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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Deixe as crianças brincarem



Pediatras devem prescrever brincadeiras para crianças pequenas, recomenda a Academia Americana de Pediatria


Você lembra da sua própria infância? Você brincava de quê? Brincava na rua? Brincava com quem? Quais as suas brincadeiras favoritas? Continuando a série de perguntas: será que nossa cultura atual é menos amigável à natureza infantil? Será que hoje as crianças têm menos chances de brincar? Para tentar responder a tantas pergunta de pais e mães, a Academia Americana de Pediatria divulgou um documento oficial, em agosto, deste ano,  intitulado "O poder da brincadeira: o papel pediátrico do lúdico no desenvolvimento das crianças pequenas".

O documento caracteriza a brincadeira como intrinsecamente motivadora, envolvendo engajamento ativo e resultando em “descobertas alegres” na infância, reúne pesquisas de desenvolvimento e neurológicas extensivas sobre brincadeiras e tenta extrair algumas das descobertas específicas de desenvolvimento dos jogos repetitivos que fornecem “a alegria de poder prever o que vai acontecer”, além do controle dos impulsos. O documento recomenda fortemente que os pediatras encorajem o aprendizado lúdico de pais e bebês.  A "prescrição para brincar" deve ser feita, em todas as consultas de crianças saudáveis, ​​nos dois primeiros anos de vida.

“O documento é uma verdadeira declaração de valores porque muitos dos especialistas que estudam a importância do brincar sentem-se sitiados, mesmo quando novas pesquisas enfatizam sua importância no desenvolvimento infantil. Brincar está sendo visto como algo irrelevante e antiquado, hoje”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Vivemos em um clima onde os pais sentem que precisam programar cada minuto do tempo de seus filhos. Cerca de 30% dos jardins de infância, nos EUA, não têm mais recesso escolar.  Existe um velho ditado que diz que brincar é trabalho de crianças. E é mesmo! “Brincar é  um dos jeitos que elas aprendem e o modo como elas se desenvolvem. É importante entender como todos nós, pediatras, e especialmente os pais, podemos encorajar a brincadeira”, observa Chencinski.

De acordo com a declaração americana, as crianças desenvolvem as habilidades necessárias para viver no século XXI por meio das brincadeiras. São habilidades sociais e emocionais, que os ajudam a colaborar e inovar, que são cruciais para o mundo do trabalho na nova economia global.


Trabalho de pediatra, sim!

Uma meta fundamental na atenção primária pediátrica é fortalecer o relacionamento entre pais e filhos. E o brincar também é importante nessa área. Mesmo uma criança muito pequena se beneficia da prática. Quando uma criança de 3 meses sorri e um dos pais sorri de volta, esse tipo de atividades não é trivial. Esse ato é realmente importante para o desenvolvimento da linguagem e das habilidades emocionais infantis, como a capacidade de se revezar.

Relações estáveis ​​com os pais e outros cuidadores que são construídas por meio dessas interações também são importantes para ajudar as crianças a lidarem com o estresse e o trauma e evitar o que os pediatras americanos chamam, no documento, de “estresse tóxico”.

O documento entra em detalhes de pesquisas recentes que mostram que a brincadeira pode afetar o cérebro em desenvolvimento, tanto em sua estrutura básica, quanto em sua função, com mudanças que podem ser encontradas, tanto no nível molecular e celular, bem como no nível de comportamento e de função executiva.

“Há um verdadeiro papel pediátrico em apontar a real importância de brincar em muitos níveis. Os pais perguntam aos pediatras: o que eu faço com o meu filho? Quantas atividades ele deve fazer? Estou muito empolgado com o fato de endossar a ideia de receitar a brincadeira”, diz o médico.

O documento não trata de brincadeiras elaboradas. Ele aborda o brincar com utensílios domésticos comuns que as crianças podem descobrir e explorar, como colocar colheres e recipientes de plástico no chão e bater, para ver o que a criança faz com eles. 

O objetivo não é fazer com que os pais se sintam culpados ou torná-los especialistas em brincadeiras, mas sim orientá-los, durante as consultas, para que eles possam contribuir ludicamente com o desenvolvimento da criança – o que é um imperativo básico da atenção primária em Pediatria.

E há maneiras de trabalhar esse conceito durante a consulta médica: soprar bolhas de sabão para ajudar crianças com medo a se sentirem mais à vontade ou usar fantoches para demonstrar o que vai acontecer em um exame, por exemplo. Pode ajudar levar a família para a sala de espera e ver o que a criança faz com os brinquedos por lá.

“A declaração defende um currículo equilibrado no jardim de infância que não ignore o aprendizado divertido e não considere o tempo gasto em brincadeiras, recreios e férias, como tempo perdido. A aprendizagem lúdica significa apoiar a motivação intrínseca das crianças pequenas para aprender e descobrir, em vez de impor motivações extrínsecas, como as pontuações dos testes”, diz o médico.


O que os pais precisam fazer?

