Enquanto o país investiu R$ 137,02 por pessoa em água e esgoto em 2024, a Região Norte aplicou menos da metade da média nacional: R$ 61,30 por habitante.
O Brasil segue investindo menos do
que precisa para universalizar o saneamento básico. De acordo com dados
presentes no Painel
Saneamento Brasil, o país investiu R$ 137,02 por
habitante nos serviços básicos em 2024, valor 39% abaixo dos R$ 225 por
habitante que o Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) estima como
necessário para alcançar a universalização dos serviços.
Em valores totais, o país investiu R$
29,1 bilhões em saneamento em 2024, segundo o SINISA. Para cumprir as metas de
99% de cobertura de água e 90% de coleta de esgoto até 2033, o estudo “Avanços do
Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2026”
aponta que seria necessário manter uma média de R$ 48 bilhões por ano, um ritmo
de investimento nunca alcançado no país até hoje.
Tabela
1 - Indicadores de saneamento básico, Brasil e Regiões, 2024
O investimento também é desigual
entre as regiões. O Sudeste investiu R$ 173,85 por habitante em 2024, o maior
valor do país, seguido pelo Sul, com R$ 170,40, e pelo Centro-Oeste, com R$
135,84. O Nordeste investiu R$ 86,80 por pessoa, e o Norte teve o menor valor
do país, R$ 61,30, pouco mais de um quarto do necessário, justamente as regiões
que apresentam maiores déficits nos indicadores de saneamento básico.
Definir a origem do recurso que será
direcionado ao saneamento é um dos cinco critérios que a campanha Voto no
Saneamento, do Instituto Trata Brasil, recomenda cobrar dos
candidatos aos governos em 2026. Sem esse compromisso financeiro explícito nos
planos de governo, o país dificilmente reduzirá a diferença entre o que investe
e o que precisa investir para cumprir o Marco Legal do Saneamento Básico até
2033.

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