"A Fibra que
conduz ao significado" aproxima técnicas ancestrais e produção
contemporânea em mostra no Espaço República, com encontros, conversas, oficina
e visita guiada
O Espaço República, no centro de São Paulo, estreia
neste sábado, 22 de agosto, a exposição “A Fibra que conduz ao significado”,
que reúne 56 artistas em torno das diferentes possibilidades da arte têxtil
contemporânea. Com curadoria de Liliam Barboza, a mostra apresenta artistas com
participação individual e integrantes de quatro coletivos, em trabalhos que
transitam entre tapeçaria, bordado, escultura, objeto e experimentação com
diferentes materiais.
A exposição parte da fibra como matéria e também
como metáfora para os caminhos percorridos pelo artista. Fios, tecidos,
bordados e tramas carregam técnicas transmitidas ao longo de gerações, mas
aparecem na mostra associados a novas linguagens, materiais e questões
contemporâneas.
Esse diálogo entre passado e presente está no
centro da exposição. De um lado, técnicas manuais e saberes que atravessaram
séculos e diferentes culturas. De outro, artistas que incorporam essas
referências a pesquisas próprias, ampliando os limites tradicionalmente associados
à arte têxtil.
O percurso reúne tapeçarias produzidas em teares
manuais, tapeçarias bordadas e tramas experimentais. As referências passam
pelas tradições têxteis da América Andina, pela produção europeia ligada aos
Gobelins e pelas transformações introduzidas pela Bauhaus no início do século
XX. A intenção, no entanto, não é construir uma linha histórica, mas mostrar
como conhecimentos, técnicas e memórias continuam sendo transformados pela
produção contemporânea.
“A fibra representa o artista que processa a
sua obra e a transforma em sentimentos e mensagens para a humanidade. O artista
liga pontos que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano e abre caminhos
para novas experiências”, afirma a curadora Liliam Barboza.
Essa diversidade pode ser percebida no trabalho de
Anna Guerra, uma das artistas participantes. Nascida no Recife e radicada em
São Paulo, ela utiliza resíduos têxteis, fios, tecidos, madeira e metal em
trabalhos que transitam entre pintura, bordado, objeto, instalação e escultura.
“O tecido deixa de ser superfície e torna-se corpo. O metal age como nervura. A
madeira ancora”, afirma a artista. Em 2026, Anna realizou a exposição
individual “Sustento Insisto”, no Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), com
curadoria de Valquiria Prates e Nilton Campos.
Além das participações individuais, a exposição
reúne quatro coletivos. Fios Condutores, Raízes e Espelho d’água foram
idealizados por Liliam Barboza e desenvolvem diferentes pesquisas a partir da
arte têxtil. A mostra recebe ainda As Catarinas, coletivo de Santa Catarina,
ampliando o encontro entre artistas, experiências e formas de trabalhar a
fibra.
Ao longo do período expositivo, o público também
poderá participar de uma agenda de encontros e atividades com artistas e a
curadora. A programação inclui conversas sobre processos criativos, palestra,
oficina de composição e bordado, encontro sobre os coletivos participantes e
visita guiada com Liliam Barboza. A proposta é aproximar o visitante não apenas
das obras prontas, mas também das pesquisas, técnicas e experiências envolvidas
em sua criação.
“A Fibra que conduz ao significado” dá continuidade
à presença da arte têxtil na programação do Espaço República, que em 2024
apresentou a exposição “Do Casulo à Borboleta”. A nova mostra amplia essa
investigação ao reunir diferentes gerações, técnicas e maneiras de pensar uma
linguagem que parte de práticas ancestrais, mas encontra novas possibilidades
na arte contemporânea.
SERVIÇO
Exposição: A Fibra que conduz ao significado
Curadoria: Liliam Barboza
Abertura: sábado, 22 de agosto de 2026, das 11h às 17h
Visitação: de 22 de agosto a 9 de setembro de 2026
Horário: quarta a sábado, das 11h às 17h
Local: Espaço República | Av. São Luís, 86, 5º
andar, República, São Paulo
Sala: Sala Expositiva Vera Helena
Apoio: Emporio Beraldin
Entrada gratuita
Nenhum comentário:
Postar um comentário