Especialistas destacam a importância de
diferenciar objetivos de saúde de padrões estéticos em um cenário de expansão
das opções terapêuticas para emagrecimento
Freepik
A expectativa de ampliação do acesso a medicamentos
para perda de peso, impulsionada pela chegada de novas opções ao mercado e pela
redução gradual dos custos de tratamento, tem transformado a forma como o emagrecimento
é percebido pela sociedade. Ao mesmo tempo em que esses recursos representam
avanços importantes para o cuidado de pessoas com indicação clínica,
especialistas observam que o cenário também convida a uma reflexão sobre imagem
corporal, autoestima e saúde mental.
Nos últimos anos, o tema do emagrecimento voltou a ocupar espaço
nas redes sociais, na mídia e nas conversas do cotidiano. Nesse contexto,
mulheres seguem sendo particularmente expostas a expectativas relacionadas à
aparência física e ao corpo considerado ideal.
Para a psiquiatra Dra. Lorena Del Sant, professora da
pós-graduação em Psiquiatria da Afya Educação Médica São Paulo, é importante
compreender que a relação com o próprio corpo envolve fatores emocionais,
sociais e culturais que vão além da balança.
“O desejo de emagrecer não é, por si só, um problema. A questão
surge quando a aparência passa a ocupar um espaço central na construção da
autoestima ou quando a busca por determinado padrão corporal interfere na
qualidade de vida, nas relações sociais ou na saúde emocional”, afirma.
Segundo a especialista, a exposição constante a imagens e
discursos associados à magreza pode intensificar processos de comparação e
insatisfação corporal, especialmente entre mulheres que já apresentam
vulnerabilidades emocionais.
“Muitas vezes, o sofrimento não está relacionado ao peso em si,
mas à sensação de inadequação. Quando uma pessoa acredita que precisa atingir
determinado padrão para ser aceita, admirada ou bem-sucedida, isso pode gerar
frustração, ansiedade e uma relação pouco saudável com o próprio corpo”,
explica.
A discussão ganha relevância em um momento em que os tratamentos
para perda de peso se tornam mais conhecidos pela população. Para a nutróloga
Dra. Raphaela Zanella, professora da pós-graduação em Nutrologia da Afya
Educação Médica São Paulo, é fundamental que o debate seja conduzido com foco
em saúde.
“Os medicamentos para perda de peso representam uma importante
ferramenta terapêutica para pacientes que possuem indicação clínica. Quando
utilizados de forma adequada e com acompanhamento profissional, podem trazer
benefícios significativos para a saúde e para a qualidade de vida. O objetivo
do tratamento deve estar relacionado ao cuidado integral do paciente, e não à
busca por um padrão estético específico”, destaca.
A discussão ganha relevância em um momento em que os tratamentos
medicamentosos para obesidade e perda de peso se tornam cada vez mais
conhecidos pela população. Para a nutróloga Dra. Raphaela Zanella, professora
da pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica São Paulo, é fundamental
que esse debate seja conduzido com responsabilidade e baseado em evidências
científicas.
“Os medicamentos para perda de peso representam uma importante ferramenta
terapêutica para pacientes que possuem indicação clínica. Quando prescritos de
forma adequada e acompanhados por profissionais capacitados, podem trazer
benefícios significativos para a saúde metabólica, reduzir o risco de doenças
associadas à obesidade e melhorar a qualidade de vida. O objetivo do tratamento
deve ser o cuidado integral do paciente, e não a busca por um padrão estético
específico”, afirma.
Segundo a especialista, a crescente pressão por padrões de beleza,
muitas vezes reforçados pela indústria e pelas redes sociais, tem levado
pessoas sem indicação médica a recorrerem às chamadas “canetas emagrecedoras”
de forma indiscriminada, o que pode colocar a saúde em risco.
“A banalização desses medicamentos é preocupante. Estamos observando
pessoas que utilizam essas substâncias motivadas exclusivamente por questões
estéticas, sem avaliação médica e, em alguns casos, de maneira completamente
inadequada. O problema não está no medicamento em si, mas no uso incorreto e
sem supervisão. Toda medicação tem indicação, dose, forma de administração e
acompanhamento adequados. Quando esses critérios são ignorados, os riscos podem
ser graves”, alerta a Dra. Raphaela Zanella.
As especialistas reforçam que a saúde não pode ser avaliada apenas
pela aparência física e que o cuidado com o corpo deve caminhar junto com a
atenção ao bem-estar emocional.
“É importante lembrar que obesidade é uma doença crônica, complexa
e multifatorial, associada a fatores biológicos, psicológicos e ambientais.
Falar sobre saúde mental nesse contexto significa lembrar que uma relação
equilibrada com a alimentação, com o corpo e com a própria imagem é tão
importante quanto qualquer outro indicador de saúde”, conclui a Dra. Lorena.
www.afya.com.br
ir.afya.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário