Chão limpo, objetos no lugar, cama arrumada e aquele cheiro que parece anunciar: “a casa acabou de ser limpa”. Para muita gente, poucas sensações domésticas são tão satisfatórias quanto entrar em um ambiente logo depois da faxina.
Mas por que o cheiro de uma casa limpa pode ser tão prazeroso?
Segundo
Daiana Petry, aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em
neurociência, parte da explicação está na maneira como o cérebro aprende a
relacionar aromas a experiências, ambientes e emoções.
“Quando
sentimos um cheiro, não analisamos apenas se ele é agradável ou desagradável. O
cérebro também pode relacioná-lo a experiências anteriores. Se durante anos uma
pessoa sentiu determinado aroma depois que a mãe limpava a casa, por exemplo,
aquele cheiro pode passar a representar organização, cuidado, conforto e até
segurança”, explica Daiana.
Afinal, casa limpa tem cheiro?
Curiosamente,
limpeza e cheiro de limpeza não são exatamente a mesma coisa.
Uma
superfície pode estar perfeitamente higienizada e não apresentar praticamente
nenhum odor. Da mesma forma, um ambiente muito perfumado não necessariamente
está limpo.
Ainda
assim, aprendemos culturalmente a reconhecer determinados aromas como sinais de
limpeza. Notas cítricas, lavanda, pinho, eucalipto e diferentes fragrâncias
presentes em produtos domésticos podem funcionar como pistas sensoriais de que
aquele espaço foi cuidado.
“É
uma associação aprendida. O cheiro não comprova que o ambiente está
higienizado, mas pode modificar nossa percepção dele. Muitas vezes, antes mesmo
de observarmos os detalhes da casa, o olfato já trouxe uma informação que
interpretamos como ‘aqui está limpo’”, explica.
Por que dá prazer entrar em casa depois da faxina?
A
experiência também é multissensorial. Não é apenas o nariz que percebe uma mudança.
Os
olhos encontram menos objetos espalhados, o toque percebe superfícies
diferentes, o ambiente pode estar mais arejado e o cheiro muda. Tudo isso ajuda
a criar uma percepção de transformação.
“Quando
organizamos um espaço, modificamos vários estímulos ao mesmo tempo. Existe o
componente visual da organização e existe o olfativo. Para algumas pessoas,
essa combinação pode ser associada à sensação de tarefa concluída, conforto e
bem-estar”, diz Daiana.
É
por isso que o prazer pode aparecer até antes de sentarmos para aproveitar a
casa: o próprio ambiente funciona como sinal de que uma atividade terminou e
começa outro momento do dia.
“Cada
casa acaba construindo uma espécie de memória olfativa. E, muitas vezes, anos
depois, basta sentir aquele aroma novamente para a sensação de estar em casa
voltar junto”, conclui.
Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry
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