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terça-feira, 8 de julho de 2025

Alergia ou intolerância alimentar: qual a diferença?

Com aumento nos diagnósticos, tema ganha relevância entre médicos e população

 

Apesar de provocarem reações semelhantes, alergia e intolerância alimentar têm causas bem distintas e entender essa diferença é essencial para um tratamento eficaz. Enquanto a alergia alimentar envolve uma resposta do sistema imunológico a determinados alimentos, com maior frequência entre crianças pequenas, a intolerância alimentar está relacionada à dificuldade do organismo em digerir certas substâncias, afetando principalmente adultos.


Para ilustrar essa diferença, a Dra. Yara Mello, médica alergologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, explica: “Quando falamos de alergia ao leite de vaca, por exemplo, estamos diante de uma sensibilidade alérgica específica às proteínas do leite. Já no caso da intolerância, o problema está na deficiência da enzima lactase, responsável por digerir a lactose, o açúcar presente nesse alimento”.

 

Nos últimos anos, tanto os casos de alergia quanto os de intolerância alimentar vêm apresentando crescimento em escala global. Segundo especialistas, esse aumento está relacionado não apenas a mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares, mas também ao maior acesso a diagnósticos e ao avanço do conhecimento médico sobre o tema.

 

Esse cenário tem levado os médicos a utilizarem o termo “fenômeno epigenético” para explicar como o ambiente e os comportamentos podem influenciar a expressão genética. No caso das alergias e intolerâncias, essas alterações epigenéticas tornam o organismo mais vulnerável a reagir negativamente a certos alimentos, algo que pode se manifestar ao longo da vida ou, até mesmo, ser transmitido para as próximas gerações.


 

Prevalência


De acordo com dados da OMS, de 200 a 250 milhões de pessoas sofrem com alergia a algum tipo de alimento no mundo. A condição alérgica atinge, principalmente, a faixa etária infantil entre 0 e 6 anos, em torno de 5% a 10% dessa população.

 

A intolerância alimentar é mais prevalente e os números apontam que até 20% da população sejam afetados.


Essa tendência mundial se repete no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a alergia é mais comum em crianças, com prevalência de aproximadamente 6% em menores de três anos. Em adultos, a incidência é de 3,5%, sendo que 2,2% se referem à alergia à proteína do leite de vaca


 

Possíveis fatores de aumento de casos


A exposição à poluição e o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e de antibióticos, por exemplo, respondem em parte pelo aumento da incidência de alergias e intolerâncias alimentares nos últimos 20 anos.

 

Nas crianças, especialmente, há outros dois fatores que levam ao aumento de casos: número elevado de partos cesarianas, que pode afetar o sistema imunológico e aumentar o risco de desenvolvimento de doenças alérgicas, e redução do aleitamento materno, já que ele contém anticorpos que ajudam a proteger contra alergias.


 

Sintomas, diagnóstico e tratamento


Os sintomas nos dois casos são muito semelhantes e a procura pelo médico é preponderante para identificar o que afeta o paciente e assim prescrever os medicamentos e as condutas a serem adotadas.


Desconforto gástrico, dor abdominal, vômitos, diarreia são sinais de que algo não vai bem e está na hora de entender o que se passa.

 

Dra. Yara Mello lembra ainda que “a alergia alimentar pode apresentar sintomas mais graves, acometendo outros órgãos, com lesões cutâneas (urticária), respiratório (falta de ar) e até mesmo choque anafilático.

 

O diagnóstico é feito por meio da anamnese (coleta de informações sobre o histórico de saúde do paciente) e exames específicos.

 

Para o tratamento, “o mais importante é realizar diagnóstico preciso para estabelecer a conduta mais adequada”, esclarece a médica. Ela ainda destaca que “no caso da alergia alimentar, identificar o alimento e realizar a sua exclusão é o primeiro passo”, informa Dra. Yara Mello.

 

Mas esse alimento pode ser reintroduzido, em alguns casos, com a realização da técnica da indução de tolerância, tentativa que pode ser bem-sucedida”, esclarece a alergologista do Hospital Edmundo Vasconcelos.


A médica também esclarece que se houver intolerância por falta de alguma enzima o tratamento pode se resumir em sua reposição.

 

Nutrição


O planejamento nutricional para o tratamento das alergias e intolerâncias alimentares deve sempre ser seguido, “uma vez que a exclusão de alimentos pode implicar na não ingesta de nutrientes importantes, revela a alergologista.

 

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