![]() |
| iStock |
Para muitos entrevistados pela Conquer, o uso de tais ferramentas nas empresas ainda gira em torno de tarefas básicas, como produzir textos e imagens
Aparentemente, ter boas ideias envolvendo a inteligência artificial não parece ser um problema dentro das empresas brasileiras — mas executá-las, sim.
Durante um estudo recente, que ouviu profissionais de diferentes áreas e regiões, 88% dos brasileiros ouvidos disseram já ter pensado em criar produtos, automações ou soluções promissoras com IA, mas esbarraram na dificuldade de colocá-los em prática.
Os dados são da Conquer, escola de negócios que oferece cursos de liderança e desenvolvimento profissional e que, nas últimas semanas, investigou como pessoas de setores variados utilizam a IA no dia a dia, entre o uso de agentes e os desafios para passar do uso básico a aplicações mais estratégicas.
Na prática, embora a tecnologia já
esteja bastante presente na rotina corporativa, o estudo mostra que boa parte
dos profissionais ainda se encontram em estágios iniciais de uso: 56,6% se
definiriam, hoje, como usuários de nível “básico”, recorrendo às
ferramentas para tarefas pontuais, como produzir textos, gerar imagens e
responder perguntas.
Quais os principais usos da IA no ambiente de trabalho em 2026?
Se, há alguns anos, o uso da inteligência artificial estava restrito a certas áreas, em 2026, é possível dizer que tais tecnologias já se consolidaram no dia a dia de muitas empresas brasileiras — movimento que, como evidencia a Conquer, deixou de ser novidade para se tornar parte da rotina em diferentes setores e funções.
Quando questionados pela escola de
negócios, a maioria dos profissionais confirmaram que interagem com essas
ferramentas há algum tempo. De acordo com o estudo, 30,4% deles já utilizam
IA por cerca de seis meses a um ano, enquanto 41% afirmaram fazer uso de
soluções como o ChatGPT e Gemini há mais de um ano, indicando uma adoção
consistente dentro dos escritórios.
Outros impactos dos agentes também
reforçam o papel da IA na organização profissional. Isso porque, dos
respondentes, 4 em cada 10 utilizam essas ferramentas para organizar
tarefas, agendas e demandas do dia a dia, enquanto 38,2% recorrem à
tecnologia durante o atendimento ao cliente, por meio de respostas automáticas
e chatbots.
Brasileiros têm boas ideias envolvendo a IA, mas ainda esbarram na execução
Mesmo presente na rotina dos times e equipes, algo que o levantamento da Conquer descobriu é que, em um momento de alta popularidade da IA, muitos profissionais ainda se veem em um estágio inicial de uso da tecnologia, recorrendo às ferramentas principalmente para tarefas simples — sem explorá-las para criar soluções, integrações ou aplicações mais avançadas.
Ao refletirem sobre a própria relação com tais tecnologias, por exemplo, a maioria dos respondentes se definem como “usuários de IA”, grupo que reconhece utilizar plataformas como ChatGPT apenas para demandas pontuais, como escrever textos, responder dúvidas ou gerar ideias (56,6%). Já 26,4% se consideram “exploradores”, buscando novas ferramentas e testando algumas automações simples no dia a dia.
Na outra ponta, os chamados
“construtores de soluções” — isso é, aqueles que vão além do uso básico e de
fato constroem com apoio da tecnologia — ainda são minoria.
Ao longo do estudo, aliás, apenas 11,6% dos profissionais afirmaram utilizar a IA de forma avançada, criando soluções próprias ou desenvolvendo aplicações estruturadas. O número explica uma dor compartilhada por 9 em cada 10 respondentes: a sensação de ter ideias promissoras, mas ainda não ser capaz de colocá-las em prática.
Afinal, o que impede os
profissionais de evoluírem no uso da IA?
Na prática, tal descompasso entre ter boas ideias e executá-las não acontece por acaso. Entre os obstáculos citados, por exemplo, estariam a falta de conhecimento técnico (41%), a maior das dores, a dificuldade em escolher as ferramentas mais adequadas (32%) e, ainda, a ausência de incentivo por parte das empresas (21,6%), apenas alguns dos fatores que acabam limitando o avanço no uso estratégico da tecnologia.
A constatação, vale dizer, vem
acompanhada de um alerta. Para 80% dos entrevistados, nos próximos anos, profissionais
que apenas utilizam IA devem ser substituídos por aqueles que sabem idealizar,
modelar e construir projetos com ajuda da tecnologia, o que reforçaria a
urgência de desenvolver novas habilidades para se manter relevante e
competitivo.
“Embora muitas pessoas abandonem ideias relevantes devido à falta de conhecimento técnico, a boa notícia é que, graças às plataformas no-code e low-code, todo profissional pode criar e construir com ajuda da IA mesmo sem dominar a programação”, comenta Juliana Alencar, Diretora de Marketing da Conquer. “É um pouco do que abordaremos no Conquer AI Summit, encontro gratuito que acontece em 22 e 23 de abril e mostrará como estruturar uma solução do zero, preparando as pessoas para o futuro da IA dentro e fora das empresas”.
Metodologia
Para compreender como os brasileiros usam a IA no trabalho, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 profissionais (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.
Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, em que puderam avaliar os próprios perfis enquanto usuários, seus níveis de entendimento em relação às ferramentas e as principais dores quando o assunto é a IA. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.




Nenhum comentário:
Postar um comentário