Nos últimos anos, falar sobre saúde mental virou algo comum, o que é muito bom. Mas, junto com essa excessiva visibilidade informativa, surgiram algumas confusões. De um lado, muitas pessoas estão buscando remédios como primeira e, às vezes, única solução para qualquer desconforto emocional. Do outro, cresce o número de pessoas se autodiagnosticando com transtornos mentais depois de assistir pequenos trechos de vídeos nas redes sociais.
Sentir-se ansioso antes de
uma prova, desanimado depois de uma perda ou inseguro diante de mudanças são
reações normais no decorrer da vida. Estas sensações, embora desconfortantes,
são inerentes ao ser humano. Nem sempre a dor precisa se tornar um diagnóstico.
E, muito menos, ser tratada, de imediato, com medicação.
Transtornos mentais existem
e precisam ser avaliados e tratados por especialistas. Para muitas
pessoas, o uso de remédios, vinculado à psicoterapia, é essencial. O problema
está na busca por uma resposta rápida. Às vezes, ao invés de ouvir o que o
corpo e a mente estão tentando dizer, preferimos camuflar o incômodo com uma
solução mágica — e, frequentemente, medicamentosa. O perigo é transformar
momentos difíceis, que fazem parte da vida, em doenças imaginárias.
Hoje em dia, basta ver um
vídeo de 30 segundos com uma lista de “sintomas” e pronto: há quem diga que tem
TDAH, ansiedade generalizada, borderline, depressão ou até traços de autismo.
Este não é o caminho! Um diagnóstico sério leva tempo, envolve escuta
profissional, análise do histórico de vida e muita responsabilidade. Quando os
rótulos têm como base o achismo, corre-se o risco de ignorar questões mais
profundas que realmente precisam de atenção.
Além disso, banalizar uma
avaliação profunda tende a tirar a seriedade de quem realmente lida com essas
condições no dia a dia.
Cuidar da saúde mental é
fundamental. Mas isso não significa provocar um apagão ou anestesiar todo e
qualquer sofrimento com remédios ou tentar dar nome a tudo com base em vídeos
do TikTok ou do Instagram.
Na verdade, o ser humano precisa aprender a viver e verbalizar o que sente. Vivemos em um ritmo acelerado, e parece que ninguém autoriza o tempo do sofrer, do descansar, do pensar ou simplesmente de não estar bem. Afinal, nem tudo precisa ser resolvido imediatamente. Às vezes, conversar com alguém de confiança, refletir sobre o que está acontecendo, buscar apoio psicológico ou apenas permitir-se viver aquele momento já é um ótimo começo.
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