A "interferência disruptiva na continuidade cognitiva" é real e explica por que perder o raciocínio gera tanto desconforto em superdotados, segundo estudo publicado pelo Dr. Fabiano de Abreu Agrela
Quem nunca se sentiu incomodado ao ser interrompido no meio de uma ideia? Agora, imagine isso multiplicado várias vezes, a ponto de gerar não só frustração, mas também desgaste emocional e até físico.
Esse é o tema central de um novo estudo científico publicado pela Atena Editora e realizado pelo pós-PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, “Interferência disruptiva na continuidade cognitiva”.
O estudo trata de uma
realidade quase invisível para quem não vive nela, o efeito devastador que uma
simples interrupção pode ter sobre o raciocínio de pessoas com altíssimo QI.
O
que é a interferência disruptiva?
O conceito descreve um fenômeno no qual indivíduos superdotados, ao terem seu raciocínio interrompido, não apenas perdem o fio da meada, mas entram em um colapso momentâneo da sequência lógica, com impacto cognitivo e emocional.
“Quando
você pensa de forma altamente estruturada, com múltiplas conexões e camadas de
raciocínio acontecendo simultaneamente, uma interrupção não é só chata, ela é
como derrubar uma torre inteira de dominós no meio do caminho”,
explica o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.
Por
que isso acontece?
De acordo com o estudo, cérebros com altíssimo desempenho cognitivo trabalham com altíssima demanda energética, mobilizando mais conexões sinápticas, mais memória de trabalho e um encadeamento lógico complexo.
Quando ocorre uma interrupção seja uma pergunta fora de contexto, um ruído ou uma mudança repentina, esse circuito literalmente colapsa, forçando o cérebro a redirecionar energia para se reorganizar.
“Quanto maior o QI, maior
também tende a ser a intensidade emocional ligada ao raciocínio. Ou seja, não é
só a ideia que se perde, a pessoa sente isso fisicamente e emocionalmente”,
explica o neurocientista.
Uma
pendência que não sai da cabeça
O estudo, que analisou respostas de membros de sociedades de alto QI, como a Triple Nine Society, revelou que essa sensação de raciocínio inacabado pode durar horas e, em alguns casos, até dias.
O desconforto é tão grande
que muitos relatam dificuldade em retomar a linha de pensamento ou, até mesmo,
sintomas de estresse e ansiedade após serem interrompidos no meio de uma cadeia
de raciocínio intenso.
Existe
solução?
Segundo o estudo, a chave está na adaptação dos ambientes. Promover espaços onde o raciocínio profundo possa fluir sem interrupções é essencial, tanto no meio educacional quanto no corporativo e familiar.
Além disso, entender que
isso não é um defeito, mas uma característica funcional de cérebros altamente
eficientes, pode gerar mais empatia e menos julgamentos.
“Se
queremos uma sociedade mais criativa, inovadora e inteligente, precisamos
aprender não só a ouvir, mas também a não interromper. Pensamento complexo
precisa de continuidade, e respeito ao raciocínio é, no fundo, respeito à
própria inteligência humana”, conclui Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

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