Dar aos pais um reforço positivo para o que eles já estão fazendo é o que mais ajuda, não os criticando pelo que eles não estão fazendo. “Passei muito tempo pensando em como poderíamos incentivar os pais a lerem para os filhos como parte da consulta de atenção primária. Escrevi sobre a importância dessa prescrição. Mas podemos, com sucesso, ‘prescrever a leitura e a brincadeira’, essenciais para uma infância saudável, quando os pais são tão ocupados?. Sim!”, defende o pediatra.

Há temas subjacentes cruciais que conectam todas essas ideias: a importância de interagir com as crianças, respondendo às suas sugestões e perguntas, o valor do “antiquado cara-a-cara” com os pais e com os cuidadores e a importância de ajudar as crianças a encontrarem uma variedade de experiências, que não são todas sobre telas, em um mundo que é cada vez mais virtual para pais e filhos.

“Uma ‘receita para brincar’ que eu poderia prescrever aos pais, no final de uma consulta, é apenas dizer: confie em seu senso comum. Como você pode compartilhar um pouco de alegria com seu filho enquanto ele está explorando o mundo? O objetivo não é realmente validar o que eu acho,  mas liberar os pais que estão se sentindo pressionados por uma cultura que diz não à brincadeira, uma cultura que diz  que as crianças precisam ter videogames especiais, um iPad, ou ainda, precisam ter cada minuto de tempo estruturado para ‘vencer na vida’”, explica o pediatra Moises Chencinski.

“O brincar é a parte mais importante da infância. É como as crianças se desenvolvem emocionalmente e cognitivamente. É como aprendem a falar! A declaração americana vem para ajudar os pediatras e os pais a entenderem a importância desse ato”, acredita o médico.






Moises Chencinski

Site: http://www.doutormoises.com.br

Email: fale_comigo@doutormoises.com.br




Alimentação rica na infância ajuda a evitar a perda auditiva na juventude


Quanto menor o consumo de frutas, vegetais e proteínas durante os primeiros anos de vida, maior o risco de subnutrição, o que pode levar à perda de audição na idade adulta



Quem não conhece uma criança que tem dificuldade para comer mas que se entope de guloseimas? Esse hábito ruim, que muitos pais fingem não ver, pode causar uma série de prejuízos à saúde, inclusive danos na formação do sistema auditivo. Estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, mostrou que jovens adultos, desnutridos na primeira infância, têm duas vezes mais chances de perda auditiva. Por isso, quanto menor o consumo de frutas, vegetais e proteínas durante os primeiros anos de vida, maior o risco de subnutrição ou mesmo de desnutrição, o que pode levar à perda de audição na idade adulta.

A pesquisa testou a audição de mais de 2.200 jovens adultos. Todos os participantes do estudo tinham feito parte, 16 anos antes, quando crianças, de um teste nutricional realizado no Nepal. “Nossas descobertas ajudam a esclarecer as consequências do alto nível de negligência das políticas públicas e como uma intervenção nutritiva mais cedo na infância ajudaria a prevenir a perda auditiva”, disse Keith West Jr., professor do International Health at the Bloomberg School, principal pesquisador do estudo.

Ser muito franzino na infância pode ser consequência de má alimentação, tornando as crianças mais suscetíveis a infecções, incluindo a dos ouvidos, que repetidamente podem causar perda de audição. “Muita gente não sabe, mas o labirinto, órgão responsável pelo equilíbrio, fica na parte interna dos ouvidos. Uma vez inflamado, pode afetar as células ciliadas causando a perda de audição”, explica Isabela Papera, fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas.

Durante a vida adulta não há mais produção das células ciliadas, que ficam na cóclea, logo à frente do labirinto, e são responsáveis pela audição sensorial. Quando danificadas, não se regeneram. “Dessa forma, o indivíduo vai perdendo a audição ao longo dos anos, dependendo dos hábitos e ambientes - com pouco ou muito barulho - que frequentam. Má alimentação pode agravar a situação”, acrescenta a fonoaudióloga, que é especialista em audiologia.

Para evitar a subnutrição das crianças, é importante proporcionar a elas uma alimentação bastante variada, rica em alimentos que possuem potássio e vitaminas (como A, C, E), entre outros, que são importantes para a formação de uma boa saúde auditiva.  Muitas crianças têm uma alimentação pobre porque os pais não se esforçam para que provem outros nutrientes. Eles precisam ficar mais atentos às dietas alimentares para que os filhos não sofram efeitos negativos em seu desenvolvimento.

"São causas relativamente frequentes de subnutrição infantil: introdução inadequada dos alimentos, hábitos alimentares errados, déficit específico de micronutrientes, alta frequência de infecções, histórico de prematuridade e saneamento básico domiciliar precário ou inexistente. Nota-se nesse estudo que baixo peso para a idade e baixa estatura durante a infância afetaram profundamente a capacidade física e geraram a perda auditiva”, diz a nutricionista Luciana Coppini, membro da Câmara Técnica do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região SP-MS.

