O estudo KEYNOTE-689 é o primeiro com resultados positivos em mais de duas décadas para pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço localmente avançado ressecado
O
estudo KEYNOTE-689, apresentado na Reunião Anual da Associação Americana para
Pesquisa do Câncer (AACR) e na Reunião Anual da Sociedade Americana de
Oncologia Clínica (ASCO), trouxe resultados inovadores que podem redefinir o
tratamento do carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço (CECP) localmente
avançado. Este ensaio clínico randomizado demonstrou que a
adição do pembrolizumabe (KEYTRUDA) peri-operatório ao tratamento padrão
resulta em uma melhora significativa na sobrevida livre de eventos (SLE) e
resposta patológica maior para pacientes em estágios III e IV da doença.
Historicamente,
o tratamento para CECP localmente avançado tem sido baseado em abordagens
cirúrgicas seguidas de quimioterapia e radioterapia, com resultados
frequentemente insatisfatórios e efeitos colaterais severos. O KEYNOTE-689, que
envolveu mais de 700 pacientes, avaliou a eficácia do pembrolizumabe
administrado como terapia neoadjuvante e adjuvante. Os resultados mostraram uma
mediana de sobrevida livre de eventos (SLE) de 51,8 meses para o grupo que
recebeu pembrolizumabe, em comparação com apenas 30,4 meses para aqueles que
seguiram o tratamento padrão, e uma diferença de aproximadamente 10% vs 0% na
resposta patológica maior.
Resultados
Após
um acompanhamento mediano de 38,3 meses, os dados mostram que o tratamento com
pembrolizumabe antes da cirurgia (neoadjuvante), então continuado em combinação
com radioterapia padrão (com ou sem cisplatina) após a cirurgia seguido por
pembrolizumabe sozinho (adjuvante), reduziu o risco de eventos de SLE em 27% na
população geral, com uma redução ainda mais acentuada em subgrupos específicos:
- População com CPS ≥ 10: A
mediana da SLE foi de 59,7 meses no grupo que recebeu pembrolizumabe, em
comparação com 26,9 meses no grupo de tratamento padrão.
- População com CPS ≥ 1: A
mediana da SLE foi de 59,7 meses para o grupo com pembrolizumabe, em
comparação com 29,6 meses no grupo controle.
- População com Intenção de Tratar (ITT): A
mediana da SLE foi de 51,8 meses no grupo com pembrolizumabe versus 30,4
meses no grupo de tratamento padrão.
Além
disso, o estudo demonstrou respostas patológicas significativas no tumor
primário e nos linfonodos após a administração de pembrolizumabe, indicando uma
ativação do sistema imunológico que pode alterar o microambiente tumoral de
forma benéfica.
O perfil de
segurança do pembrolizumabe foi considerado aceitável, com taxas de eventos
adversos semelhantes entre os grupos de tratamento. Embora tenham sido
observados mais eventos imunomediados no grupo que recebeu a nova terapia,
estes foram, em geral, bem controlados. Os efeitos adversos mais comuns estavam
relacionados à quimiorradioterapia, e não foram identificados novos sinais de
segurança.
Futuro do
Tratamento
Os
resultados do KEYNOTE-689 não apenas estabelecem um novo padrão de cuidado, mas
também abrem caminho para futuras investigações sobre a integração de terapias
adicionais e a aplicação de imunoterapia em contextos cirúrgicos. Dr. Ravindra
Uppaluri, um dos principais pesquisadores do estudo, enfatizou a importância
desses resultados: “O padrão atual de tratamento foi estabelecido há mais de 20
anos e, apesar do tratamento multimodal, resultou em resultados abaixo do
ideal. Os resultados do KEYNOTE-689 representam uma melhoria drástica em
relação ao padrão atual de tratamento.”
A
pesquisa contínua é vital para entender melhor como essas novas abordagens
podem ser implementadas na prática clínica.
O
estudo KEYNOTE-689 representa um marco significativo na luta contra o CECP,
oferecendo esperança renovada para pacientes e profissionais de saúde. À medida
que a pesquisa avança, a expectativa é que novas estratégias de tratamento
possam melhorar ainda mais os resultados e a qualidade de vida dos pacientes
afetados por essa condição.
MSD
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