Casos recentes acendem alerta para a importância de processos mais rigorosos na admissão de profissionais, especialmente em ambientes de maior vulnerabilidade, como UTIs
A linha que separa ficção e realidade nem sempre é tão clara
quanto parece. Em "Ratched", série da Netflix, o espectador acompanha
a rotina de um hospital psiquiátrico dos anos 1940, onde a protagonista utiliza
sua posição como enfermeira para acessar pacientes, medicamentos e áreas
restritas, explorando limites éticos de forma perturbadora. O que poderia ser
visto apenas como um recurso narrativo da ficção encontra, por vezes, paralelos
na vida real. Um caso recente chamou atenção das autoridades ao trazer à tona
suspeitas envolvendo profissionais da saúde no Hospital Anchieta, em Taguatinga
(DF), investigados por possíveis irregularidades na administração de
medicamentos dentro da UTI que, segundo as denúncias, teriam sido usados de forma letal contra pacientes.
A acusação, que veio a público no início do ano, ilustra a
chamada "síndrome Ratched". Segundo as investigações, o principal
suspeito teria se aproveitado de brechas no próprio sistema hospitalar, como
acessos já abertos em computadores, para prescrever e administrar medicamentos
de forma irregular. Em um dos episódios mencionados pelas autoridades, há a
suspeita de uso indevido de substâncias durante um atendimento, em
circunstâncias que levantaram questionamentos sobre a conduta adotada e a segurança
dos pacientes.
O caso recente reforça a importância de atenção contínua aos
processos internos das instituições de saúde. Situações sob investigação também
evidenciam a necessidade de aprimorar critérios de contratação e mecanismos de
acompanhamento de profissionais, desde a admissão até a atuação no dia a dia.
Sendo assim, práticas como a verificação de histórico e o monitoramento
recorrente ganham relevância para reduzir vulnerabilidades, especialmente nos
ambientes mais sensíveis, como unidade de terapia intensiva. O episódio também
levanta um ponto de atenção para o setor: a importância de garantir que
informações relevantes sobre a trajetória profissional estejam acessíveis e
sejam consideradas na prevenção de riscos.
Segundo Augusto Duarte, CEO da BGC Brasil, empresa especializada
em background check para mitigação de riscos, a adoção de processos
estruturados de verificação pode contribuir para maior segurança nas
contratações. “Esse tipo de análise ajuda a confirmar a autenticidade de diplomas
e registros profissionais, além de possibilitar, dentro dos limites legais e
com base em fontes públicas autorizadas, uma avaliação complementar sobre a
trajetória ética e comportamental do candidato”.
Uma pesquisa da consultoria KPMG, divulgada no início de 2026,
indica que mais da metade das empresas brasileiras já utilizam algum tipo de
verificação pré-contratual para cargos estratégicos. No setor de saúde, no
entanto, essa prática ainda é menos difundida, especialmente entre
profissionais que atuam diretamente no cuidado com os pacientes.
De acordo com Duarte, o processo de checagem é amplo e pode
incluir a análise de informações disponíveis em conselhos profissionais, como
Conselho Regional de Medicina, Conselho Regional de Enfermagem e Conselho Regional
de Farmácia, para identificar eventuais registros de infrações éticas ou
processos disciplinares, sempre com base em dados públicos e acessíveis
legalmente.
Outras etapas, como a verificação de referências profissionais e
o levantamento de histórico em processos cíveis e trabalhistas, também podem
contribuir para uma visão mais completa sobre o perfil do candidato. “Trata-se
de uma abordagem preventiva, que apoia a tomada de decisão e reforça as camadas
de proteção dentro das instituições de saúde”, completa o executivo.
O tema ganha relevância diante da necessidade de aprimorar
práticas de gestão e fortalecer a cultura de segurança no setor. “O background
check moderno organiza e cruza informações relevantes para apoiar contratações
mais seguras. Quando integrado a uma estratégia mais ampla de risco e
compliance, torna-se um aliado importante na prevenção de riscos e na proteção
de pacientes”, finaliza Duarte.
BGC
Brasil - empresa especializada em verificação de antecedentes de pessoas,
empresas e ativos para gestão de riscos.
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