Segundo a veterinária Luciana Oliveira, calorias vindas desses alimentos
acentuam o problema e dificultam a perda de peso.
Os petiscos, vistos como “agrado” aos gatos, podem ser um dos principais
fatores para a obesidade felina. A opinião é da veterinária e PhD em Nutrição
Animal Dra. Luciana Oliveira. “Qualquer tipo de alimento, seja
industrializado ou natural, contém calorias. Se o animal consumir mais calorias
que precisa, ele vai ganhar peso. Então todas as calorias precisam ser
contabilizadas, e no caso de um animal obeso as calorias vindas de petiscos
acentuam o problema e dificultam a perda de peso”, alerta.
O aumento de casos de obesidade em gatos tem preocupado especialistas e
acendido um alerta entre tutores. Silencioso, o ganho de peso pode evoluir para
problemas de saúde importantes, afetando diretamente a qualidade e a
expectativa de vida dos animais.
De acordo com a Dra. Luciana, a forma mais eficaz de identificar se um
gato está acima do peso não é apenas pela balança, mas pela avaliação do escore
de condição corporal. “Esse escore varia de 1 a 9, sendo 5 o ideal. A avaliação
é feita por meio da palpação do corpo do animal, observando a presença de
gordura e a definição corporal”, explica.
A pesagem também é uma aliada importante, mas deve ser feita com
frequência adequada. Para gatos com peso ideal, o acompanhamento mensal costuma
ser suficiente. Já em casos de sobrepeso ou obesidade, o controle precisa ser
mais próximo, podendo ser semanal ou quinzenal, especialmente quando o animal
está em processo de emagrecimento.
Um dos erros mais comuns entre tutores é simplesmente reduzir a
quantidade de ração oferecida. Segundo a especialista, essa prática pode trazer
prejuízos à saúde. “Diminuir a quantidade de uma ração comum não é suficiente e
pode causar deficiência de nutrientes essenciais. O correto é utilizar uma
alimentação específica, como rações light ou terapêuticas para obesidade, de
acordo com o grau de sobrepeso do animal.”
Além da alimentação, o estímulo à atividade física é fundamental.
Ambientes enriquecidos, com prateleiras, nichos e móveis verticais, incentivam
o gato a se movimentar mais. Brinquedos como bolinhas, varinhas e arranhadores
também ajudam a aumentar o gasto de energia.
O ideal é que os momentos de brincadeira sejam frequentes, respeitando o
ritmo do animal. Gatos tendem a ser mais ativos no final do dia e durante a
noite, o que pode ser aproveitado para incentivar a atividade.
No processo de emagrecimento, o controle deve ser criterioso. “Diferente
dos cães, gatos têm mais dificuldade para perder peso. Por isso, cada caloria
importa. Em muitos casos, o ideal é suspender completamente os petiscos durante
a dieta”, finaliza a Dra. Luciana Oliveira.
Dra. Luciana Oliveira - Médica veterinária formada pela Unesp de Jaboticabal, possui mestrado o doutorado na área de nutrição de cães e Gatos pela Unesp Jaboticabal. Fez estágio de doutoramento na Universidade LMU, de Munique/Alemanha. É membro do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal Pet (CBA PET) e da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos (SBNutripet). Tem mais de 20 anos de experiência na área de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos.
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