Com aumento nos diagnósticos, tema ganha relevância entre médicos e população
Apesar de provocarem reações semelhantes, alergia e
intolerância alimentar têm causas bem distintas e entender essa diferença é
essencial para um tratamento eficaz. Enquanto a alergia alimentar envolve uma
resposta do sistema imunológico a determinados alimentos, com maior frequência
entre crianças pequenas, a intolerância alimentar está relacionada à
dificuldade do organismo em digerir certas substâncias, afetando principalmente
adultos.
Para ilustrar essa diferença, a Dra. Yara Mello, médica
alergologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, explica: “Quando
falamos de alergia ao leite de vaca, por exemplo, estamos diante de uma
sensibilidade alérgica específica às proteínas do leite. Já no caso da intolerância,
o problema está na deficiência da enzima lactase, responsável por digerir a
lactose, o açúcar presente nesse alimento”.
Nos últimos anos, tanto os casos de alergia quanto os de
intolerância alimentar vêm apresentando crescimento em escala global. Segundo
especialistas, esse aumento está relacionado não apenas a mudanças no estilo de
vida e nos hábitos alimentares, mas também ao maior acesso a diagnósticos e ao
avanço do conhecimento médico sobre o tema.
Esse cenário tem levado os médicos a utilizarem o termo
“fenômeno epigenético” para explicar como o ambiente e os comportamentos podem
influenciar a expressão genética. No caso das alergias e intolerâncias, essas
alterações epigenéticas tornam o organismo mais vulnerável a reagir negativamente
a certos alimentos, algo que pode se manifestar ao longo da vida ou, até mesmo,
ser transmitido para as próximas gerações.
Prevalência
De acordo com dados da OMS, de 200 a 250 milhões de pessoas sofrem com alergia a algum tipo
de alimento no mundo. A condição alérgica atinge, principalmente, a faixa
etária infantil entre 0 e 6 anos, em torno de 5% a 10% dessa população.
A intolerância alimentar é mais prevalente e os números
apontam que até 20% da população sejam afetados.
Essa tendência mundial se repete no Brasil. Segundo a
Sociedade Brasileira de Pediatria, a alergia é mais comum em crianças, com
prevalência de aproximadamente 6% em menores de três anos. Em adultos, a
incidência é de 3,5%, sendo que 2,2% se referem à alergia à proteína do leite de
vaca
Possíveis fatores de aumento de casos
A exposição à poluição e o aumento do consumo de alimentos
ultraprocessados e de antibióticos, por exemplo, respondem em parte pelo
aumento da incidência de alergias e intolerâncias
alimentares nos últimos 20 anos.
Nas crianças, especialmente, há outros dois fatores que
levam ao aumento de casos: número elevado de partos cesarianas, que pode afetar
o sistema imunológico e aumentar o risco de desenvolvimento de doenças
alérgicas, e redução do aleitamento materno, já que ele contém anticorpos que
ajudam a proteger contra alergias.
Sintomas, diagnóstico e tratamento
Os sintomas nos dois casos são muito semelhantes e a procura pelo médico é preponderante para
identificar o que afeta o paciente e assim prescrever os medicamentos e as
condutas a serem adotadas.
Desconforto gástrico, dor abdominal, vômitos, diarreia são
sinais de que algo não vai bem e está na hora de entender o que se passa.
Dra. Yara Mello lembra ainda que “a alergia alimentar pode
apresentar sintomas mais graves, acometendo outros órgãos, com lesões cutâneas
(urticária), respiratório (falta de ar) e até mesmo choque anafilático.
O diagnóstico é feito por meio da anamnese (coleta de
informações sobre o histórico de saúde do paciente) e exames específicos.
Para o tratamento, “o mais importante é realizar
diagnóstico preciso para estabelecer a conduta mais adequada”, esclarece a
médica. Ela ainda destaca que “no caso da alergia alimentar, identificar o
alimento e realizar a sua exclusão é o primeiro passo”, informa Dra. Yara
Mello.
Mas esse alimento pode ser reintroduzido, em alguns casos,
com a realização da técnica da indução de tolerância, tentativa que pode ser
bem-sucedida”, esclarece a alergologista do Hospital Edmundo Vasconcelos.
A médica também esclarece que se houver intolerância por
falta de alguma enzima o tratamento pode se resumir em sua reposição.
Nutrição
O planejamento nutricional para o tratamento das alergias
e intolerâncias alimentares deve sempre ser seguido, “uma vez que a exclusão de
alimentos pode implicar na não ingesta de nutrientes importantes, revela a
alergologista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário