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O avanço do El Niño sobre o regime de
chuvas da Região Sul coloca a proteção financeira de famílias e empresas
novamente em evidência. Para além das previsões meteorológicas, a ocorrência de
eventos extremos traz uma questão prática: imóveis, bens e renda estão
preparados para absorver financeiramente os efeitos de um imprevisto?
Segundo o Instituto Nacional de
Meteorologia (INMET), o El Niño já começou a influenciar as chuvas no Sul do
Brasil. O fenômeno tende a aumentar a frequência e o volume das precipitações
na região, e as previsões apontam possibilidade de permanência até o início de
2027. Nota técnica conjunta do INPE, INMET, Funceme e Censipam indica
probabilidade superior a 80% de configuração do fenômeno ao longo do segundo
semestre de 2026.
Os impactos financeiros provocados por
eventos climáticos recentes ajudam a dimensionar a preocupação. No Rio Grande
do Sul, as seguradoras desembolsaram R$ 21,14 milhões em indenizações de seguro
residencial somente em janeiro de 2026, aumento de 37,9% em relação ao mesmo mês
do ano anterior. A arrecadação do segmento no estado chegou a R$ 58,12 milhões
no período, alta de 6,4%.
Outro indicador vem das coberturas
relacionadas a enchentes e alagamentos. Em 2025, a Região Sul respondeu por 21%
dos acionamentos dessas coberturas no seguro residencial de uma das principais
seguradoras do país e concentrou 25% das contratações. Santa Catarina, Paraná e
Rio Grande do Sul estiveram entre os estados com maior participação nesses
registros.
Dados do Sistema Ailos mostram que mais de
500 mil seguros de vida e patrimônio estavam vigentes entre os cooperados ao
final de 2025. O sistema reúne 14 cooperativas de crédito e tem presença em
mais de 140 cidades, incluindo Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São
Paulo.
Quando
é a hora certa para contratar um seguro
Para a cooperativa de crédito CredCrea, o
momento reforça a importância de tratar o seguro como parte do planejamento
financeiro, e não apenas como uma proteção acionada depois de um prejuízo.
Antes de contratar ou renovar uma apólice, a recomendação é avaliar quais
riscos fazem sentido para cada realidade e conferir se as coberturas existentes
acompanham eventuais mudanças no patrimônio ou na composição familiar.
“Quando falamos em seguro, muitas vezes
pensamos na contratação e esquecemos de verificar se aquela proteção continua
adequada à nossa realidade. Uma mudança na residência, a aquisição de um bem ou
uma nova configuração familiar podem alterar as necessidades de proteção. Por
isso, revisar periodicamente as coberturas é uma forma de manter o planejamento
financeiro atualizado”, explica o especialista em seguros Vinicius Luiz
Pedrotti da CredCrea.
Ainda segundo Vinicius, a análise das
condições da apólice também merece atenção. Coberturas, limites de indenização,
franquias e exclusões variam conforme o produto contratado, e determinados
danos provocados por eventos climáticos podem depender de coberturas
específicas. Também vale conhecer as assistências disponíveis no seguro
residencial, que podem incluir serviços como eletricista, chaveiro, limpeza de
caixa-d’água e pequenos reparos. Muitas vezes, esses serviços já estão
previstos na contratação e podem ser úteis no dia a dia, mesmo quando não há um
sinistro. Por isso, conhecer as condições e os benefícios do contrato antes de
uma eventual ocorrência é parte importante da prevenção.
No caso do seguro residencial e
patrimonial, a avaliação pode considerar o imóvel, equipamentos e outros bens,
conforme as coberturas contratadas. Já o seguro de vida tem outra finalidade:
contribuir para a proteção financeira dos beneficiários (quem recebe a
indenização do seguro) diante de situações que possam comprometer a renda
familiar.
“Seguro não elimina o risco, mas pode reduzir o impacto financeiro de um acontecimento inesperado. A ideia é avaliar previamente quais situações poderiam comprometer o patrimônio ou a renda e verificar se existe uma proteção adequada para elas”, acrescenta Pedrotti.
Com o El Niño já influenciando as condições de chuva no Sul, o período é oportuno para uma revisão financeira preventiva. Conferir o que está protegido, quais coberturas foram contratadas e quais situações permanecem descobertas pode fazer diferença antes que uma ocorrência climática transforme um risco conhecido em prejuízo.

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