Educadores e especialistas pontuam os principais passos para uma formação completa, incluindo todos os atores do ecossistema educacional
O mês de agosto é marcado pela celebração do ensino como um todo, desde a educação infantil até os seus profissionais. Neste mês, também é comemorado o Dia Nacional da Educação Básica, em 26 de agosto. A data é um convite para refletir sobre as mudanças que as escolas enfrentam diariamente e como terão impacto direto no ensino.
De acordo com o presidente
da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), Tiago Bossi, celebrar a data é
reconhecer a importância da escola como espaço de formação integral. Assim, é
possível reafirmar o compromisso de todos os atores do ecossistema educacional,
desde o corpo docente, até as famílias e alunos, oferecendo uma aprendizagem mais
significativa, inclusiva e conectada às demandas atuais.
A
importância da inclusão e personalização da aprendizagem nas escolas
A pesquisa Raio-X das
Escolas Particulares, feita pela Abraspe em parceria com a H2R Insights
& Trends, abordou os perfis das escolas, profissionais e
famílias e o impacto direto na escola do futuro, analisando necessidades e
tendências. No estudo, ao questionar 519 profissionais de educação sobre
qualidade educacional e valores, 25% apontaram que métodos sociointeracionistas
são fundamentais no meio educacional. Dessa maneira, é demonstrada uma
preocupação vigente dos educadores referente a inclusão e personalização do
ensino, atendendo às necessidades individuais dos estudantes.
Para Bossi, a
educação básica passa por transformações constantes, principalmente de
mentalidade, pois o estudante do século XXI possui novas maneiras de aprender e
de se relacionar com o conhecimento. Além disso, os professores também mudaram
a maneira de ensinar e gerir. Assim, somente transmitir conteúdo já não é mais
suficiente, é necessário um aprendizado personalizado e inclusivo.
Além disso, com as
necessidades do mundo contemporâneo, ele indica que a formação integral do
aluno passou a ser mais complexa e exigente. “Precisamos formar estudantes
capazes de pensar criticamente, resolver problemas complexos, colaborar, criar
e aprender continuamente ao longo da vida”, afirma.
Como garantir o desenvolvimento de competências
socioemocionais
Além do cuidado
com as necessidades individuais de cada estudante, a escola também precisa ter
um olhar atento para questões socioemocionais, fundamentais para a instrução
integral do cidadão atual. De acordo com os especialistas consultados pelo estudo,
as competências emocionais estão em primeiro lugar em suas perspectivas da
escola do futuro ideal. Na pesquisa, 36% dos educadores esperam priorização no
acolhimento e inclusão, buscando o equilíbrio entre bem-estar, estrutura,
inovação e personalização do aprendizado.
Para Carolina
Segala Daré, especialista educacional na FourC Bilingual Academy, a infância é
um período fundamental para o desenvolvimento das competências socioemocionais,
já que é nessa fase que o cérebro está em intensa formação e adaptação às
experiências vividas. Brincadeiras, conversas, interações e investigações
ajudam a fortalecer as conexões cerebrais e contribuem para que a criança
desenvolva habilidades importantes.
A diretora
do Ensino Fundamental do Programa Regular da Escola Móbile,
Cleuza Vilas Boas Bourgogne,
concorda. Competências como pensamento crítico, criatividade, resolução de
problemas, colaboração e autonomia também devem fazer parte do cotidiano
escolar, reforçando a importância de metodologias ativas no contexto
educacional.
Cleuza ainda
pontua que, diante do cenário atual, marcado por transformações constantes, é
fundamental que os estudantes aprendam a lidar com mudanças, frustrações e
incertezas, desenvolvendo habilidades como autogestão, regulação emocional,
abertura ao novo, cooperação e responsabilidade coletiva.
A parceria entre escola e família na formação integral dos
estudantes
Ainda de acordo
com a pesquisa realizada pela Abraspe e H2R Insights & Trends, ao questionar as
famílias sobre os principais insights sobre a escola do futuro, foi
pontuado que os pais almejam que os filhos estejam preparados para enfrentar um
mundo em rápida transformação. Para isso, é necessário desenvolver habilidades
como criatividade, resolução de problemas e capacidade de adaptação, para além
do conhecimento acadêmico e do aprendizado tradicional.
Para o
desenvolvimento integral dessas competências, a família também possui total
responsabilidade e importância neste processo. Para Flavia
Grecco Giacomin, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental Anos Finais e
Ensino Médio do Colégio Ábaco São
Bernardo do Campo, a escola e os
pais compartilham um objetivo comum: contribuir para que o estudante se
desenvolva não apenas academicamente, mas também nos aspectos sociais,
emocionais e éticos.
"Com
confiança sólida e comunicação fluida, essa parceria deixa de ser um
alinhamento pontual e passa a ser uma corresponsabilidade genuína. Educar é uma
missão coletiva. Quanto mais unidas família e escola estiverem em volta desse
propósito, mais capazes serão de formar jovens autônomos, seguros e prontos
para o que a vida trouxer", conclui.
Os desafios da Matemática na educação básica brasileira
Segundo dados da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) referentes a
2022, somente 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram, no mínimo,
o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar básico pela
avaliação. Em contraste, a média entre os países membros da OCDE chegou a 69%. De acordo com Jalman Lima, mestre em Matemática e gerente da CASIO Educação, esses dados apontam a necessidade de transformar a maneira como a
disciplina é ensinada e vivenciada nas escolas.
Para isso, o especialista
indica que é preciso ampliar as oportunidades para que os alunos sejam capazes
de interpretar informações, reconhecer padrões, formular hipóteses, construir
argumentos, resolver problemas e tomar decisões fundamentadas. “Mais do que
obter respostas corretas, é necessário compreender as ideias matemáticas
envolvidas e saber utilizá-las em diferentes contextos”, indica.
Recursos digitais também podem
contribuir para a compreensão das noções matemáticas, desde que estejam
integrados a situações de aprendizagem que levem os estudantes a investigarem,
compararem estratégias, analisarem resultados, refletirem sobre procedimentos e
sistematizarem conclusões. “Desse modo, a tecnologia apoia na construção e na
formalização do conhecimento matemático, sem substituir o pensamento do
estudante”, encerra.

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