Não é novidade
afirmar que a pandemia acarretou problemas de saúde em diferentes níveis,
inclusive não relacionados à Covid-19. No entanto, ao contabilizar o quanto
isso impactou a vida dos trabalhadores, fica evidente a dimensão do problema e
de novas questões que surgiram.Para um número significativo de pessoas em idade
ativa para o mercado de trabalho, seja por mudanças comportamentais ou
laborais, a pandemia resultou em um aumento da incapacidade para o trabalho por
adoecimento. De acordo com informações do Ministério da Economia, em 2020,
foram concedidos 26% mais benefícios previdenciários do que em 2019. Isso
quer dizer que mais dias de trabalho foram perdidos por motivo de doença. No
ano passado, foram cerca de 576 mil afastamentos pelo INSS.
Mudanças de
comportamento e capacidade de adaptação dos indivíduos relacionam-se ao
desenvolvimento ou agravamento de doenças. Nesse sentido, o adoecimento por
problemas na saúde mental dos trabalhadores merece destaque.
De acordo com o
banco de dados da 3778, empresa que tem entre os seus produtos o gerenciamento
de afastados de companhias em diferentes setores da economia, na comparação
entre os anos de 2019 e 2020, o número de dias de afastamento por
transtornos mentais aumentou 47% para cada mil funcionários. O aumento
chama a atenção por ser superior ao observado entre as doenças osteomusculares
- cerca de 36% - grupo bastante significativo no quadro de benefícios do INSS,
tanto na base da 3778, quanto na base da instituição.
O processo de
afastamento tem desdobramentos e impactos em diferentes esferas: o trabalhador
precisa agendar perícia no INSS e aguardar o recebimento do auxílio; a empresa
perde força de trabalho e o poder público tem aumento das despesas
relacionadas, além de precisar adequar sua capacidade de atendimento. Ou seja,
tem-se uma reação em cadeia com possíveis sequelas que ainda estão sendo
medidas.
Segundo a pesquisa
"ConVid Comportamentos", realizada pela FIOCRUZ em parceria com a
Unicamp e a UFMG, durante a pandemia, 34% dos fumantes aumentaram o consumo de
cigarros ao dia; cerca de 17% das pessoas passaram a ingerir mais álcool; e o
tempo gasto em TV, computador e tablet aumentou em mais de uma hora por dia.
Enquanto isso, o percentual de pessoas que realizam atividade física semanal
reduziu de 30,4% para 12,6%.
Todos esses novos
hábitos, vivenciados por uma população de adultos jovens em plena capacidade de
trabalho, junto às incertezas e inseguranças do momento, contribuíram para o
aumento dos afastamentos. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho)
as interações entre ambiente profissional, conteúdo do trabalho, condições
organizacionais, entre outras, podem influenciar a saúde do colaborador.
Por isso, as
práticas de acompanhamento da saúde dos trabalhadores dentro das organizações
são, e continuarão sendo, cada vez mais necessárias para evitar o adoecimento,
otimizar os tratamentos e, assim, reduzir os impactos dos afastamentos para os
indivíduos, organizações e toda a sociedade.
Érika Abritta -
diretora de gestão de afastados e perícias médicas do Grupo 3778.
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