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terça-feira, 8 de julho de 2025

Voz no inverno: como proteger seu principal instrumento de comunicação nos dias frios

Fonoaudióloga Juliana Algodoal traz orientações para preservar a saúde vocal no ambiente profissional

 

No inverno, não são apenas as mãos e os pés que sofrem com as baixas temperaturas. A voz, principal ferramenta de expressão no ambiente profissional, também sente os impactos da estação. E quando ela falha, não é só a fala que se compromete: a imagem, a autoridade e até a forma como os outros percebem nosso estado de saúde entram em jogo. 

Segundo Juliana Algodoal, fonoaudióloga, PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho e fundadora da consultoria Linguagem Direta, o inverno traz uma combinação perigosa para as pregas vocais, tais como ar mais seco, menor ingestão de água, ambientes fechados com baixa circulação de ar e aumento das infecções respiratórias. “Tudo isso gera um efeito inflamatório que pode causar rouquidão, esforço vocal e até perda de voz. E mais do que um problema físico, esses sintomas acabam transmitindo mensagens inconscientes sobre descuido ou vulnerabilidade”, afirma Juliana. 

A especialista ressalta que a voz está diretamente conectada ao nosso estado emocional e ao funcionamento do cérebro. Quando sentimos desconfortos como garganta irritada ou ressecada, há queda na concentração e no processamento verbal, o que afeta a clareza da fala, a articulação e até a escolha das palavras. “Além disso, o corpo influencia a mente. Se a voz soa fraca, hesitante ou irregular, o cérebro entende que estamos sob estresse, o que compromete tanto a nossa performance quanto a percepção que os outros têm sobre nós”, explica Juliana. 

Nos últimos dias, ela relata ter recebido diversas mensagens de executivos aflitos, enfrentando perda parcial da voz às vésperas de reuniões importantes. “O inverno pode ser desafiador para a saúde vocal, mas há formas simples e eficazes de preservar a voz e evitar prejuízos à imagem profissional”, orienta. Juliana compartilha algumas dicas para manter a saúde vocal no inverno:

 

- Antes de reuniões ou apresentações, faça nebulização com soro fisiológico por 10 minutos; use nebulizador portátil com entrada USB até três vezes ao dia;

- Mantenha o pescoço, mãos e pés aquecidos, especialmente ao sair de ambientes aquecidos para locais frios;

- Aumente a hidratação, mesmo sem sede. O ideal é tomar pequenos goles de água ao longo do dia;

- Evite forçar a voz ou cochichar, especialmente em momentos de rouquidão. Isso sobrecarrega ainda mais as pregas vocais;

- Areje os ambientes sempre que possível e mantenha os filtros de ar-condicionado limpos;

- Evite choques térmicos, usando roupas adequadas para transições entre ambientes com temperaturas diferentes.

 

Juliana ainda destaca que, caso a rouquidão persista por mais de duas semanas, é fundamental procurar um otorrinolaringologista. Além disso, treinamentos personalizados com fonoaudiólogos especializados são grandes aliados para profissionais que dependem da voz como instrumento de trabalho. “Uma voz cansada ou falha comunica muito mais do que um sintoma. Transmite desgaste, desatenção e até falta de preparo. Já uma voz bem cuidada transmite autoridade, confiança e presença. Cuidar da própria voz não é vaidade, é estratégia, autocuidado e respeito pela imagem profissional que se deseja construir”, finaliza.  


Juliana Algodoal - Considerada uma das maiores especialistas em Comunicação Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho – Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fundadora da empresa Linguagem Direta*. Acumula mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente empresarial - tendo como clientes grandes companhias, como BASF, Porto Seguro, Novartis, Pfizer, Aché, Itaú, Citibank, Unimed Nacional, Samsung, dentre outras. Também é presidente do conselho administrativo Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

 

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