No Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, a identificação precoce amplia o acesso ao cuidado e melhora a qualidade de vida de mulheres no espectro
O
Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta milhões de pessoas no Brasil e no
mundo, mas ainda apresenta desafios importantes quando se trata do público
feminino. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
indicam que o país tem cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com
autismo, o equivalente a 1,2% da população¹. A prevalência é maior entre homens
(1,5%) do que entre mulheres (0,9%)¹, diferença que não necessariamente reflete
menor incidência, mas sim dificuldades históricas de identificação. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o TEA atinja cerca de 1 em cada
100 crianças no mundo², reforçando a relevância do tema como questão de saúde
pública global.
Mais
do que uma confirmação clínica, identificar o TEA em mulheres é um passo
essencial para garantir cuidado adequado e promover qualidade de vida. O atraso
nesse reconhecimento está associado a impactos relevantes, como maior risco de
ansiedade, depressão e exaustão emocional³. “O diagnóstico é um ponto de virada
na vida dessas mulheres. Ele dá nome às dificuldades e permite acesso a suporte
adequado. O grande desafio hoje é ampliar o olhar para que esse reconhecimento
aconteça mais cedo, com informação, escuta qualificada e acesso a equipes
multidisciplinares”, explica Fabrícia Signorelli, psiquiatra e pesquisadora da
UNIFESP e especialista em TEA.
O
Ministério da Saúde do Brasil reforça que o acompanhamento de pessoas com TEA
deve ser contínuo e individualizado, envolvendo diferentes profissionais ao
longo da vida⁴. Nesse cenário, o avanço do debate durante o Abril Azul
contribui para ampliar a conscientização e fortalecer esse reconhecimento como
ferramenta de inclusão, autonomia e bem-estar.
Os Sinais de TEA em mulheres
●
Maior
tendência à camuflagem social (imitação de comportamentos para se adaptar)³;
●
Contato
visual e comunicação aparentemente preservados, com esforço consciente de
adaptação³;
●
Exaustão
após interações sociais e necessidade de isolamento para recuperação³;
●
Sensação
frequente de não pertencimento em ambientes sociais³;
●
Interesses
intensos e específicos, muitas vezes mais socialmente aceitos³;
●
Maior
incidência de ansiedade, depressão e sobrecarga emocional associadas³;
●
Histórico
de dificuldades em relações sociais, mesmo com esforço de adaptação³.
O TEA em números
●
Brasil
tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de TEA, o equivalente a
1,2% da população¹;
●
Prevalência
é maior entre homens (1,5%) do que entre mulheres (0,9%)¹;
●
No
mundo, o TEA afeta cerca de 1 em cada 100 crianças²;
●
Meninas
tendem a ser diagnosticadas mais tarde do que meninos³;
●
Mulheres
têm maior chance de receber diagnósticos incorretos antes do TEA, como
ansiedade ou transtornos de humor³;
●
Para
serem diagnosticadas, meninas frequentemente precisam apresentar sintomas mais
evidentes do que os observados em meninos³.
Sobre o TEA
O
Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento
caracterizada por diferenças na comunicação, na interação social e pela
presença de padrões de comportamento repetitivos ou interesses restritos⁴. De
acordo com o Ministério da Saúde, o espectro abrange diferentes níveis de suporte
e pode estar associado a outras condições, como ansiedade, TDAH e alterações
sensoriais, exigindo acompanhamento individualizado e multidisciplinar ao longo
da vida⁴. A identificação precoce é considerada um dos principais fatores para
melhorar o prognóstico e ampliar a autonomia das pessoas no espectro.
Referências:
- Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Censo Demográfico 2022
(Autismo)
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43464-censo-2022-identifica-2-4-milhoes-de-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-no-brasil - Organização
Mundial da Saúde (OMS) – Autism spectrum disorders
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/autism-spectrum-disorders - Journal
of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry – Sex
differences in autism diagnosis
https://www.jaacap.org/article/S0890-8567(19)31204-6/fulltext - Ministério
da Saúde do Brasil – Transtorno do Espectro Autista
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo
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