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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Gasto Brasil ultrapassa Impostômetro em R$ 1 trilhão

Diferença entre despesas públicas e arrecadação de tributos foi atingida nesta segunda-feira (24), 20 dias antes do previsto. Marca ocorre poucos dias após lançamento da plataforma no Congresso e reforça avanço dos gastos públicos, que pressionam juros e afetam pequenas empresas

 

O Gasto Brasil, plataforma que acompanha as despesas públicas da União, estados, Distrito Federal e municípios, superou o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em R$ 1 trilhão nesta segunda-feira (24/08).

A diferença considera, de um lado, as despesas públicas registradas pelo Gasto Brasil e, de outro, os impostos, taxas e contribuições acompanhados pelo Impostômetro. A marca, porém, não significa que o Governo tenha acumulado uma dívida ou um déficit de R$ 1 trilhão, já que os dois indicadores possuem metodologias e objetos diferentes. O resultado fiscal oficial depende da comparação entre receitas e despesas em bases equivalentes e de outros componentes das contas públicas.

O avanço das despesas públicas ocorre em ritmo acelerado. O Gasto Brasil atingiu R$ 3 trilhões em 15 de julho, cerca de 20 dias antes do registrado em relação à referência de 2025. Na ocasião, a plataforma apontava aceleração das despesas públicas em relação ao ano anterior. 

Em 11 de agosto, quando a plataforma Gasto Brasil foi apresentada na Câmara dos Deputados, em Brasília, o painel já apontava mais de R$ 3,4 trilhões em despesas desde o início do ano. Desse total, quase R$ 1,6 trilhão (46,5%) correspondia à União, enquanto os estados somavam R$ 926,2 bilhões e os municípios, R$ 908,1 bilhões.

Para o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Ruiz de Gamboa, o aumento dos gastos públicos pode pressionar os juros por dois caminhos: o maior endividamento do Governo e a pressão sobre os preços.

“Se está gastando mais do que arrecada, está se endividando com o mercado. Então isso traz esse excesso de gasto, duas consequências; ambas vão na direção do aumento da taxa de juros”, afirma.

Segundo o economista, o maior endividamento pode reduzir a disponibilidade de crédito no mercado e aumentar a percepção de risco dos investidores. Ao mesmo tempo, o aumento dos gastos pode estimular a demanda e pressionar a inflação, dificultando a redução dos juros pelo Banco Central.

O cenário, segundo Ruiz de Gamboa, tende a afetar principalmente pequenas e médias empresas, que têm mais dificuldade de acesso ao crédito.
“Isso desacelera a economia, prejudica todas as empresas, mas, mais fortemente, as pequenas e médias, que têm mais dificuldade em acessar o crédito”, diz. 

Nota técnica: a diferença de R$ 1 trilhão entre os dois indicadores não corresponde, isoladamente, ao déficit fiscal brasileiro. Gasto Brasil e Impostômetro têm objetos e metodologias diferentes; o resultado fiscal oficial exige a comparação de receitas e despesas em bases equivalentes e considera outros componentes das contas públicas.


Transparência

Criado em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a ACSP, o Gasto Brasil reúne dados oficiais sobre as despesas públicas. A plataforma foi apresentada no Congresso Nacional em 11 de agosto e também está disponível na sede da ACSP, no Centro Histórico de São Paulo, onde compartilha espaço com o Impostômetro, criado em 2005 para acompanhar a arrecadação de tributos no país. 

Gasto Brasil: www.gastobrasil.com.br.

Painel físico da ACSP: Rua Boa Vista, 51 – Centro Histórico, São Paulo (SP). 



Bruna Santos
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/gasto-brasil-ultrapassa-impostometro-em-r-1-trilhao


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