autoimunes. Mas cerca de 75% são genéticas. Destas, nem todas são hereditárias.


SBP Notícias - Quando os pediatras devem suspeitar e como devem proceder ao identificar um paciente com uma doença rara?

SR - Teremos uma aula especificamente sobre isto. Existem algumas dicas simples para o pediatra suspeitar que aquele determinado paciente tem uma doença rara. Sinais e sintomas diferentes do habitual, falta de resposta ao tratamento habitual, presença de consanguinidade na família são alguns pontos que devem acender a luz amarela para pensar em uma doença rara. A dra. Ana Maria Martins, médica geneticista com vasta experiência no acompanhamento de pacientes com doenças raras, vai abordar este tópico.


SBP Notícias - E a relação entre o pediatra e a família de um paciente diagnosticado com doença rara, como deve ser conduzida?

SR - Este é um tópico da maior importância, pois por serem hereditárias em muitos casos, sempre serem crônicas e muitas vezes graves, afetam não só o paciente, mas todo o núcleo familiar. A importância do Aconselhamento Genético familiar permeará todas as palestras. É preciso ter um componente de sensibilidade maior no atendimento das famílias com doenças raras, pois tudo atua para fragilizar estas famílias. O momento do diagnóstico de uma doença rara, por exemplo, não é simples. Implica em informar que o paciente vai ter aquela doença pelo resto de sua vida. Então é preciso que o pediatra haja com empatia e acolhimento.


SBP Notícias - As doenças raras são um problema de saúde pública? Por quê?

SR - Sim, pois dados de 2015 demonstram que as anomalias congênitas, que são apenas uma parte das doenças raras, representam, no Brasil como um todo, a segunda maior causa de mortalidade infantil até os 5 anos de idade . A tendencia é que em breve as anomalias congênitas ultrapassem a Prematuridade como principal causa de mortalidade infantil até 5 anos de idade.


SBP Notícias - Quais as principais causas de atraso no diagnóstico das doenças raras?

SR - Inicia pelo fraco treinamento que o médico tem na graduação a respeito de doenças raras. Claro que a prioridade do treinamento médico deve ser as doenças mais frequentes, mas será que seis anos de curso de Medicina não é tempo suficiente para incluir uma única disciplina sobre doenças raras no currículo? Por serem raras há pouco desenvolvimento tecnológico sobre elas, o que impacta na dificuldade de diagnóstico e de acesso ou até mesmo existência de tratamentos. Os gestores de saúde também têm sua parcela de culpa, pois não dão às doenças raras o status que elas merecem, de grave problema de saúde pública. Um ciclo vicioso negativo, com graves consequências não só para o paciente e seus familiares, mas para todo o sistema de saúde do País.


SBP Notícias - Qual a importância de o médico fazer o diagnóstico preciso de uma doença rara?

SR - É onde tudo começa, mal ou bem. Se o médico não fizer o diagnóstico ou fizer de forma errada, todo o conhecimento que a Medicina já acumulou sobre aquela doença não será aplicada ao paciente. Os problemas de saúde do paciente com doenças raras não vão desaparecer sozinhos e só vão piorar. As chances de ele ter uma qualidade de vida boa ou até de sobreviver são totalmente dependentes de um diagnóstico preciso e precoce. Além disto, o diagnóstico rápido permite o Aconselhamento Genético familiar antes que outros pacientes com a mesma doença venham a nascer naquela família. O diagnóstico correto e preciso dá a chance de vida próxima do normal. E está nas mãos do pediatra.

 

Estudos indicam que os exercícios físicos previnem doenças degenerativas

Dra. Georgia Zattar explica como a atividade física pode ajudar no combate e na prevenção de doenças

 

 

Todo mundo sabe que a prática de atividades físicas traz diversos benefícios à saúde. Além dos resultados estéticos, movimentar o corpo faz bem para o coração e para a mente, pois ajuda no controle da ansiedade e do estresse. O que pode ser uma novidade é que o exercício físico também serve para prevenir doenças degenerativas. 

 

Pesquisas acadêmicas indicam que a atividade física gera efeitos protetores em quase todos os órgãos do corpo, estimulando a prevenção. A especialista em medicina esportiva, Dra Georgia Zattar, tira dúvidas sobre essa relação.  


 

De que forma o exercício físico previne as doenças degenerativas? 

