Veterinária alerta
para os perigos da automedicação e da exposição acidental de pets a fármacos
desenvolvidos para humanos
Medicamentos manipulados consideram as necessidade individuais
de cada pet, o peso, a espécie e a prescrição do médico-veterinário
foto Melvin Quaresma
Um simples comprimido deixado sobre a mesa ou uma
pomada aplicada na pele sem o devido cuidado pode representar sérios riscos à
saúde de cães e gatos. Muitos tutores, por desconhecimento ou na tentativa de
agir rapidamente diante de um desconforto do animal, recorrem à automedicação utilizando
princípios ativos indicados para seres humanos, sem compreender que, mesmo
quando o fármaco é o mesmo, as doses, as vias de administração e os efeitos
colaterais podem ser extremamente diferentes entre as espécies. Além disso, há
substâncias que são seguras para nós, mas que causam intoxicações severas em
pets, mesmo em quantidades mínimas.
Medicamentos comuns, riscos
imensos
Entre os medicamentos que lideram os casos de
intoxicação acidental em animais de estimação, analgésicos e anti-inflamatórios
de uso humano estão entre os mais perigosos. Substâncias como paracetamol,
ibuprofeno, diclofenaco e ácido
acetilsalicílico (aspirina), tão presentes nos lares
brasileiros, podem causar desde danos gastrointestinais até falência hepática
ou renal em cães e gatos.
“No caso do paracetamol, por exemplo, basta uma
dose considerada segura para um ser humano adulto para provocar necrose hepática
grave e alterações hematológicas severas, principalmente nos gatos, que são
extremamente sensíveis a essa substância”, explica a médica-veterinária e
consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Farah de
Andrade.
Outro grupo preocupante é o dos antidepressivos
e ansiolíticos, como fluoxetina, sertralina, diazepam e
clonazepam. Apesar de alguns desses princípios ativos serem utilizados em
tratamentos veterinários, o uso sem prescrição e, principalmente, com dosagens
inadequadas pode desencadear reações adversas graves, como alterações
neurológicas, convulsões, arritmias e até coma.
O mesmo vale para antibióticos de uso humano,
como a amoxicilina com clavulanato ou a ciprofloxacina, que, embora usados em
tratamentos veterinários, precisam ser prescritos com base no peso, na espécie
e na condição clínica do animal. "Não é apenas a substância em si, mas a
dose exata e a forma de administração que definem a segurança e a eficácia de
um medicamento. A bula destinada a humanos jamais pode ser utilizada como
referência para um pet", reforça Farah.
Aparentemente
inofensivos
Além dos medicamentos tradicionais, outro grupo que
merece atenção especial é o dos suplementos, vitaminas e nutracêuticos de uso
humano. Por terem uma imagem associada à promoção da saúde,
muitos tutores acreditam que a administração seja segura ou até benéfica para
os animais de estimação — o que pode ser um equívoco perigoso.
O grande problema está, mais uma vez, na diferença
metabólica entre humanos e animais. A vitamina D, por exemplo, é essencial para
a regulação do cálcio e do fósforo no organismo, mas, quando administrada em
doses acima do necessário — o que pode ocorrer facilmente com produtos de uso
humano — pode provocar hipercalcemia, levando à calcificação de órgãos,
insuficiência renal aguda e até à morte do animal.
Já a vitamina A, se fornecida de forma crônica e em
doses elevadas, pode causar dores articulares, letargia, perda de apetite e
alterações ósseas, especialmente em gatos. O excesso de ferro pode gerar lesões
gastrointestinais e hepáticas severas, e o zinco, comum em pastilhas e cápsulas
para imunidade em humanos, quando ingerido por cães e gatos, pode provocar vômitos,
diarreia, anemia hemolítica e outros distúrbios graves.
“O erro de pensar que o que faz bem para humanos
fará bem para pets é um dos principais fatores por trás das intoxicações por
vitaminas e suplementos. A farmacocinética e as necessidades fisiológicas dos
animais são diferentes e qualquer adição deve ser prescrita por um
médico-veterinário”, alerta Farah.