Por outro lado, quem pensa que a falta de nutrientes prejudica o indivíduo apenas durante a infância está errado. O jejum prolongado afeta muito a audição. Ficar sem se alimentar por um longo tempo pode acarretar perda auditiva, zumbido e tontura. O mesmo se aplica a uma criança que passa longos períodos sem ingerir água. As células ficam desnutridas, podendo afetar o fluxo de sangue no órgão auditivo.

“Muitos acreditam que a perda de audição é resultado de ações presentes, mas os danos à audição podem começar nos primeiros anos de vida. Uma dieta pobre na infância é um fator de risco para perda auditiva em outros estágios da vida”. Cuidar bem da alimentação é cuidar também da saúde auditiva, conclui a fonoaudióloga da Telex.


Infância sem limitações é possível com tratamento adequado para asma


 Embora possa ser controlada mesmo em estágios mais graves, a doença é uma das principais causas de faltas na escola


Até os três anos, é comum ouvir chiados enquanto o bebê respira. Embora alguns desses bebês cresçam sem desenvolver doença respiratória, outros começam a apresentar dificuldade para respirar, brincar e ficam muito ofegantes durante atividades físicas. À noite, acordam tossindo e com falta de ar e, por isso, não conseguem dormir bem. Nos dias mais frios e secos de inverno, elas ficam resfriadas facilmente e as idas ao pronto-socorro são mais constantes. É bem provável que você conheça uma criança que tenha enfrentado essa rotina, causada pela asma (popularmente chamada de bronquite) e acredite que esteja sob controle. Além de afetar a saúde dos pequenos, a doença que é crônica e tem origem genética, tem grandes impactos no cotidiano da família como um todo – o que poderia ser evitado com o tratamento adequado.

Caracterizada pela dificuldade da passagem de ar nas vias aéreas, o que provoca chiado no peito, a asma costuma se manifestar durante a infânciai e, se for diagnosticada precocemente, pode ser controlada, evitando as crises de falta de ar. Estudos apontam que cerca de 50% a 80% das crianças asmáticas desenvolvem os sintomas da doença até os cinco anosii. Por isso, é muito importante que os pais conheçam bem a doença e saibam exatamente como agir ao perceber os primeiros sinais. O diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, Dr. Mauro Gomes, explica que "a asma pode causar vários impactos na rotina das crianças. É muito importante que os pais e professores das crianças estejam atentos aos sintomas, queixas e comportamento deles durante todo o dia".

Por ser uma doença sem cura e que acompanha o paciente durante toda a vida, a asma tem impactos diretos na rotinaii. No ambiente escolar, por exemplo, a criança pode ter queda de desempenho nas atividades e dificuldade para acompanhar o ritmo dos colegas em brincadeiras ou esportes, o que pode gerar seu afastamento do grupo. Sem o tratamento adequado, as crises de falta de ar podem causar mais faltas às aulas e idas frequentes ao pronto-socorro. Já em casa, essas crises podem surgir caso o ambiente não seja preparado para os pacientes. O acúmulo de poeira e mofo, o excesso de bichinhos de pelúcia no quarto e a falta de ventilação e umidade podem desencadear crises, inclusive atrapalhando o sono dos pequenosiii. "Essas situações são indícios claros de que a criança sofre com asma moderada ou grave, inspirando atenção não apenas para minimizar os gatilhos, mas em rever o tratamento. É muito comum recorrer a medicação de alívio com frequência e precisamos ampliar a conscientização dos pais para buscarem tratamento adequado e contínuo", reforça Dr. Gomes.

Por esses motivos, o especialista ressalta que diagnóstico precoce e tratamento adequado são os pontos mais importantes para a redução dos sintomas da asma moderada ou grave e dos impactos significativos no desenvolvimento social e educacional das crianças. Muitas vezes, a falta de compreensão da doença por parte da família, cuidadores e professores pode piorar a situação e desmotivar os pacientes. Essa realidade é alarmante, visto que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a asma atinge cerca de 11% da população infantil entre 6 e 7 anos. Entretanto, seguindo o tratamento contínuo, a criança pode se desenvolver normalmente e consegue brincar e praticar qualquer esporte, como todos seus amigos.

Para ampliar a conscientização do cuidado correto com a asma grave, a sociedade médica reforça a recomendação da GINA (Global Initiative for Asthma) que considera a condição como não controlada, se a criança apresentar os seguintes itens nas últimas quatro semanas: despertares noturnos devido à asma, sintomas diurnos e uso de medicamento de resgate mais de duas vezes por semana; ou qualquer limitação de atividade devido aos sintomas. No caso das crianças, as atividades escolares costumam ser as mais prejudicadas justamente por não conseguirem ir diariamente nas aulas. O Dr. Mauro Gomes indica que um medicamento para crianças com asma moderada e grave foi aprovado nesse ano. "O tiotrópio é indicado para asma em adultos no Brasil desde 2015 e agora é uma alternativa para as crianças a partir dos 6 anos. Ele melhora a função pulmonar e pode reduzir em 21% o risco de exacerbações da asma".







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