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domingo, 21 de junho de 2026

BRASIL TEM 20 MILHÕES DE ASMÁTICOS, MAS SÓ 1 EM CADA 8 TEM A DOENÇA CONTROLADA

No inverno, infecções de vias aéreas superiores (IVAS) são o principal gatilho de crises. Dados da Alice, plano de saúde para empresas, antecipam o pico: idas ao pronto-socorro por IVAS já cresceram 16% em maio. 

 

No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com asma — e a maioria delas vai passar o inverno com a doença mal controlada sem perceber. Isso porque asma controlada não significa ausência de sintomas: significa não acordar à noite com tosse, não limitar atividades, não depender de broncodilatador de resgate com frequência. Segundo estudo nacional publicado no Journal of Asthma, apenas 12,3% dos pacientes diagnosticados atingem esse patamar. Os outros chegam ao frio vulneráveis a um gatilho que raramente reconhecem: as infecções de vias aéreas superiores. 

IVAS são uma das principais causas de exacerbação asmática. Elas chegam com sintomas que se confundem com rinite, laringite e resfriado comum (tosse, coriza, chiado, falta de ar) e, para quem tem asma não controlada ou ainda não diagnosticada, o que parece um vírus banal pode terminar em crise. Para especialistas, a atenção primária e a coordenação do cuidado mudam o desfecho – e os dados corroboram com isso.  

Em maio de 2026, a Alice, plano de saúde para empresas que tem por missão tornar o mundo mais saudável, registrou aumento de 16% nas idas ao pronto-socorro por IVAS entre seus 95 mil membros, antes mesmo do ápice do inverno.  

O subdiagnóstico da asma é parte do problema. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) revelou que 23% dos alunos do 9º ano tinham sintomas compatíveis com asma, mas apenas 12% deles haviam recebido diagnóstico médico. Quem não sabe que tem asma não trata, não monitora e não reconhece o gatilho quando ele aparece. No Brasil, a prevalência de asma em adolescentes é uma das mais altas do mundo: 20%. Mesmo assim, o diagnóstico chega tarde, e o tratamento, mais tarde ainda. Condições sensíveis à atenção primária, categoria que inclui asma e infecções respiratórias, respondem por mais de 20% das internações pelo SUS, segundo dados do DATASUS. A interpretação clínica é direta: uma parcela expressiva dessas internações seria evitável com acesso oportuno a um médico de família.  

"Quando pais e responsáveis não têm a quem recorrer às onze da noite com uma criança tossindo há cinco dias, o PS vira a única resposta disponível. Não porque seja a mais resolutiva para aquela queixa, mas porque é a única porta aberta", explica Daniel Knupp, líder médico na Alice. "O que a medicina de família faz nesse momento é diferente: ela avalia o histórico, considera se a criança tem asma ou rinite e decide junto com os pais se é hora de observar, tratar em casa ou ir ao pronto-socorro. Isso é coordenação de cuidado".

 

A tosse que os pais não entendem e o médico de família consegue explicar  

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estima que crianças saudáveis em ambiente urbano podem ter entre oito e 12 episódios de infecção respiratória por ano. A tosse associada a IVAS dura, em média, 10 dias, podendo se estender até 25. A maioria dos pais desconhece essa faixa de normalidade, o que gera idas ao PS por quadros que, clinicamente, ainda estão dentro do curso esperado da doença. A SBP recomenda buscar atendimento especializado quando a tosse ultrapassar quatro semanas, em lactentes menores de seis meses ou diante de febre persistente, perda de peso ou falta de ar. 

O diagnóstico diferencial entre IVAS, asma e rinite alérgica – doenças que se agravam no mesmo período, compartilham sintomas e têm condutas distintas – é território da medicina de família e comunidade. É o médico de família que consegue responder se aquele chiado é a primeira vez ou se é um padrão que se repete todo inverno, se há rinite não tratada por trás, se existe asma subdiagnosticada.  

Essa leitura longitudinal não acontece no pronto-socorro — não porque o PS seja inadequado, mas porque não é o que ele foi feito para fazer. "Quando a família já tem esse vínculo estabelecido, a conduta muda. A gente não está só resolvendo a tosse de hoje, está entendendo se ela faz parte de um quadro maior que precisa de acompanhamento ", diz Daniel Knupp, líder médico na Alice. É com esse modelo que a Alice estrutura o Alice Agora: médico de família, enfermeiro ou pediatra em até 60 segundos, 24 horas por dia, sem agendamento.  

No Dia Nacional de Controle da Asma, 21 de junho, a data serve menos como efeméride e mais como marcador clínico: é o momento em que o inverno começa a se instalar, os vírus circulam com mais intensidade e quem tem doença respiratória crônica enfrenta seu período de maior vulnerabilidade. "É assim que a atenção primária evita que um resfriado vire uma crise", conclui Knupp.

 

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