Os nutracêuticos — compostos naturais utilizados
para prevenir ou tratar doenças, como ômega 3, condroitina, glucosamina, probióticos,
colágeno e fitoterápicos — também têm sido cada vez mais populares entre os
tutores. No entanto, quando comprados em farmácias convencionais e destinados
ao consumo humano, não possuem dosagem adequada para animais e, muitas vezes,
contêm excipientes, corantes, adoçantes ou conservantes que são
tóxicos para os pets, como o xilitol, adoçante comum em suplementos
mastigáveis, mas que em cães pode causar uma queda abrupta de glicose no
sangue, levando a convulsões, coma e morte.
Da mesma forma, a melatonina,
muito utilizada por humanos para indução do sono e regulação do ritmo
circadiano, tem sido usada em animais em casos de ansiedade, distúrbios
hormonais ou queda de pelos. Porém, a dose segura para animais é muito inferior
àquela encontrada nos comprimidos disponíveis no mercado humano, além de exigir
pureza farmacêutica e ausência de substâncias aditivas.
Perigos que vão além da
ingestão
A intoxicação medicamentosa em pets não ocorre
apenas pela ingestão oral. Medicamentos de uso tópico ou dermatológico, como minoxidil
(indicado para tratamento de alopecia em humanos), representam um risco
silencioso, mas letal, especialmente quando aplicados em regiões que o animal
possa lamber ou com as quais possa entrar em contato direto. Apenas a exposição
cutânea já pode provocar efeitos colaterais severos, como taquicardia,
hipotensão, prostração e, em casos extremos, óbito.
Outros medicamentos hormonais de uso tópico, como estrógenos
e testosterona em gel, também oferecem riscos quando absorvidos
acidentalmente pela pele ou lambedura. O acúmulo dessas substâncias no
organismo do animal pode interferir no sistema endócrino, provocar alterações
comportamentais e até distúrbios reprodutivos.
Medicação segura só com
prescrição veterinária
Dados da pesquisa Radar Pet 2023, realizada pela
Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de
Produtos para Saúde Animal (Sindan), apontam que ao perceber que o pet não está
normal, 37% dos entrevistados prefere observá-lo por três dias, 35% leva
diretamente ao veterinário e 22% entra em contato com o veterinário. No
entanto, o índice de pessoas que buscam outros meios é preocupante: 22% pedem
orientação a conhecidos, 19% medicam por conta própria e 9% procuram
informações na internet.
A automedicação é sempre contraindicada, mesmo
quando o tutor já tenha ouvido falar de determinado medicamento sendo usado em
pets ou quando o animal já tenha usado anteriormente em outro tratamento. Cada
caso exige uma avaliação criteriosa, e somente o médico-veterinário pode
indicar a substância correta, a dose exata e o tempo de tratamento adequado.
“Ainda que alguns princípios ativos possam ser
compartilhados entre humanos e animais, como antibióticos ou ansiolíticos, isso
não significa que a apresentação, a posologia e a forma de administração sejam
as mesmas. Utilizar medicamentos humanos sem ajuste específico é um risco que
nenhum tutor deveria correr”, afirma Farah.
Medicamentos manipulados
exclusivamente para pets
A escolha por medicamentos manipulados para uso
veterinário oferece não apenas mais segurança, mas também maior adesão ao
tratamento. Na DrogaVET, cada formulação é desenvolvida de acordo com a
prescrição do médico-veterinário, considerando o peso, a espécie, a condição
clínica e as necessidades individuais de cada pet, o que garante precisão no
tratamento e reduz risco de intoxicação.
Outro diferencial importante da manipulação
veterinária é a possibilidade de personalização das formas farmacêuticas. A
DrogaVET oferece soluções como biscoitos, pastas orais, molhos e caldas
flavorizadas com sabores como leite condensado, frango, carne, picanha ou atum.
Essas opções facilitam a administração, reduzem o estresse do tutor e do animal
e contribuem para a continuidade do tratamento de forma mais eficaz.
“Um pet medicado corretamente tem mais chances de
se recuperar, e um tutor orientado faz toda a diferença nesse processo. Por
isso, sempre recomendamos que a primeira atitude, diante de qualquer alteração
no comportamento ou no estado de saúde do animal, seja procurar um profissional
habilitado”, finaliza Farah.
www.drogavet.com.br
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