 

É fato que a atividade física possui benefícios para a saúde, bem estar e estética. Durante o exercício temos um aumento da demanda metabólica do músculo esquelético em contração, com isso há uma alteração da homeostase do corpo todo resultando em efeitos sistêmicos positivos para a prevenção de doenças. Após repetidos desafios, ocorrem adaptações que estão associadas à melhoria da saúde e do bem-estar.

 

Em outros estudos, foi demonstrado que vesículas extracelulares (EVs) são liberadas na circulação durante o exercício e despertam a comunicação entre tecidos, incluindo os do cérebro. “Portanto, esses EVs podem ser um mecanismo da atividade física regular que pode prevenir doenças neurodegenerativas, declínio cognitivo relacionado à idade e demência vascular”.


 

Quais doenças degenerativas são prevenidas? 

 

Uma revisão sistemática da Psychol Med com estudos epidemiológicos e prospectivos mostraram que os exercícios reduzem os riscos de demência e Doença de Alzheimer em 28% e 45%, respectivamente. Está bem estabelecido que novos neurônios são capazes de crescer dentro do giro denteado do hipocampo e foi demonstrado em roedores que a atividade física é capaz de aumentar a neurogênese, com exercícios que mais do que dobram a produção de novos neurônios.


 

O exercício físico também funciona como um tratamento para os pacientes já diagnosticados com esse tipo de doença? 

 

Evidências crescentes de que o exercício pode levar à descoberta de uma série de novas terapias que podem ter como alvo uma ampla gama de condições crônicas, incluindo distúrbios neurodegenerativos. O exercício demonstrou ter efeitos anti-inflamatórios no cérebro que se correlacionam com a função cognitiva. A redução de mediadores inflamatórios e o aumento dos anti-inflamatórios promove melhor resposta ao tratamento e melhora da função cognitiva. 


 

Vale qualquer exercício físico ou algum tipo é mais efetivo do que o outro? 

 

Qualquer exercício físico é válido e tão importante quanto isso é a constância dos hábitos. O sobrepeso hoje é uma pandemia mundial e a projeção é que em 2025 haja 2.3 bilhões de pessoas com sobrepeso e mais de 700 milhões de obesos se nenhuma atitude for tomada. Na obesidade e sobrepeso ocorre uma mudança no compartimento dos monócitos pró-inflamatórios (M1) que podem contribuir para o desenvolvimento de inflamação de baixo grau e aumento de monócitos imunossupressores que podem contribuir para o desenvolvimento de câncer, por exemplo. Toda essa inflamação crônica aumenta o risco de outras doenças inflamatórias como por exemplo doenças degenerativas. 

 

A inatividade física é um dos fatores de risco mais fortes que contribuem para doenças crônicas, as quais representam a maior parte de doenças em todo o mundo, sendo um dos maiores preditores de mortalidade. Hoje, o Brasil está na 5ª posição no ranking mundial de sedentarismo e lidera o status na América do Sul, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).


 

Quais outras práticas evitam o surgimento dessas doenças?

 

Todos os 6 pilares da Medicina do estilo de vida promovem a prevenção de doenças. São eles: Controle de tóxicos, controle de estresse, alimentação, atividade física, relacionamentos e sono. Contudo essa não é a realidade da maior parte dos sistemas de saúde do mundo. A abordagem convencional costuma tratar a doença quando ela aparece e através da prescrição de medicamentos, os quais, em inúmeros casos, causam mais danos do que benefícios. O The Institute of Medicine relatou ao The Wall Street Journal que uma abordagem holística dos cuidados de saúde que utiliza o melhor da medicina convencional, juntamente com terapias alternativas, como meditação, yoga, acupuntura e fitoterápicos, foi cientificamente documentada como efetiva.


As nove mentes do Eneamind: qual é a sua?

 

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Junção de duas palavras de origem grega – ênea (nove) e grammos (figura, desenho), o eneagrama é uma figura geométrica de nove pontas que representam os nove tipos de personalidades presentes na natureza humana. Pela lógica deste conhecimento milenar, o fim é sempre o início de um novo ciclo.

Foi a partir dele que o professor, mentor e empresário Marcos Trombetta desenvolveu o Eneamind, apresentado no livro homônimo lançado recentemente pela Luz da Serra Editora. Essa metodologia permite identificar a personalidade de cada eneatipo para romper com os paradigmas - que criam limitações a partir das crenças e hábitos de cada um.

