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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Dia da Igualdade Feminina (26/08): W3haus e clientes discutem regras não ditas que ainda impactam a carreira das mulheres

 

Entre adaptação e transformação, executivas mostram como estão redefinindo a lógica de liderança no mercado

 

Celebrado em 26 de agosto, o Dia Internacional da Igualdade Feminina propõe uma reflexão sobre os avanços conquistados pelas mulheres e os desafios que continuam presentes na construção de suas trajetórias profissionais. Muitos deles se manifestam de forma sutil, por meio de códigos que não aparecem em nenhum manual, mas continuam influenciando as relações no ambiente de trabalho. 

Essas dinâmicas se refletem na forma como uma fala é recebida, no peso atribuído a determinadas decisões e na maneira como comportamentos são interpretados em contextos profissionais. Em muitos casos, são essas nuances que acabam moldando a percepção de autoridade, consistência e liderança. À medida que mais mulheres passam a ocupar posições estratégicas, essas dinâmicas deixam de ser apenas percebidas e passam a ser discutidas com mais clareza. Mais do que apontar obstáculos, essa mudança revela diferentes formas de construir liderança e ocupar espaços de decisão.

Na W3haus, agência do Grupo Stefanini, essa leitura também faz parte do processo de construção de cultura. Alessandra Sant’Ana, CEO da Agência, tem uma visão direta sobre o comportamento de profissionais que chegam ao topo, especialmente em ambientes mais tradicionais. Para ela, é comum que, ao longo da trajetória, haja uma tendência de adoção de posturas mais rígidas como forma de adaptação ao contexto. 

Porém, ela optou por uma abordagem diferente. A executiva define empatia como um elemento de gestão, não como fragilidade. Assim, liderar envolve capacidade de leitura de cenário, construção de relações de confiança e clareza na tomada de decisão. “Acredito muito em uma frase da Brené Brown: vulnerabilidade não é fraqueza, é consciência”, afirma. Esse posicionamento, segundo ela, tem impacto direto na forma como os times operam e como a agência se relaciona com clientes. 

Ao revisitar a própria trajetória, também reconhece desafios comuns ao longo do caminho. Conta que, ao receber

o convite para assumir a posição de CEO após um período afastada da publicidade, sua reação inicial foi de dúvida. Ainda assim, decidiu aceitar, entendendo esse movimento como parte do processo de assumir novas responsabilidades. 

Essa percepção dialoga com experiências vividas por outras executivas que, em diferentes setores, também observaram como determinadas regras seguem presentes no cotidiano corporativo. Ao longo da trajetória, Danielle Ceccato, Head de Marketing da Getnet, observou que muitas dessas dinâmicas aparecem em situações comuns do dia a dia, como interrupções constantes em reuniões ou a necessidade de reafirmar ideias para garantir reconhecimento. 

Hoje, atuando em uma companhia com forte presença feminina na liderança, onde mais de 40% dos cargos são ocupados por mulheres, destaca um ambiente que vem avançando de forma consistente nessa agenda. Quando se depara com esse tipo de situação, adota uma abordagem prática: responde com postura e estratégia, seja utilizando o silêncio como forma de reposicionamento, seja reforçando seus pontos com clareza, mantendo um tom equilibrado, sem abrir mão da firmeza. 

Esse aprendizado também se reflete no conselho que costuma dar para quem está começando. Para Danielle, não é necessário se moldar a um padrão para ganhar espaço. “Você não precisa se endurecer para caber”, resume. Em sua carreira, percebeu que tentar se ajustar a expectativas externas muitas vezes afastava da própria identidade e que existe espaço para diferentes formas de atuação, especialmente com a presença crescente de mais mulheres em posições estratégicas. 

Já Nathalie Honda, CMO da Wella Company Brasil, chama atenção para outro ponto recorrente na construção de carreira: a ideia de que existe um único caminho para alcançar resultado. Na sua experiência, essa lógica vem sendo questionada na prática. 

Ao longo da trajetória, passou por contextos em que a adaptação a modelos já estabelecidos parecia inevitável, mas também percebeu que há espaço para outras formas de atuação. Para ela, um dos principais aprendizados foi entender que leveza e consistência não são opostas. “Existe muito valor em fazer as coisas de forma mais humana e leve, e isso também traz resultado”, afirma. 

Esse olhar se conecta diretamente com referências que marcaram sua carreira. Nathalie destaca a influência de uma liderança feminina que, independentemente da pressão ou do volume de trabalho, mantinha uma rotina clara de priorização da vida pessoal. Sair no horário para estar com a família não era exceção, mas parte do modelo de gestão. 

O impacto dessa postura foi além do exemplo individual. Trouxe uma nova perspectiva sobre produtividade e resultado, mostrando que é possível construir entregas consistentes sem necessariamente seguir uma lógica de sobrecarga ou disponibilidade constante. Para Nathalie, esse tipo de referência amplia o entendimento sobre liderança e abre espaço para trajetórias mais sustentáveis ao longo do tempo. 

O que se percebe, a partir desses relatos, é um mercado que ainda opera com certas referências bem definidas, mas que já convive, com outras formas de atuação. Essas regras não ditas continuam influenciando decisões, comportamentos e a forma como trajetórias são construídas, especialmente em ambientes mais tradicionais, onde determinados padrões ainda orientam a percepção de liderança e resultado. 

Ao mesmo tempo, a experiência dessas executivas mostra que existe uma leitura mais prática sobre como navegar nesse cenário. Cada uma, dentro do seu contexto, foi ajustando o percurso, entendendo quais códigos fazem sentido seguir e quais podem ser reinterpretados. Esse processo aparece no dia a dia, na forma de sustentar posicionamentos, conduzir relações e consolidar entregas com consistência. 

No Dia Internacional da Igualdade Feminina, esses relatos ajudam a ampliar a discussão sobre equidade para além dos indicadores de representatividade. Eles mostram que transformar o ambiente corporativo também passa por questionar padrões pouco visíveis, mas profundamente enraizados, e abrir espaço para formas mais diversas de liderar. É nesse movimento, contínuo e muitas vezes silencioso, que as regras não ditas começam, aos poucos, a ser reescritas.
 

W3haus


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