Dados acendem alerta sobre desaceleração da agenda
ESG no ambiente corporativo brasileiro
A
agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) passa por um momento de
desaceleração no ambiente corporativo brasileiro. Dados da pesquisa
"Líderes de Negócios & ESG 2026", realizada pela Data-Makers,
mostram que 26% dos executivos preveem reduzir os investimentos na área nos
próximos 12 meses, enquanto 21% das empresas já cancelaram iniciativas
relacionadas ao tema e outras 35% decidiram suspender temporariamente projetos
em andamento.
Para
a Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ), os números representam
um sinal de alerta. Embora 58% das organizações afirmem que manterão seus
investimentos estáveis, o crescimento do ceticismo em torno do ESG pode
comprometer avanços em eficiência, inovação, gestão de riscos e
competitividade, justamente em um cenário no qual consumidores, investidores e
mercados internacionais exigem cada vez mais transparência e responsabilidade
corporativa.
"Os
dados mostram uma desaceleração preocupante. Quando bem estruturadas, as
práticas ESG deixam de ser um centro de custo e passam a gerar valor para as
empresas e para a sociedade. Elas reduzem riscos, fortalecem a governança,
aumentam a eficiência operacional e contribuem para o desenvolvimento econômico
e social", afirma Alexandre Xavier, vice-presidente de ESG da ABRIQ.
Segundo
a entidade, um dos fatores que contribui para a percepção equivocada sobre a
agenda ESG é a ausência de processos estruturados capazes de transformar
compromissos em resultados mensuráveis. Nesse contexto, as normas técnicas e os
sistemas de gestão desempenham papel estratégico ao estabelecer critérios
objetivos, metodologias reconhecidas internacionalmente e mecanismos de
melhoria contínua.
Normas
como a ISO 14001 (gestão ambiental), a ISO 9001 (gestão da qualidade), a ISO
45001 (saúde e segurança ocupacional), a ISO 37001 (sistema de gestão
antissuborno) e a ABNT NBR 16001 (responsabilidade social) permitem que as
organizações implementem práticas consistentes, monitorem indicadores, avaliem
o desempenho e demonstrem, de forma transparente e auditável, seus resultados
nas dimensões ambiental, social e de governança.
A
adoção desses referenciais também pode promover ganhos econômicos concretos, como
redução de desperdícios, maior eficiência dos processos, melhor gestão de
riscos e aumento da produtividade, além de contribuir para a credibilidade das
organizações e facilitar o acesso a mercados nacionais e internacionais.
"ESG
não deve ser tratado como uma tendência passageira ou uma ação de marketing.
Quando incorporado à estratégia e apoiado por instrumentos técnicos, torna-se
uma ferramenta de geração de valor e de fortalecimento da gestão. Interromper
essa jornada pode representar um risco à competitividade em um momento no qual
a sustentabilidade se consolida como requisito de mercado", destaca
Xavier.
Infraestrutura da Qualidade
Para
a ABRIQ, a Infraestrutura da Qualidade, formada por normalização, metrologia,
acreditação, avaliação da conformidade, regulamentação técnica e vigilância de
mercado, oferece suporte para que as estratégias ESG avancem de compromissos
institucionais para resultados verificáveis. Esses instrumentos contribuem para
a rastreabilidade das ações, a avaliação de desempenho e a demonstração
objetiva dos resultados alcançados.
"O
crescimento do número de empresas que reduzem ou suspendem iniciativas ESG deve
servir como um alerta. O desafio não é abandonar essa agenda, mas aprimorar sua
estruturação e sua integração à estratégia dos negócios. A Infraestrutura da
Qualidade contribui para esse processo ao oferecer instrumentos que permitem
estabelecer critérios, acompanhar o desempenho e demonstrar resultados de forma
confiável", conclui o vice-presidente de ESG da ABRIQ.
Associação Brasileira de
Infraestrutura da Qualidade - ABRIQ
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