Conheça as nove mentes apresentadas pelo professor Trombetta no Eneamind, identifique o seu eneatipo e descubra as virtudes que pode desenvolver para sair do piloto automático e seguir o caminho que você sempre sonhou.


O perfeccionista

Sempre à frente, é um líder nato. É extremamente correto e se sente frustrado quando alguém descumpre os combinados, bagunça sua organização ou duvida da sua moral. O medo fundamental dele é ser mau, corrupto, perverso e falível. Teme não ser uma pessoa ética, correta e confiável. A virtude a ser buscada é a serenidade. E, para isso, a meditação é um ótimo exercício. Procure relaxar e deixar a raiva ir embora. Não leve a vida tão a sério.


O prestativo

Sua maior dificuldade é dizer não para os outros. Coloca a necessidade das outras pessoas sempre em primeiro lugar, tanto que, muitas vezes, nem sabe do que precisa para si. É paciente, ouve com atenção e sempre tem um bom conselho para dar. Por ser assim, se irrita quando não recebe toda a atenção de volta. O perfil prestativo está no centro emocional e tem o foco na autoimagem para chamar atenção. A virtude que deve buscar é a humildade.


O bem-sucedido

Quer parecer alguém de sucesso, por isso é preocupado com a imagem. Busca status, apesar de ser bem-sucedido e querido pelos outros. Tem o vício emocional da vaidade e por isso quer se sentir o melhor. O medo fundamental desse eneatipo é não ser valorizado, a não ser por aquilo que realiza. Por isso, a virtude a ser buscada é a sinceridade. O que importa de verdade é o que você sabe e enxerga em si mesmo.


O melancólico

É criativo, mas aparenta estar sempre triste. Carrega em si todo o sentimento do mundo, e acredita que ninguém mais é assim. Este perfil deve tomar cuidado com toda essa melancolia, com a tristeza que rege a sua vida. Deve estar mais consciente e esperar menos dos outros. O vício emocional é a inveja – sente que falta algo em si e que isso está em outras pessoas. A saída é parar de se esconder e desenvolver os aspectos mais positivos da sua personalidade.


O observador

Tem um pensamento extremamente analítico e observador. Não gosta que invadam seu espaço, daí a dificuldade nos relacionamentos. Tem excelentes ideias, mas não as coloca em prática, pois nunca se convence de que está pronto. Seu maior desafio é partir para a ação. Uma saída pode ser encontrar um sócio com uma personalidade mais empreendedora. O medo deste perfil é ser indefeso, inútil e incapaz. A virtude que precisa buscar é o desapego da mente. Chega de estudar; arrisque-se!


O questionador

Gosta de entender o motivo para fazer qualquer coisa. E, depois que entende, vai até o fim. Por ser tão cuidadoso, fica ansioso e depende muito da opinião e feedback dos outros. Fiel nos relacionamentos, é alguém em quem se pode confiar de olhos fechados. Seu vício emocional é o medo, principalmente de errar. Não se sente capaz de viver sozinho, por isso seu maior desejo é encontrar apoio e segurança. As virtudes que deve buscar são a coragem e a confiança em si mesmo.


O sonhador

É divertido, brincalhão, super adaptável, todos o querem por perto. Entusiasta, acha que tudo vai dar certo. Porém, perde o interesse rápido. Não quer se prender a um relacionamento para viver a liberdade na sua plenitude. Seu vício emocional é a gula, não necessariamente por comida, mas uma fome insaciável por aventuras, pelo novo. O medo do sonhador é sofrer dores e privações. Seu desejo fundamental é ser feliz, satisfazer-se, realizar-se. Para isso, precisa colocar mais os pés no chão, buscar estabilidade e ser mais firme no que faz.


O confrontador

Independente e autossuficiente, este perfil não se permite falhar. Estourado, se irrita com facilidade e não mede esforços para conseguir o que quer. Tem medo de ser magoado ou controlado, ter seu espaço invadido e ser traído pelos amigos, pela família, pelo(a) parceiro(a). Seu maior desejo é se proteger e determinar o curso da própria vida. Não quer receber ordens, sabe o que é melhor para si. Precisa aprender a ouvir os outros, diminuir seus padrões e ser grato pelo que já tem. Buscar a virtude da inocência.


O preservacionista

Tem um coração gigante, sempre pronto para confortar as pessoas. Dedicado, pode passar a maior parte do tempo preocupado com metas e objetivos dos outros. Para si, não faz muita questão. Sente que já tem tudo o que precisa. Na verdade, este perfil não quer se incomodar, por isso seu maior vício emocional é a accidia, uma indolência mental, a vontade de não fazer esforço além do necessário. Seu medo fundamental é o da perda, da separação e da aniquilação. A virtude a ser buscada é fazer o que tem que ser feito, quer goste ou não.


