Convívio intergeracional fortalece vínculos
familiares, combate o isolamento e contribui para a saúde emocional e cognitiva
das pessoas idosas
Dia 26 de julho é uma data especial. Trata-se do Dia dos Avós, que a cada ano ganha mais importância por debater e chamar a atenção para diferentes assuntos, como a intergeracionalidade, que é a convivência ativa entre diferentes gerações da mesma família ou comunidade com o objetivo de fortalecer vínculos, reduzir preconceitos e gerar trocas valiosas de experiências e afetos.
Estudo publicado na Revista Kairós Gerontologia mostra que 73% dos avós relataram sentir-se mais felizes e com mais ânimo de viver quando convivem de forma ativa com seus netos. Além disso, aumenta o sentimento de pertencimento, reduzindo o isolamento social, reforça a autoestima e fortalece os laços familiares, agregando apoio emocional.
De acordo com a psicóloga, Valmari Cristina Aranha Toscano, membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o convívio entre avós e netos é uma realidade cada vez mais atual, já que muitas crianças, por exemplo, precisam conviver com os avós por conta das condições de trabalho dos pais. No entanto, ela reforça que é importante diferenciar o papel dos avós e dos pais. Segundo a psicóloga, não é função dos avós educar, principalmente quando estão exercendo a “avosidade”. “Esse caso se aplica quando eles fazem passeios, ficando esporadicamente com os netos, tendo experiências lúdicas. Nessa situação, os avós não têm a responsabilidade de educar os netos, algo bem diferente quando as crianças ficam todos os dias e os avós são responsáveis por atividades de cuidado referentes à escola ou educativas.”
Valmari comenta
que as mudanças sociodemográficas fazem com que muitas famílias, atualmente,
vivam em torno dos avós, o que faz com que os netos sejam criados por eles. “No
Brasil existem muitas famílias que a aposentadoria da pessoa idosa sustenta
toda a família e a importância das pessoas idosas não está só em termos
financeiros, mas também tendo um papel afetivo importante na vida dos filhos e
dos netos, mudando um pouco as configurações vivenciadas no passado”, revela,
ao afirmar que outro ponto importante é que os avós de hoje são diferentes dos
avós de 30 anos atrás, que eram menos ativos, mais tímidos e reclusos em suas
casas. “Hoje, muitos avós são modernos, companheiros dos netos em gostos e
hábitos, inclusive se divertindo juntos, o que muda a maneira de enxergar essa
relação.”
Papel
importante
O papel dos netos na vida dos avós é determinante e de extrema importância, uma vez que o convívio intergeracional faz com que as pessoas se atualizem. “A convivência de um avô com um neto pode proporcionar à pessoa idosa um desenvolvimento e aprendizado contínuos, como o uso de tecnologia, estilos de música e linguagens. Então, este convívio faz com que muitas pessoas idosas saiam da zona de conforto, exercitando não apenas a sua capacidade física, mas também a sua capacidade cognitiva”, diz. “Hoje, a legislação brasileira, inclusive, reconhece os direitos dos avós em conviverem com os netos, no caso de alguma dificuldade ou de alguma ruptura entre os avós e os filhos, para que o acesso ao contato com os netos também seja preservado.”
Segundo a
psicóloga, a falta de convívio pode provocar muitas fraturas nas relações, na
continuidade de um vínculo familiar, que é muito importante para todos. Ela
relata que o convívio entre avós e netos fortalece os vínculos familiares,
dilui pendências ou conflitos entre pais e filhos, e quando se tem uma criança
na família, pode ser uma oportunidade de as pessoas se reaproximarem em função
dela.
E para os
netos?
Independentemente
da idade, conviver com os avós contribui para uma educação afetiva e consciente
sobre o envelhecer, além de desenvolverem respeito e empatia. “Os avós são
fonte de conhecimento, de sabedoria, de carinho e de quebra de alguns
preconceitos e estereótipos. À medida que a criança convive com a pessoa idosa,
ela deixa de ter alguns preconceitos que poderiam levá-la a ser uma criança
etarista”, observa Valmari, ao comentar que se entende uma relação sadia quando
avós e netos desejam estar juntos por vontade própria e não “por obrigação”. De
acordo com ela, a casa dos avós precisa ser um espaço de aprendizado, de
carinho e de brincadeiras, onde é possível conviver com aquilo que é diferente.
“O quarto que era do filho agora para ser o quarto dos netos. Então, essa
continuidade, essa sensação de pertencimento é o que pode haver de melhor em
relação entre avós e netos.”
Sociedade Brasileira de
Geriatria e Gerontologia - SBGG
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