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terça-feira, 30 de junho de 2026

Suor até no frio? Veja os tratamentos disponíveis para a hiperidrose

Condição afeta cerca de 3% da população e pode ser tratada com medidas clínicas e cirurgia em casos selecionados

 

Enquanto muitas pessoas enfrentam mãos geladas e buscam roupas mais quentes durante o inverno, outras convivem com um problema oposto: o suor excessivo mesmo em dias frios, sem esforço físico ou altas temperaturas. A situação pode parecer apenas um incômodo, mas, em alguns casos, pode ser sinal de uma condição chamada hiperidrose.

Caracterizada pela produção exagerada de suor, a hiperidrose afeta cerca de 3% da população e pode interferir diretamente na rotina, nas relações sociais e na qualidade de vida. O problema pode aparecer em situações simples, como evitar roupas claras por medo de manchas, deixar de cumprimentar pessoas com um aperto de mão ou ter dificuldade para escrever e manusear objetos por causa da umidade.

“Não estamos falando apenas de suor excessivo. A hiperidrose pode comprometer relações sociais, autoestima, desempenho profissional e até a saúde mental do paciente”, explica o cirurgião torácico do Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or, Dr. André Miotto.


O que é hiperidrose?

O suor é uma resposta natural do organismo e tem como principal função ajudar no controle da temperatura corporal. Na hiperidrose, porém, as glândulas sudoríparas produzem suor em excesso, mesmo quando o corpo não precisa se resfriar.

A condição pode ser dividida em dois tipos principais:


Hiperidrose primária: costuma surgir na infância ou adolescência e não está relacionada a outras doenças. Geralmente afeta regiões específicas, como mãos, pés, axilas ou rosto. Situações de estresse e emoções intensas podem desencadear ou intensificar os episódios.


Hiperidrose secundária: ocorre como consequência de outras condições de saúde, como alterações da tireoide, infecções ou pelo uso de determinados medicamentos.

“Muitas vezes recebemos pacientes encaminhados por pediatras que, após a confirmação do diagnóstico, podem ser direcionados para o procedimento de simpatectomia quando há indicação”, afirma o especialista do São Luiz Itaim.


Quando a cirurgia pode ser indicada?

Nem todos os pacientes precisam de cirurgia. O tratamento depende do tipo de hiperidrose, da intensidade dos sintomas e do impacto causado na vida da pessoa.

A simpatectomia é uma opção indicada principalmente para casos de hiperidrose focal, especialmente quando há suor excessivo nas mãos, axilas ou face e quando outras alternativas, como antitranspirantes específicos, medicamentos ou aplicação de toxina botulínica, não apresentam melhora suficiente.

O procedimento é minimamente invasivo e atua nos nervos responsáveis pelo estímulo da produção excessiva de suor em determinadas regiões do corpo.

“Utilizamos uma câmera cirúrgica para visualizar a região e instrumentos específicos para atuar no nervo responsável pelo estímulo do suor. Na maioria dos casos, o paciente recebe alta em até 24 horas”, explica Miotto.

Segundo o médico, a técnica não interfere no metabolismo nem na capacidade do organismo de regular sua temperatura.

“Em muitos pacientes, a simpatectomia reduz significativamente ou elimina a necessidade de tratamentos contínuos, como medicamentos ou aplicações periódicas de toxina botulínica, que precisam ser reaplicadas ao longo do tempo”, afirma.

O procedimento apresenta altas taxas de melhora da transpiração em regiões como mãos, axilas e face, podendo trazer impacto positivo na autoestima, na vida social e nas atividades profissionais.

Existe a possibilidade de ocorrer a chamada sudorese compensatória, quando o corpo passa a produzir mais suor em outras áreas, como costas, abdome ou pernas. Por isso, a avaliação médica individualizada é fundamental antes da indicação do procedimento.


Outros tratamentos

A cirurgia não é necessária para todos os casos. Dependendo do quadro, o controle dos sintomas pode ser feito com tratamentos clínicos, como:

• Antitranspirantes específicos;

• Medicamentos que reduzem a produção de suor;

• Aplicação de toxina botulínica.

“O diagnóstico correto é essencial para definir a melhor estratégia, já que cada tipo de hiperidrose exige uma abordagem diferente”, reforça André Miotto.

Localizado na zona Sul de São Paulo, o Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or, conta com estrutura para atendimento de alta complexidade, incluindo pronto-socorro, unidades de terapia intensiva e serviços cirúrgicos especializados.

 

Rede D’Or


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