Recursos liberados para financiamento de veículos atingem R$ 156,7 bilhões em 2020 com recuo de 3,4% em relação ao ano anterior

 

  • ANEF aponta crescimento dos recursos liberados para 2021, com expectativa de aumento de 12,5%; em 2020, houve queda de 3,4% em relação ao ano anterior

  • Saldo das carteiras atinge R$ 284,3 bilhões e cresce 10,5% no ano passado

  • Mesmo com desafios causados pela pandemia da Covid-19, dados mostram tendência de crescimento do mercado

A ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) realizou o levantamento dos números alcançados em 2020 pelas instituições financeiras que atuam nas vendas a prazo do setor automotivo. O cenário imposto pela pandemia de Covid-19 para o mercado de veículos, um dos mais afetados com a situação, repercute com a queda de 3,4% no total de recursos liberados para financiamento entre janeiro e dezembro do ano passado, totalizando R$ 156,7 bilhões, ante R$ 162,1 em 2019.

Para o ano de 2021, a perspectiva da ANEF é positiva, com crescimento de 12,5% dos recursos liberados pelas instituições financeiras, atingindo R$ 176,3. "De acordo com os indicativos dos últimos anos e a avaliação da entidade sobre o potencial do mercado automotivo, acreditamos que o setor vai seguir em recuperação. Os bancos de montadora têm um papel importante neste contexto, criando soluções adequadas ao momento, que auxiliem no escoamento da produção de veículos", comenta Paulo Noman, presidente da ANEF.

A perspectiva para 2020 era de retração de 11,8% no total de recursos liberados no ano. A queda menor, de 3,4%, se deu pela desaceleração do movimento de retração no segundo semestre de 2020, acompanhando as medidas de flexibilização socio e macroeconômicas.


Carteira e produtos

O saldo total das carteiras vem mantendo crescimentos significativos, de modo contínuo desde 2017, registrando R$ 284,3 bilhões, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior, quando o valor foi de R$ 257,4 bilhões.

Segundo Noman, ainda é preciso aguardar maior estabilização das variáveis da cadeia produtiva do setor, além da conjuntura nacional como um todo, para projeções de crescimento maiores. "Os resultados do total de recursos liberados do último trimestre de 2020 foram positivos, chegando a atingir níveis pré-pandemia. Outro indicador favorável é o aumento contínuo no saldo das carteiras. Assim, as projeções para 2021 são positivas, mas é preciso continuar a observar com cautela o comportamento da indústria nos próximos meses", afirma o executivo.  

A modalidade de crédito CDC (Crédito Direto para o Consumidor) representa a maior parte dos financiamentos, totalizando R$ 282 bilhões do saldo das carteiras, com aumento de 11,2% comparando com o ano anterior, que encerrou o período com um saldo de R$ 253,6 bilhões.

Já a modalidade de Leasing, que já mostrava uma menor participação no balanço anual, perdeu força, com registros de R$ 2,9 bilhões, contra R$ 3,7 bilhões de 2019. Com este valor, a queda foi de 37,8% no saldo das carteiras.


Construção civil dribla falta de insumos e prevê maior crescimento em oito anos

 A quantidade de insumos na construção civil foi drasticamente afetada pela pandemia, o que acarretou principalmente no aumento do preço dos produtos pela baixa oferta e alta demanda. Mesmo diante de um cenário altamente preocupante, o setor vem se recuperando com o aumento da produção e as perspectivas são de conquistar seu maior crescimento histórico dos últimos oito anos.

Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o Produto Interno Bruto do segmento deve avançar 4%, após ter sofrido um grande baque em 2020, com uma queda de 11,4%. Se transformarmos esses dados em valores, podemos ver claramente as consequências que geraram tanto temor e preocupação entre os profissionais do ramo. Em todo o país, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), registrou uma alta de 17,72% nos valores dos insumos entre janeiro e novembro. O estado do Mato Grosso do Sul, por exemplo, foi um dos mais afetados por essa alta, com um reajuste de 40% no preço do cimento e de 150% nos fios de cobre, segundo a Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul).

