Maior exposição às telas e envelhecimento da população elevam os casos; especialista do Hospital Japonês Santa Cruz alerta para a prevenção
Celebrado
em 10 de julho, o Dia da Saúde Ocular reforça a importância da prevenção e do
diagnóstico precoce de doenças que comprometem a visão. O alerta é fundamental,
especialmente diante do crescente número de atendimentos oftalmológicos
registrados no Brasil.
Segundo
o Ministério da Saúde, os atendimentos relacionados a doenças oculares
cresceram 15% entre 2023 e 2024, passando de 10,9 milhões para 12,6 milhões de
registros no SUS, considerando os atendimentos ambulatoriais e hospitalares. Já
nos três primeiros meses de 2025, o país contabiliza mais de 3,3 milhões de
atendimentos, o que representa mais de 26% do total registrado em todo o ano de
2024, um sinal de que os casos continuam em alta e de que o volume pode
ultrapassar os números do ano anterior até o fim de 2025.
“O
cuidado com a saúde dos olhos precisa ser constante e começa muito antes de
qualquer sintoma aparecer”, afirma a Dra. Tatiana Tanaka, chefe do Serviço de
Oftalmologia do Hospital Japonês Santa Cruz (HJSC). “Muitas doenças oculares
são silenciosas e só são percebidas em estágios mais avançados, quando os danos
à visão podem ser irreversíveis”, explica.
Entre
as doenças mais comuns que afetam os brasileiros estão a miopia, a
hipermetropia, o astigmatismo, a catarata, o glaucoma e a degeneração macular
relacionada à idade. Com o envelhecimento da população, aumentam os casos de
doenças crônicas, que podem causar perda visual permanente se não forem
acompanhadas adequadamente.
Apesar
disso, muitas pessoas só procuram o oftalmologista quando têm dificuldade para
enxergar. Dra. Tatiana alerta que o ideal é realizar exames de vista
anualmente, mesmo sem apresentar sintomas. “No caso de crianças, idosos e
pacientes com doenças como diabetes e hipertensão, essa frequência pode ser
ainda maior”, recomenda.
Sinais de
alerta
Alguns sintomas
devem levar a uma consulta oftalmológica com urgência, como visão turva ou
embaçada repentina; dores nos olhos; vermelhidão persistente; flashes de luz;
manchas ou pontos escuros na visão; perda súbita da visão e traumas oculares.
“Esses sinais
podem indicar desde infecções até condições mais graves, como descolamento de
retina ou crises agudas de glaucoma”, afirma a médica.
Telas e o impacto na visão das crianças
O uso excessivo de celulares, tablets e computadores tem afetado diretamente a
saúde ocular, especialmente entre crianças e adolescentes. O tempo prolongado
em frente às telas está relacionado ao aumento da fadiga ocular, ressecamento
dos olhos, dores de cabeça e piora da miopia. “Além disso, o uso precoce e
excessivo das telas tem reduzido o tempo de exposição à luz natural, fator que
protege contra o avanço da miopia infantil”, explica.
Doenças sistêmicas e saúde ocular
Doenças como diabetes e hipertensão arterial afetam diretamente os olhos. “Pacientes diabéticos, por exemplo, podem desenvolver retinopatia diabética, que compromete os vasos da retina. Já a hipertensão pode causar alterações vasculares que impactam a visão”, explica. O acompanhamento oftalmológico permite detectar essas alterações precocemente, ajudando no controle das doenças de base e na preservação da visão.
Além da prevenção, é importante adotar hábitos como:
- Usar óculos de sol com proteção UV;
- Evitar coçar os olhos;
- Lavar as mãos com frequência;
- Dormir bem e manter a hidratação;
- Fazer pausas regulares durante o uso de telas;
- Ter uma alimentação rica em nutrientes como vitamina A, ômega-3 e
antioxidantes.
A
especialista também faz um alerta sobre o uso indiscriminado de colírios.
“Muitos colírios têm corticoides ou vasoconstritores, que podem causar sérios
efeitos adversos se usados sem orientação médica. O ideal é nunca se
automedicar”, reforça a oftalmologista.
Hospital Japonês Santa Cruz

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