No Dia Mundial da Saúde, psicóloga explica que reprimir a dor da perda de um animal pode gerar impactos físicos e emocionais duradouros
A perda de um animal de companhia ainda é, muitas vezes, tratada como algo menor... Porém, o impacto é legítimo, profundo e pode ser, também, físico. No Dia Mundial da Saúde, o alerta é claro: o luto pet também é uma questão de saúde, e ignorá-lo pode levar ao adoecimento emocional e corporal.
“A honestidade emocional é o que permite a cicatrização”, afirma Natália Nigro de Sá*, psicóloga Doutora da Laika Funeral Pet. Segundo ela, o corpo frequentemente percebe a perda antes mesmo de a mente conseguir elaborá-la. Quando o enlutado tenta sustentar que “está tudo bem” sem olhar para o luto, o organismo encontra outras formas de expressar essa dor.
Entre os sinais mais comuns estão tensões musculares
(especialmente nos ombros e na mandíbula), alterações cognitivas, no sono e no
apetite, cansaço persistente e problemas digestivos, como gastrites nervosas. A
imunidade também pode cair. No comportamento, o luto sem espaço pode aparecer
em explosões de raiva ou choro, ou de forma mais silenciosa: a pessoa entra no
piloto automático e perde a capacidade de sentir alegria e conexão.
Outro ponto é o medo do silêncio. “A
dificuldade de ficar sozinho pode, em alguns casos, indicar um processo de luto
não acolhido, já que o silêncio parece gritar aquilo que falta”, explica
Natália. Para evitar essa experiência, muitos tutores enlutados tentam
preencher o vazio com o trabalho, compromissos práticos ou estímulos
constantes. Soma-se a isso o bloqueio de memórias: evitar fotos, lugares ou até
o nome do peludinho como forma de evitar a dor da perda e da saudade. Embora
pareçam estratégias protetivas, esse movimento evitativo, quando constante e
sem a devida atenção, pode interferir no processo de elaboração do luto e
dificultar a transformação da perda em um novo significado.
O
peso de tentar ser forte o tempo todo é uma das armadilhas mais comuns, segundo
Natália. “Essa
tentativa é uma das formas mais solitárias de atravessar o luto. A
pessoa sinaliza que não precisa de acolhimento e suporte e acaba sofrendo
intensamente no escuro”, afirma. Ao
tentar silenciar a dor, o cérebro pode “anestesiar” todo o sistema emocional.
“Nem sempre conseguimos desligar apenas a tristeza. Muitas vezes, a alegria, a
empatia e o entusiasmo também são afetados”, diz.
Segundo ela, o risco é que um luto natural se
transforme em um quadro mais complexo e persistente. “O luto precisa de
movimento. Quando tentamos estancá-lo, ele não cicatriza. E ele se complica”.
Caminhos mais
saudáveis para atravessar o luto - Ao contrário do que muitas narrativas sociais
sugerem, o objetivo não é “superar” a perda, mas integrá-la. Nesse sentido, o
primeiro passo é a validação da dor. “Não era ‘só um pet’. Era um vínculo real,
e o mundo fica, sim, mais vazio sem ele”, reforça Natália. Permitir-se sentir
tristeza, saudade ou raiva, sem culpa, é essencial para o processo.
A ritualização também tem papel importante.
Cerimônias de despedida, memoriais, o plantio de uma árvore ou outros rituais
que façam sentido para a família do pet, ajudam o cérebro em luto a compreender
a irreversibilidade da perda e a dar um novo significado ao vínculo.
Outro ponto fundamental é o equilíbrio
emocional. Nem evitar a dor o tempo todo, nem mergulhar nela sem pausas.
Alternar momentos de tristeza com momentos de respiro faz parte de um processo
saudável. “Isso não é esquecer ou trair o pet, mas cuidar de si para seguir
vivendo”, explica.
Buscar suporte é outro caminho importante.
Grupos de apoio e acompanhamento psicológico especializado ajudam o tutor a
encontrar acolhimento e compreensão. “Falar a verdade para quem sabe ouvir é um
dos principais antídotos contra o sofrimento silencioso”, afirma. Natália ainda
reforça a importância de respeitar o tempo individual do luto. “Não existe
prazo para ficar bem. Substituir a cobrança por autocompaixão é um dos gestos
mais importantes nesse processo”.
Laika Funeral Pet
https://laikafuneralpet.com.br/
Natália Nigro de Sá - psicóloga do luto, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e fundadora da Laika Funeral Pet.

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