Além de impactar diretamente o funcionamento do setor, a falta de insumos também pode afetar o consumidor final, que poderá pagar um valor maior pelo imóvel. Felizmente, o segmento vem lutando bravamente para contornar essa crise com ações que busquem o reequilíbrio da balança entre a oferta e demanda dos produtos e, principalmente, em aumentar os locais de venda de insumos. Afinal, somente a construção civil é responsável por 7% do PIB brasileiro – uma grande parcela da nossa economia que deve ser bem cuidada para evitar ainda mais consequências negativas.

Como solução, vários estabelecimentos estão apostando em diversas ações estratégicas para se recuperarem dos efeitos da pandemia em 2020, como investir na digitalização para possibilitar o atendimento online e o aumento das vendas de seus produtos para todo o país, flexibilizando as negociações e adotando preços diferenciados para que consigam crescer e se destacar diante da grande concorrência que será criada e estimulada.

Com tantas ações empreendedoras, é notável o aumento da percepção positiva para os profissionais do ramo, que antes se viam extremamente preocupados, sem uma luz no fim do túnel. Os efeitos causados pela pandemia ainda serão sentidos por muito tempo, mas com a volta da produção em massa – e especialmente o início da vacinação – as perspectivas para o crescimento do setor são animadoras.

As conquistas econômicas dessa volta agressiva na produção serão enormes, especialmente com o aumento do interesse de diversas pessoas em investir na movimentação do setor. Inclusive, essa pode ser uma grande estratégia para os empreendedores que estão buscando se recuperar. Será um processo lento, mas que a longo prazo, trará resultados positivos para a construção civil – e principalmente para a economia do país. Vamos todos trabalhar a todo vapor para fazer de 2021 um dos melhores anos da história da construção civil no Brasil.

 


Wanderson Leite - CEO da Prospecta Obras. Formado em administração de empresas pelo Mackenzie, ele também é fundador das empresas ProAtiva, app de treinamentos corporativos digitais, e ASAS VR, startup que leva realidade virtual para as empresas.

www.prospectaobras.com.br 


Tabelas desatualizadas do Imposto de Renda deixam menos pessoas isentas

O ajuste abaixo da inflação nos últimos anos da Tabela Progressiva de Imposto de Renda Pessoa vem fazendo com que cada vez menos brasileiros estejam isentos de realizar essa declaração e consequentemente recolher esse tributo.

Isso onera principalmente os bolsos de uma parcela da população que ganha menos e que antes não eram obrigadas a declarar o Imposto de Renda Pessoa Física e agora passam a ser.

Segundo análise do diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil, Richard Domingos, entre janeiro de 1996 e dezembro de 2020, a tabela progressiva do imposto de renda foi corrigida 111,5% (era R900,00 o valor em janeiro de 1996 e passou para R 1.903,98 atualmente).

"No mesmo período a inflação medida pelo IPCA foi de 346,92% impactando em uma defasagem muito grande. Ou seja, se a tabela tivesse sido corrigida pelos índices oficiais da inflação, o limite de isenção atual de R 1.903,99 deveria ser de R 4.022,24, ou seja, mais que o dobro", explica Richard Domingos.

Outro ponto relevante é que essa falta de atualização também impacta em outros valores relacionados, para se ter ideia, a dedução das despesas com instrução que atualmente é de R 3.561,50, se fosse atualizado de acordo com a inflação, seria de R 7.597,56. Já as despesas com dependentes, que atualmente é de R 2.275,08, se fosse corrigido conforme a inflação seria de R 4.826,68.


Está chegando a hora de prestarmos contas ao “Leão”

Luciene D’Alexandre, sócia da Planned Soluções Empresariais. Bacharel em Contabilidade, MBA em Gestão Financeira Controladoria e Auditoria na FGV/SP. MBA de Gestão de Negócios e Tecnologia no IPT/USP. MBA em IFRS (Normas Internacionais de Contabilidade) FIPECAFI

Sabemos e já pedimos desculpas por termos que lembrá-lo que a data para a entrega da declaração anual de Imposto de Renda se inicia em 1 de março e vai até 30 de abril de 2021.

Se trazemos uma notícia que pode não agradá-lo, trazemos também uma solução. Estamos aqui para ajudar o leitor a tomar alguns cuidados com o objetivo de evitar a tão temida malha-fina e, certamente, problemas futuros.

Observe se você está obrigado à apresentação da declaração:

I. Recebeu em 2020 rendimentos tributáveis que, somados, ultrapassem os R$ 28.559,70 ( salário, pró labore, aposentadoria e proventos, entre outros)?

