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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Muito além do Outubro Rosa: apenas fazer exames não é cuidar da saúde. Autoconhecimento e bons hábitos são fundamentais


Qual a idade certa para fazer uma mamografia? Devo ir todo ano? Soube de casos na minha família, preciso me preocupar? Qual a relação da gravidez e da amamentação com esses tipos de câncer? Estas são algumas das preocupações comuns entre as mulheres que querem manter a saúde e os exames em dia.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 65 mil novos casos de câncer de mama são diagnosticados por ano no Brasil. Já o câncer de colo de útero é diagnosticado em mais de 16 mil mulheres por ano. A preocupação com a prevenção e rastreamento precoce desses casos é muito grande, pois facilita o tratamento precoce e assim aumenta a taxa de cura - mas há muito mais para fazer do que ir ao médico e realizar exames no último trimestre do ano.


Quer reduzir as chances? Hábitos importam mais

Segundo o INCA, cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis, como praticar atividade física, evitar fumar de forma ativa ou passiva e manter o peso corporal adequado. A obesidade e o sedentarismo estão entre os principais fatores de risco apontados pelo INCA. Já sobre o câncer de colo de útero, a prática sexual sem o uso de preservativos contribui para a exposição ao HPV, responsável por 70% dos casos da doença.

"O mês de conscientização é sim muito importante, porque destaca a importância do cuidado com a saúde. Mas não podemos esquecer que a prevenção ainda é o melhor caminho para evitar doenças como o câncer", diz Gustavo Landsberg, médico e líder de Gestão de Saúde Populacional da Sami, operadora de saúde de São Paulo.

O autoconhecimento também pode ser relevante para o rastreamento dessas doenças: para o câncer de mama, além dos nódulos (caroços) fixos e indolores, alterações e inchaços em toda a região dos seios e axilas são sinais de alerta. No câncer de colo de útero, os sintomas aparecem em casos mais avançados, com sangramentos vaginais, corrimentos e dores anormais. Porém, o auto-exame é uma questão ainda controversa: se por um lado alguns casos são identificados precocemente, por outro, frequentemente são encontrados nódulos considerados normais para a idade (falsos positivos), que levam a biópsias e sofrimentos desnecessários.


Hipermonitoramento pode levar a erros

A atenção aos sinais do corpo é essencial para o rastreamento precoce dessas doenças e garante tratamentos menos agressivos. No entanto, a má interpretação de sinais e a falta de conhecimentos sobre as recomendações médicas podem levar pacientes a exames, cirurgias e outros tratamentos desnecessários. É o que conta Gustavo Landsberg, médico e líder de Gestão de Saúde Populacional da Sami, operadora de saúde de São Paulo.

"Percebemos muitas vezes em mulheres jovens que a densidade das mamas pode atrapalhar o diagnóstico e gerar resultados incorretos de câncer de mama. Antes dos 25 anos, as infecções por HPV e as lesões de baixo grau no colo do útero podem regredir espontaneamente na maioria dos casos. Ambos os casos podem ser apenas acompanhados clinicamente", conta o médico.

Em muitos casos, a prevenção desordenada pode gerar situações de sofrimento desnecessário ao paciente, porque exames realizados fora da idade recomendada podem gerar falsos positivos, ou gerar resultados para pacientes que não tem mais idade recomendada para tratar o problema. "Nós sempre reforçamos a importância de se manter uma vida saudável e buscar fazer os exames de rotina dentro dos prazos recomendados. Nossa preocupação é não expor pacientes a risco de hipermedicalização nem recomendar práticas sem base científica", diz Landsberg.

Além disso, entender qual a rotina a ser seguida para os exames de prevenção ao câncer de mama e o câncer de colo de útero é uma boa forma de poupar recursos e tempo das pacientes.

Para evitar situações de estresse e ansiedade, Landsberg indica o quadro abaixo, que mostra algumas respostas para dúvidas frequentes sobre ambos os tipos de câncer: (Fonte: Instituto Nacional do Câncer - INCA).


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