Exame realizado uma única vez avalia riscos associados a mais de 300 doenças em cães e mais de 90 em gatos, além de sensibilidades a medicamentos, riscos oncológicos e composição racial
Grizlle era um boxer e morreu ainda jovem. A perda
marcou Eduardo Lemos, que, anos depois, ao assistir a um documentário sobre
genética, se fez uma pergunta difícil de responder: se as ferramentas
disponíveis atualmente já existissem naquela época, seria possível ter
identificado algum risco e cuidado dele de outra forma? Não há como saber se um
teste teria mudado aquela história, mas a inquietação levou o executivo a
estudar o assunto e, posteriormente, a fundar a Petgenoma, empresa brasileira
especializada em testes genéticos para animais.
A história de Grizlle ajuda a explicar uma tecnologia
que começa a ganhar espaço nos cuidados com cães e gatos. A partir de uma
coleta bucal simples e indolor, o teste genético analisa o DNA do animal e
identifica variantes associadas a predisposições a doenças, sensibilidades a
determinados medicamentos e outras características que podem orientar o
acompanhamento ao longo da vida.
O exame não diagnostica uma doença nem significa
que o animal necessariamente desenvolverá determinada condição. A informação
genética funciona como um sinal de atenção que deve ser interpretado pelo
médico-veterinário em conjunto com o histórico do pet, a avaliação clínica, os
exames de rotina e fatores como idade, alimentação, peso e estilo de vida.
Teste genético para pets
amplia as possibilidades de cuidado preventivo
Diferentemente de exames que mostram como o
organismo está em um momento específico, o teste genético pode ser realizado
apenas uma vez, porque o DNA permanece o mesmo durante toda a vida. Quanto mais
cedo as informações são conhecidas, maior é o período disponível para que o
responsável e o médico-veterinário discutam formas de acompanhamento e cuidados
preventivos.
Os painéis disponíveis atualmente podem avaliar
predisposições relacionadas a condições cardíacas, renais, neurológicas,
oftalmológicas e oncológicas, entre outras. Um resultado que indique maior
risco para determinada doença pode levar o médico-veterinário a recomendar
atenção a sinais específicos ou exames periódicos direcionados. As decisões, no
entanto, dependem sempre da avaliação individual do animal.
“O teste genético não prevê o futuro nem determina
que uma doença irá acontecer. Seu valor está em oferecer uma informação que
antes não estava disponível. Quando conhecemos uma predisposição, podemos
conversar com o médico-veterinário sobre quais sinais observar, quais exames
podem ser acompanhados e quais aspectos da rotina merecem mais atenção. É uma
forma de transformar conhecimento em cuidado antecipado”, explica Eduardo
Lemos, fundador e CEO da Petgenoma.
Genética também pode orientar
o uso de medicamentos
Outra aplicação é a farmacogenética, área que
estuda como as características do DNA podem influenciar a resposta do organismo
a determinados medicamentos. Alguns animais apresentam variantes associadas a
maior sensibilidade ou a uma forma diferente de metabolizar certos fármacos.
Conhecer essa informação pode ajudar o médico-veterinário a avaliar com mais
cuidado as alternativas disponíveis em situações como tratamentos contínuos,
cirurgias e procedimentos anestésicos.
“Cada animal pode responder de maneira diferente a
um mesmo medicamento. A farmacogenética acrescenta uma informação individual ao
processo de decisão, permitindo que o médico-veterinário considere possíveis
sensibilidades ao definir um tratamento. Não se trata de indicar automaticamente
um medicamento ou uma dose, mas de oferecer mais um dado para uma escolha
clínica fundamentada e personalizada”, afirma Lemos.
Como o responsável pode fazer
o teste genético do pet
O responsável recebe em casa um kit acompanhado das
orientações para a coleta bucal, que pode ser feita sem agulhas e sem sedação.
O material é enviado ao laboratório da Petgenoma, localizado na Universidade de
São Paulo (USP), onde o DNA passa por análises genéticas e bioinformáticas.
Segundo a empresa, o relatório fica disponível em até 15 dias úteis após o
recebimento da amostra.
Para Arthur Silva, gerente regional de Diagnósticos de Precisão para a América Latina na
QIAGEN,
companhia que fornece as tecnologias usadas na coleta e na extração do DNA,
parece um detalhe, mas a qualidade do resultado começa na fricção do coletor na
bochecha do animal.
“Se a amostra rende pouco material ou chega
degradada, o laboratório não consegue analisar e o tutor precisa repetir a
coleta. O coletor e a química de extração contribuem para que essa etapa não
seja o ponto fraco do exame", aponta.
Os testes contemplam mais de 300 riscos genéticos à
saúde em cães e mais de 90 em gatos, além de informações sobre farmacogenética.
Dependendo da modalidade escolhida, também podem apresentar dados sobre
composição racial, características físicas e comportamentais, consanguinidade,
parentesco, predisposição à obesidade e riscos oncológicos.
“A comparação com a vacina ajuda a mostrar como
precisamos ampliar a ideia de prevenção. A vacinação protege contra doenças
infecciosas específicas; o teste genético oferece informações que podem apoiar
o acompanhamento de riscos hereditários e condições crônicas. São ferramentas
diferentes, que não se substituem, mas que contribuem para uma mesma mudança de
olhar: cuidar da saúde antes que um problema apareça”, acrescenta Eduardo
Lemos.
Para Eduardo, a principal contribuição da tecnologia
está justamente na possibilidade de dar às famílias informações que ele não
teve quando cuidava de Grizlle.
“Não é possível afirmar que um teste teria mudado a
história dele. Mas aquela perda me fez pensar em quantos animais poderiam ser
acompanhados de maneira diferente se seus responsáveis e veterinários
conhecessem alguns riscos com antecedência. A Petgenoma nasceu desse desejo de
tornar a genética acessível e útil para ajudar os pets a viverem mais e
melhor”, conclui.
Os testes para cães e gatos estão disponíveis para
responsáveis de todo o Brasil no site da Petgenoma.

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