II. Recebeu rendimentos não tributáveis que ultrapassem R$ 40.000,00 (lucros, indenizações, doações, etc)?

III. Foi proprietário de bens superiores a R$ 300 mil — como imóveis, veículos, obras de arte, joias, entre outros?

IV. Recebeu receita bruta superior a R$ 142.798,50 em atividade rural?

V. Pretende compensar prejuízos com a atividade rural de anos-calendário anteriores ou do ano-calendário de 2020?

VI. Obteve ganhos de capital na alienação de bens ou direitos ou aplicou em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros ou assemelhadas em 2020?

VII. Vendeu imóvel residencial e usou o recurso para compra de outra residência para moradia — dentro do prazo de 180 dias da venda — e optou pela isenção do Imposto de Renda?

VIII. Passou a residir no país em qualquer mês de 2020?

 

Se você já entrega regularmente seu IR, procure uma empresa especializada. Certamente ela trará uma visão diferenciada e uma abordagem que pode até resultar em menor carga tributária ou na eliminação de riscos futuros com o fisco.

Caso nunca tenha cumprido com esta obrigação, mesmo assim consulte um especialista caso entenda que possa estar enquadrado num dos itens acima. Nosso alerta a você é que a Receita Federal vem aprimorando controles e cruzando dados e informações. Não se engane, a sofisticação fiscal se aprimora ano após ano.

Um exemplo? Você sabe quanto gastou no cartão de crédito em 2018? E 2019? 2020 você sabe? Se a resposta for não, ou mesmo que seja sim, uma constatação: a Receita Federal do Brasil sabe! Lembra daquele carro que comprou e não declarou? Uma dica, Receita Federal lembra.

Outra situação comum é não declarar a compra ou venda de um imóvel, no entanto, você sabia que a Receita Federal recebe a informação logo que a escritura é lavrada em cartório?

Uma ressalva importante é que com a atual informatização e integração dos sistemas de apuração, a omissão de renda te tornará altamente elegível a receber correspondência da Receita Federal com abertura de processo de fiscalização.

Vale à pena seguir a maneira correta para não receber multas, juros e atualização sobre o imposto devido e não declarado/recolhido.

Outro lembrete: aqueles que na data-base possuíam bens e/ou direitos em montante igual ou superior a USD100 mil ou seu equivalente em outras moedas, deverão entregar o DCBE Anual (Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior) até o dia 05/04/2021.

Vamos fazer um roteiro para te facilitar a busca de documentos que pode funcionar como checklist.

 

Iniciemos pela renda -não esgota

• Informe de Rendimentos da empresa em que for empregado;

• Informe de Rendimento de sua empresa, caso seja empresário;

• Informe de Rendimentos de instituições financeiras (bancos, fintechs, corretoras etc.);

• Informação de aluguéis recebidos no período, inclusive operação tipo AIRBNB;

• Se tiver havido indenização no período de 2020, informe de rendimentos de seguradoras;

• Instrumento de doação caso tenha recebido;

• Informe de Rendimento sobre resgates efetuados Plano de Aposentadoria;

• Informe de Rendimentos da Previdência Social;

• Informe de instituição financeira detentora de suas aplicações inclusive de planos PGBL e VGBL.

 

Gastos e despesas – não esgota

• Informe dos pagamentos de planos de seguro saúde;

• Informação de pagamentos para educação formal;

• Informação de aluguéis pagos no ano;

• Instrumento de doação, caso tenha doado;

• Informação sobre doação a entidades beneficentes,

• Informação sobre pagamentos a médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, etc.;

 

Bens

• Instrumentos de aquisição de novos bens móveis e imóveis adquiridos no período;

•Instrumentos de alienação de bens móveis e imóveis alienados no período;

• Notas fiscais de materiais e serviços em reforma de imóveis realizadas no período.

 

Importante é que os documentos devem ser entregues a quem irá preparar sua declaração. Ou seja, não basta apenas “uma anotação em um papel de pão” ainda que seja em uma planilha. É de extrema importância que seja feita análise do documento original (cópia).

Por fim, não basta baixar o programa e preencher os campos. Há necessidade de que seja feito o preenchimento por profissional qualificado. Uma informação omitida ou incorreta, um campo não preenchido, um dado omitido podem desaguar em processo de malha-fina que, se não devidamente esclarecido, resultará em autuação.

 

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