As arquitetas Belisa Mitsuse e Estefânia Gamez explicam que o minimalismo japonês e a técnica chinesa têm pontos de encontro e, principalmente, muitas distinções.
Quando o assunto é bem-estar, nossos olhos costumam se voltar para o Oriente em busca de filosofias e práticas que ajudem a cultivar harmonia e equilíbrio. As mudanças internas logo inspiraram transformações no espaço ao redor (e vice-versa). Por isso, não é raro que quem busca uma vida mais alinhada com seus valores sinta vontade de reorganizar a casa, criando um ambiente que seja um verdadeiro aliado nessa jornada.
E, nesse cenário, dois conceitos chamam atenção: Kanso e
Feng Shui. Com raízes bem distintas, mas frequentemente associados, essas
abordagens orientais despertam o interesse de quem vê na decoração mais do que
estética — e deseja fazer dela uma ferramenta de bem-estar. Mas afinal, o que é
cada um deles e em que se diferenciam?
O que é Kanso?
Kanso é um dos sete princípios do design tradicional japonês e está diretamente ligado ao Zen. Trata-se de um conceito que valoriza a simplicidade, a ausência de excessos e o foco na essência. Sua aplicação se traduz em espaços limpos, com poucos objetos, cores neutras e formas suaves, tudo o que contribui para um ambiente calmo e sereno.
Na prática, o Kanso pode ser observado no estilo minimalista: poucos móveis, paleta enxuta, ausência de adornos supérfluos e uma estética que busca a leveza visual e emocional. Mais do que um estilo decorativo, trata-se de uma filosofia que estimula a clareza mental e a apreciação do essencial.

O Kanso pode ser observado no estilo minimalista: poucos móveis, paleta enxuta.
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E o que é Feng Shui?
O Feng Shui, por outro lado, é uma técnica milenar chinesa voltada à harmonização dos ambientes com base na energia vital (Chi). Sua aplicação vai além da estética e pode envolver desde ajustes na disposição de móveis até alterações na planta do imóvel, sempre com o objetivo de melhorar a circulação energética e promover bem-estar nas nove áreas da vida: prosperidade, sucesso, relacionamentos, família, saúde, criatividade, espiritualidade, trabalho e amigos.
Diferente do que muitos pensam, o Feng Shui não está associado
a um estilo decorativo. “O Feng Shui não exige que a casa tenha uma estética
específica. Não é preciso ter um ambiente cheio de objetos ou completamente
minimalista. Ele funciona em qualquer estilo de decoração — desde que respeite
os princípios da técnica”, explica a arquiteta Belisa Mitsuse, especialista em
Feng Shui e sócia do BTliê Arquitetura.
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| O Feng Shui funciona em qualquer ambiente e estilo de decoração. Crédito: Guilherme Uemura / BTliê Arquitetura |
De acordo com as arquitetas, a proposta não é impor regras rígidas de decoração, mas compreender como o espaço pode impactar a energia de quem vive ali. “No Feng Shui, tudo o que está parado, quebrado ou sem uso é considerado energia estagnada. É por isso que a fase inicial do processo de aplicação é um “detox” dos objetos, retirando o que não faz mais sentido. Mas isso não significa que a casa precisa ser vazia ou seguir um padrão. O que importa é que a pessoa se reconheça naquele espaço”, completa Estefânia Gamez, que também é especialista em Feng Shui e sócia do BTliê Arquitetura.
Apesar das diferenças, Kanso e Feng Shui podem coexistir. O
primeiro oferece uma estética baseada na simplicidade e leveza visual. O
segundo oferece um conjunto de princípios que guiam o posicionamento e a
intenção por trás dos elementos do ambiente. Em conjunto, podem transformar a
casa em um verdadeiro refúgio de bem-estar — simples, funcional e energeticamente
equilibrado.

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